terça-feira, 7 de maio de 2024

Solução difícil

Vários adiamentos, jogos atrasados que se acumulam. A situação de Grêmio e Inter, em função das enchentes no Rio Grande do Sul, é de solução difícil. Os presidentes de Grêmio e Inter, Alberto Guerra e Alessandro Barcellos, respectivamente, desejavam a paralisação do Campeonato Brasileiro, mas não conseguiram. A CBF apenas adiou todos jogos de clubes do Rio Grande do Sul em competções do país até o dia 27 de maio. Nâo houve consenso entre os demais clubes, e os patrocinadores defendem os seus próprios interesses. Assim, a paralisação não foi aprovada. Grêmio e Inter terão de repor muitos jogos atrasados, o que será uma tarefa árdua em um calendário já tão apertado. O desempenho dos dois clubes no Brasileirão e Copa do Brasil, e nas competições sul-americanas, onde a Conmebol também adiou seus jogos, será muito prejudicado. O ano de 2024 nem chegou na metade, mas, para Grêmio e Inter, já está com suas perspectivas comprometidas.

segunda-feira, 6 de maio de 2024

Falso moralismo

O show de Madonna na praia de Copacabana, no último sábado, reacendeu a gritaria dos hipócritas. O falso moralismo veio com tudo, reclamando de que a cantora beijou uma mulher trans na boca, e de coreografias do show que simulavam um orgasmo. Em seus 40 anos de carreira, Madonna sempre se caracterizou pela ousadia nas letras de suas músicas, nos seus vídeos, performances de palco e coreografias. Nunca teve medo de escãndalos. Os que protestam contra o conteúdo de seu show deveriam, simplesmente, não o ter assistido. A reclamação sobre a presença de bailarinos gays no show só revela o quanto o brasileiro é homofóbico. Nunca foi segredo para ninguém que Madonna é um ícone gay. A própria cantora, durante o show, reconheceu isso, e agradeceu o apoio que sempre recebeu da comunidade LGBT. Cada um tem o direito de viver de acordo com seus valores. Só não pode querer impô-los às demais pessoas.

domingo, 5 de maio de 2024

Caos

Um desastre de proporções gigantescas. O Rio Grande do Sul vivencia o caos, em função das enchentes que atingiram dois terços dos seus municípios. A terrível enchente de 1941, comentada até hoje pela sua severidade, foi superada, pois o nível de elevação das águas, agora, é maior. A exemplo do que ocorreu naquela ocasião, o centro de Porto Alegre foi inundado, e barcos circulam por onde, antes, trafegavam carros e pessoas. Diques se rompem em diferentes pontos da cidade, agravando a situação. Locais importantes como a rodoviária e o mercado público foram tomados pelas águas. O aeroporto teve suas operações suspensas até o dia 10. Diversos municípios do interior foram praticamente destruídos pelas enxurradas, como Muçum, Roca Sales, Sinimbu e Eldorado do Sul, por exemplo. A recuperação dos danos, quando as águas baixarem, o que ainda irá demorar para acontecer, não será fácil. Terá um enorme custo econômico e emocional. O pior é que desastres climáticos como esse tendem a ser cada vez mais frequentes, exigindo um enorme esforço das pessoas e das administrações. Sem exagero, essa é a maior calamidade da história do Rio Grande do Sul.

sábado, 4 de maio de 2024

Parada forçada

A maratona de jogos da dupla Gre-Nal foi brecada. As enchentes no Rio Grande do Sul fizeram com que os dois clubes tivessem uma parada forçada, com CBF e Conmebol transferindo e adiando jogos pela Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro, Libertadores e Copa Sul-Americana. O período sem atuar servirá para que os jogadores possam descansar um pouco do acúmulo de partidas a que foram submetidos desde o início de abril, mas não poderá ser aproveitado para um maior número de treinos, já que não há condições operacionais para isso, devido aos alagamentos. Afora isso, quando houver condição de se realizarem os jogos adiados, ocorrerá um acúmulo de partidas ainda mais desgastante, que forçará os técnicos a "rodar" o grupo. Um problema extra para Grêmio e Inter, que poderá cobrar um alto preço para ambos nas competições que disputam. Porém, nada é maior que o desastre climático que o Rio Grande do Sul está vivenciando. Diante de um fato assim, tudo o mais torna-se muito menor.

