sábado, 16 de novembro de 2019
Renato pisou na bola
Ninguém discute a relevância de Renato na história do Grêmio. Como jogador, Renato foi o maior da história do clube. Também é vitorioso como técnico, estando no cargo, no Grêmio, pela terceira vez. Todo esse sucesso, levou Renato a ganhar uma estátua na esplanada da Arena. Homenagem merecida. O problema é que, por ser extremamente bem sucedido, Renato acha que pode tudo, inclusive fazer convites em nome do Grêmio, o que, evidentemente, é inadmissível. Renato convidou o presidente Jair Bolsonaro para assistir ao jogo contra o Palmeiras, no Allianz Parque, na próxima semana. Afora fazer esse aceno a uma figura execrável, Renato extrapolou de suas funções. Só os dirigentes podem fazer convites em nome do clube. Renato é um funcionário do Grêmio, não ocupa um cargo de representação no clube. A atitude de Renato, como não podia deixar de ser, repercutiu negativamente junto a torcedores do clube, renomados ou anônimos. A verdade é que Renato pisou na bola, e feio. Todos tem direito a liberdade de expressão, o que confere a Renato a possibilidade de manifestar suas preferências políticas, por mais absurdas que elas sejam. No entanto, não pode confundir sua pessoa com o clube. Renato não tem o direito de falar em nome do Grêmio, ainda mais externando simpatia por uma figura detestada por muitos. Está mais do que na hora de os dirigentes do Grêmio mostrarem a Renato os seus limites hierárquicos dentro do clube.
sexta-feira, 15 de novembro de 2019
A Seleção está sem rumo
A Seleção Brasileira não venceu mais nenhum jogo desde o dia em que foi campeã da Copa América. Hoje, a Seleção completou o seu quinto jogo sem vitória ao perder por 1 x 0 para a Argentina, em Riad. A Seleção teve a chance de sair na frente no placar, numa cobrança de pênalti, mas Gabriel Jesus, mais uma vez, desperdiçou. Depois, foi a Argentina que teve um pênalti a seu favor. Messi cobrou, Alisson defendeu, mas a bola sobrou novamente para o jogador do Barcelona, que marcou o gol. Ofensivamente, a Seleção nada mais fez. A Argentina, ao contrário, obrigou o goleiro Alisson a fazer várias boas defesas. Por tudo o que se observa, a Seleção está sem rumo. O técnico Tite não apresenta variações de esquemas. Durante os jogos, suas substituições são do tipo "seis por meia dúzia", com jogadores da mesma posição, sem qualquer mudança tática. A insistência com alguns jogadores, como Gabriel Jesus e William, por exemplo, já rompeu os limites da sensatez. A troca de técnico seria uma boa alternativa para a Seleção. O problema é que não há, no atual momento do futebol brasileiro, um candidato natural ao ćargo. Esse, no entanto, não pode ser o único argumento a justificar a permanência de Tite. O marasmo atual da Seleção precisa ser rompido. Manter Tite pode ser apenas um adiamento de uma futura demissão, pois o técnico não parece ser capaz de modificar o quadro em que está a Seleção.
quarta-feira, 13 de novembro de 2019
Um clássico como nos velhos tempos
Flamengo e Vasco proporcionaram um jogo emocionante, hoje, no Maracanã. Foi um clássico como nos velhos tempos, com um gol relâmpago, duas viradas, muita tensão e um resultado final de 4 x 4. As duas defesas falharam bastante, o que se refletiu no placar. Para o Flamengo, o resultado será visto, certamente, como um tropeço. Para o Vasco, como uma demonstração da grandeza do clube. Afora a boa atuação, merece destaque no Vasco o equilíbrio emocional. Seus jogadores não desabaram após sofrerem um gol aos 38 segundos do primeiro tempo, nem se deram por derrotados antes do jogo acabar, o que lhes permitiu obter o empate nos acréscimos. O técnico do Vasco, Vanderlei Luxemburgo, sai valorizado dessa partida, pois conseguiu fazer frente ao seu badalado adversário, o português Jorge Jesus. Com esse empate, o Flamengo não poderá conquistar, matematicamente, o título do Campeonato Brasileiro contra o Grêmio, domingo, na Arena. Mais do que qualquer detalhe, no entanto, o que deve ser exaltado é o espetáculo que Flamengo e Vasco proporcionaram a quem gosta de futebol.
