quinta-feira, 5 de setembro de 2024
O futuro de Renato
Um assunto tem sido dominante desde domingo no meio esportivo do Rio Grande do Sul. O futuro de Renato, técnico do Grêmio, tornou-se a grande discussâo do momento, após a patética derrota para o Atlético Mineiro. Renato, que já vinha acumulando erros que levaram o Grêmio a ser desclassificado de duas competições num espaço de poucos dias, fez, no jogo contra o Atlético, substituições desastradas que transfornaram uma vitória parcial de 2 x 0, mesmo com um jogador a menos, numa dolorosa derrota de virada, que trouxe, como consequência, a reaproximação com a zona de rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Foi a gota d'âgua que fez transbordar o copo. A crescente impaciência de grande parte da torcida com as atitudes de Renato atingiu o ápice. A falta de leitura de jogo por parte de Renato, sua insistência com jogadores que não apresentam rendimento técnico em detrimento de outros bem mais qualificados, a demora no aproveitamento de jovens revelações e de novos contratados, suas substituições desastrosas durante as partidas, fizeram com que a irritação dos torcedores fosse se ampliando. A verdade é que o trabalho de Renato no Grêmio está muito desgastado. Porém, cogita-se de que o presidente do Grêmio, Alberto Guerra, deseja manter o técnico para 2025, pois julgaria arriscado abrir mão de Renato no ano em que o Grêmio tentará conquistar o octacampeonato estadual, e que será o último de seu mandato. Guerra, ao que se diz, temeria tirar Renato do cargo num ano em que será realizada uma eleição para presidente do clube. No entanto, o quadro atual demonstra que o encerramento do ciclo de Renato como técnico do Grêmio seria uma boa solução para todas as partes. A dependência entre os dois dá claros sinais de esgotamento, e não é benéfica para ninguém.
quarta-feira, 4 de setembro de 2024
Invasão estrangeira
O mercado do futebol brasileiro se abriu, como nunca antes, para técnicos e jogadores de outros países. A invasão estrangeira atingiu o seu auge na recém encerrada "janela" de contratações. Antes restritas aos jogadores de países sul-americanos, as contratações dos clubes brasileiros não apresentam mais qualquer limitação de origem geográfica. Se a contratação do atacante dinamarquês Breithwaite pelo Grêmio já foi considerada excêntrica, outras seguem na mesma linha. O Santos foi ainda mais ousado, trazendo o atacante gambiano Yusupha. O São Paulo contratou o lateral esquerdo norte-irlandês Jamal Lewis. O Vasco trouxe o meiocampista suiço Maxime Dominguez. Os exemplos são abundantes. A CBF foi autorizando, progressivamente, o aumento do número de estrangeiros permitido por clubes, embora haja limitação a quantos podem ser relacionados por jogo. O Grêmio é o recordista de jogadores estrangeiros no grupo, com um total de nove. Os motivos para a vinda de tantos jogadores de fora são os mais variados. O futebol brasileiro, atualmente, é dominante na América do Sul, esportiva e economicamente. O Campeonato Brasileiro, com fórmula idêntica às dos principais congêneres europeus, tornou-se mais atrativo fora do país. Porém, como todo fenômeno, a invasão estrangeira no futebol brasileiro merece uma análise mais ponderada quanto aos seus efeitos. Em médio prazo, as consequências poderão ser negativas, pois a crescente ocupação por estrangeiros retirará espaço dos jogadores locais. Muitas jovens revelações poderão ter suas oportunidades bloqueadas por quem vem de fora. Como se não bastasse isso, a maioria dos estrangeiros chega no Brasil com uma idade avançada, quando não interessam mais ao mercado europeu. Paralelamente, jovens recém revelados pelos clubes brasileiros logo tomam o rumo do exterior, numa troca claramente desvantajosa. Em termos de Seleção Brasileira, a situação também não é favorável, pois os principais jogadores do país atuam no exterior, enquanto estrangeiros chegam aos magotes nos clubes do país, o que retira a identificação do torcedor com a equipe canarinho. O ideal seria que os clubes brasileiros pudessem reter seus jovens de grande nível por mais tempo, sem recorrer aos estrangeiros com tanta frequência.
