sábado, 9 de setembro de 2023
Hipocrisia
O governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva é, inegavelmente, exitoso. Em apenas oito meses de administração, há crescimento do PIB, alta
nas cotações da Bolsa de Valores, queda do dólar, redução da inflação. A tarefa de reconstrução do país, arrasado pelo governo de Jair Bolsonaro, vai muito bem, obrigado. Paralelamente, novos escândalos do governo anterior são revelados a cada dia. Na falta de argumentos para criticar um governo eficiente, bolsonaristas e antipetistas usam a tragédia das enchentes no Rio Grande do Sul como tentativa de atingir o presidente Lula. Tentam criar a imagem de indiferença de Lula para com as vítimas, por não ter vindo visitar as áreas atingidas. A postura dos adversários do governo nada mais é do que hipocrisia. Fingem esquecer que, em situação análoga, quando a Bahia foi vitimada por enchentes, Bolsonaro não visitou as áreas atingidas, permanecendo em Santa Catarina, onde desfrutava um feriadão. A atitude de Bolsonaro tinha um claro viés político, pois a Bahia era, então, governada pelo PT, partido que o ex-presidente odeia. A não vinda de Lula ao Rio Grande do Sul está longe de representar descaso do presidente com o sofrimento das vítimas. O presidente já tinha uma viagem agendada para participar da cúpula do G-20, compromisso que, obviamente, não poderia ser cancelado. As críticas aos gastos de Lula e sua comitiva, que estariam hospedados num hotel nababesco na Índia, são uma desfaçatez, pois partem de defensores de um governo que se apropriava de presentes dados ao país e até tentava vendê-los. Em termos práticos, o governo Lula está concedendo toda a assistência material necessária aos atingidos pelas enchentes, como, aliás, é sua obrigação. Afora isso, o presidente em exercício, Geraldo Alckmin, estará no Rio Grande do Sul amanhã. Tentar usar a tragédia climática do Rio Grande do Sul para atingir Lula é apenas mais uma das baixezas dos bolsonaristas.
sexta-feira, 8 de setembro de 2023
Goleada previsível
A estreia do técnico interino da Seleção Brasileira, Fernando Diniz, pouco apresentou para uma avaliação mais profunda. Hoje, no Mangueirão, a Seleção goleou a Bolívia por 5 x 1, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo. Depois de um primeiro tempo em que Neýmar errou um pênalti de forma bisonha, e o placar foi de apenas 1 x 0, a Seleção deslanchou no segundo. Neymar compensou o pênalti que errou marcando dois gols. Rodrigo, que havia aberto o placar, fez mais um, e Raphinha fez o outro. Porém, era uma goleada previsível, dada a fragilidade do adversário. Contra o Peru, fora de casa, na próxima terça-feira, a Seleção terá um teste mais forte, permitindo que se avalie o trabalho inicial de Diniz.
quinta-feira, 7 de setembro de 2023
Contratações irrefletidas
No futebol, contratações devem ser feitas de forma criteriosa, com uma análise meticulosa do histórico do jogador. Esse cuidado não vem sendo observado por Grêmio e Inter, que têm realizado contratações irrefletidas. Na recente janela de transferências, o Grêmio trouxe o atacante argentino naturalizado paraguaio Iturbe, de 30 anos, com contrato até o fim de 2023. Iturbe surgiu como uma grande promessa, mas não conseguiu se firmar, rodou por vários clubes do mundo e, antes de vir para o Grêmio, estava na reserva do modesto Aris, da Grécia. Agora, transcorridos pouco mais de dois meses da sua chegada, jâ há rumores de que o técnico do Grêmio, Renato, tem desaprovado o seu rendimento nos treinos e não pretende utilizar o jogador. Ontem, o Inter apresentou o lateral esquerdo Dalbert, de 30 anos, e também com contrato até dezembro próximo, por produtividade. Dalbert esteve em vários clubes da Europa nos últimos dez anos, sendo o Cagliari (ITA) o mais recente, e se recuperou de uma grave lesão, em função da qual não joga desde maio de 2022. Tudo indica que a chance de que venha a dar certo é pequena. A razão por trás de contratações como as referidas é a escassez de recursos financeiros dos dois clubes, o que faz com que prefiram trazer jogadores livres no mercado. Ainda assim, não se justifica. Contratações devem ser feitas no sentido de qualificar um grupo, e não para realizar apostas fadadas ao fracasso.
