segunda-feira, 30 de março de 2020

Os 75 anos de Eric Clapton

Os tempos são tristes, mas ainda assim, a vida segue em paralelo à pandemia de coronavírus. Por isso, vez ou outra, é necessário deixar de lado o assunto predominante do momento. Há fatos e datas que não podem ser esquecidos. Na data de hoje, Eric Clapton completa 75 anos. Lenda da música, Clapton é um guitarrista tão brilhante que chegou a ser chamado de "The God", num exagero perdoável  de seus fãs mais ardorosos. Entre os críticos musicais, só Jimi Hendrix é considerado um guitarrista num patamar superior ao de Clapton. Antes de se lançar em carreira solo, Clapton participou de alguns grupos, sendo o Cream o mais célebre deles. Sua ligação com George Harrison é conhecida, e é dele, embora não tenha sido creditado no disco, o lindo solo de "While My Guitar Gently Weeps", composição do amigo,  no "Álbum Branco" dos Beatles. Sem ser um hitmaker, Clapton coleciona grandes sucessos em sua carreira, como "Layla", "Cocaine", "Tears in Heaven", "Wonderful Thonight" e "Change the World". Clapton é um grande astro da música, com uma extensa discografia, que merece ser apreciada por todas as gerações.

domingo, 29 de março de 2020

Dois brasis

A sociedade brasileira ficou tão polarizada que nem mesmo a pandemia de coronavírus foi capaz de fazer com que todos se unissem por uma mesma causa. O que se tem são dois brasis, cada vez mais inconciliáveis. Os apoiadores fundamentalistas de Jair Bolsonaro não abrem mão de suas posições. Seu anti-esquerdismo irracional os leva a optar pela morte de milhões de brasileiros, só para manter a defesa de suas ideias neoliberais. Dessa forma, saem ás ruas para realizarem carreatas pela volta das pessoas ao trabalho, em nome de evitar a quebra da economia. Remando contra essa maré de insanidade, está a parte lúcida da sociedade, que quer, antes de tudo, salvar vidas e, por isso, apoia a quarentena, pelo tempo que for necessário. Porém, não é só a população que está cindida. O governo dá demonstrações de estar rachado, em um momento que exige união de esforços. O tresloucado e inepto presidente segue indo numa direção contrária às recomendações médicas. A ambiguidade de métodos e desencontro de declarações é por demais evidente, a cada dia. Uma autêntica queda de braço entre Bolsonaro e setores de seu governo, de final imprevisível. Até mesmo a hipótese de Bolsonaro colocar o país em estado de sítio vem sendo especulada. Não se sabe quem vai vencer essa disputa, embora esteja claro de que lado está a razão. Só o que se sabe é que o Brasil já está perdendo.

sábado, 28 de março de 2020

Ninguém sabe o que virá pela frente

A pandemia de coronavírus está testando a resistência emocional da humanidade. Em pouco tempo, o mundo se viu enredado em um drama de proporções gigantescas, cujo término é imprevisível. A vida das pessoas e dos países foi alterada de forma implacável. Uma das"certezas" iniciais sobre a doença se mostrou equivocada. Não há grupos mais frágeis como idosos e portadores de doenças crônicas, pois, com o correr dos dias, pessoas de todas as idades tem morrido da doença. Os mortos aumentam em todos os países, sem que o pico de transmissão da enfermidade tenha sido atingido. As quarentenas vão sendo ampliadas, sem que se saiba quando poderão ser encerradas. Todo e qualquer prognóstico sobre o que virá depois que tudo isso acabar não é mais, agora, do que um simples palpite. Porém, o que se pode afirmar é que não haverá uma volta ao "normal". Afora todo o problema econômico que terá de ser enfrentado, as relações entre as pessoas serão seriamente afetadas, levando a um maior distanciamento, num mundo que já carecia, há muito tempo, de mais calor humano. Os governos poderão tomar medidas totalitárias, monitorando os cidadãos e tendo acesso aos seus dados de saúde, como a pressão arterial, por exemplo, sacrificando inalienáveis direitos individuais em nome de evitar novas pandemias. Ninguém sabe o que virá pela frente, mas não será um mundo melhor e mais justo.