sexta-feira, 3 de maio de 2024

Repatriando veteranos

Uma prática tem se tornado constante no futebol brasileiro. Os clubes estão repatriando veteranos que, pela idade avançada, já não interessam ao mercado europeu. A volta do zagueiro Thiago Silva ao Fluminense, hoje anunciada, é mais um exemplo disso. Thiago Silva está com 39 anos, e ficou livre no mercado após não renovar contrato com o Chelsea, onde estava há quatro anos. Sem dúvida, Thiago Silva teve uma carreira vitoriosa, ainda que na Copa do Mundo de 2014, pela Seleção Brasileira, sua excessiva emotividade tenha lhe rendido a alcunha de "chorão". Seu retorno ao Fluminense tem a marca da volta de um ídolo ao clube com o qual estabeleceu uma ligação afetiva. Porém, com.a idade que tem, Thiago Silva não jogará muito tempo no tricolor do Rio de Janeiro. Em termos de repercussão, sua contratação é de grande impacto, mas fica a dúvida do proveito técnico, ainda mais num grupo já integrado por muitos outros veteranos, como Fábio, Samuel Xavier, Felipe Melo, Marcelo, Paulo Henrique Ganso, Renato Augusto, Cano, Thiago Santos e Keno. Lamentavelmente, o futebol brasileiro exporta os grandes valores que revela cada vez mais cedo, e traz de volta quem já está no ocaso da carreira.

quinta-feira, 2 de maio de 2024

Novo normal

A natureza está cobrando o seu preço pelas tantas agressões que sofre. A cruel e contínua degradação ambiental, movida pela ganância do capitalismo, resultou no novo normal, em que as tragédias climáticas, antes esporádicas, tornaram-se constantes. O que era exceção, agora é rotina. As enchentes que levaram o Rio Grande do Sul ao estado de calamidade pública são um exemplo disso. Desde setembro de 2023, é a terceira vez que o estado sofre com inundações. Uma frequência absurda em apenas oito meses. Resultado de uma série de fatores que degradam o meio ambiente, como o aquecimento global, o desmatamento, entre outros. Grandes enchentes ocorriam tão episodicamente que ficavam marcadas na história. Décadas transcorriam até que uma outra inundação de semelhante severidade acontecesse novamente. Agora, os que são atingidos por desastres climáticos, quando tem a sorte de sobreviver, não tem tempo de se recuperar dos prejuízos sofridos, pois logo são vitimados por outro, tão ou mais violento que o anterior. As vidas perdidas são irrecuperáveis. Os prejuízos materiais são altíssimos, e demandarão crescentes auxílios dos cofres públicos. Uma realidade amarga, com a qual se terá de conviver daqui por diante, e que causa um enorme dano psicológico coletivo. Nada que não pudesse ser previsto e, portanto, evitado. Porém, a busca desenfreada do consumismo e do lucro, típicas do capitalismo, levaram ao quadro atual. Não é uma fatalidade, mas a consequência das agressões ao meio ambiente. Cedo ou tarde, a natureza apresenta a conta.

quarta-feira, 1 de maio de 2024

Trinta anos sem Ayrton Senna

Parece que foi ontem. O tempo transcorre muito rápido, e hoje se completam trinta anos sem Ayrton Senna. O piloto brasileiro, três vezes campeão mundial de Fórmula-1, morreu num terrível acidente durante o Grande Prêmio de San Marino, no autódromo de Ímola, na Itália, em 1 de maio de 1994, aos 34 anos. Era interrompida ali, brutalmente, a trajetória brilhante de Senna, um ídolo não só para uma legião de fãs, mas, também, para pilotos de gerações posteriores, como é o caso de Lewis Hamilton. Muitos apontam Senna como o maior piloto de Fórmula-1 de todos os tempos. A apreciação talvez não seja correta. Nomes como Juan Manuel Fangio, que permaneceu como recordista de títulos da categoria por cinquenta anos, com cinco, Michael Schumacher, que detém sete, e o próprio Lewis Hamilton, que foi campeão tantas vezes quanto o alemão e ainda pode superá-lo, pois segue em atividade, parecem mais adequados para se enquadrarem nessa condição. Porém, poucos pilotos foram, ou são, tão arrojados quanto Senna. Seu estilo de pilotagem era obstinado e agressivo, incansável na busca da vitória. Por isso, despertou nos brasileiros sentimentos que Émerson Fittipaldi, duas vezes campeão, e Nélson Piquet, com o mesmo número de títulos de Senna, nunca conseguiram alcançar. O brasileiro se sentia representado por aquele homem que, nas manhãs de domingo, pisava fundo no acelerador em busca das vitórias. Sua morte emocionou o país, e até hoje causa comoção.

