quarta-feira, 6 de novembro de 2019
O vilão a ser combatido
O governo Bolsonaro é um desastre absoluto, mas o responsável maior por isso não é o presidente, uma figura que oscila entre o patético e o ridículo, cuja indigência mental é óbvia. Suas declarações disparatadas, bem como as de seus filhos, são cortinas de fumaça para que o verdadeiro artífice da maldade possa agir nas sombras, elaborando pacotes de cunho marcadamente antisocial. O vilão a ser combatido pelos brasileiros comprometidos com os interesses do povo é o ministro da Economia, Paulo Guedes. O papel do presidente Jair Bolsonaro foi apenas o de usar sua popularidade junto aos eleitores incautos para vencer a eleição e permitir que Paulo Guedes fizesse o serviço sujo com que os empresários sempre sonharam, retirando direitos dos trabalhadores e favorecendo os interesses do grande capital. O governo Bolsonaro só não caiu, ainda, porque os setores que lhe dão sustentação querem que Guedes complete o seu estoque de maldades. Depois que todas as atrocidades de Guedes forem aprovadas no Congresso, ninguém estará interessado em manter o governo Bolsonaro em pé. Afinal, aí a agenda neoliberal já terá sido implantada. Não foi por acaso que, durante a campanha, Bolsonaro tenha declarado que nada entendia de economia e que Paulo Guedes era o seu "posto Ipiranga" para questões dessa área. As forças de oposição precisam se unir no combate contra Guedes. Se ele for contrariado em suas intenções, e deixar o cargo, o governo Bolsonaro acabará logo a seguir, para alívio dos brasileiros.
terça-feira, 5 de novembro de 2019
Transferência
Começou mal o que será a primeira decisão da Libertadores em jogo único. Marcado para Santiago, o jogo teve de mudar de local, devido às manifestações populares que tomam conta da capital do Chile há três semanas. A nova sede da decisão será Lima. A transferência de local já na primeira edição do novo formato de decisão da Libertadores é mais uma demonstração do equívoco dessa imitação da Champions League. Torcedores que já tinham comprado ingressos para o jogo em Santiago terão de ser ressarcidos, por exemplo, e outros fatores logísticos precisarão ser refeitos em prazo exíguo, já que a data do jogo, 23 de novembro, não foi alterada. Provavelmente, isso não aconteceria se o modelo de decisão anterior da Libertadores, em dois jogos, permanecesse. Tomara que a Confederação Sul-Americana de Futebol, no futuro, restitua a forma de decisão da Libertadores que vigorou até 2018.
segunda-feira, 4 de novembro de 2019
Em busca da supremacia
Único piloto negro da Fórmula 1, o inglês Lewis Hamilton já teria, por esse fato, um lugar marcante na história da maior categoria do automobilismo mundial. Porém, Hamilton superou essa condição, e tornou-se um dos grandes mitos do esporte. Em 2018, ao obter seu quinto título de campeão mundial de Fórmula 1, Hamilton superou o francês Alain Prost, vencedor por quatro vezes. Ontem, Hamilton ganhou o seu sexto título, ultrapassando o argentino Juan Manuel Fangio e se isolando como o segundo maior vencedor da categoria, atrás, apenas, do alemão Michael Schumacher, que é o recordista, com sete conquistas. Hamilton venceu quatro dos últimos cinco campeonatos, os três mais recentes de forma sucessiva. Com a idade que tem, 34 anos, Hamilton possui amplas possibilidades de se tornar o maior vencedor da Fórmula 1. Em busca da supremacia, no próximo campeonato Hamilton já poderá superar Schumacher em número de vitórias, e empatar na contagem de títulos. Sem dúvida, Hamilton é um piloto superlativo, cujos limites ainda estão longe de serem alcançados. Por tudo o que já fez, Hamilton já garantiu um lugar no panteão dos grandes nomes do esporte mundial, e poderá conseguir ainda muito mais.
