sábado, 5 de março de 2022
Pobreza técnica
O torcedor do Grêmio vive um pesaďelo a cada jogo. Como se não fosse suficiente ter sido eliminado da Copa do Brasil, na terça-feira, pelo Mirassol, o Grêmio apenas empatou, em 1 x 1 com o Novo Hamburgo, hoje, no Estádio do Vale, pelo Campeonato Gaúcho. O resultado não trouxe maiores prejuízos ao Grêmio na classificação do Gauchão, onde continua vice-líder, mas com um jogo a menos. No entanto,o técnico Roger Machado, em três jogos, tem uma vitória, a derrota de terça-feira, e o empate de hoje, o que está longe de ser um bom desempenho. O Grêmio, contra o Novo Hamburgo, mais uma vez, assustou pela pobreza técnica. Com exceção de Rildo, cuja substituição, no segundo tempo, foi incompreensível, ninguém jogou bem. Tendo sofrido um gol cedo, o Grêmio só conseguiu empatar no final do jogo, quando o adversário, visivelmente, já estava cansado. O gol de empate, aliás, foi marcado por Gabriel Silva, que entrou faltando poucos minutos para o final do jogo, e mostrou muita personalidade, pedindo a bola para seus companheiros por diversas vezes, confirmando que é uma grande promessa das categorias inferiores. Com o futebol que vem mostrando, o Grêmio deixa o seu torcedor muito preocupado com a possibilidade de não conseguir retornar à Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro. Há muito a ser feito para que o Grêmio se torne confiável e competitivo. Até agora, 2022 tem sido um ano de aflição para a torcida.
sexta-feira, 4 de março de 2022
Mudança tímida
Depois da inacreditável derrota para o Globo (RN), que resultou na sua eliminação na primeira fase da Copa do Brasil, esperava-se que o Inter fizesse uma "varredura", com um grande número de demissões. Não foi isso o que aconteceu, ao contrário, após várias horas de reunião, que resultaram numa mudança tímida, com a saída do executivo de futebol, Paulo Bracks. Ainda que Bracks tenha a sua parcela de culpa pelo mau momento vivido pelo Inter, não basta a sua demissão para que tudo se resolva. O técnico Alexander Medina, de péssimo trabalho até aqui, deveria ter saído, também. O que a mudança de gerente executivo poderâ impactar, de imediato, no rendimento dos jogadores? Os torcedores do Inter, certamente, devem estar muito frustrados com essa mexida tão pequena no futebol do clube. Após o maior vexame da história do Inter, era de se esperar um número muito maior de mudanças. A manutenção do técnico, por exemplo, soa como um acinte. O presidente do Inter, Alexandre Barcelos, parece estar perdido, sem saber o que fazer. O sofrimento da torcida do Inter, ao que tudo aponta, estâ longe de terminar.
quinta-feira, 3 de março de 2022
Hecatombe
Um resultado imprevisível, que beira o absurdo. Assim pode ser definida a derrota do Inter por 2 x 0 para o Globo (RN) no Estádio Barrettão, em Ceará-Mirim, pela Copa do Brasil, uma hecatombe que causou a eliminação do clube na primeira fase da competição. Ao contrário do Grêmio, também eliminado, ontem, na mesma fase, a possibilidade de isso acontecer com o Inter era incogitável. O adversário do Grêmio foi o Mirassol, que cumpre boa campanha no Campeonaro Paulista, o Globo é um clube com apenas dez anos de existência, do modesto futebol potiguar, e está mal colocado no seu campeonato estadual. Foi assustador o que se viu do Inter. Tecnicamente, nada mostrou. Animicamente, foi amorfo. Em nenhum momento o Inter reagiu. Como o empate classificaria o Inter, ficou claro que o técnico Alexander Medina montou um esquema para segurar o jogo, em vez de procurar a vitória. A escalação de dois volantes defensivos Gabriel e Johnny, evidenciava esse fato. Até mesmo depois do O x 0 no primeiro tempo, com um péssimo futebol, Medina não mudou sua proposta e, com a saída de Johnny por uma indisposição estomacal, colocou Rodrigo Dourado em seu lugar, mantendo a presença de dois volantes de contenção. Só depois que sofreu o primeiro gol, num frangaço de Daniel, Medina fez modificações no meio de campo e ataque, que não tiveram qualquer efeito, diante do amontoado que era o Inter. Um resultado vexatório que deverá causar uma modificação total no departamento de futebol do Inter. Técnico, vice-presidente de futebol, gerente executivo e integrantes da central de acompanhamento de dados deverão sair de cena. A faxina será geral.