quarta-feira, 6 de setembro de 2023
Tragédia climática
O Rio Grande do Sul vive momentos de caos, e teve decretado o estado de calamidade pública. A maior tragédia climática da história do estado, com transbordamento de rios devido aos altos volumes de chuva, produzidos por ciclones, já tem 36 mortos confirmados, mas o número deverá se elevar muito mais. Municípios como Mussum e Roca Sales, no Vale do Taquari, foram praticamente destruídos. Porém, não se está diante de uma fatalidade. Os desastres climáticos têm sido constantes, no mundo todo. Sabidamente, isso é reflexo do descaso para com o aquecimento global, resultado da emissão desenfreada de gás carbônico na atmosfera durante décadas. O negacionismo dos grupos de direita, que tratam o aquecimento global e outros danos climâticos como delírios da esquerda, só faz agravar a situação. A Europa teve o mês de agosto mais quente da história. Cidades a beira-mar poderão, num futuro não tão distante, serem tragadas pelas águas. Os verões estão cada vez mais tórridos, os invernos nunca foram tão gélidos. A natureza responde às agressões sofridas em nome de uma concepção irracional de progresso. Tragédias climáticas, antes esporádicas, agora são sistemáticas, em todas as partes do mundo. Não é mais tolerável ignorar as evidências de que tudo é consequência da ação irresponsável dos que só pensam em ganhos financeiros, sacrificando o equilíbrio da natureza. Não se trata de uma disputa ideológica, mas de preservar o meio ambiente para salvar a espécie humana.
terça-feira, 5 de setembro de 2023
A dor da injustiça
O sofrimento das famílias dos 242 mortos no incêndio da Boate Kiss, em Santa Maria, no ano de 2013, não tem fim. O julgamento dos quatro réus, condenados, em dezembro de 2021, a penas que variavam de 18 a 22 anos de prisão, foi anulado em agosto de 2022. O Ministério Público recorreu da decisão, mas, hoje, o Superior Tribunal de Justiça confirmou a anulação. Com isso, o novo julgamento, que estava previsto para 20 de novembro próximo, foi desmarcado pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, que marcará uma nova data. Os réus continuarão esperando o novo julgamento em liberdade. Na prática, o processo volta à estaca zero, o que é um escárnio. Não há argumento jurídico que torne aceitável a impunidade dos responsáveis pela tragédia que, afora as vítimas fatais, deixou mais 636 feridos. A dor dos familiares, que já é lancinante, torna-se ainda maior diante da não resolução de um caso que já se arrasta por dez anos. Uma ferida que não fecha. Um alívio que não chega. A dor da injustiça torna o sofrimento dos que perderam pessoas queridas no incêndio ainda maior. A crueldade da decisão do STJ só mostra o quanto a Justiça pode ser insensível.
segunda-feira, 4 de setembro de 2023
Precipitação
Bastou o Botafogo perder para o Flamengo, sábado, no Engenhão, onde tinha ganho todos os seus jogos anteriores no Campeonato Brasileiro, para que muitos entendam que a disputa pelo título foi reaberta. Há uma clara precipitação nessa consideração. O Palmeiras, vice-líder, empatou na rodada e, portanto, descontou apenas um ponto da enorme diferença que o separa do Botafogo. Afora isso, o Botafogo não jogou mal contra o Flamengo, e foi prejudicado pela arbitragem nos dois gols que sofreu. No primeiro gol, contra, Bruno Henrique, que disputava a jogada, estava impedido. No segundo, momentos antes ocorrera uma falta clara em favor do Botafogo, que o árbitro não marcou, lance em que o VAR não podia interferir por ser fora da área. Nào há razão para que o Botafogo se desestabilize por ter perdido um jogo, mesmo que seja um clássico. Uma queda acentuada do Botafogo até poderá acontecer, se o clube se deixar tomar por velhos fantasmas de que costuma morrer na praia ou que é um "cavalo paraguaio". Palmeiras, Grêmio e Flamengo, os clubes que vem logo a seguir na classificação do Brasileirão, tem a obrigação de lutar pelo título com todas as suas forças, mas, por enquanto, o Botafogo segue sendo franco favorito.