domingo, 3 de novembro de 2019
Facilidade
Poderia ter sido uma goleada. O Grémio venceu o Inter por 2 x 0, hoje, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro, num jogo em que foi espantosa a facilidade com que obteve a vitória. O Inter não chutou uma única bola ao gol do Grêmio durante todo o jogo. A escalação do Inter, repetindo a formatação bem sucedida na partida contra o Bahia, sugeria a ideia de um time mais ofensivo. Na prática, não se viu nada disso. Ainda antes da metade do primeiro tempo, o Grêmio tomou conta do jogo, ditando o ritmo da partida, e acabou por abrir o placar. O Inter não demonstrava poder de reação. A expulsão do goleiro Marcelo Lomba, no início do segundo tempo, só piorou a situação. A partir daí, o Inter se mostrou ainda mais acanhado, parecendo apenas querendo evitar uma derrota por um placar elástico. Com muitas chances desperdiçadas, o Grêmio, pelo menos, conseguiu marcar outro gol, tornando o resultado um pouco mais fiel ao seu desempenho. Com a vitória, o Grêmio se credencia fortemente a alcançar a classificação direta para a Libertadores. Por sua vez, o Inter terá de buscar, nos oito jogos que restam no Brasileirão, uma grande reação, ou não conseguirá nem mesmo ir para a pré-Libertadores. Porém, pelo que se viu hoje, essa retomada parece pouco provável.
sábado, 2 de novembro de 2019
A crise do capitalismo
Está a cada dia mais claro, com a eclosão de protestos em diversos países do mundo, que o capitalismo chegou a um estágio crítico. A desigualdade social só faz aumentar, e o povo já não tolera mais isso. A crise do capitalismo é evidente, pois esse sistema econômico gerou efeitos como o aquecimento global, com suas consequências desastrosas para a vida na Terra. O capitalismo é concentrador de riqueza, o que leva à expansão da pobreza. As pessoas estão percebendo isso, em várias partes do mundo, e saindo às ruas para protestar. Não haverá repressão que impeça tais manifestações, bradando por uma condição de vida melhor para todos. Saúde, segurança, educação, amparo previdenciário, são direitos de todos, não apenas de alguns. As manifestações no Equador e no Chile, bem como a eleição de Alberto Fernandez para presidente da Argentina, sinalizam qual é o caminho tomado na América do Sul. Não adianta o governo Jair Bolsonaro despejar ameaças contra a esquerda. A mudança já está em curso, e ela chegará ao Brasil, cedo ou tarde. Os esquecidos pelo sistema cansaram dessa situação. Não há violência policial que consiga conter uma população revoltada.
sexta-feira, 1 de novembro de 2019
A incitação a um novo golpe
O Brasil, a cada dia, recebe uma nova carga de declarações explosivas vindas do presidente Jair Bolsonaro ou de seus filhos. Em comum, todas primam pela falta de sensatez, grosseria, vulgaridade e demonstração explícita da indigência mental e baixeza moral de quem as profere. Ontem, a porção saudável do país teve de se deparar com a declaração do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) de que se a esquerda radicalizar em manifestações como as ocorridas no Chile será preciso "um novo AI-5". A fala de Eduardo Bolsonaro, não poderia deixar de ser, caiu como uma bomba sobre a opinião pública, e foi repudiada por políticos de diferentes espectros ideológicos. Beneficiários de um golpe que destituiu uma presidente legitimamente eleita, os atuais ocupantes do poder não se dão por satisfeitos. A incitação a um novo golpe, feita por um dos filhos do presidente, é um fato gravíssimo, que não pode ser minimizado. Seu autor deveria ser punido com a cassação do mandato. O AI-5 foi o que de mais sórdido o Brasil viveu no campo político. Sugerir sua reedição é um ato vil e torpe. No simulacro de democracia que caracteriza o Brasil atual, vai tudo ficar por isso mesmo. Num país que estivesse na plenitude do funcionamento das suas instituições, tamanha afronta à sociedade civil jamais ficaria impune.
quinta-feira, 31 de outubro de 2019
Empate indigesto
O Athletico Paranaense segue sendo uma pedra no sapato do Inter. Hoje, no Beira-Rio, Inter e Athletico Paranaense empataram em 1 x 1 pelo Campeonato Brasileiro. Foi o quarto jogo entre os dois clubes em 2019. Nos três jogos anteriores, a vitória foi do clube paranaense. Para o Inter, foi um empate indigesto, já que vencer era fundamental na busca de classificação para a Libertadores. Com o resultado, o Inter ficou um ponto atrás do Grêmio, e vai pressionado para o Gre-Nal de domingo, na Arena. Afinal, se perder o Gre-Nal, o Inter ficará quatro pontos atrás do Grêmio, e restarão apenas sete rodadas do Brasileirão a serem jogadas. Para tornar esse empate ainda mais amargo, o Inter teve um gol anulado e Guerrero desperdiçou um pênalti. Frustrados com o resultado, alguns torcedores vaiaram o Inter. Porém, não há razão para tanto. O Inter segue com boas chances de alcançar seu objetivo. A tendência é que ambos, Grêmio e Inter, estejam, pelo menos na Pré-Libertadores. A grande disputa entre os dois deverá ser pela classificação direta, e aí só um deles poderá conseguir, ficando em quarto lugar, já que os outros três classificados parecem definidos, pois Flamengo, Palmeiras e Santos estão bem consolidados em suas posições.
