terça-feira, 22 de maio de 2018

O anúncio de Temer

O presidente golpista e ilegítimo Michel Temer declarou que não será candidato nas eleições de outubro. O anúncio de Temer é um dos fatos mais insólitos de que se tem notícia em muitos anos. Afinal, quem, em sã consciência, poderia cogitar a candidatura de um presidente recordista em impopularidade? Pelo visto, Temer entendia que isso era possível. Depois de revelar que não irá concorrer, Temer lançou o ex-ministro da Fazenda, Henrique Meireles, como candidato do PMDB a presidente. As chances de Meireles se eleger são tão factíveis quanto seriam as de Temer. Meireles só exerceu cargos técnicos, não tem carisma, e fez parte do governo Temer, o que não favorece nenhum candidato. Por mais tempo de tevê que o PMDB disponha no horário eleitoral, e mesmo lançando mão de marqueteiros, não há como tornar Meireles um candidato palatável para a maioria do eleitorado. Ainda bem, pois Meireles, caso fosse eleito, seria um presidente voltado para os interesses do mercado, e alheio às necessidades da população. Depois de muitos anos em que não teve candidato próprio a presidente, o PMDB, ao que parece, vai ter o seu representante na eleição de 2018, mas só para marcar presença.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Melhor do que o esperado

A vitória era inadiável. Afinal, o Inter não vencia nem marcava gols há cinco jogos. Devido aos demais resultados da rodada do Campeonato Brasileiro, o Inter ingressara na zona de rebaixamento. Assim, o jogo contra a Chapecoense, hoje, no Beira-Rio, era envolto pela ansiedade em pôr fim ao jejum de gols e vitórias. Porém, em campo, não houve sofrimento. Tudo foi melhor do que o esperado. O Inter goleou a Chapecoense por 3 x 0, ao natural, sem fazer muito esforço. O resultado fez o Inter subir sete posições na classificação, chegando ao décimo lugar. Resta saber se o Inter venceu apenas por ter enfrentado um adversário mais fraco em relação ao jogos anteriores, ou se o resultado de hoje será o início de uma fase mais positiva. O próximo jogo, contra o Corinthians, no Beira-Rio, poderá ser um forte indicativo na busca para solucionar essa dúvida.

domingo, 20 de maio de 2018

Empate inadmissível

O terceiro empate em 0 x 0 em seis rodadas do Campeonato Brasileiro. Esse foi o resultado obtido pelo Grêmio, hoje, contra o Paraná, no Durival Brito. Com isso, em dezoito pontos disputados no Brasileirão, até agora, o Grêmio fez apenas nove, e está num nada honroso oitavo lugar na classificação. Foi um empate inadmissível, pois o Grêmio jogou contra o lanterna absoluto da competição, que só ganho um ponto até então. O Grêmio teve o domínio do jogo e a posse de bola na maior parte do tempo, como de costume, mas não conseguiu criar chances de gol contra um adversário fraquíssimo. O problema não é novo, já havia aparecido uma semana antes, no Gre-Nal. Contra o Atlético Paranaense, sobraram chances para marcar, mas faltou qualidade nas conclusões. A ineficiência ofensiva do Grêmio começa a preocupar. Os últimos gols marcados pelo Grêmio, contra o Monagas, na terça-feira, resultaram de um chute sem muita força, de fora da área, que o goleiro aceitou, e de um pênalti. André, centroavante que chegou carregado se expectativas, ainda não disse a que veio. Os dois únicos gols que marcou foram bolas em que ele apenas completou para as redes, sem maior esforço. No Gre-Nal, perdeu um gol feito. A alegação do técnico Renato, de que os times estão jogando regravados contra o Grêmio, é risível. Cabe a ele arrumar soluções para furar essas retrancar. Mais uma vez, o Grêmio está jogando fora um Campeonato Brasileiro que poderia vencer até com tranquilidade, o que é lamentável .

