segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Reforma enterrada

Há muito tempo se sabia que o governo golpista e ilegítimo não tinha os votos necessários para aprovar a abjeta reforma da Previdência. Porém, confiante na capacidade de persuasão que o oferecimento de verbas e vantagens pode operar em parlamentares que não primam pela ética, o governo tentou, até a última hora, obter o quórum suficiente para aprovar a medida. Não conseguiu. Hoje, finalmente, o governo jogou a toalha. A proposta não será votada. Reforma enterrada, o governo lançou factóides na tentativa de amenizar o seu gigantesco fiasco. Antes mesmo da capitulação de hoje, já havia decidido fazer a intervenção na área de Segurança do Estado do Rio de Janeiro. O anúncio serviu como uma cortina de fumaça para a desistência de uma reforma tão propalada. Consumado o fim da reforma, quinze medidas foram anunciadas como forma de desviar o foco do fracasso do governo em aprovar a proposta. Mero jogo de cena. Os atuais detentores do poder não tem legitimidade, só estão nos seus cargos em função de um golpe espúrio. Nada mais natural que suas iniciativas naufraguem continuamente. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, declarou que a reforma será votada pelo próximo governo. Retórica vazia. A reforma da Previdência não sai mais. Para o bem do povo brasileiro

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Mau futebol

Foi um jogo de péssimo nível técnico. O 0 x 0 entre São Paulo de Rio Grande e Inter, hoje, no Aldo Dapuzzo, pelo Campeonato Gaúcho, representa a consequência natural do mau futebol mostrado em campo. Depois de um primeiro tempo pavoroso, o segundo apresentou chances claras de gol para os dois lados, mas seria injusto que houvesse um vencedor num jogo tecnicamente abaixo da crítica. Para o Inter, o resultado não chega a ser um tropeço. Afinal, jogou fora de casa, com os reservas, contra um adversário desesperado. O São Paulo, no entanto, marcou passo. Somou apenas um ponto, num jogo em casa, contra um adversário que jogou com os reservas. Está com apenas cinco pontos, e os quatro jogos que lhe restam na fase classificatória do Gauchão são muito difíceis. A ameaça de rebaixamento segue muito grande para o São Paulo.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Vergonha

Não há o que torne aceitável a situação do Grêmio no Campeonato Gaúcho. Hoje, o Grêmio perdeu por 2 x 1 para o Veranópolis, no Antônio David Farina, sua quinta derrota em sete jogos no Gauchão. O Grêmio voltou para a zona de rebaixamento. A hipótese do Grêmio ser rebaixado já é um vexame, mas isso não deve acontecer. Porém, a classificação para as fases decisivas da competição está se tornando quase impraticável. Por mais justificativas que o Grêmio apresente, algumas delas consideráveis, isso é uma vergonha. Na partida de hoje, o Grêmio até jogava bem, mas não fazia gols. Como expressa a máxima do futebol, quem não faz, leva. Então, Felipe Mattioni,  por sinal ex-jogador do Grêmio, fez um golaço, depois de mais uma falha grotesca de Bressan. No segundo tempo, o Grêmio conseguiu o empate, mas, poucos minutos depois, Paulo Victor tomou um frango, e o time não conseguiu mais reagir. Aliás, um fato precisa ser destacado. Uma defesa escalada com Leonardo Gomes, Paulo Miranda, Bressan e Marcelo Oliveira torna inviável obter uma vitória, seja qual for o adversário.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