terça-feira, 12 de novembro de 2019
Tirano
O presidente Jair Bolsonaro nunca escondeu sua simpatia pela ditadura militar que tantas atrocidades cometeu no país durante vinte e um anos. Como governante, Bolsonaro se mostra um tirano, o que é coerente com o seu posicionamento político. Bolsonaro decidiu extinguir o DPVAT, modalidade de seguro obrigatório para acidentes de trânsito. A medida causará prejuízos ao presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, que possui uma empresa do ramo de seguros, de quem Bolsonaro se tornou desafeto. O ex-capitão, inclusive, irá deixar o PSL e formar um novo partido. Um comportamento típico de um autocrata, que governa movido por rompantes pessoais e interesses particulares, indiferente às consequências sociais das medidas que toma. O compromisso de Bolsonaro é apenas com o bando de lunáticos que o elegeu, e não com o país, como deveria ser. O Brasil, no quadro atual, é apenas um simulacro de democracia. Na prática, está nas mãos de um tresloucado, que governa vingando-se de quem julga que lhe teria prejudicado. Os direitistas, apoiadores do governo Bolsonaro, sustentam que as instituições estão em pleno funcionamento no país. Não é verdade. Se fosse assim, Bolsonaro já estaria sofrendo um processo de impeachment, e não transformando o governo num brinquedo em suas mãos.
segunda-feira, 11 de novembro de 2019
A América do Sul em ebulição
A renúncia do presidente da Bolívia, Evo Morales, é mais um acontecimento impactante num ano efervescente na política sul-americana. Antes dele, houve protestos de rua no Equador, a volta da esquerda ao poder na Argentina, e as violentas manifestações populares no Chile, a mostrar a América do Sul em ebulição. Cada um desses fatos tem sua especificidade local, mas, como pano de fundo de todos eles, há o eterno confronto entre esquerda e direita que alguns arautos da "modernidade" afirmavam estar superado. O neoliberalismo, que chegara com pose triunfante na Argentina, com a eleição de Maurício Macri há quatro anos, já foi expurgado pelas urnas. Macri buscava a reeleição, mas a desastrosa política econômica de seu governo redundou no retorno da esquerda ao poder com uma acachapante vitória de Alberto Fernandez no primeiro turno. O Chile, que era apresentado pela direita como um exemplo bem sucedido da cartilha econômica neoliberal, entrou em estado de convulsão social. No Brasil, onde o governo de direita está implementando medidas econômicas desastrosas para os interesses da população, a libertação do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva joga mais lenha na fogueira do caldeirão político que fervilha no país há seis anos. No caso específico da Bolívia, o continuísmo de Evo Morales foi fortalecendo à oposição ao seu governo. A alternância no poder é importante para a oxigenação da democracia de um país. Ainda que determinada pelo voto, a manutenção de um governante no cargo por sucessivos mandatos não é saudável. Forçado pelos setores golpistas de sempre, sob a influência do imperialismo americano, o presidente boliviano renunciou. A Bolívia, até o momento, se encontra acéfala em sua estrutura de poder. Ninguém sabe quem irá assumir o governo. No Chile, a crise continua, com a presença maciça do povo nas ruas, sem que se saiba quando ela irá arrefecer. Muito ainda irá acontecer na América do Sul nos próximos anos. O acirramento do conflito entre esquerda e direita é evidente, e seus desdobramentos ainda não são mensuráveis. Porém, cedo ou tarde, a direita será derrotada em toda a América do Sul, pois suas ações só geram miséria e aprofundamento das desigualdades sociais.
domingo, 10 de novembro de 2019
Alívio temporário
O Inter voltou a vencer, depois de três jogos sem vitória. Após as fortes manifestações da torcida na véspera do jogo, inconformada com os maus resultados, o Inter obteve um alívio temporário em sua crise ao vencer o Fluminense por 2 x 1, hoje, no Beira-Rio, pelo Campeonato Brasileiro. Com a vitória, o Inter retornou, momentaneamente, ao sexto lugar no Brasileirão, posição que classifica para a pré-Libertadores. O próximo jogo, no entanto, será decisivo para as pretensões do Inter. Seu adversário será o Corinthians, concorrente direto, no Itaquerão. Hoje, o Inter, novamente, não teve uma boa atuação. Porém, às falhas do goleiro do Fluminense, Muriel, permitiram ao Inter construir a sua vitória. A classificação direta para a Libertadores é quase impossível para o Inter. A pré-Libertadores, entretanto, ainda é um objetivo alcançável. Resta saber se o Inter conseguirá ter um desempenho que lhe permita se manter na atual posição.
Tudo está dando certo
O Grêmio está muito próximo de conseguir alcançar o objetivo que lhe restou após as eliminações na Copa do Brasil e Libertadores. A vitória por 1 x 0 sobre a Chapecoense, hoje, na Arena Condá, pelo Campeonato Brasileiro, deixou muito bem encaminhada a classificação direta do Grêmio para a Libertadores, pois ampliou sua vantagem sobre os seus concorrentes. Em relação ao São Paulo, seu mais próximo perseguidor, o Grêmio já tem uma diferença de quatro pontos, e com duas vitórias a mais, o que consolida sua posição de quarto colocado no Brasileirão. Mesmo sem jogar um bom futebol, tudo está dando certo para o Grêmio nesse momento da competição. Hoje, o Grêmio abriu o placar logo aos dois minutos de jogo, com um golaço de bicicleta marcado por Luciano. Depois, a exemplo do que aconteceu contra o CSA, diminuiu o seu ímpeto, e deu chance para que o adversário tentasse reverter o resultado. Porém, nem mesmo a atuação preguiçosa do Grêmio fez com que a Chapecoense tivesse melhor sorte na partida, já que seu time é muito limitado e não soube tirar proveito da situação. A cada rodada fica mais claro que o Grêmio tinha amplas condições de lutar pelo título brasileiro, desde que escalasse seus titulares em todos os jogos.
