segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Contratação insensata

A volta de Emerson Sheik ao Corinthians, anunciada hoje pelo clube, é uma contratação insensata. Sheik completará 40 anos em 2018, seu rendimento já não é o mesmo faz tempo, ou seja, é um bom jogador, mas que não pode mais corresponder a expectativa de um grande clube. Na vez anterior em que esteve no Corinthians, Sheik foi decisivo para a conquista do título da Libertadores de 2012, e tornou-se ídolo da torcida. Porém, seis anos transcorreram desde então. Se, na época, Sheik era um veterano em ótima forma, atualmente é, na prática, um ex-jogador. Em 2017, na Ponte Preta, amargou o rebaixamento para o Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão. Sua contratação pelo atual campeão brasileiro se apresenta como um fato sem sentido. Se Sheik foi contratado para ser um reforço, é um erro de avaliação grave. Se foi para reverenciar um ídolo, uma homenagem seria o mais adequado, sem onerar os cofres do clube com um jogador que não lhe será útil.




domingo, 14 de janeiro de 2018

Uma história que se repete

Mais uma vez, o Grêmio foi eliminado precocemente da Copa São Paulo de Futebol Júnior. Ao perder para o Goiás por 1 x 0, hoje, o Grêmio ficou fora da sequência da competição. Essa é uma história que se repete a cada ano. O Grêmio nunca foi campeão dessa que é a mais prestigiosa disputa do gênero no país. Sua melhor campanha foi o vice-campeonato em 1991, com um time que tinha, entre outros, Danrlei e Roger, futuros multicampeões pelos profissionais do clube. Na decisão, no entanto, o Grêmio foi goleado por 4 x 0 pela Portuguesa, que tinha Dener como seu maior destaque. Esse desempenho histórico modesto é incompatível com a grandeza do Grêmio. Seu maior rival, o Inter, já ganhou a competição quatro vezes, por exemplo. A verdade é o que o Grêmio nunca encarou a competição com a seriedade que ela merece. O Inter, agora, é o único representante do Rio Grande do Sul na disputa, e pode continuar aspirando a conquista de seu quinto título. Resta esperar que, um dia, o Grêmio venha a comportar-se de acordo com a sua grandeza, e torne-se um postulante ao título da Copa São Paulo de Futebol Júnior, e não um mero participante sem maiores aspirações, o que é característico de clubes menores.

sábado, 13 de janeiro de 2018

A insuportável supremacia do sertanejo

A música brasileira, antes tão vigorosa e diversificada, vive um processo de empobrecimento assustador. Seus velhos ícones parecem ter esgotado seu veio criativo. Os novos nomes que surgem não tem a mesma força e expressão desses grandes ídolos. Em meio a isso, tirando proveito desse quadro desolador, um ritmo tornou-se onipresente nos meios de divulgação da música, o sertanejo. Na televisão, principalmente, a música sertaneja reina de forma quase absoluta. A insuportável supremacia do sertanejo é a tradução mais fiel da pobreza criativa da música brasileira atual. Depois da explosão de duplas sertanejas, ocorrida há alguns anos, agora são as cantoras desse gênero que vão surgindo aos magotes. O fenômeno já foi denominado de "feminejo". O fato é que, seja com duplas, masculinas ou femininas, com cantores ou cantoras, o sertanejo é um suplício para os ouvidos. Melodias pobres e letras indigentes caracterizam a música sertaneja atual, que pouco ou nada tem a ver com a raiz do gênero, representada, em tempos idos, por duplas como Pena Branca e Xavantinho, por exemplo. Como qualquer outro gênero musical, o sertanejo tem o direito de buscar o seu lugar. O que não é admissível é que se torne o único a ter espaço nos meios de divulgação. A música brasileira sempre se caracterizou pela diversidade, não pode ser reduzida a um único gênero.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Demofobia

