sexta-feira, 3 de abril de 2020

Muito barulho por nada

Uma postagem do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, em que elogia uma atitude do governador de São Paulo, João Dória Júnior, que agradeceu a referência, causou impacto nos meios políticos. Pura frivolidade, pois é muito barulho por nada. A possibilidade de uma aliança entre os dois é uma hipótese delirante, logo sugerida por Ciro Gomes, sempre preocupado em criar a imagem de único opositor autêntico do presidente Jair Bolsonaro, de olho nas eleições de 2022. As duas postagens não vão adiante do que cada uma expressa. Claro, na tentativa de tentar salvar Bolsonaro, um cadáver político, seus apoiadores exageram o significado das mensagens, para transformar seu "mito" em vítima de seus adversários. Não vai dar certo. O Brasil tem que concentrar suas forças em enfrentar a pandemia de coronavirus. Picuinhas políticas não condizem com um momento tão grave.

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Ciúme

Prepotente e inseguro, o presidente Jair Bolsonaro não suporta que nenhum integrante de sua equipe brilhe intensamente. Bolsonaro logo sente ciúme quando isso acontece, pois vê qualquer um que se destaque popularmente como um candidato potencial a roubar o seu cargo nas eleições de 2022. Sua irritação com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, é algo que não faz mais questão de esconder. Hoje, Bolsonaro admitiu que vem se "bicando" com Mandetta, a quem acusa de "falta de humildade". Disse, também, que não vai tirar Mandetta durante a guerra, referindo-se à pandemia de coronavírus, mas que ninguém é "indemissível", embora tenha afirmado que isso não significa uma ameaça. O ministro, por sua vez, declarou que não iria rebater declarações do presidente. Porém, Mandetta não deixou de dar uma "alfinetada" em Bolsonaro ao afirmar que "quem tem mandato fala, quem não tem, trabalha ". Só mesmo um tresloucado como Bolsonaro confronta o seu ministro da Saúde no momento do maior desafio sanitário da história do país. Para Bolsonaro, tudo se resume ao aspecto político. Os brasileiros, enquanto isso, temem pelas suas vidas.

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Apenas incertezas

O pior não é o momento terrível que o mundo vive com a pandemia de coronavírus, é a total falta de previsão do que será o futuro que virá depois que "tudo acabar". Apenas incertezas povoam o horizonte. Não há quem possa dizer, com exatidão, o que será o "novo normal". No entanto, nada indica que ele seja risonho. Novas ondas da pandemia deverão ocorrer em outros tempos. A vida em sociedade tenderá a sofrer alterações que diminuirão a interação entre os indivíduos e a circulação das pessoas pelo mundo. Afora a crise econômica, que será severa, o pós-pandemia não terá nada da visão rósea dos que insistem em achar que tamanha catástrofe irá ser seguida por um mundo melhor e mais humano. O otimismo é um recurso importante em momentos tão dramáticos, mas não pode se transmutar em alienação. Não há como ver numa doença que leva tantas vidas o prenúncio de tempos melhores. Porém, o mais importante seria que todos tomassem consciência de que o coronavírus é o símbolo de um modelo econômico que se esgotou, e redundou em respostas furiosas da natureza às agressões ambientais. Se as pessoas desejarem, tão somente, retomar o seu modo de vida pré-pandemia, será a comprovação de que nada aprenderam com tanto sofrimento.

terça-feira, 31 de março de 2020

A imprensa como inimiga

Ardoroso defensor de ditaduras e de assassinatos de opositores, o presidente Jair Bolsonaro odeia qualquer ideia de conciliação. Com total desprezo pela vida humana e por quem não concorde com sua visão de mundo, Bolsonaro prefere o confronto. Não é de agora que um de seus principais alvos são os jornalistas. Preocupado em manter fiel o seu grupo de apoiadores descerebrados, Bolsonaro escolheu a imprensa como inimiga. Hoje, no lado de fora do Palácio da Alvorada, chegou ao ponto de incitar pessoas contra jornalistas que, em consequência, começaram a se afastar do local. As atitudes de Bolsonaro se tornaram cada vez mais agressivas, e isso não ocorre por acaso. São reações de quem sabe que está sepultado politicamente. Sua remoção do cargo terá de ocorrer, de uma forma ou de outra. Como último recurso, tenta amparar-se nos fundamentalistas. O problema é que tudo isso faz o país ter outro foco de tensão, num momento em que a pandemia de coronavírus deveria concentrar às atenções de forma única. A permanência de Bolsonaro no cargo é um fardo excessivo para o Brasil nesse momento. Não há razão para submeter o país a tamanho desgaste. A imprensa, já perseguida outras vezes, foi o alvo do dia. Amanhã ou depois, será outro. Só a saída de Bolsonaro poderá devolver um mínimo de rumo ao país.