sexta-feira, 27 de março de 2020

Divisão

O alucinado discurso do presidente Jair Bolsonaro na terça-feira já atingiu o seu objetivo, ou seja, o enfrentamento entre brasileiros. Bolsonaro não sabe operar de outra forma, aposta sempre na divisão da sociedade entre os que o apoiam e os que o criticam. Hoje, no Brasil, diversas "carreatas" de apoio a Bolsonaro e ao fim da quarentena do coronavírus foram realizadas. Em resposta a essa atitude, muitas pessoas faziam panelaços contra Bolsonaro. Houve xingamentos entre as partes. O que poderia ser pior do que um país dividido num momento em que a união de esforços para derrotar um inimigo tão cruel como o coronavírus se faz necessária? O que explica isso é o fato de que Bolsonaro e seus apoiadores não prezam as vidas de outras pessoas, só as próprias e as de seus familiares. Como muito bem disse a economista Mônica de Bolle, não há crise econômica que não possa ser superada. O mundo já enfrentou várias, e superou todas. Bem mais grave é enfrentar as consequências de mortes em massa causadas por uma pandemia. Entre a vida e a economia, a opção terá, sempre, de ser pela primeira. Até mesmo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ídolo de Bolsonaro, está tendo que voltar atrás em seus postulados, ainda que a contragosto. Só o genocida Bolsonaro não o faz. Essa situação revela também, um quadro de leniência dos demais poderes da República, pois seja qual for o fator jurídico acionado para tanto, Bolsonaro precisa ser retirado do cargo. O recurso mais óbvio seria o impeachment, mas, se por alguma razão, sua operacionalidade imediata não se mostrar viável, qualquer outro deverá ser colocado em prática para que o país se livre de um presidente desqualificado e que age contrariamente à preservação das vidas dos brasileiros.

quinta-feira, 26 de março de 2020

Diferença

Os jogadores dos clubes alemães estão dispostos a dar a sua colaboração para minimizar os efeitos da pandemia de coronavírus sobre o futebol. Um corte de 20% nos salários já foi aceito pelos jogadores de Bayern de Munique e Borussia Dortmund, como forma de garantir que os demais profissionais do futebol possam receber os seus salários. No Brasil, os jogadores adotaram uma postura bem distinta. Eles rejeitaram a proposta dos clubes de um corte de 25% nos salários, e propuseram férias coletivas de 30 dias com pagamento efetuado no início de maio, e folga remunerada de 10 dias no período entre o Natal e o Ano Novo. Essa proposta é espantosa, pois, afora não impor nenhuma cota de sacrifício aos jogadores, ainda lhes proporciona vantagens. A diferença das propostas dos jogadores da Alemanha e do Brasil explica muito sobre os dois países. O baixo grau civilizatório do Brasil fica exposto nas suas escolhas políticas, e por comportamentos como esse. O goleiro Neuer, do Bayern de Munique e da seleção da Alemanha, disse que os jogadores de futebol são privilegiados no aspecto financeiro, e que é justo que dêem sua cota de sacrifício nesse momento. Um posicionamento muito distante do adotado pelos jogadores brasileiros. Nada é por acaso, como as eleições presidenciais deixaram claro em 2018, com a chegada de Bolsonaro ao poder. Não foi um acontecimento episódico, mas um retrato do caráter de muitos habitantes do país.

quarta-feira, 25 de março de 2020

Falando sozinho

O presidente Jair Bolsonaro não cessa de dizer asneiras. Ontem, no entanto, conseguiu se superar. Num pronunciamento ao país, Bolsonaro foi patético, ridículo, irresponsável, criminoso. Em apenas quatro minutos e meio, fez declarações absurdas. Entre elas, a de que, caso fosse infectado pelo coronavírus, nada sofreria, ou no máximo, teria uma "gripezinha" ou "resfriadinho", devido a ter sido um "atleta". O rol de besteiras ditas por Bolsonaro teve o intuito de defender a flexibilização da quarentena preventiva do coronavírus, para evitar a quebra da economia. A reação ao pronunciamento foi imediata e, como não poderia ser diferente, muito negativa. O presidente do Senado, governadores, prefeitos, autoridades médicas, diversas instituições das mais variadas áreas, economistas, sem exceção, condenaram veementemente as posições externadas por Bolsonaro. Claro, muitos internautas e os empresários de sempre apoiaram a fala do presidente. Porém, não devem ser levados em conta, pois são fundamentalistas, atrelados de forma incondicional ao seu "mito". Entre as pessoas relevantes, Bolsonaro ficou falando sozinho.