Uma característica em comum pode ser claramente observada entre o presidente golpista e ilegítimo, o governador do Rio Grande do Sul e o prefeito de Porto Alegre. Todos são adeptos da demofobia, ou seja, tem horror ao povo. Sob o argumento, sempre sedutor para ouvidos de defensores do neoliberalismo, da responsabilidade fiscal e do corte de despesas, atacam de forma cruel os setores mais carentes e desassistidos da sociedade. O prefeito de Porto Alegre, Nélson Marchezan Júnior, um playboy mimado, filho do líder do governo militar na Câmara dos Deputados, parece empenhado a acabar com o Carnaval da cidade. Pelo segundo ano consecutivo, os desfiles das escolas de samba de Porto Alegre ocorrerão fora do período de realização do Carnaval. A prefeitura, desde 2017, ano em Marchezan Júnior tomou posse, cortou a ajuda oficial para os desfiles. Outra medida contra os interesses da parcela mais pobre da população foi a não abertura da piscina comunitária do Cecopam nesse verão, uma das quatro do gênero que funcionam na cidade para proporcionar lazer aos que não tem recursos financeiros para frequentar as praias nessa época do ano. O governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori, o mais inepto e incompetente a exercer o cargo, em todos os tempos, desde o início de sua administração parcela salários de servidores públicos. Sua solução para os problemas financeiros do Estado é propor a venda de estatais, ou seja, transferir património público para mãos privadas. O presidente golpista e ilegítimo Michel Temer concedeu um aumento de pouco mais de 1% para o salário mínimo. Antes, havia realizado uma reforma trabalhista que só atende aos interesses da classe patronal. Temer também quer aprovar uma reforma da Previdência que praticamente irá negar aos brasileiros a possibilidade de se aposentarem. O que está por trás das ações de Temer, Sartori e Marchezan Júnior é a fidelidade aos seus financiadores, os grandes empresários. Suas medidas administrativas são a retribuição a quem sustentou financeiramente suas campanhas. O povo, nesse contexto, é mera massa de manobra, pronta a ser sacrificada para que a injustiça social se perpetue no país, e que os privilegiados de sempre não tenham os seus interesses ameaçados.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

A saída de Odorico Roman

Uma velha máxima do futebol diz que em time que está ganhando não se mexe. A frase, no entanto, não é usada apenas para se referir aos jogadores que entram em campo por um clube, nem se limita ao universo futebolístico. Ela é citada para afirmar que estruturas vitoriosas devem ser mantidas, sem alterações. Assim, a saída de Odorico Roman do cargo de vice-presidente de futebol do Grêmio é uma notícia preocupante. Odorico foi bem sucedido no cargo, que ocupou durante o ano de 2017. Substituir alguém que foi exitoso no exercício de uma função nunca é tarefa fácil. O presidente do Grêmio, Romildo Bolzan Júnior, terá de ser extremamente inspirado na escolha do novo vice-presidente de futebol do clube. Antes de ocupar o cargo, Odorico já era muito ativo nas redes sociais, onde não deixava passar nenhum agravo da imprensa ao Grêmio. O fato, como não poderia deixar de ser, sofreu críticas de alguns cronistas, mas é um posicionamento de correta defesa do clube, e que agrada em cheio ao torcedor. Em questões dentro e fora do campo, portanto, Odorico se saiu bem. Vai fazer muita falta, e deixará uma grande responsabilidade para quem entrar em seu lugar.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Valores absurdos

O futebol europeu segue pagando valores absurdos na aquisição de jogadores em seu mercado. O Barcelona acaba de contratar o meia brasileiro Philipe Coutinho,  que estava no Liverpool, por 160 milhões de euros. Esse valor equivale a 622 milhões de reais, e é o segundo maior já pago por um jogador. Só Neymar, que custou mais de 800 milhões de reais, ao sair do Barcelona para o Paris Saint Germain, foi mais caro. Convenhamos, nenhum jogador, por melhor que seja, justifica que se paguem quantias tão altas por sua aquisição. O mais grave é que os mesmos clubes europeus que, entre si, negociam jogadores por essas quantias estratosféricas, regateiam preços quando desejam fazer contratações fora do seu continente. O mesmo Barcelona que contratou Philipe Coutinho por um valor tão superlativo, não quer pagar 50 milhões de euros por Arthur, do Grêmio. O futebol europeu, claramente, virou um grande centro de lavagem de dinheiro, pois não pode haver outra justificativa para o pagamento de somas tão altas. Essa situação cria um desequilíbrio cada vez maior entre a Europa e os demais continentes no cenário do futebol. Só quem poderia fazer algo para modificar esse quadro é a Fifa, instituição responsável pelo futebol mundial, mas ela também só se preocupa em ganhar dinheiro. O futebol precisa revisar seus caminhos. O dinheiro não pode ser o único fator a preponderar no mais popular esporte do mundo.

