terça-feira, 26 de maio de 2020
O preço da leniência
Razões para determinar o impeachment do presidente Jair Bolsonaro é o que não faltam, são dezenas de crimes tipificados. Porém, os poderes Legislativo e Judiciário, aos quais caberia agir para encaminhar a queda de Bolsonaro se omitiram. Essa omissão fez com que o ex-capitão se sentisse à vontade para assediar explicitamente o Procurador Geral da República, Augusto Aras, para arquivar o processo que o acusa de interferir na Polícia Federal. Hoje, a Polícia Federal, já transformada num órgão auxiliar de Bolsonaro, desfechou uma ação de busca e apreensão contra o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, medida que deverá se estender a outros administradores estaduais que o tresloucado presidente considere como seus inimigos. Esse é o preço da leniência, pois, ao não agirem com a agilidade necessária, ou, o que é pior, associando-se a um governo putrefacto, o Legislativo e o Judiciário levam o país para o abismo. O Brasil não suportará que Bolsonaro cumpra o seu mandato por inteiro. Nada sobrará do país se isso acontecer. Não é hora de composições. O momento exige uma ação radical, de ruptura. A cassação da chapa Bolsonaro-Mourão é a melhor e mais rápida solução, pois propiciará uma deposição imediata, sem as delongas de um processo de impeachment, e com a convocação de novas eleições em 90 dias. Está na hora dos que não apoiam Bolsonaro, imensa maioria da população brasileira, fazerem valer a sua voz, e exigirem a sua queda imediata do cargo.
segunda-feira, 25 de maio de 2020
Falsa normalidade
Em meio a pandemia de coronavírus, que atinge números cada vez mais catastróficos, e a revelação de imagens de uma reunião ministerial de conteúdo obsceno, o país vive uma inexplicável calma no terreno político. Depois de semanas turbulentas, geradas pelo comportamento alucinado e errático do presidente Jair Bolsonaro, os demais poderes da República parecem empenhados em impor uma falsa normalidade, o que está longe de ser o melhor para o futuro do Brasil. Nas atuais circunstâncias, só quem lucra com uma acomodação das tensões políticas é o grande empresariado e o mercado financeiro, sempre esperançosos de que o ministro da Economia, Paulo Guedes, complete a destruição dos direitos dos trabalhadores brasileiros e a liquidação do patrimônio público do país, transferindo-o para proprietários privados. Não há espaço para a conciliação entre os poderes, especialmente o Executivo e o Judiciário. As ofensas proferidas pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, contra o Supremo Tribunal Federal, por exemplo, na referida reunião, não são passíveis de uma retratação. O Brasil virou um pária internacional, em função do governo caótico de Bolsonaro. Dar-lhe fôlego, buscando baixar a temperatura política, é praticar um crime contra os interesses do país, prolongando a permanência de um sociopata no poder. O Brasil consciente, e o mundo, clamam pela queda de Bolsonaro.
domingo, 24 de maio de 2020
Apenas mais do mesmo
A movimentação política no fim de semana, em Brasília, não trouxe novidades em relação aos anteriores. Foi apenas mais do mesmo. No sábado, o presidente Jair Bolsonaro saiu para mais um de seus passeios sem máscara em meio ao povo, apertando mãos e gerando aglomerações. Hoje, Bolsonaro participou de mais uma manifestação de apoio de seus seguidores, que chamou a atenção pela escassez de pessoas presentes. Enquanto isso, o lado saudável da sociedade brasileira ainda tenta digerir o conteúdo da nauseante reunião ministerial do dia 22 de abril, revelada pela exibição de um vídeo. As barbaridades ali proferidas caracterizam uma série de crimes e desvios de conduta no exercício do governo, o que impõe a necessidade de que os poderes legislativo e judiciário tomem as medidas cabíveis para o impeachment do presidente e a penalização devida de seus ministros. Espera-se que durante a semana, novidades positivas nesse sentido possam ocorrer. O Brasil consciente não aguenta mais esperar por essas providências.