O português que divide opiniões
O técnico do Palmeiras, o português Abel Ferreira, conquistou, ontem, o seu quarto título em 16 meses no cargo. Ferreira disputou, nesse período, oito decisões, ganhando quatro e perdendo outro tanto. Venceu as duas Libertadores que decidiu, a Copa do Brasil de 2020 e a Recopa Sul-Americana, ontem, ao derrotar o Athletico Paranaense por 2 x 0, no Allianz Parque, após empatar o primeiro jogo em 2 x 2, na Arena da Baixada. Os títulos perdidos, todos em 2021, foram os da Supercopa do Brasil, para o Flamengo, da Recopa Sul-Americana, que ficou com o Defensa y Justicia (ARG), do Campeonato Paulista, ganho pelo São Paulo, e do Mundial de Clubes, que ficou com o Chelsea, realizado em 2022 mas referente ao ano anterior. O desempenho de Ferreira, na média, em tão curto espaço de tempo, é muito bom. Porém, certos fracassos que colheu não são facilmente assimiláveis. No Mundial de Clubes de 2020, o Palmeiras perdeu os dois jogos que disputou, e ficou em quarto lugar, a pior colocação de um clube sul-americano em toda a história da competição. Na Recopa Sul-Americana de 2021, perdeu a decisão para o Defensa y Justicia, um clube pequeno da Argentina. Na Copa do Brasil do mesmo ano, competição em que era o detentor do título, foi eliminado pelo CRB, em pleno Allianz Parque. Afora isso, Ferreira tem um estilo de jogo defensivista, pragmático, que não agrada aos mais exigentes. Por isso, Ferreira é o português que divide opiniões, ao contrário de seu compatriota Jorge Jesus, que conta com a simpatia quase unânime da imprensa esportiva. Particularmente, não gosto do trabalho de Ferreira, pois, se ganhou títulos importantes, também pagou "micos", e seu futebol de resultados me desagrada. Sem contar que seu comportamento na área técnica é deplorável, resultando no recebimento freqüente de cartões.
terça-feira, 1 de março de 2022
Eliminação previsível
Ninguém pode alegar ter sido surpreendido. O Grèmio perdeu por 3 x 2 para o Mirassol, hoje, no Estádio José Maria de Campos Maia, o que resultou numa eliminaçào previsível na Copa do Brasil. A forma como ocorreu a derrota fez com que fosse ainda mais dolorosa, mas não inesperada. Desde o sorteio para a definição dos confrontos da primeira fase da competição, ficara claro que coube ao Grêmio o adversário mais duro. O Mirassol não é um clube de tradição, mas faz um bom trabalho, tem estrutura, um grupo de jogadores de nível satisfatório, e um técnico que está há dois anos no cargo. Em sua campanha no Campeonato Paulista, só perdeu um jogo, até agora. Logo aos cinco minutos de jogo, o Grêmio já sofreu o primeiro gol, num lance em que o goleiro Brenno falhou ao rebater a bola para a frente. Ainda assim, o Grêmio teve forças para virar o placar, com Diego Souza fazendo mais um belo gol de cabeça, e Bruno Alves, que estava impedido, desempatando. Porém, uma bola perdida por Diego Souza na divisória do meio de campo, quando o Grêmio partia para o ataque, deu início a jogada do gol de empate do Mirassol, resultado que permaneceu até o fim do primeiro tempo. No entanto, o Mirassol conseguiu uma nova virada no jogo, com um golaço de Fabinho, num lance em que Orejuela e Bruno Alves falharam gritantemente. Bastaria ao Grêmio fazer um gol para se classificar, pois o empate, na condição de visitante, o favorecia, pelo regulamento. Afora isso, o Mirassol ficou com um jogador a menos desde os 14 minutos do segundo tempo. Nem assim o Grêmio evitou o resultado negativo. Mesmo criando várias chances de gol, o Grêmio não conseguiu alterar o placar. O que se anunciava como difícil, foi confirmado, na prática. A eliminação do Grêmio era muito provável, e aconteceu. Resta saber o quanto impactará no trabalho a ser feito daqui para a frente.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022