sábado, 19 de maio de 2018

Nada mudou

O quadro de deterioração política que vive o país deveria ensejar uma tentativa, mesmo que tímida, de uma mudança que pudesse dar aos eleitores uma mínima perspectiva de tempos melhores. Afinal, teremos eleições em outubro. Porém, na movimentação de partidos e pré-candidatos, percebe-se que nada mudou, e que a política continua sendo marcada por projetos pessoais dissociados do interesse público. Os partidos não tem nenhuma coerência ideológica, são meros balcões de negócios, com raras exceções. Um exemplo dessa triste situação ocorre no Partido Socialista Brasileiro - PSB. O partido só é socialista no nome, e faz composições políticas com partidos conservadores sem o menor pudor. Uma situação vivida pelo partido no Rio Grande do Sul exemplifica isso. O ex-prefeito de Porto Alegre José Fortunati ingressou no PSB com a promessa de concorrer a senador pelo partido nas próximas eleições. O fato gerou a ira do ex-deputado federal Beto Albuquerque, que pretende concorrer ao mesmo cargo e não admite perder a vez para um recém chegado na sigla. Ocorre que, nas eleições desse ano, serão eleitos dois senadores em cada unidade da federação. Sendo assim, porque não se candidatam ambos? Porque o partido, de olho no aumento de suas bancadas na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados precisa fazer alianças com outras siglas, e ocupar as duas candidaturas a senador torna isso inviável. Beto Albuquerque não abre mão de sua candidatura e chegou a alertar José Fortunati de que se ele fazia questão de concorrer a senador deveria se filiar a um outro partido. Se Fortunati insistir em seu propósito, Albuquerque irá forçar a realização de uma prévia. Fortunati, por sua vez, não admite essa hipótese, pois ingressou no PSB por lhe ter sido prometido que concorreria a senador pelo partido. Essa briga por espaço partidário e composições de chapas mostra que a política, no Brasil, continua a ser feita para atender aspirações individuais e conluios partidários, sem compromissos ideológicos nem preocupações com o interesse público. Um triste panorama, que não irá mudar tão cedo.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

A trapaça de Platini

Michel Platini, ex-presidente da UEFA, foi um dos grandes jogadores de futebol em todos os tempos. Na França, onde nasceu, só Zidane é capaz de rivalizar com ele na condição de melhor jogador da história do país. A biografia de Platini, no entanto, foi manchada com o seu afastamento do cargo na UEFA por envolvimento em corrupção. Agora, Platini, numa entrevista para uma rádio francesa, comprometeu ainda mais a sua imagem. Rindo, Platini confessou que, como um dos membros da organização da Copa do Mundo de 1998, na França, participou de um truque para que a seleção de seu país não enfrentasse a brasileira antes da decisão da competição. "Uma decisão entre as duas seleções era o que todos desejavam", justificou Platini. Embora a trapaça de Platini não represente uma manipulação de resultados, e sim um direcionamento de tabela, ela corrói ainda mais a credibilidade das instituições que administram o futebol, já tão desgastada após sucessivos escândalos. Se dentro de campo o futebol ainda apresenta algum brilho, embora escasso em comparação com épocas anteriores, fora dele só faz ficar cada vez pior.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Liderança permanente

Uma nova pesquisa sobre a intenção de voto para a eleição presidencial desse ano foi realizada. O resultado foi o mesmo de tantas outras já feitas anteriormente, com o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva em primeiro lugar no total dos cenários propostos. Com a prisão de Lula, há mais de um mês, muitos esperavam que, nas pesquisas seguintes, ele já não estivesse em primeiro lugar. Porém, Lula tem uma liderança permanente, desde que as pesquisas foram iniciadas. O recado da maioria dos eleitores é o de que Lula é o seu candidato preferido para ser o próximo presidente do Brasil. Nem mesmo a prisão de Lula foi capaz de alterar essa escolha. Por força de um golpe urdido pela elite brasileira, com amplo apoio da imprensa, o candidato da maioria dos eleitores brasileiros não poderá concorrer. Desde o início, ficou claro que a perseguição contra Lula tinha um único objetivo, o de impedir sua participação na eleição presidencial. Afinal, é sabido que, se Lula  concorrer, sua vitória é certa. A prisão de Lula, injusta e premeditada, em nada diminuiu o seu conceito junto ao eleitorado. Lula, a cada dia, solidifica a preferência dos eleitores pelo seu nome. Seus algozes, ao contrário, se tornam mais insignificantes com o decorrer do tempo.