sábado, 23 de maio de 2020
Os amigos de Bolsonaro
Não bastasse a divulgação de um vídeo com conteúdo estarrecedor, o presidente Jair Bolsonaro, em entrevista concedida na parte externa do Palácio do Planalto, ontem, revelou algo ainda mais absurdo. O ex-capitão disse que, por ter "amigos" nas polícias civil e militar do Rio de Janeiro, foi avisado de ações de busca e apreensão nas casas de seus filhos que seriam determinadas pelo governador Wilson Witzel. Conforme Bolsonaro, Witzel deseja ser presidente, e, para isso, quer lhe prejudicar, bem como aos seus familiares. Na argumentação de Bolsonaro, Witzel pretendia "plantar provas" contra seus filhos. Deixando de lado a leviandade das declarações de Bolsonaro em relação às intenções de Witzel, o núcleo de suas afirmações é inadmissível para um presidente. Entre as prerrogativas do ocupante do cargo não está a de ter um sistema de informações paralelo. Os amigos do presidente não podem lhe fornecer informações privilegiadas, nem receber proteção do Gabinete de Segurança Institucional, como Bolsonaro reinvidicou na deprimente reunião que veio ao conhecimento público da opinião pública com a liberação do vídeo, ontem. Não houve, por parte de Bolsonaro, o esclarecimento de quando se deu o fato, nem de quem são os tais informantes. Os amigos de Bolsonaro representam mais um escândalo, dos tantos produzidos por esse governo dantesco. O esgarçamento ético do país, que atingiu um nível abissal, faz com que se conviva com naturalidade com uma situação inaceitável. Se as instituições do país estivessem funcionando normalmente, como alegam os promotores do golpe que derrubou uma presidente legitimamente eleita, Bolsonaro já teria sido alijado do cargo há muito tempo.
sexta-feira, 22 de maio de 2020
Sobram motivos para o impeachment
Depois da exibição, na quase totalidade, do vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril, é inaceitável a continuidade do presidente Jair Bolsonaro no cargo. O conteúdo da reunião é estarrecedor. O ex-capitão utiliza uma linguagem imprópria até para bordéis, e profere um total de 29 palavrões ao longo do encontro. Sobram motivos para o impeachment de Bolsonaro. Fica claro no vídeo, ainda que o próprio presidente e seus apoiadores neguem, sua intenção de interferir na Polícia Federal. Durante a reunião, Bolsonaro ofende os governadores de São Paulo e do Rio de Janeiro com impropérios, afirma que quer armar toda a população para evitar uma "ditadura", reclamou dos órgãos de informação que não lhe abasteciam adequadamente, mas destacou possuir um, de natureza particular, que funciona muito bem, não dando, no entanto, nenhum esclarecimento a respeito. Afora os absurdos ditos por Bolsonaro, alguns ministros também declararam barbaridades. O da Educação, Abraham Weintraub, disse que era preciso prender os ministros do Supremo Tribunal Federal. A ministra das Mulheres, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, manifestou o desejo de prender governadores e prefeitos por suas ações no enfrentamento à pandemia de coronavírus. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou que era preciso aproveitar que a atenção da imprensa está focada na pandemia para aprovar "de baciada", as desregulamentações pretendidas para a sua área. Se, do ponto de vista jurídico, o vídeo é visto por alguns como frágil para sustentar as acusações do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, contra Bolsonaro, no terreno político ele é devastador. O país não pode continuar sendo governado por um desequilibrado e seus ministros de índole criminosa. Em meio a maior tragédia sanitária da história do país, Bolsonaro e seus ministros não mostram nenhuma preocupação com o assunto, voltando-se, tão somente, para o cumprimento de sua nefasta agenda de governo. O governo Bolsonaro é um cadáver insepulto. O impeachment é uma necessidade, e a cada dia que essa medida é postergada perpetra-se um crime lesa-pátria contra o Brasil.