A politização do futebol
A Fifa e a Uefa decidiran, hoje, em conjunto, excluir a Rússia de todas as competições promovidas pelas duas instituições, incluindo o futebol feminino e categorias inferiores. Com isso, a Rússia está fora das Eliminatórias e, por conseguinte da própria Copa do Mundo, que será realizada em novembro, no Catar. O Spartak Moscou, que disputava a Liga Europa, foi excluído da competição. A Rússia poderá recorrer da decisão no Tribunal Arbitral do Esporte. A medida foi tomada em função da invasão da Ucrânia pela Rússia. Caso haja um acordo de paz, as sanções poderão ser revistas. A politização do futebol, nesse nível, não é saudável. A Fifa, como é sabido, possui mais países filiados do que a ONU. Até mesmo países não reconhecidos pela comunidade internacional foram aceitos na Fifa. Entre os integrantes da Fifa estão países de todos os matizes ideológicos, com regimes democráticos ou ditatoriais. Sendo assim, não faz sentido aplicar sanções esportivas à Rússia por fatos de natureza política. Repudiar atitudes políticas, condenar guerras e invasões, é uma postura legítima de governos e da diplomacia dos países. As instituições esportivas não devem sair do seu escopo.
domingo, 27 de fevereiro de 2022
O anúncio de Tite
O técnico da Seleção Brasileira, Tite, anunciou, durante a semana, que deixará o cargo após a Copa do Mundo, seja qual for o resultado que a equipe obtenha. O anúncio de Tite soa como uma obviedade. Tendo fracassado na Copa de 2018, Tite não teria como prosseguir no caso de um novo insucesso. Se for campeão, não teria porque perder a chance de sair como vencedor, depois de um longo período no cargo. O que chama a atenção é a reação da imprensa esportiva assim que Tite fez sua declaração. Começou, de forma praticamente imediata, uma campanha para que o futuro técnico da Seleção seja um estrangeiro. Não faltou, como de outras vezes, quem sonhasse com o espanhol Josep Guardiola, técnico do Manchester City, para assumir no lugar de Tite. Outros lembram o fato de que Jorge Jesus está livre no mercado para sugerir o seu nome. Como se percebe, a fixação por técnicos estrangeiros não se dá só nos clubes, também tomou conta da imprensa. No próximo Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão, que iniciará em abril, nove dos 20 clubes já têm técnicos estrangeiros. Parece uma fórmula mágica, o que, evidentemente, é um equívoco. Os problemas da Seleção e dos clubes não se devem às nacionalidades de seus técnicos. São muito mais profundos, têm causas estruturais. A classe dos técnicos brasileiros está sendo desmerecida de um modo cruel e injusto. Sem grandes jogadores não há como esperar resultados notáveis, e aí reside o principal problema do futebol brasileiro no momento. O resto é conversa fiada dos arautos da "modernidade" do futebol.
