quarta-feira, 13 de maio de 2020
Os 70 anos da Fórmula 1
A data de hoje é um marco histórico para o automobilismo mundial. Ela marca os 70 anos da Fórmula 1. Nesse dia, em 1950, era realizado o primeiro grande prêmio de um campeonato da categoria, o da Inglaterra, no autódromo de Silverstone. O primeiro campeonato daquela que se tornaria a principal competição do automobilismo mundial teve apenas seis corridas, todas na Europa, mais a adição das 500 milhas de Indianápolis, embora os carros utilizados nessa prova fossem diferentes dos usados no Velho Continente. Ainda nos seus primórdios, a Fórmula 1 conheceria um dos seus maiores mitos, o argentino Juan Manuel Fangio, cinco vezes campeão da competição, feito que só foi superado entre os anos 90 e 2000 pelo alemão Michael Schumacher, que obteve sete títulos. No ano em curso, o campeonato ainda não foi iniciado, em função da pandemia de coronavírus, mas será uma edição histórica, pois, afora a comemoração dos 70 anos da categoria, há a possibilidade de que o inglês Lewis Hamilton, o atual campeão, iguale o número de conquistas de Schumacher. Ao longo dessas sete décadas a Fórmula 1 conheceu grandes campeões, e outros pilotos igualmente notáveis, ainda que não tenham ganho o título. Figuras lendárias como os já citados Fangio, Schumacher e Hamilton, e ainda Stirling Moss, Giuseppe Farina, John Surtees, Graham Hill, Jim Clark, Jack Brabham, Jackie Stewart, Emerson Fittipaldi, Clay Regazzoni, Nikky Lauda, Alain Prost, Gilles Villeneuve, Nélson Piquet, Ayrton Senna, Fernando Alonso, Sebastian Vettel. A Fórmula 1, aos 70 anos, mostra-se sólida, e pronta para continuar encantando os seus milhões de apreciadores.
terça-feira, 12 de maio de 2020
A confirmação
O conteúdo do vídeo da reunião ministerial realizada no dia 22 de abril já é conhecido, ao menos em parte. Nele, há a confirmação do que fora denunciado pelo ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, ou seja, de que o presidente Jair Bolsonaro decidira trocar o diretor-geral da Polícia Federal e o superintendente do órgão no Rio de Janeiro para proteger sua família e seus amigos de investigações. Como faz habitualmente, Bolsonaro negou as acusações, dizendo que em momento algum da reunião falou em Polícia Federal. Como se fosse necessário! Diante de mais esse fato, é de se perguntar o que falta para que seja instaurado o processo de impeachment do ex-capitão. A cada dia, se acumulam os crimes praticados por Bolsonaro no exercício do cargo, nas mais diversas tipificações. Nem sequer a metade do mandato de Bolsonaro foi completada, o que torna evidente que é impossível que o mesmo seja cumprido integralmente. Dessa forma, quanto mais tempo levar para que seja destituído, o preço a ser pago pelo país se tornará insuportavelmente alto, como já ocorre com as vidas perdidas para a epidemia de coronavírus, tragédia sanitária tratada com desdém por Bolsonaro. O Brasil não pode mais arcar com os danos causados por um presidente insano. O país está acéfalo, sem governo. Os poderes Legislativo e Judiciário tem o dever de cumprir o seu papel, e aliviar o país da presença de Bolsonaro. A hora é agora, não dá mais para adiar.
segunda-feira, 11 de maio de 2020
Realismo
A pandemia de coronavírus, ainda longe de arrefecer, está gerando diferentes reações nos vários estamentos da sociedade. A dificuldade de encarar um fato tão assustador, leva muitos para diversas formas de escapismo. Sem que o problema tenha sido superado, já surgem os que querem fazer previsões sobre como será o mundo pós-pandemia. Acumulam-se, então, os que apelam para o chavão de que o mundo nunca mais será o mesmo. Bobagem. Não é hora de especular como será o mundo depois da pandemia, pois ninguém tem a certeza de que irá sobreviver a ela. O importante, nesse momento, é ver a situação com realismo. A doença está matando milhares de pessoas, e o achatamento da curva de infectados ainda está longe de acontecer. Diante desse quadro, é preciso tomar as medidas profiláticas indispensáveis, respeitar o confinamento, por parte dos cidadãos, e dotar o sistema de saúde dos recursos financeiros e equipamentos necessários para o combate à doença, no que tange ao poder público. O Brasil vive uma tragédia sanitária, e superar esse drama deve ser a única prioridade de todos. Não é hora de especular como será o futuro. O presente já é um desafio suficientemente pesado.