terça-feira, 3 de setembro de 2024
Atitude exemplar
O técnico da Seleção da Holanda, Ronald Koeman, tomou uma decisão que poderá gerar polêmicas, mas merece elogios. A atitude exemplar de Koeman se deu após o técnico tomar conhecimento de que o atacante Bergwijn , de 26 anos, transferiu-se do Ajax para o Al Ittihad, da Arábia Saudita. Koeman disse que Bergwijn, que já disputou duas Copas do Mundo, encerrou sua trajetória na seleção, pois, aos 26 anos, um jogador deve priorizar a questão esportiva, não a financeira. O técnico tem toda a razão. O futebol saudita atrai técnicos e, mais recentemente jogadores estrangeiros, oferecendo salários muito altos. Porém, em termos técnicos, o país continua irrelevante no contexto do futebol mundial. Ao decidir aceitar a transferência para a Arábia Saudita, Bergwijn mostra que deixou de lado, muito cedo, a busca de seu aprimoramento técnico, privilegiando, apenas, a questão monetária. Na Arábia Saudita, Bergwijn estará apartado da competitividade e relevância do futebol europeu. Com isso, perderá a condição de um jogador num ambiente de alto rendimento esportivo, como o que frequentou até então. O futebol, ao longo do tempo, foi se transformando num grande negócio para todos os envolvidos, mas um jogador de uma seleção de expressão no contexto mundial deveria buscar outros objetivos acima de acumular fortuna.
segunda-feira, 2 de setembro de 2024
Decisão reconfortante
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, restituiu a validade do julgamento que condenara à prisão os quatro réus indiciados pelo incêndio da Boate Kiss, em Santa Maria, no ano de 2013, que causou a morte de 242 pessoas. Sem dúvida, é uma decisão reconfortante, que alivia o sofrimento das famílias das vítimas. Marcelo de Jesus dos Santos, Elissandro Calegaro Spohr, Luciano Bonilha Leão e Mauro Londero Hoffmann, foram condenados, em dezembro de 2021, ao cumprimento de penas que variavam de 18 a 22 anoa de prisão, mas o julgamento foi anulado pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul em agosto de 2022. Em setembro de 2023, a sexta turma do Superior Tribunal de Justiça manteve a anulação. O caso foi, então, para o STF. Em maio de 2024, a Procuradoria Geral da República pediu ao STF o reestabelecimento da condenação dos réus. A decisão de Dias Toffoli evita que se mantenha a impunidade num caso de repercussão mundial, onde tantas vidas foram ceifadas. A dor dos familiares das vítimas é eterna, mas seria ainda mais dilacerante se os réus continuassem soltos.
domingo, 1 de setembro de 2024
Boa fase
Os tempos ruins estão ficando para trás. O Inter venceu o Juventude por 3 x 1, hoje, no Alfredo Jaconi, pelo Campeonato Brasileiro, e começa a viver uma boa fase, como há muito tempo não acontecia. O empate diante do Cruzeiro, na quarta-feira, fora de casa, com um jogador a menos desde os 32 minutos do primeiro tempo, parece ter dado a confiança que o grupo de jogadores buscava. O técnico Róger Machado começa a dar ao conjunto a organização que Eduardo Coudet nunca conseguiu. Afora isso, a competitividade, antes ausente, agora se faz notar e, certamente, isso é reflexo da presença de D'Alessandro no vestiário, como gerente de futebol. Na reta final do ano, o Inter começa a engrenar. Resta saber se, como aconteceu tantas vezes, não será, apenas, fogo de palha.