sábado, 9 de novembro de 2019
Polarização
Um dia depois da libertação do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, constata-se que, politicamente, o Brasil segue dividido entre lulistas e bolsonaristas. A polarização do país entre essas vertentes mantém um ambiente político muito tenso. Hoje, apoiadores de Lula foram as ruas festejar sua libertação. Os detratores do ex-presidente também ocuparam espaços públicos para protestar contra sua soltura e pedir a volta da prisão após a segunda instância. Manifestações públicas são um saudável exercício da democracia e nada tem de condenáveis. O problema é que não se está num ano eleitoral, e o país sofre com os efeitos de um governo totalmente caótico. A cegueira ideológica dos furiosos antipetistas fez com que Jair Bolsonaro fosse eleito presidente, sem ter nenhuma condição de exercer o cargo. Seu governo está conduzindo o país para o abismo econômico e social. Sendo assim, é hora da esquerda mobilizar-se para fazer um enfrentamento às ações antisociais do governo. A causa da libertação de Lula, que se tornou vitoriosa, é muito meritória, mas não pode ser a única bandeira da esquerda brasileira. Os direitos dos trabalhadores, a educação, a saúde e a cultura estão sendo destroçados pelo governo Bolsonaro. Esse quadro exige uma mobilização imediata das forças de esquerda, para tentar conter a avalanche de medidas carregadas de demofobia que está se abatendo sobre o povo brasileiro. O debate político, sempre saudável, não pode servir de cortina de fumaça enquanto o governo perpetra suas maldades. Enquanto petistas e bolsonaristas batem boca, o ministro da Economia, Paulo Guedes, destrói o futuro do Brasil. Pôr um freio às ações do pérfido ministro deveria ser, hoje, o principal objetivo da esquerda brasileira.
sexta-feira, 8 de novembro de 2019
A libertação de Lula
Como se esperava, já no dia seguinte à decisão do Supremo Tribunal Federal de não mais autorizar a prisão de um réu sem que todas as instâncias de julgamento sejam esgotadas, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva foi libertado da unidade da Polícia Federal onde se encontrava encarcerado em Curitiba. A saída de Lula foi testemunhada por um expressivo número de pessoas, mas sem que tenham ocorrido excessos. A libertação de Lula restitui o que determina a Constituição Federal, e repara uma injustiça praticada contra o ex-presidente com o único intuito de não permitir que ele concorresse novamente ao cargo em 2018, já que sua vitória era certa. A saída de Lula da prisão não terá reflexos eleitorais imediatos, pois o próximo pleito, municipal, só ocorrerá daqui a um ano. Porém, Lula será o grande símbolo de resistência da esquerda em relação aos descalabros praticados pelo governo Bolsonaro. Se já mobilizava as pessoas estando limitado pelas paredes de uma prisão, em liberdade Lula será o farol que irá iluminar a resistência aos fascistas que estão no poder. Lula e os defensores da democracia não devem se deixar impressionar pelos rosnados da direita. O berreiro de alguns contra a saída de Lula da prisão é motivado, simplesmente, por ranço ideológico. A prisão de Lula gerou inconformidade de muitas pessoas, mas não resultou em tumultos nas ruas. Com Lula em liberdade, não será diferente.
A Constituição é a lei maior
A decisão de ontem do Supremo Tribunal Federal de negar a prisão de um réu após o julgamento em segunda instância, nada mais foi do que restabelecer o que expressa a Constituição Federal. A Constituição é a lei maior do país, a qual estão submetidas todas as outras, e ela estabelece que a prisão só pode ocorrer quando todas as instâncias tiverem sido percorridas, não cabendo mais recursos. Em linguagem jurídica, quando a sentença transitar em julgado. A interpretação feita pelo mesmo STF em 2016 autorizando a prisão depois da segunda instância, nada mais foi do que um arranjo feito para favorecer os promotores do golpe que derrubou uma presidente legitimamente eleita e que abriu caminho para a chegada da direita ao poder, condenando o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva e impedindo sua candidatura a um novo mandato. Ao proferir o voto decisivo, ontem, o presidente do STF, ministro Dias Toffoli, deixou uma brecha para uma nova alteração da interpretação, por meio de de uma proposta de emenda constitucional do Congresso. Foi, por certo, uma tentativa de Dias Toffoli de amenizar o impacto da sua decisão, e de conter os ânimos dos direitistas. As forças de direita no Congresso já estão se mobilizando para iniciar a tramitação de uma PEC que restituiria a prisão do réu após a segunda instância. Uma PEC, no entanto, tem um longo processo a ser percorrido no Congresso, e necessita de 308 votos para ser aprovada na Câmara dos Deputados. A manobra da direita não terá êxito.
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