domingo, 10 de maio de 2020
A dualidade de Teich
O nível de ridículo e insanidade dos ministros do governo Jair Bolsonaro parece não ter limites. Numa postagem feita nas redes sociais, hoje, o ministro da Saúde, Nélson Teich, registrou que vivia uma dualidade de sentimentos, em que se faziam presentes a alegria pelo Dia das Mães e a tristeza pelos mais de dez mil mortos pela pandemia de coronavírus. Teich não levou em conta que muitas das vítimas fatais da doença eram mães, e que, entre as que permanecem vivas, várias delas perderam filhos na pandemia. Afora isso, em função do confinamento, um grande número de mães, principalmente as mais idosas, ficaram afastadas de seus filhos no dia de hoje. A dualidade de Teich não faz nenhum sentido. Sua manifestação é a expressão clara da falta de caráter. No Brasil atual, refém de um governo genocida e indiferente aos interesses da população, não há motivo para alegria. Nesse momento tão cruel que vive o país só há lugar para a tristeza, que, a cada dia, se torna mais profunda.
sábado, 9 de maio de 2020
Little Richard
Um dos pioneiros do rock, ícone que influenciou várias gerações de artistas e grupos do gênero. Assim foi Little Richard, que faleceu, hoje, aos 87 anos. Na segunda metade dos anos 50, formou, junto com Elvis Presley e Chuck Berry, o grupo dos primeiros mitos do rock. Seu jeito gutural de cantar fascinava Paul McCartney, por exemplo, que fez o vocal principal da regravação pelos Beatles de "Long Tall Sally", um dos maiores sucessos de Richard. Sua postura no palco, dançando freneticamente e entretendo o público com suas performances, inspirou Mick Jagger, dos Rolling Stones. Sua maneira espalhafatosa de se vestir e a maneira singular de tocar piano tiveram grande influência sobre Elton John. Como se não bastasse tudo isso, ao saber da morte de Richard, Brian Wilson, dos Beach Boys, disse que ele lhes ensinou o que era o rock. Com algumas interrupções, em função de guinadas em seu comportamento e modo de vida, sua carreira foi longa, só se encerrando aos 80 anos, por motivos de saúde. Ainda que ela tenha tido períodos de altos e baixos, por razões artísticas e pessoais, Little Richard é um integrante do panteão de nomes imortais do rock.
sexta-feira, 8 de maio de 2020
Os 50 anos de Let It Be
Na data de hoje, há 50 anos, era lançado o que seria o último disco dos Beatles, "Let It Be". Não foi o que se pode chamar de um fato festivo, pois, vinte e oito dias antes, Paul McCartney havia anunciado o fim do grupo. Na verdade, embora tenha sido o último disco a ser lançado, "Let It Be" foi o penúltimo a ser gravado, em janeiro de 1969, antes de "Abbey Road", de setembro do mesmo ano. Originalmente, era parte do projeto "Get Back", que incluía a volta dos Beatles aos shows, que não eram realizados desde 1966. A insatisfação com a qualidade do trabalho que estava sendo realizado, e as várias desavenças entre os membros do grupo, fez com que o projeto fosse abandonado no meio do caminho. O material, no entanto, foi retomado no ano seguinte, e entregue ao produtor Phil Spector, que recebeu autorização para fazer um disco. Por isso, "Let It Be" é o único trabalho do grupo que não foi produzido por George Martin. Porém, o resultado não agradou aos Beatles, principalmente Paul. Como pôde trabalhar o material livremente, sem a interferência dos quatro músicos, que já estavam em carreiras próprias, Spector adicionou recursos e efeitos sonoros que não os agradaram. Na lindíssima balada "The Long And Winding Road", de Paul, por exemplo, Spector adicionou um coro feminino, o que deixou seu autor inconformado. Mais de trinta anos depois, Paul, com a concordância de George Harrison e Ringo Starr, colocou no mercado "Let It Be Naked", a gravação original do disco, sem as adições sonoras de Spector, e com a inclusão de "Don't Let Me Down", faixa que havia sido deixada de lado pelo produtor. Por todas essas razões, "Let It Be" não é um dos melhores discos do grupo, mas está longe de ser um trabalho fraco. A faixa título, "Get Back" e "The Long And Winding Road" são três clássicos. O disco, inclusive, ganhou o prêmio "Grammy". Os 50 anos de "Let It Be" merecem ser comemorados, assim como deve ser festejada qualquer obra do melhor grupo musical de todos os tempos.
quinta-feira, 7 de maio de 2020
Toffoli não mordeu a isca
Totalmente indiferente ao número crescente e assustador de mortes causadas pelo coronavírus no país, o presidente Jair Bolsonaro fez, hoje, acompanhado por líderes empresariais, uma "visita surpresa" ao presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli. A intenção de Bolsonaro, e do ministro da Economia, Paulo Guedes, que também estava presente, era que Toffoli determinasse o afrouxamento da quarentena determinada por governadores e prefeitos em todo o Brasil. Mesmo sem a reunião prevista na agenda, Toffoli recebeu o grupo de visitantes. Porém, Toffoli não mordeu a isca que lhe foi jogada por Bolsonaro. Ponderou aos presentes que as decisões sobre dimensão e duração do isolamento social devem ser estabelecidas por meio de uma concertação entre as esferas administrativas municipais, estaduais e federal, não cabendo a interferência do Poder Judiciário. Fiéis à sua visão neoliberal que glorifica o mercado e despreza vidas humanas, membros da comitiva expressaram sua preocupação com a possível morte de CNPJ's se a reabertura da atividade econômica não for permitida. Diante da posição de Toffoli, no entanto, um dos empresários presentes na reunião entendeu que foi vítima, junto com seus pares, de uma armadilha de Bolsonaro. Como se vê, o ex-capitão ocupa o seu tempo, em vez de governar o país, com a elaboração de ardis os mais variados para levar adiante suas maquinações políticas. Até agora, só tem colhido fracassos.