quinta-feira, 21 de maio de 2020
John Galt
Não estranhe se você não souber quem é o homem que serve de título para esse texto. John Galt não existe. Seu nome foi visto em outdoors, hoje, em Porto Alegre e Vitória, com a seguinte pergunta: "Quem é John Galt"? Em Porto Alegre, os outdoors foram uma iniciativa do "Instituto da Liberdade", execrável instituição que difunde as ideias do neoliberalismo. Os painéis de Vitória foram bancados por um grupo que preferiu não se identificar. Então, respondendo a pergunta, esclareça-se que John Galt é um personagem da escritora e dramaturga russa Ayn Rand. Tendo deixado a Rússia para fugir do regime comunista, Rand se radicou nos Estados Unidos, onde criou sua obra, que defende os argumentos neoliberais. O personagem em questão, John Galt, exalta esses argumentos, ao buscar sua realização pessoal como único objetivo, sem atentar para possíveis prejuízos causados aos outros. Dentro da ótica neoliberal, nada nem ninguém pode servir de obstáculo à consecução de objetivos individuais. Por isso, entre outras razões, seus adeptos desejam a implantação de um estado mínimo. Para um neoliberal, o governo não tem o direito de lhe impor medidas coercitivas em nome de interesses coletivos. Na explicitação dos pensamentos neoliberais, Ayn Rand chega a afirmar que o "nosso grande inimigo", é o homem de posturas morais sólidas, que se deixa deter pela culpa. Os neoliberais são a favor do darwinismo social, em que os "melhores e mais aptos" levam vantagem, esmagando os demais, sem qualquer constrangimento. O fato de tais ideias estarem sendo propagadas por meio de painéis em plena pandemia, situação que acentua a necessidade da intervenção do Estado e incentiva a solidariedade entre as pessoas, é uma demonstração do quanto a sociedade está deteriorada em seus valores, e deixa claro quem é o inimigo a ser derrotado na busca pelo bem estar coletivo.
quarta-feira, 20 de maio de 2020
Uma queda mais do que prevista
A atriz Regina Duarte foi demitida, pelo presidente Jair Bolsonaro, do cargo de secretária de Cultura. Essa era uma queda mais do que prevista, por todos. A ex-secretária teve direito a uma saída "honrosa", com a alegação de ter deixado o cargo para ficar próxima da família, em São Paulo, e recebendo o cargo de diretora da Cinemateca Brasileira, na capital paulista. Desde o início, a nomeação de Regina apontava para um total fracasso. Sem contar com o apoio da maioria da classe artística, e mostrando afinação com as ideias preconceituosas de Bolsonaro, Regina já foi mal no seu discurso de posse. Ao tentar definir o que era cultura, lançou mão de vários exemplos, entre eles o "pum do palhaço". A repercussão negativa foi enorme, com muitos comentários jocosos, como não poderia deixar de ser. Há poucos dias, Regina enterrou ainda mais a sua já desgastada imagem numa entrevista patética para a CNN em que debochou dos mortos pela ditadura, cantou a marchinha "Pra Frente Brasil", disse não querer carregar "cordéis de caixões", e teve um chilique diante da exibição de um vídeo com a atriz Maitê Proença, o que forçou o encerramento antecipado de seu questionamento pelo canal de tevê. O ator Mário Frias bolsonarista convicto, é o favorito para ocupar o lugar de Regina. Frias tem uma carreira obscura como ator, com poucos papéis de alguma relevância, mas sua fidelidade às ideias de Bolsonaro o colocam como o principal nome cogitado para ser o novo secretário. Afora as gafes e declarações absurdas de Regina, nada mais se soube que tenha sido feito pela atriz em seus breves 77 dias no cargo. Com Mário Frias, caso seu nome venha a ser confirmado, nada se poderá esperar de melhor.