terça-feira, 24 de março de 2020

A ficha não caiu para a direita

Alguém escreveu, numa das tantas postagens sobre o drama do coronavírus, que neoliberal não chora, faz conta. Uma grande verdade, sem dúvida. Nem mesmo o coronavírus é capaz de fazer com que Trump, Bolsonaro e seus apoiadores reconheçam que sua agenda econômica não pode mais ser aplicada. A ficha não caiu para a direita. Num mundo em que a economia parou devido a uma pandemia, os adeptos do neoliberalismo seguem pensando em políticas danosas aos trabalhadores. No Brasil, Bolsonaro e seus apoiadores no meio empresarial insistem em negar a gravidade do coronavirus, preocupados com as consequências da quarentena para a economia. Não percebem que depois do coronavírus o mundo não será mais o mesmo. Não há normalidade a ser mantida. As competições esportivas foram adiadas no mundo inteiro. O tradicional Festival de Cinema de Cannes não será realizado na data prevista. Os prejuízos econômicos com a quarentena serão gigantescos. Achar que, quando a pandemia for dominada, tudo voltará a ser como antes, é um delírio da direita que cobrará um preço ainda mais alto para os países em que ela governa.

segunda-feira, 23 de março de 2020

Situação limite

A cada dia, torna-se mais danosa e injustificável a permanência do presidente Jair Bolsonaro no cargo. Na madrugada de hoje, Bolsonaro editou uma medida que, entre outras resoluções prejudiciais aos trabalhadores, permitia que as empresas deixassem de pagar salários por quatro meses aos seus empregados. Pouco depois do meio-dia, após uma enorme repercussão negativa, Bolsonaro voltou atrás, e retirou esse item da medida. Esse comportamento dá bem a dimensão de como Bolsonaro "governa". O ex-capitão age de maneira errática, dando declarações que, depois, retifica, e tomando decisões que, mais tarde, revoga. O pior é que ainda há quem defenda Bolsonaro e veja má vontade dos que o criticam. O Brasil chegou a uma situação limite. Não há como enfrentar, adequadamente, a pandemia do coronavírus tendo Bolsonaro mantido no cargo. O país precisa se livrar desse peso, para poder enfrentar dias tão difíceis.

domingo, 22 de março de 2020

As Olimpíadas não podem ser realizadas

A Eurocopa já foi transferida para 2021. A Copa América, também. São competições de abrangência continental. Curiosamente, as Olimpíadas, cujo alcance é mundial, ainda não tiveram o seu adiamento decidido. O Comitê Olímpico Internacional reluta em tomar essa decisão. Em princípio, a competição está confirmada. Dentro de um mês, sairá uma definição. Por várias razões, as Olimpíadas não podem ser realizadas em 2020. A preparação dos competidores está prejudicada pela quarentena em função do coronavírus, na data marcada para o início das Olimpíadas a situação da pandemia ainda não estará significativamente melhor a ponto de se realizar uma disputa desse porte, o abalo do mundo inteiro devido a uma situação tão dramática não terá sido superado, às viagens aéreas para o Japão, dos esportistas e de torcedores, poderão causar um recrudescimento da doença. O bom senso recomenda que as Olimpíadas sejam postergadas para o próximo ano. Claro que isso implicará em grandes prejuízos para os organizadores e patrocinadores, mas há outros valores a serem colocados na balança, e que não podem ser mensurado em cifrões.

sábado, 21 de março de 2020

O contraste de dois aniversários

Se Ayrton Senna estivesse vivo, completaria, hoje, 60 anos. O dia de hoje marca, também, os 40 anos de Ronaldinho. Em princípio, estaríamos diante de uma triste lembrança, já que Senna se foi muito cedo, e de uma comemoração efusiva das quatro décadas de vida de um jogador de futebol que, por dois anos consecutivos, foi escolhido como o melhor do mundo. Não é assim. O contraste de dois aniversários tão badalados é outro. Senna deixou doces lembranças nos brasileiros, que recordam de suas façanhas nas pistas, e morreu com sua imagem intocada. No que se refere a Ronaldinho, a situação é diferente. A significativa data de hoje está sendo comemorada por Ronaldinho dentro de um presídio no Paraguai. Enquanto Senna soube cultivar sua imagem de ídolo, fazendo com que ela perdure mesmo após sua morte, Ronaldinho só faz desgastar seu conceito público por meio de uma vida errática que culminou com sua prisão por uso de passaporte falso. Ambos brilhantes nos seus respectivos esportes, Senna e Ronaldinho diferiram muito na conduta pessoal. Para o reconhecimento público, isso faz uma diferença considerável.