quarta-feira, 6 de maio de 2020
Governo genocida
O que está sendo praticado pelo governo Jair Bolsonaro em relação à pandemia de coronavírus é uma política de extermínio. Adotando a postura do negacionismo, Bolsonaro tentou sempre minimizar a gravidade da pandemia, numa ação macabramente calculada. Por entender que, de qualquer maneira, seriam muitos os mortos pela doença, o ex-capitão preferiu cruzar os braços. Para Bolsonaro, tanto faz se, ao final da pandemia, terão morrido cem mil ou um milhão de brasileiros. Na sua visão totalmente insensível, o importante é que, depois de terminada a crise, seja possível voltar a implantar a agenda carregada de demofobia do ministro da Economia, Paulo Guedes. Para isso, é essencial evitar o aumento dos gastos públicos, medida obrigatória numa situação de emergência como a pandemia. Sem dúvida, esse é um governo genocida. Com mais de 600 mortes por dia no país, e uma enorme escassez de leitos nos hospitais públicos, o governo já deveria ter estatizado os da rede privada, enquanto durar a pandemia. O fato de ainda não ter tomado essa atitude, escancara ainda mais o fato de que o compromisso do governo não é com a sociedade, mas com os grandes grupos econômicos. O Brasil caminha para se tornar o epicentro da pandemia em todo o mundo. Não precisaria ser assim. Porém, esse é o preço a ser pago por quem tem um governo que é indiferente para com a vida humana.
terça-feira, 5 de maio de 2020
A absurda posição de Caio Ribeiro
Um atrito, ontem, entre os comentaristas Casagrande e Caio Ribeiro, ambos ex-jogadores de futebol, no programa "Bem Amigos", do SporTV, causou grande repercussão. A razão da polêmica foi a crítica de Caio a uma declaração do diretor-executivo do São Paulo, Raí, pedindo que o presidente Jair Bolsonaro renunciasse. Para Caio, em função de seu cargo no clube, Raí não deveria falar sobre política. A absurda posição de Caio Ribeiro é um atentado à liberdade de expressão. Todo e qualquer cidadão tem o direito de expressar suas opiniões sobre qualquer assunto, independentemente do cargo que ocupe. A se levar em consideração a posição de Caio, só os autônomos, que não estão vinculados a um empregador, e os aposentados, poderiam se posicionar livremente. O fato de Raí ocupar um alto cargo no São Paulo, não significa que sua opinião se confunda com a do clube. Até porque a renúncia de um presidente não é um assunto que caiba no escopo de uma instituição esportiva. A opinião de Raí é, obviamente, a expressão de uma visão pessoal, a qual ele tem pleno direito. Ao criticar a fala de Raí, Caio mostrou a postura habitual dos "coxinhas", sempre dispostos a estabelecer a censura em nome de um pretenso bom senso. Não há como tolerar isso.
segunda-feira, 4 de maio de 2020
Flávio Migliaccio
O suicídio, por si só, é um ato chocante. O que dizer, então, quando ele é cometido por um homem de 85 anos, como aconteceu, hoje, com o ator Flávio Migliaccio? O ator deixou um bilhete, no qual escreveu que a velhice no Brasil era um caos, e que tinha a sensação de que os 85 anos que vivera foram jogados fora em função do país e de algumas pessoas que veio a conhecer. Migliaccio estava fazendo o seu confinamento, por conta do coronavírus, no seu sítio em Rio Bonito (RJ). As informações dão conta de que ocupava o seu tempo escrevendo, e que já havia criado três peças de teatro. Hoje, abruptamente, Migliaccio encerrou sua vida e uma longa e vitoriosa carreira na televisão, cinema e teatro. Seu primeiro grande sucesso televisivo foi o personagem "Xerife", da novela "O Primeiro Amor" (1972), da Rede Globo. O êxito foi tão grande que ocasionou a criação do seriado "Shazam, Xerife e Companhia", onde fazia dupla com Paulo José, o qual vivia o outro personagem inscrito no título do programa, igualmente retirado da novela. A partir daí, participou de várias novelas, seriados e programas humorísticos, sempre cativando o público com suas atuações. Transmitia ao público uma imagem de leveza e doçura que tornam ainda mais intrigante o seu gesto radical. Deixa uma enorme saudade, e a admiração por uma carreira tão bem construída.
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