terça-feira, 19 de maio de 2020
Um ministério de militares
- Em meio a pandemia de coronavírus, o ministério da Saúde deveria ser o mais importante dentre todos. No Brasil, no entanto, saúde nunca foi prioridade, e continua não sendo. O que está acontecendo no ministério comprova isso. Depois da demissão de dois ministros da Saúde em apenas dois meses, o cargo foi entregue, conforme o que se diz, interinamente, ao general Eduardo Pazuello. Porém, mesmo com sua suposta interinidade, o general nomeou outros nove militares para diversos cargos dentro do ministério. Um ministério de militares, eis no que se transformou a pasta da Saúde. Em princípio, Pazuello ficaria no cargo só até domingo, e ontem um novo ministro já seria anunciado. A tendência não se confirmou, e as nomeações parecem indicar que o general pretenda ser efetivado. O fato é que, cada vez mais, o governo Jair Bolsonaro está se valendo de militares para ocupar funções nos diversos escalões. Se, antes, tomaram o poder colocando os tanques nas ruas, os militares agora entraram pela porta da frente, conduzidos por um presidente eleito. O resultado, entretanto, é igualmente desastroso. Com a ditadura imposta em 1964, os militares derrubaram um presidente legitimamente eleito, que se preparava para fazer importantes reformas estruturais. Hoje, dão sustentação a um governo que não tem mais condições de prosseguir, pois está desmoralizado, dentro e fora do país. Em ambos os casos, a maior vítima é o Brasil.
segunda-feira, 18 de maio de 2020
O vídeo
O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, irá assistir, hoje, a gravação da já famosa reunião ministerial do dia 22 de abril, na qual, segundo afirma o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, fica provada a tentativa de interferência do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal. Celso de Mello irá decidir, até o final da semana, se o vídeo terá o seu conteúdo revelado ao público, no todo ou em parte. Novas informações dão conta de que se todo o conteúdo da reunião for conhecido, os ministros Abraham Weintraub e Ernesto Araújo, respectivamente da Educação e das Relações Exteriores, perderão seus cargos. No caso de Weintraub, por ter ofendido todos os ministros do STF. Por sua vez, Araújo fez comentários desairosos sobre a China. A Advocacia Geral da União quer uma divulgação apenas parcial do vídeo, e a Procuradoria Geral da República defende o mesmo, mas de forma ainda mais restrita. Se isso acontecer, será mais um crime lesa-pátria. Não há porque auxiliar o governo a omitir fatos que interessam a todos os brasileiros. O decano do mais alto tribunal do país não pode se acovardar. O conteúdo do vídeo precisa ser inteiramente conhecido por todos. Não há porque blindar um governo que já deveria ter se encerrado, pelos tantos males que já causou ao país.
domingo, 17 de maio de 2020
O prolongamento de uma agonia
- Está claro que o governo Jair Bolsonaro, em termos práticos, já acabou. Alguns aliados começam a pular do barco, como é o caso do empresário Paulo Marinho, um dos maiores entusiastas da campanha do ex-capitão e suplente do senador Flávio Bolsonaro (PSL-SP). Marinho afirmou que Flávio foi alertado por um policial federal, cujo nome não revelou, sobre investigações envolvendo seu assessor, Fabrício Queiroz, que comprometiam sua família e que seriam concluídas durante o segundo turno das eleições, o que poderia prejudicar a candidatura de seu pai. Esse é um indício de que o barco bolsonarista já está fazendo água. Daqui por diante, outras denúncias desse tipo deverão surgir. Paralelamente a isso, as carreatas em favor de Bolsonaro, em Brasília, com a sua presença, continuam. O governo brasileiro está desmoralizado internacionalmente, e não tem mais nenhuma chance de recuperação. O fato de Bolsonaro ainda permanecer no cargo é o prolongamento de uma agonia. Os que permitem isso têm de ser considerados seus cúmplices no genocídio que ele está causando ao agir em desacordo com a ciência em relação à pandemia de coronavírus.
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