domingo, 3 de setembro de 2023
Sequência vitoriosa
Dois jogos seguidos em casa, duas vitórias, cinco gols marcados, nenhum sofrido. Hoje, na Arena, o Grêmio venceu o Cuiabá por 2 x 0, pelo Campeonato Brasileiro, e obteve ima sequência vitoriosa que lhe oportuniza a sonhar, até mesmo, com o título, embora remotamente. As duas vitórias consecutivas na Arena são o que se costuma chamar de "fazer o dever de casa", indispensável para quem tenha pretensões numa competição de pontos corridos. O fato do Grêmio não ter levado gols nos dois jogos é outro dado a ser saudado, pois sua defesa vinha sendo vazada em todas as partidas. O Grêmio não teve uma atuação extraordinária, mas venceu de forma segura. Kannemann e Luís Suárez tiveram grande desempenho. Villasanti e João Pedro também se destacaram. Caíque realizou uma estreia regular. O destaque negativo foi João Pedro Galvão, que ainda não mostrou ao que veio. Após a parada para os jogos das Eliminatórias para a Copa do Mundo, o Grêmio terá dois jogos consecutivos fora de casa contra Red Bull Bragantino e Corinthians, o último deles adiado do primeiro turno. Será fundamental o Grêmio aumentar o seu rendimento como visitante, pois, até agora, em nove jogos longe de seus domínios, sofreu cinco derrotas.
sábado, 2 de setembro de 2023
Mau futebol
Um jogo sem emoção, com pouco trabalho para os goleiros. Hoje, na Serrinha, Inter e Goiás empataram em 0 x 0, pelo Campeonato Brasileiro, praticando, ambos, um mau futebol. Não faltou transpiração, e até rispidez, o que levou a que ocorressem três expulsões. Porém, Inter e Goiás não mostraram nenhuma inspiração. O resultado não foi bom para nenhum dos dois, pois permaneceram na proximidade da zona de rebaixamento. Nos dez últimos jogos pelo Brasileirão, o Inter não obteve nenhuma vitória. Na verdade, o grupo de jogadores do Inter é limitado tecnicamente. Numa competição de confrontos eliminatórios, como ocorre com a Libertadores em suas fases decisivas, é mais fácil compensar limitações técnicas com mobilização. Em competições de pontos corridos, a posição na classificação tende a revelar o verdadeiro potencial de cada um.
sexta-feira, 1 de setembro de 2023
Escolha acertada
A CBF anunciou, hoje, Arthur Elias como o novo técnico da Seleção Brasileira de Futebol Feminino, em substituição a sueca Pia Sundhage, demitida após a fraca campanha na Copa do Mundo da modalidade. Foi uma escolha acertada. Arthur Elias é técnico de futebol feminino do Corinthians, o clube mais vitorioso da categoria no país, nos anos mais recentes. O novo técnico já convocou a equipe para um período de treinos, e chamou novamenre a atacante Cristiane, do Santos, barrada por Pia Sundhage nos últimos dois anos. A ex-técnica, em seu ciclo de preparação para a Copa do Mundo de 2023, não realizou um bom trabalho, e a equipe fez sua pior campanha na competição desde 1995. A aposta em seu nome era válida, por se tratar de uma profissional de grande currículo, ganhadora de duas medalhas de ouro olímpicas. Porém, não deu certo, e uma solução doméstica, como a anunciada pela CBF, pode ser o caminho para que a Seleção Brasileira de Futebol Feminino volte aos bons tempos.
quinta-feira, 31 de agosto de 2023
Semifinais definidas
A Libertadores se encaminha para a sua reta final. Com a vitória do Fluminense por 3 x 1 sobre o Olímpia, hoje, no Defensores del Chaco, a competição teve as suas semifinais definidas. Os confrontos serão Palmeiras x Boca Juniors e Fluminense x Inter. Não há clubes de menor expressão ou que correm por fora entre os semifinalistas. Somados, possuem onze títulos da Libertadores. Só o Fluminense ainda não ganhou a competição, mas já foi vice-campeão. Palmeiras e Fluminense surgem como favoritos dos confrontos. O Palmeiras, mesmo sem ter se reforçado na janela de contratações, manteve a base vitoriosa com a qual tem obtido muitos títulos nos anos mais recentes. O Fluminense, embora seja o único semifinalista que ainda nào ganhou a Libertadores, tem grande qualidade técnica. O Inter, mesmo com reforços, ainda é inferior aos outros dois representantes brasileiros. O Boca Juniors tem a seu favor, apenas, a "camisa pesada", mas um conjunto de pouca qualidade. Com clubes de tamanha representatividade, a emoção está garantida nas semifinais da Libertadores, com jogos em estádios lotados que definirão quem estará na grande decisão da competição, dia 4 de novembro, no Maracanã.
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