A intervenção

Não é segredo para ninguém que o Rio de Janeiro vive um caos na segurança pública há muito tempo. O problema só se agrava, a cada ano e, nesse início de 2018, atingiu níveis intoleráveis. Com base nisso, o governo federal anunciou, hoje, a intervenção no setor de Segurança do Estado do Rio de Janeiro. O comandante militar do Leste, general Walter Souza Braga Neto, será o novo responsável pela segurança pública fluminense. A medida, como não poderia deixar de ser, causou grande impacto, e suscitou inúmeras teorias conspiratórias. No atual estágio do panorama político brasileiro, não se pode duvidar de nada, mas que a situação de insegurança no Rio de Janeiro exigia uma ação imediata, é um fato inquestionável. Há quem diga que a intervenção é uma nova etapa do golpe que derrubou a presidente Dilma Rousseff, que as eleições presidenciais não acontecerão, que é um artifício para Michel Temer buscar aumentar a sua popularidade, e, até, que é uma cortina de fumaça para enterrar a reforma da Previdência. Seja como for, a intervenção traz à população do Rio de Janeiro a esperança de obter um mínimo de segurança para a sua vida. O Rio de Janeiro não pode virar uma terra de ninguém, subjugado pelo tráfico e o crime organizado. Era preciso tomar medidas contra esse quadro. As opiniões sobre a intervenção são as mais variadas, e levantam, até mesmo a possibilidade dela ser inconstitucional. Para o cidadão acuado, no entanto, o que interessa é que ele possa ter restituído o seu direito de circular em paz pelas ruas. Resta esperar para ver quais serão os efeitos práticos de uma medida tão drástica.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Liderança temporária

Uma vitória tranquila, que confirmou as previsões sobre o jogo. Esse foi o resumo da partida em que o Inter venceu o Juventude, de virada, por 3 x 1, hoje, no Beira-Rio, pelo Campeonato Gaúcho. Com o resultado, o Inter assumiu a liderança temporária do Gauchão, embora com um jogo a mais que os demais clubes. O Juventude abriu o placar, mas logo cedeu o empate
Ainda no primeiro tempo, o Inter conseguiu a virada. No segundo tempo, consolidou a vitória com mais um gol. O Inter, até agora, ganhou todos os jogos que fez em casa na competição, enquanto o Juventude ainda não venceu como visitante. Afora ser o líder provisório, o Inter praticamente garantiu sua classificação para a próxima fase, pela pontuação que atingiu. Os dias, por enquanto, correm sossegados para o clube, enquanto não surgem desafios maiores pelo caminho.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Bom resultado

Sem ter feito uma grande atuação, o Grêmio obteve um bom resultado ao empatar em 1 x 1 com o Independiente, no Estádio Libertadores da América, no primeiro jogo pela decisão da Recopa Sul-Americana. O Grêmio saiu na frente no placar, mas cedeu o empate numa falha defensiva. Ainda assim, o resultado transfere a decisão para o segundo jogo. Nada está decidido, e claro, mas o título ficou bem encaminhado, pois a segunda partida será na Arena, na próxima quarta-feira. O Grêmio precisa melhorar o seu nível de rendimento, mas é natural que o time titular, que fez apenas o seu terceiro jogo esse ano, ainda não tenha atingido um bom desempenho. O primeiro tempo do Grêmio foi muito fraco, e nem mesmo a expulsão de Gigliotti, que lhe deixou com um homem a mais em campo, impediu que sofresse o empate. Algumas atuações individuais foram muito fracas, como as de Bruno Cortez, autor do gol contra em favor do Independiente, Cícero, Jailson e Lima. Aliás, Lima, uma escolha surpreendente do técnico do Grêmio, Renato, para começar o jogo, foi a figura mais apagada em campo. A partir da entrada de Alisson no lugar de Lima, o Grêmio tomou conta do jogo, e poderia ter vencido. Seja como for, o título da Recopa Sul-Americana está muito próximo do Grêmio.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

A agonia do futebol carioca

O futebol do Rio de Janeiro já foi o mais sedutor do Brasil. Com quatro grandes clubes jogando clássicos num Maracanã que era capaz de receber quase 200 mil pessoas, o futebol carioca viveu uma longa época de apogeu. A realidade atual, lamentavelmente, é muito diferente. O Maracanã encolheu para uma capacidade menor que a metade da anterior. No momento, o estádio não está disponível para jogos, pois foi cedido para outras finalidades. Apenas o Flamengo, dos quatro grandes clubes cariocas, está com um time qualificado e competitivo. O Vasco tem um time mediano. Botafogo e Fluminense, com sérios problemas financeiros, possuem grupos fracos, e correrão sérios riscos de rebaixamento no próximo Campeonato Brasileiro. Uma das semifinais da Taça Guanabara, entre Flamengo e Botafogo, foi disputada no Raulino de Oliveira, em Volta Redonda, para um público inferior a sete mil pessoas. A decisão da competição, entre Flamengo e Boavista, será jogada em Cariacica (ES), portanto, fora dos limites estaduais. A agonia do futebol carioca precisa ser revertida, ela não beneficia ninguém.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Carnaval politizado