sábado, 26 de fevereiro de 2022
Selvageria
O futebol brasileiro vive uma onda de violência. Hoje, o ônibus que conduzia a delegação do Grêmio foi apedrejado na chegada ao Beira-Rio, num ato de selvageria, o que levou o Gre-Nal, pelo Campeonato Gaúcho, a ser cancelado. Pela segunda vez, na mesma semana, um ônibus com a delegação de um clube é apedrejado ao chegar no estádio. O outro caso ocorreu com o Bahia, na Arena Fonte Nova. A diferença, para o fato de hoje, é que o Bahia teve seu ônibus atacado por torcedores do próprio clube. No caso do Grêmio, o ônibus foi apedrejado por torcedores do Inter. Em ambas as situaćões, um jogador saiu ferido com gravidade, e tendo de ser removido para o hospital. No Grêmio, foi o volante Villasanti, que teve traumatismo craniano e concussão cerebral. No Bahia, o goleiro Danilo Fernandes, que teve cortes no rosto que por pouco não lhe comprometeram a visão. Logo depois do ocorrido, o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan Júnior, disse que o clube não jogaria o Gre-Nal. O presidente do Inter, Alessandro Barcelos, apoiou a decisão do Grêmio. Com isso, o Gre-Nal ficou para uma data a ser marcada. Uma enorme frustração para o torcedor, causada pela estupidez de quem praticou um ato tão torpe.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022
Escalação assustadora
Para que mudar o que deu certo? O Grêmio fez seu melhor jogo no ano, até aqui, contra o São Luiz de Ijuí, quando goleou por 4 x 0, e teve um meio de campo ágil e criativo, formado por Villasanti, Bitello e Gabriel Silva. Poŕém, as notícias dão conta de que amanhã, contra o Inter, o técnico Roger Machado formará o meio de campo com Thiago Santos, Bitello e Villasanti, o mesmo que afundou na derrota por 3 x 1 para o União Frederiquense. Não há o que justifique essa atitude de Roger. Colocar três volantes contra um adversário em péssima fase não faz nenhum sentido, é uma escalação assustadora. Por estar cinco pontos na frente do Inter no Campeonato Gaúcho, o Grêmio vai para o jogo, no Beira-Rio, numa situação confortável, pois mesmo em caso de derrota permanecerá na frente do seu maior rival. Sendo assim, não há porque montar um meio de campo tão defensivo e sem criatividade. A se confirmar essa escalação, o Grêmio poderá estar abrindo mão de uma vitória que parecia encaminhada. Como se isso não bastasse, Diego Souza poderá ficar de fora do jogo, e ser substituído por Churin, em vez de Elias, que seria a escolha mais adequada. Equívocos como os relatados acima costumam custar muito caro. Pelo visto, a queda para a Segunda Divisão não serviu de lição para o Grêmio.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022
Parcialidade
A invasão da Ucrânia por tropas russas é, justificadamente, o assunto dominante, no mundo inteiro, nas últimas horas. Obviamente, guerras são execráveis, nunca deveriam acontecer, mas, ao analisar os motivos que levam à eclosão de um conflito, não se pode usar de parcialidade, como vem fazendo a imprensa brasileira. Pintar o presidente da Rússia, Vladimir Putin, como um monstro que ataca um país soberano e ignora os princípios democráticos é adotar uma visão muito facciosa do assunto. Os que estão condenando a ação de Putin são os mesmos que aceitam, com naturalidade, as invasões imperialistas americanas a países soberanos. Os motivos de Putin para deflagrar o conflito são geopolíticos. Desde a extinção da União Soviética, os Estados Unidos e seus aliados têm avançado na cooptação de países membros da antiga "Cortina de Ferro", tanto que catorze deles já pertencem a OTAN. A adesão da Ucrânia ao bloco fragilizaria a Rússia, que ficaria exposta a uma ocidentalização, o que é o grande temor dos governantes do país. O objetivo de Putin sempre foi o de retomar o protagonismo da Rússia no contexto internacional. Agora, a chance para isso surgiu, e o presidente russo não a desperdiçou. Não serão as prometidas sanções econômicas por parte dos Estados Unidos e seus aliados que farão Putin recuar. Nesse aspecto, Putin também tem seu trunfo, pois a Europa precisa do gás fornecido pela Rússia para manter seus sistemas de energia. A guerra está só começando, e Putin não se dobrará facilmente.
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