Derrota vergonhosa
Um resultado vexatório, para o qual não há desculpa. O Grêmio perdeu por 3 x 2, de virada, para o Atlético Mineiro, hoje, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro, uma derrota vergonhosa. Foi a volta do Grêmio ao seu estádio, após mais de cem dias, em função dos danos causados pela enchente. Aos 20 minutos de jogo, o Grêmio sofreu o seu primeiro grande prejuízo, com a expulsão de Gustavo Martins. O árbitro Raphael Claus (SP), exagerou no rigor, num lance que merecia, apenas, o cartão amarelo. Ainda assim, o Grêmio conseguiu abrir dois gols de vantagem, com Braithwaite, aos 32 minutos, e Cristaldo, aos 41. Na volta do intervalo, o Atlético fez substituições arrojadas. Como tinha um jogador a mais, o técnico do Atlético, Gabriel Milito, retirou seus dois volantes, e os substituiu por atacantes. Foi aí que o técnico do Grêmio, Renato, começou a destruir a vitória que estava sendo obtida. Renato retirou Braithwaite e Monsalve, colocando Natã Felipe e Edenílson, com o claro propósito de segurar o resultado. Saíram um atacante que fazia boa atuação e um dos homens de criação, para darem lugar a um zagueiro e um volante. Era tudo que o Atlético precisava, um adversário entrincheirado sem capacidade de contragolpear. Não satisfeito, Renato retirou Cristaldo, seu outro homem de criação, para a entrada de Nathan Fernandes. O objetivo, claro, era aproveitar a velocidade de Nathan Fernandes para fazer rápidas escapadas. Porém, a ideia não funcionou. O garoto vive péssima fase, e acabou substituído antes do final do jogo. Aos 27 minutos, a conta dos desatinos de Renato começou a chegar. O árbitro marcou um pênalti, inexistente, em favor do Atlético, supostamente cometido por João Pedro. Ainda assim, o Grêmio conseguia sustentar sua vitória, até que, aos 47 minutos, João Pedro cometeu outro pênalti. Veio o empate, e na sequência aos 50 minutos, o gol da virada. Em sua entrevista pós-jogo, Renato se eximiu totalmente de responsabilidade, e colocou a culpa, inteiramente, nos jogadores que, conforme suas palavras, cometeram erros infantis. Na verdade, o maior artífice da derrota do Grêmio foi Renato, com suas substituições desastrosas.
sábado, 31 de agosto de 2024
Na rota do título
Sempre haverá quem duvide, em função do que ocorreu em 2023. Porém, o Botafogo, após a vitória de 2 x 0 sobre o Fortaleza, hoje, no Engenhão, que lhe devolveu a liderança do Campeonato Brasileiro, parece estar na rota do título da competição. Em relação ao ano anterior, o grupo de jogadores, que já era bom, ficou ainda mais qualificado. Seu técnico, o português Artur Jorge, é competente, e o trabalho não sofreu interrupções como aconteceu quando da saída de Luís Castro, que esteve na raiz da derrocada no Brasileirão anterior. Coletivamente, o Botafogo está muito ajustado, o que favorece que os jogadores se destaquem individualmente. O clube não tem economizado na busca de reforços. Contratações como as do atacante Luiz Henrique e do meia argentino Almada estão entre as mais caras da história do futebol. brasileiro. Flamengo e Palmeiras, afora o próprio Fortaleza, correndo por fora, ainda são candidatos ao título, mas nenhum deles apresenta a consistência e regularidade do Botafogo. A fama de nadar e morrer na praia, que persegue o Botafogo, ao que tudo indica, está perto de acabar.