segunda-feira, 30 de março de 2020

Os 75 anos de Eric Clapton

Os tempos são tristes, mas ainda assim, a vida segue em paralelo à pandemia de coronavírus. Por isso, vez ou outra, é necessário deixar de lado o assunto predominante do momento. Há fatos e datas que não podem ser esquecidos. Na data de hoje, Eric Clapton completa 75 anos. Lenda da música, Clapton é um guitarrista tão brilhante que chegou a ser chamado de "The God", num exagero perdoável  de seus fãs mais ardorosos. Entre os críticos musicais, só Jimi Hendrix é considerado um guitarrista num patamar superior ao de Clapton. Antes de se lançar em carreira solo, Clapton participou de alguns grupos, sendo o Cream o mais célebre deles. Sua ligação com George Harrison é conhecida, e é dele, embora não tenha sido creditado no disco, o lindo solo de "While My Guitar Gently Weeps", composição do amigo,  no "Álbum Branco" dos Beatles. Sem ser um hitmaker, Clapton coleciona grandes sucessos em sua carreira, como "Layla", "Cocaine", "Tears in Heaven", "Wonderful Thonight" e "Change the World". Clapton é um grande astro da música, com uma extensa discografia, que merece ser apreciada por todas as gerações.

domingo, 29 de março de 2020

Dois brasis

A sociedade brasileira ficou tão polarizada que nem mesmo a pandemia de coronavírus foi capaz de fazer com que todos se unissem por uma mesma causa. O que se tem são dois brasis, cada vez mais inconciliáveis. Os apoiadores fundamentalistas de Jair Bolsonaro não abrem mão de suas posições. Seu anti-esquerdismo irracional os leva a optar pela morte de milhões de brasileiros, só para manter a defesa de suas ideias neoliberais. Dessa forma, saem ás ruas para realizarem carreatas pela volta das pessoas ao trabalho, em nome de evitar a quebra da economia. Remando contra essa maré de insanidade, está a parte lúcida da sociedade, que quer, antes de tudo, salvar vidas e, por isso, apoia a quarentena, pelo tempo que for necessário. Porém, não é só a população que está cindida. O governo dá demonstrações de estar rachado, em um momento que exige união de esforços. O tresloucado e inepto presidente segue indo numa direção contrária às recomendações médicas. A ambiguidade de métodos e desencontro de declarações é por demais evidente, a cada dia. Uma autêntica queda de braço entre Bolsonaro e setores de seu governo, de final imprevisível. Até mesmo a hipótese de Bolsonaro colocar o país em estado de sítio vem sendo especulada. Não se sabe quem vai vencer essa disputa, embora esteja claro de que lado está a razão. Só o que se sabe é que o Brasil já está perdendo.

sábado, 28 de março de 2020

Ninguém sabe o que virá pela frente

A pandemia de coronavírus está testando a resistência emocional da humanidade. Em pouco tempo, o mundo se viu enredado em um drama de proporções gigantescas, cujo término é imprevisível. A vida das pessoas e dos países foi alterada de forma implacável. Uma das"certezas" iniciais sobre a doença se mostrou equivocada. Não há grupos mais frágeis como idosos e portadores de doenças crônicas, pois, com o correr dos dias, pessoas de todas as idades tem morrido da doença. Os mortos aumentam em todos os países, sem que o pico de transmissão da enfermidade tenha sido atingido. As quarentenas vão sendo ampliadas, sem que se saiba quando poderão ser encerradas. Todo e qualquer prognóstico sobre o que virá depois que tudo isso acabar não é mais, agora, do que um simples palpite. Porém, o que se pode afirmar é que não haverá uma volta ao "normal". Afora todo o problema econômico que terá de ser enfrentado, as relações entre as pessoas serão seriamente afetadas, levando a um maior distanciamento, num mundo que já carecia, há muito tempo, de mais calor humano. Os governos poderão tomar medidas totalitárias, monitorando os cidadãos e tendo acesso aos seus dados de saúde, como a pressão arterial, por exemplo, sacrificando inalienáveis direitos individuais em nome de evitar novas pandemias. Ninguém sabe o que virá pela frente, mas não será um mundo melhor e mais justo.