O Carnaval é tido por alguns como algo alienante. Nada mais equivocado. Manifestação popular por excelência, o Carnaval é, antes de tudo, uma grande festa, mas que sempre abriu espaço para a crítica, ainda que de forma bem humorada. A primeira noite dos desfiles das escolas de samba na Marquês de Sapucaí, ontem á noite, confirmou essa tendência. Foi uma noite de Carnaval politizado, com os desfiles da Paraíso do Tuiuti e da Mangueira criticando governantes abertamente. A Paraíso do Tuiuti fez um desfile empolgante, com um enredo marcante que abordava a escravidão ao longo da história em suas diversas formas, e os ataques contra os direitos dos trabalhadores. O presidente Michel Temer foi representado como um vampiro. A Mangueira, por sua vez, não poupou o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, que reduziu as verbas para as escolas de samba. Porém, aproveitou o fato para fazer um Carnaval sem luxo e pirotecnia, mas nem por isso com menor brilho e animação. As letras dos sambas das duas escolas primaram pela incisividade, e no caso do da Paraíso do Tuiuti, por um embalo contagiante que fez o público cantar junto nas arquibancadas. O Carnaval é apaixonante, e, ainda que de forma satírica, sabe ser crítico quando se faz necessário. Portanto, nada tem de alienante.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Robôs que fazem sexo

A notícia de que já foram criados robôs que fazem sexo com seres humanos não deve ser analisada como algo simplesmente bizarro, ou por um viés moralista. O que transparece de uma invenção como essa é a evidência da solidão das pessoas no mundo atual. Nunca as pessoas estiveram tão conectadas, mas a interação social é cada vez mais precária. Há quem tenha 300, 500, 800, ou 1000 "amigos" no Facebook, mas mostre extrema dificuldade de se relacionar concretamente com alguém. Os robôs em questão imitam as formas humanas com riqueza de detalhes, seu "corpo" emite calor, e adaptam-se às preferências sexuais de seus usuários. O serviço é acionado por smartphone, como não poderia deixar de ser nos tempos atuais. Talvez no aspecto meramente físico, sensorial, a relação sexual com um robô possa até ser prazerosa, mas qual a gratificação interior desse ato? A cada dia, o convívio social torna-se mais deficiente, e as pessoas transferem para a tecnologia a tarefa de preencher o seu vazio interior. Evidentemente, isso não é possível. As máquinas podem operar maravilhas, e proporcionar grandes facilidades na vida de cada um, mas não são capazes de suprir a necessidade de afeto de quem é feito de carne e osso.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Autenticidade

O desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro tem uma tradição de várias décadas. Mesmo antes da inauguração do Sambódromo, em 1984, com o desfile dividido em duas noites, já era transmitido ao vivo pela televisão. Durante muito tempo um espetáculo marcado pela criatividade, mas com fantasias simples, ganhou muito luxo a partir de meados dos anos 70. O que já era bonito tornou-se exuberante. O padrão de excelência do Carnaval carioca fez com que, há alguns anos, São Paulo resolvesse seguir a mesma linha. O desfile de São Paulo também passou a ser transmitido pela tevê. Visualmente, o Carnaval paulistano é impactante, pois não há de faltar dinheiro na cidade que é a locomotiva econômica do país, mas nem tudo se pode comprar. Falta ao Carnaval de São Paulo a autenticidade que sobra no do Rio de Janeiro. Escolas icônicas como Mangueira, Portela, Salgueiro e Império Serrano, as quatro mais tradicionais, o samba enraizado nos morros e subúrbios da cidade, fazem do Carnaval do Rio de Janeiro um acontecimento singular. O Carnaval de São Paulo possui peculiaridades como a de que torcidas organizadas dos três grandes clubes de futebol da cidade, Corinthians, São Paulo e Palmeiras, têm sua própria escola de samba. Um exotismo, sem dúvida. O dinheiro dotou o Carnaval de São Paulo de muito brilho, mas até os desfiles da Série A2 do Rio de Janeiro parecem ser superiores. Espontaneidade e samba no pé são atributos que não se compram. O Carnaval do Rio de Janeiro pode ser imitado, mas não igualado.