sexta-feira, 30 de agosto de 2024
Contratações de última hora
O comportamento do Inter na atual "janela" de mercado tem se mostrado diferente. Em vez da aquisição de jogadores de renome, após longas negociações, o clube está fazendo contratações de última hora, já que o período terminará em 02/09, trazendo nomes pouco ou nada conhecidos. Com exceção de Bruno Tabata, que já esteve no Palmeiras, os demais jogadores contratados pelo Inter no período são desconhecidos do público, casos de Rogel, Nathan e Clayton Sampaio. Brian Aguirre, que poderá vir até a data limite, se encaixa na mesma condição. Parece ser uma mudança de rota num clube que buscou grandes nomes como Rochet, Valência e Borré, e só colheu fracassos, inflando sua folha de pagamentos sem obter resultados esportivos. Embora não gere entusiasmo no torcedor, a nova prática pode ser bem sucedida. Os dois primeiros contratados da "janela", o zagueiro Rogel, 26 anos, e o meia Bruno Tabata, 27, já estrearam e deram boa resposta. O lateral direito Nathan, 22 anos, e o zagueiro Clayton Sampaio, 24, ambos de currículo pouco expressivo, surgem como apostas. Brian Aguirre, também lateral direito, 24, ainda busca uma melhor afirmação na carreira. Pelo visto, o Inter tem a intenção de fazer mais gastando menos. A ideia é arriscada, mas não está proibida de dar certo.
quinta-feira, 29 de agosto de 2024
Classificação encaminhada
Poderia ter sido melhor. O Juventude venceu o Corinthians por 2 x 1, hoje, no Alfredo Jaconi, pelas quartas de final da Copa do Brasil, e deixou a classificação encaminhada para o segundo jogo, fora de casa, no qual lhe bastará um empate para prosseguir na competição. Depois de um primeiro tempo ruim e sem gols, o jogo melhorou no segundo, com Juventude e Corinthians crescendo de produção. O Juventude abriu o placar com Carrillo aos 22 minutos. Aos 42, Danilo Boza ampliou. Outros gols do Juventude só não saíram porque o goleiro do Corinthians, Hugo Souza, fez grandes defesas. Com dois gols de vantagem, o Juventude já estava, praticamente, garantindo a classificação, pois seria muito difícil o Corinthians reverter uma diferença larga. Porém, aos 48 minutos, Gustavo Henrique descontou para o Corinthians, aumentando, consideravelmente, as chances do clube paulista. Ainda assim, as perspectivas do Juventude seguem boas, pois jogará por dois resultados.
quarta-feira, 28 de agosto de 2024
Incompetência
Um resultado que expressa fielmente o que se viu no jogo. O Inter empatou em 0 x 0 com o Cruzeiro, hoje, no Mineirão, em jogo atrasado pelo Campeonato Brasileiro, e o placar refletiu a produção dentro das quatro linhas, especialmente a incompetência do mandante da partida. Tendo jogado desde os 32 minutos do primeiro tempo com um homem a mais, após a expulsão de Rogel, o Cruzeiro tentou insistentemente o gol, mas não conseguiu marcar, e chegou a desperdiçar um pênalti. A exemplo do que havia mostrado na derrota para o mesmo Inter, domingo, no Beira-Rio, o Cruzeiro teve uma atuação improdutiva, com um jogo sem profundidade, muitos chutões, pouca bola no chão, e excesso de "chuveirinhos" para a grande área. Mateus Pereira, tido por muitos como o melhor jogador do Brasileirão, só se fez notar por cobrar uma falta na trave. Afora isso, teve um desempenho pâlido. O critério para a escolha de quem cobraria o pênalti, dar a chance de Kaio Jorge marcar seu primeiro gol com a camisa do clube, é inaceitável numa visão profissional. O pênalti tem de ser batido pelo melhor cobrador. Mesmo antes da expulsão, o Inter não ameaçou o Cruzeiro, e Cássio se limitou, praticamente, a fazer intervenções. Parecia estar satisfeito com o empate, e acabou alcançando o seu objetivo de forma quase heróica, dada a desvantagem numérica na maior parte do jogo. Porém, o resultado se deu mais pela ineficiência do Cruzeiro do que por méritos do Inter.
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