sexta-feira, 27 de março de 2020

Divisão

O alucinado discurso do presidente Jair Bolsonaro na terça-feira já atingiu o seu objetivo, ou seja, o enfrentamento entre brasileiros. Bolsonaro não sabe operar de outra forma, aposta sempre na divisão da sociedade entre os que o apoiam e os que o criticam. Hoje, no Brasil, diversas "carreatas" de apoio a Bolsonaro e ao fim da quarentena do coronavírus foram realizadas. Em resposta a essa atitude, muitas pessoas faziam panelaços contra Bolsonaro. Houve xingamentos entre as partes. O que poderia ser pior do que um país dividido num momento em que a união de esforços para derrotar um inimigo tão cruel como o coronavírus se faz necessária? O que explica isso é o fato de que Bolsonaro e seus apoiadores não prezam as vidas de outras pessoas, só as próprias e as de seus familiares. Como muito bem disse a economista Mônica de Bolle, não há crise econômica que não possa ser superada. O mundo já enfrentou várias, e superou todas. Bem mais grave é enfrentar as consequências de mortes em massa causadas por uma pandemia. Entre a vida e a economia, a opção terá, sempre, de ser pela primeira. Até mesmo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ídolo de Bolsonaro, está tendo que voltar atrás em seus postulados, ainda que a contragosto. Só o genocida Bolsonaro não o faz. Essa situação revela também, um quadro de leniência dos demais poderes da República, pois seja qual for o fator jurídico acionado para tanto, Bolsonaro precisa ser retirado do cargo. O recurso mais óbvio seria o impeachment, mas, se por alguma razão, sua operacionalidade imediata não se mostrar viável, qualquer outro deverá ser colocado em prática para que o país se livre de um presidente desqualificado e que age contrariamente à preservação das vidas dos brasileiros.

quinta-feira, 26 de março de 2020

Diferença

Os jogadores dos clubes alemães estão dispostos a dar a sua colaboração para minimizar os efeitos da pandemia de coronavírus sobre o futebol. Um corte de 20% nos salários já foi aceito pelos jogadores de Bayern de Munique e Borussia Dortmund, como forma de garantir que os demais profissionais do futebol possam receber os seus salários. No Brasil, os jogadores adotaram uma postura bem distinta. Eles rejeitaram a proposta dos clubes de um corte de 25% nos salários, e propuseram férias coletivas de 30 dias com pagamento efetuado no início de maio, e folga remunerada de 10 dias no período entre o Natal e o Ano Novo. Essa proposta é espantosa, pois, afora não impor nenhuma cota de sacrifício aos jogadores, ainda lhes proporciona vantagens. A diferença das propostas dos jogadores da Alemanha e do Brasil explica muito sobre os dois países. O baixo grau civilizatório do Brasil fica exposto nas suas escolhas políticas, e por comportamentos como esse. O goleiro Neuer, do Bayern de Munique e da seleção da Alemanha, disse que os jogadores de futebol são privilegiados no aspecto financeiro, e que é justo que dêem sua cota de sacrifício nesse momento. Um posicionamento muito distante do adotado pelos jogadores brasileiros. Nada é por acaso, como as eleições presidenciais deixaram claro em 2018, com a chegada de Bolsonaro ao poder. Não foi um acontecimento episódico, mas um retrato do caráter de muitos habitantes do país.

quarta-feira, 25 de março de 2020

Falando sozinho

O presidente Jair Bolsonaro não cessa de dizer asneiras. Ontem, no entanto, conseguiu se superar. Num pronunciamento ao país, Bolsonaro foi patético, ridículo, irresponsável, criminoso. Em apenas quatro minutos e meio, fez declarações absurdas. Entre elas, a de que, caso fosse infectado pelo coronavírus, nada sofreria, ou no máximo, teria uma "gripezinha" ou "resfriadinho", devido a ter sido um "atleta". O rol de besteiras ditas por Bolsonaro teve o intuito de defender a flexibilização da quarentena preventiva do coronavírus, para evitar a quebra da economia. A reação ao pronunciamento foi imediata e, como não poderia ser diferente, muito negativa. O presidente do Senado, governadores, prefeitos, autoridades médicas, diversas instituições das mais variadas áreas, economistas, sem exceção, condenaram veementemente as posições externadas por Bolsonaro. Claro, muitos internautas e os empresários de sempre apoiaram a fala do presidente. Porém, não devem ser levados em conta, pois são fundamentalistas, atrelados de forma incondicional ao seu "mito". Entre as pessoas relevantes, Bolsonaro ficou falando sozinho.