terça-feira, 15 de maio de 2018

Gramado impraticável

No futebol, nem sempre as vitórias são obtidas com bom desempenho. Por vezes, elas são fruto da superação de obstáculos. Foi dessa forma que o Grêmio venceu o Monagas (VEN) por 2 x 1, hoje, no Monumental de Maturin, pela Libertadores. A vitória era imperativa para o Grêmio, que almeja ser o primeiro colocado de sua chave e, se possível, de toda a fase de grupos da competição. Ela se tornou ainda mais obrigatória após o Cerro Porteno ter vencido o Defensor por 1 x 0, fora de casa, com um gol nos acréscimos, pouco antes do jogo do Grêmio. As dificuldades do Grêmio, no entanto, não eram poucas. O time entrou em campo com apenas cinco titulares, em função das lesões e do desgaste físico resultantes do exaustivo calendário de jogos. Porém, o maior entrave para que o Grêmio pudesse vencer era o gramado impraticável do estádio venezuelano. O Grêmio, mesmo diante de um adversário modesto, não jogava bem. Como de costume, o Grêmio teve maior posse de bola, mas não conseguia traduzir isso em oportunidades de gol. O jogo se arrastava num 0 x 0 que parecia definitivo quando um chute de longa distância de Ramiro, contando com uma falha do goleiro, fez o Grêmio abrir o placar. Embora tenha recuado muito após marcar o gol, cedendo a bola para o Monagas, o Grêmio  não era ameaçado. Até que o impensável aconteceu. Kannemann, de atuação impecável durante todo o jogo, marcou um gol contra nós acréscimos. O empate seria desastroso para o Grêmio, pois praticamente lhe tiraria a chance de ser o primeiro colocado do grupo. Foi então que, no último lance do jogo, Cícero sofreu um pênalti. Na cobrança, Jailson fez o gol da vitória. Com o resultado, o Grêmio voltou a liderar o grupo, e só depende de si para confirmar essa posição na última rodada. Afora isso, já está classificado por antecipação, para as oitavas de final. Foi uma vitória com pouco futebol e toques dramáticos, num gramado horroroso, mas que dá prosseguimento a excelente fase vivida pelo Grêmio.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Convocação

Ocorreu, hoje, a convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo, na Rússia, que começará daqui a 31 dias. Como de costume, a lista apresentou inclusões incompreensíveis, e esquecimentos absolutamente injustos. As convocações de Fred e Taison, ambos do Shakhtar Donetsk, são inexplicáveis pelo critério da qualidade do futebol que praticam. Arthur, do Grêmio, jamais poderia ser preterido por Fred. Em vez de Taison, haveria uma gama de jogadores de melhor nível que poderiam ser chamados. A política de compadrio do técnico da Seleção Brasileira, Tite, mais uma vez se fez presente. Tite convocou vários jogadores que já trabalharam com ele em clubes, como Cássio, Fagner e Renato Augusto, no Corinthians, e Taison, no Inter. Não é um bom critério, em se tratando da Seleção. Afinal, como o próprio termo define, uma seleção é a triagem dos melhores jogadores de um país, não a reunião dos homens de confiança de seu técnico. Dessa forma, mais uma vez, a Seleção irá para uma Copa do Mundo sem a sua melhor composição possível. Afora isso, ao contrário de outras épocas, a Seleção só possui um jogador fora de série, Neymar. Entre os demais, há jogadores de grande nível, mas nenhum extraclasse, o que demonstra a escassez na revelação de valores no futebol brasileiro, em comparação com décadas anteriores. Por sua tradição, a Seleção Brasileira está entre as que devem ser apontadas no rol de candidatas ao título da Copa do Mundo na Rússia, mas sem o favoritismo destacado de outros tempos.