quarta-feira, 30 de outubro de 2019
Embalando na hora decisiva
O Grêmio, mesmo muito desfalcado, conseguiu mais uma vitória no Campeonato Brasileiro. Hoje, em São Januário, venceu o Vasco por 3 x 1, de virada. Um gol de falta do Vasco logo no início do jogo, em mais uma falha lamentável do goleiro Paulo Victor, parecia indicar que o jogo não seria favorável para o Grêmio. Porém, logo depois, o Grêmio começou a dominar a partida, enquanto o Vasco só se defendia. A saída de Michel, ainda no primeiro tempo, depois de levar um cartão amarelo, para a entrada de Pepê, acabou se mostrando decisiva. Pouco depois de entrar, Pepê empatou o jogo com um belo gol. No segundo tempo, com um bonito gol de Everton, o Grêmio desempatou o jogo. Logo depois, Luciano, cobrando pênalti, fez o terceiro gol e garantiu a vitória do Grêmio. O destaque positivo do jogo foi a ótima atuação de Darlan, que entrou durante a partida, mostrando que as categorias inferiores do Grêmio estão revelando mais um grande valor. O dado negativo foi mais uma falha de Paulo Victor, comprovando que ele não tem condições de ser o goleiro titular do Grêmio. Para quem busca uma classificação para a Libertadores, o Grêmio está embalando na hora decisiva, na reta final do Brasileirão. Dessa forma, a promessa do técnico do Grêmio, Renato, de que o clube irá para a Libertadores, deverá ser cumprida.
terça-feira, 29 de outubro de 2019
Sem decoro
O governo Bolsonaro é um pesadelo, sob todos os aspectos. Porém, entre os seus vários itens negativos, está o de ser um governo sem decoro. O presidente Jair Bolsonaro faz postagens grosseiras na internet , dá declarações patéticas e disparatadas, desconhece regras mínimas de civilidade, envergonha o país a cada visita ao exterior. Hoje, Bolsonaro deu mais uma demonstração nesse sentido. Ao tomar conhecimento de uma reportagem do Jornal Nacional em que seu nome é citado numa possível ligação com os envolvidos no assassinato da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco, Bolsonaro gravou um vídeo grotesco. Nele, Bolsonaro ataca a Rede Globo, diz que a reportagem é uma patifaria e uma canalhice, e insinuou que a emissora poderá ter dificuldade para a renovação de sua concessão, em 2022. Uma postura incompatível com o exercício do cargo de presidente. A cada dia, torna-se mais incompreensível o fato de Bolsonaro ter sido eleito, tamanho é o seu despreparo, e é espantoso que não se tenha iniciado, ainda, um processo de impeachment. Ao que parece, Bolsonaro permanecerá no cargo até completar toda a pauta de medidas econômicas que favorecem os grandes empresários. Só aí, poderá ser descartado. Porém, nesse caso, será tarde para o país, pois o estrago já terá sido feito.
segunda-feira, 28 de outubro de 2019
A esquerda está voltando
O que as primárias já haviam indicado se confirmou. Alberto Fernandez ganhou no primeiro turno, e é o novo presidente da Argentina. Com isso, a esquerda está de volta ao poder no país vizinho. Bastou um único mandato de um presidente de direita, Maurício Macri, para que o povo argentino decidisse pôr fim a essa experiência. A receita neoliberal aplicada por Macri, com ênfase na "austeridade" econômica, trouxe as consequências de sempre, desemprego, miséria, recessão, aumento da desigualdade social. Diante do caos econômico do seu país, os argentinos resolveram mandar os direitistas embora depois de apenas quatro anos. O intervalo curto entre a saída do poder, depois de um longo período governando o país, e o retorno agora ocorrido mostram quem é que pode fazer o melhor para o povo argentino. A esquerda está voltando a governar a Argentina, e isso não se constituirá num fato isolado. As vigorosas manifestações de rua no Chile demonstram que por lá o governo de direita também se inviabilizou. O Equador aponta na mesma direção. O Brasil não ficará de fora dessa guinada. A esquerda governou na América do Sul por mais de uma década. Sua saída de cena para a entrada da direita foi, apenas um breve intervalo. Como disse a nova vice-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, o neoliberalismo nunca mais há de voltar naquele país. Com o tempo, essa previsão se estenderá para toda a América do Sul.
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