terça-feira, 30 de abril de 2024

Resultado favorável

Não foi uma boa atuação. O Grêmio empatou em 0 x 0 com o Operário de Ponta Grossa, hoje, no Germano Krüger, pela Copa do Brasil, jogando pouco, mas obtendo um resultado favorável. O segundo jogo será na Arena, o que faz com que a classificação do Grêmio para a próxima fase esteja encaminhada. O técnico do Grêmio, Renato, mais uma vez, poupou jogadores. Na defesa, em relação ao jogo anterior, só João Pedro começou a partida. Caíque, Gustavo Martins, Natã Felipe e José Guilherme foram os outros integrantes do setor. Gustavo Martins lesionou-se no início do jogo, e teve de ser substituído por Rodrigo Ely. No intervalo, João Pedro saiu, e Edenílson entrou em seu lugar. No meio de campo e ataque, as novidades foram Éverton Galdino e Gustavo Nunes. Villasanti, Pepê, Cristaldo e Diego Costa permaneceram. O jogo foi muito disputado, mas fraco tecnicamente. Não aconteceram chances claras de gol. O futebol apresentado pelo Grêmio, diante de um adversário modesto, deixou muito a desejar. Porém, em termos práticos, o resultado foi bom, pois a decisão da classificação será na Arena. Ainda assim, mesmo com todas as atenuantes pelo acúmulo de jogos, o Grêmio precisa ter um melhor desempenho dentro das quatro linhas.

segunda-feira, 29 de abril de 2024

A venda de um clube

O ex-jogador Ronaldo Nazário vendeu sua participação na SAF do Cruzeiro, apenas dois anos e meio após a ter adquirido. A venda de um clube não deveria ser normalizada no futebol brasileiro. Na Europa, onde a transformação dos clubes em empresas já ocorreu há muito mais tempo, a aceitação por parte dos torcedores não é tão pacífica quanto a imprensa, sempre comprometida com interesses argentários, procura fazer crer. No Valladolid, por exemplo, clube espanhol também comprado pelo ex-jogador, os torcedores se mostram revoltados. Os clubes, no Brasil, sempre foram associações sem fins lucrativos. Foram alicerçados, e cresceram, na paixão popular. Sua transformação em estruturas transacionáveis, mudando de donos em troca de dinheiro, é mais uma triste herança do abominável governo Jair Bolsonaro. Ronaldo detinha 90% das ações da SAF, e o Cruzeiro, os outros 10%. Em seu período como "proprietário" do Cruzeiro, os resultados esportivos foram modestíssimos, incompatíveis com a grandeza histórica do clube. Poŕém, nos execráveis "tempos modernos", tudo é passível de comercialização. Até mesmo, a paixão popular.

domingo, 28 de abril de 2024

Novo tropeço

Não há atenuantes para um resultado tão frustrante. O Inter empatou com o Atlético Gouaniense por 1 x 1, hoje, no Beira-Rio, pelo Campeonato Brasileiro, um novo tropeço numa série que parece interminável. Diante de um adversário que tinha perdido todos os seus jogos anteriores na competição, o Inter não saiu do empate sem gols no primeiro tempo, sofreu um aos 4 minutos do segundo, marcado por Derick, igualou o placar aos 9, com Borré, mas, mesmo dispondo de muito tempo para buscar o gol da vitória, não o conseguiu. Como não poderia deixar de ser, o Inter foi vaiado por sua torcida assim que o jogo acabou. O técnico do Inter, Eduardo Coudet, fez um desabafo na entrevista pós-jogo que deu a impressão de que está se sentindo muito pressionado. O argumento de Coudet de que o Inter jogou melhor e merecia vencer é frágil. Contra um adversário modesto, que é candidato ao rebaixamento, em casa, com o apoio da torcida, o Inter tinha a obrigação de vencer. Alegar que os desfalques pesaram também não convence ninguém, pois o Inter alardeou que havia formado um grupo de jogadores forte, com várias alternativas. Entre os titulares só não jogaram Aranguiz, Alan Patrick e Valência. Com um longo jejum de títulos, o Inter precisa obter uma conquista. Porém, para um clube cujo presidente disse que o Brasileirão é a prioridade do ano, e que faria de cada um dos 38 jogos uma decisão, o empate de hoje é desanimador.