domingo, 13 de maio de 2018

A revelação da CIA

Um assunto tem tomado conta do país e gerado reações diversas, conforme a orientação ideológica de cada um. Foi divulgada, há poucos dias, a revelação da CIA de que o ex-presidente Ernesto Geisel manteve a política de extermínio de oponentes políticos praticada pelo seu antecessor no cargo, Emílio Garrastazu Médici. A notícia não chega a ser uma novidade, mas a confirmação de crimes executados pela ditadura militar causou grande impacto. Os defensores daquele período de trevas no país costumam alegar que o "perigo comunista" ameaçava o Brasil. Dessa forma tentam fazer com que se aceite como natural a prática de torturas e assassinatos de opositores políticos. Durante o regime militar, 401 pessoas foram assassinadas ou desapareceram, apurou a Comissão Nacional da Verdade, que trabalhou por dois anos e meio durante o governo Dilma Rousseff. Desse total, 89 pessoas sofreram com essa ação desumana nos governos de Geisel e do presidente seguinte; João Batista de Oliveira Figueiredo. Conforme destacou o presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, Jair Krischke, o documento divulgado pela CIA comprova que a ditadura militar nada teve de branda; como sustentam alguns. Foi uma das mais duras do Cone Sul. Médici, o mais sanguinário dos presidentes do ciclo militar, eliminou a luta armada contra o regime autoritário. Geisel exterminou civis desarmados. Não poderia ser mais oportuna a revelação feita pela central de inteligência dos Estados Unidos. Afinal, o Brasil vive um momento político deprimente, no qual um apologista da ditadura, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL/RJ) tem expressivos índices de intenções de voto para a eleição presidencial desse ano. A revelação sobre o governo Geisel traz a tona, novamente, a necessidade da anulação da Lei de Anistia, que garantiu a impunidade dos agentes de uma ditadura militar assassina. Ditadores sanguinários e seus comandados devem ser julgados e condenados, como fizeram Argentina e Uruguai. Ditadura, nunca mais!

sábado, 12 de maio de 2018

Arbitragem desastrosa

O Grêmio não jogou uma grande partida, teve dificuldades para criar lances de gol, diante de um adversário que se propôs apenas a se defender, mas o empate de 0 x 0 no Gre-Nal de hoje, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro, esteve longe de ser justo. Afinal, três pênaltis claríssimos deixaram de ser marcados para o Grêmio por uma arbitragem desastrosa. No primeiro tempo, Fabiano empurrou Bruno Cortez. No segundo, Victor Cuesta interceptou a bola com a mão, e Patrick derrubou Luan. Pênaltis indiscutíveis, que foram ignorados pelo árbitro Wilton Sampaio (GO). Uma pergunta que não quer calar é para que servem os árbitros adicionais atrás das goleiras, já que sua visão em lances dentro da área é privilegiada, mas se omitem na tarefa de esclarecimento dos mesmos? O resultado foi frustrante para o Grêmio, cuja superioridade sobre seu maior rival, no momento, é avassaladora. Para o Inter tem um sabor de alívio, por ter empatado um jogo em que temia poder ser goleado. Curiosamente, no entanto, em termos de classificação, o empate foi pior para o Inter. Mesmo que os resultados do restante da rodada lhe sejam inteiramente desfavoráveis, o Grêmio não sairá do grupo dos dez primeiros colocados. Por sua vez, o Inter, que já está numa posição pouco confortável, poderá ingressar na zona de rebaixamento. Depois de três jogos na Arena, por competições diferentes, em que marcara treze gols, o Grêmio voltou a esbarrar num forte esquema defensivo de um adversário, como ocorrera com o Atlético Paranaense, não saindo do 0 x 0. Porém, o "feito" de Atlético Paranaense e Inter deverá ter pouco efeito prático. A trajetória exitosa do Grêmio nas três competições que disputa deverá prosseguir, enquanto os dois adversários que saíram sem derrota da casa gremista seguirão se debatendo com suas limitações.