domingo, 7 de janeiro de 2018

Esperando o dia 24

O julgamento do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva pelo Tribunal Federal da Quarta Região, sediado em Porto Alegre, se aproxima. Defensores e detratores de Lula estão esperando o dia 24 do mês em curso com grande ansiedade. Os apoiadores do golpe tentam cercear manifestações em favor de Lula de todas as formas. O prefeito Nélson Marchezan Júnior, filho de um dos mais repugnantes servos da ditadura militar, de quem herdou o nome, chegou a pedir até tropas do exército para garantir a ordem, uma prerrogativa que não existe para o cargo que exerce. Porém, nada impedirá que os defensores de Lula se manifestem. O julgamento do ex-presidente possui dimensão internacional. Os olhos do mundo estarão voltados para o fato. Uma eventual condenação de Lula não se dará de forma passiva e silenciosa. Por mais que a direita não goste disso, Lula é uma personalidade que goza de grande simpatia no exterior. Prova disso é que instituições de trabalhadores de outros países virão acompanhar o julgamento. Seja qual for o resultado, Lula sairá engrandecido do episódio. Se for absolvido, caminhará para uma inevitável vitória na eleição presidencial. Se perder, se tornará um símbolo dos que são vítimas de julgamentos injustos e viciados. Nesse caso, se não puder concorrer, o candidato que vier a indicar terá grandes chances de se eleger. Se os defensores do golpismo pensam em fazer um jogo de cartas marcadas, condenando Lula sem que haja manifestações, podem tirar o cavalinho da chuva. O dia 24 promete grandes emoções para todos.

sábado, 6 de janeiro de 2018

O candidato que ninguém quer

Ao contrário do que sugerem seus propagadores, a candidatura do deputado federal Jair Bolsonaro a presidente é um grande mico. Bolsonaro é o candidato que ninguém quer. O PEN desistiu de abrigar Bolsonaro em suas fileiras. A alegação do partido é de que Bolsonaro e seu grupo queriam adonar-se do PEN, impondo regras como a de não permitir alianças com legendas de esquerda. Afora isso, parlamentares do PSDB que pretendiam migrar para o PSL, que adotaria o nome "Livres", desistiram, já que o partido associou-se a candidatura de Bolsonaro. Esses fatos deixam claro que Bolsonaro é o candidato de si mesmo. Não passa de um bufão cuja importância foi inflada pela imprensa. No final de 2017, assisti parte de sua entrevista ao programa "Canal Livre", da Rede Bandeirantes. Não consegui assistir ao programa na íntegra, por vergonha alheia. Era evidente o seu despreparo. Bolsonaro é apenas mais um personagem do folclore político brasileiro, como Enéas Carneiro, por exemplo. Só ingênuos ou irresponsáveis podem levar Bolsonaro a sério.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Velhas soluções

A bola nem começou a rolar no futebol profissional brasileiro em 2018, e a precariedade do que vem por aí já fica evidente no período de contratações. Enquanto perdem suas revelações cada vez mais cedo, os clubes brasileiros recorrem a velhas soluções para a montagem de seus grupos de jogadores. Um exemplo disso ocorre com Atlético Mineiro e Cruzeiro. O Atlético Mineiro perdeu seu centroavante, Fred, de 34 anos, para o próprio Cruzeiro. Como substituto, contratou Ricardo Oliveira, de 37 anos, que estava no Santos. Fred e Ricardo Oliveira são dois jogadores de bela trajetória no futebol, mas já sofrem a ação do tempo. Fred ainda teve um desempenho satisfatório em 2017, mas Ricardo Oliveira já não consegue ser o goleador de outros tempos. Eles se encaminham para o final de suas carreiras. Ainda assim, são buscados como solução por dois grandes clubes, pois as revelações do futebol brasileiro logo vão para o exterior, como é o caso de Gabriel Jesus, que deixou o Palmeiras para jogar no Manchester City com apenas 19 anos, e Vinicius Júnior, do Flamengo, que foi negociado com o Real Madrid aos 16. O torcedor brasileiro continuará assistindo os jovens talentos do país pela televisão. Nos gramados brasileiros, terá de se contentar com ídolos desgastados pelos muitos anos de atividade. Com a força de suas camisas, os grandes clubes brasileiros continuarão a proporcionar emoções aos seus torcedores no ano que se inicia. Porém, em termos de qualidade, pouco se pode esperar.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

A desfaçatez sem limites

O governo golpista e ilegítimo não se cansa de escarnecer dos brasileiros. O que caracteriza sua atuação é a desfaçatez sem limites. Se havia alguma dúvida sobre isso, hoje ela se dissipou. A deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ) foi nomeada ministra do Trabalho. Cristiane é filha do nefando Roberto Jefferson, o pivô do escândalo do mensalão. Jefferson chegou ao ponto de dizer que a nomeação da filha é a redenção do nome de sua família. Cristiane votou a favor da reforma trabalhista, da terceirização, e da limitação de gastos públicos por 20 anos, ou seja, como ministra do Trabalho é a raposa cuidando do galinheiro. Como não chegou ao poder pelo voto, o governo age com total descaramento. Tudo isso é feito com a cumplicidade da imprensa, e a indiferença dos que bateram panela pedindo o impeachment de uma presidente legitimamente eleita. No Brasil, a cada dia se fica mais claro que nada é tão ruim que não possa piorar.