sábado, 8 de setembro de 2018

Um atentado muito nebuloso

O atentado sofrido pelo candidato a presidente pelo PSL, Jair Bolsonaro, em Juiz de Fora (MG), na quinta-feira, suscita muitas interrogações. Sem dúvida, é um atentado muito nebuloso. Até por isso, esse espaço não se ocupou de imediato do assunto. Era preciso esperar que transcorresse algum tempo da ocorrência do episódio para tecer considerações sobre ele. No entanto, a zona de sombras sobre o que aconteceu em Juiz de Fora não parece que irá se dissipar. Se não é possível afirmar que tudo foi apenas uma farsa, os dados envolvendo o ataque a Jair Bolsonaro são pouco convincentes. As notícias imediatamente veiculadas pela imprensa davam conta de danos bastante extensos no intestino de Bolsonaro, e de que até uma artéria teria sido atingida. Porém, nas fotos do atentado não se vê sangue. A primeira foto divulgada com Bolsonaro na mesa de cirurgia mostra médicos sem luvas tratando do paciente. O proveito político que o episódio pode trazer para a candidatura de Bolsonaro é inegável. Odiado por muitos por sua postura agressiva e propagadora da violência, Bolsonaro sai da condição de algoz e ingressa na de vítima. Seja, entretanto, o atentado autêntico ou não, Bolsonaro é um mau candidato, nada justifica que alguém vote nele para presidente.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Recomeço

Depois da frustrante participação na Copa do Mundo, a Seleção Brasileira voltou a entrar em campo, hoje. A vitória por 2 x 0 sobre os Estados Unidos, em Nova Jersey, marcou o recomeço da Seleção Brasileira, iniciando um novo ciclo de preparação, até a Copa do Mundo de 2022, no Catar. A fragilidade do adversário, no entanto, não permitiu que a Seleção fosse muito exigida. Dentre os jogadores que estiveram na Copa, Douglas Costa foi o melhor. O mais interessante foi a entrada dos novos convocados em campo. Dedé, Arthur, Lucas Paquetá, Everton e Richarlison entraram no decorrer do segundo tempo. Dentre eles, Dedé e Everton foram os que mais se destacaram. Porém, no geral, um amistoso como esse traz pouco proveito para observações, e o próximo, contra El Salvador, na terça-feira, em Washington, deverá ser ainda mais fraco. Desfalcar clubes brasileiros de seus melhores jogadores para partidas tão inexpressivas da Seleção é algo inaceitável.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Poderia ser bem melhor

Um empate fora de casa, contra um adversário de tradição, não é um mau resultado. Porém, às vezes, ele é menos do que seria possível obter. Esse é o caso do jogo Santos 0 x 0 Grêmio, hoje à noite, no Pacaembu, pelo Campeonato Brasileiro. Mesmo jogando com apenas três titulares, o Grêmio não foi inferior ao Santos em nenhum momento da partida. O resultado não foi ruim, mas poderia ser bem melhor. O Grêmio se manteve em quinto lugar no Brasileirão, e não poderá alcançar o Inter no Gre-Nal de domingo, ainda que vença o jogo. No entanto, manteve-se junto dos primeiros colocados, e ainda está no grupo dos pretendentes ao título. No Gre-Nal, com os titulares, exceto Kanneman e Everton que estão em suas respectivas seleções, o Grêmio tem condições de conseguir um bom resultado e continuar entre os primeiros colocados de uma competição que, se fosse priorizada pelo clube, poderia ser ganha sem muita dificuldade.

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

A força do fator extracampo

O futebol deveria ser decidido apenas dentro do campo, e ter os seus resultados determinados somente pelos acertos e erros dos jogadores. Lamentavelmente, não é assim. Muitas vezes, a força do fator extracampo se faz sentir, prejudicando alguns clubes e beneficiando outros. Claramente, isso é o que está ocorrendo no Campeonato Brasileiro, e não é fruto do acaso. Desde que o execrável presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Francisco Novelleto Neto, tornou-se integrante da diretoria da CBF uma série de "erros" de arbitragem começaram a ocorrer tendo o Inter como beneficiário. Foi assim no Gre-Nal do primeiro turno do Brasileirão, na Arena, que terminou empatado em 0 x 0, quando três pênaltis clamorosos em favor do Grêmio deixaram de ser marcados. Houve, também, os incríveis oito minutos de acréscimos no jogo Inter x Paraná, no Beira-Rio, com uma falta inexistente, frontal ao gol, sendo marcada aos 53 minutos, proporcionando a vitória para o clube da casa. Há várias rodadas, o Inter vinha buscando obter a liderança da competição, que era ocupada pelo São Paulo. Eis que, na rodada do último fim de semana, o São Paulo teve um dos seus melhores jogadores, Diego Souza, expulso injustamente logo no início da partida contra o Fluminense, no Morumbi, na qual já contava com sérios desfalques. Como consequência, o São Paulo empatou um jogo em que era franco favorito. No mesmo dia, o Cruzeiro, jogando contra o Inter, no Mineirão, teve um gol legítimo anulado, e a partida terminou empatada em 0 x 0. O árbitro, por "coincidência", era Wilton Pereira Sampaio (GO), o mesmo do Gre-Nal em que três pênaltis em favor do Grêmio não foram marcados. Para completar, Wilton Pereira Sampaio irá apitar Santos x Grêmio, amanhã, no Pacaembu, jogo que antecede o Gre-Nal do próximo domingo, no Beira-Rio. Hoje, jogando contra o Atlético Mineiro, no Independência, o São Paulo teve um pênalti escandaloso que deixou de ser marcado a seu favor, e acabou perdendo a partida e a liderança do campeonato, já que foi superado pelo Inter, que venceu o Flamengo por 2 x 1, no Beira-Rio, no saldo de gols. O detalhe é que o árbitro do jogo do São Paulo era Anderson Daronco (RS). Um árbitro gaúcho num jogo que interessava diretamente ao Inter. Esses fatos não são aleatórios. Por trás de todos eles está Francisco Novelleto Neto, agora com poderes em esfera nacional.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

O neoliberalismo só gera miséria

A crise que está sendo vivida pela Argentina no governo de Maurício Macri não traz nenhuma novidade. Ela é o resultado da aplicação do receituário econômico de direita, caracterizado pela "austeridade", um eufemismo para cortes de gastos sociais e achatamento salarial das classes trabalhadoras. A justificativa para a adoção de tais medidas é sempre a mesma, ou seja, a existência de uma "crise econômica" que precisa ser debelada. A consequência prática é o agravamento da crise, pelo aumento do desemprego e o empobrecimento da população. O neoliberalismo só gera miséria, nada mais tem a oferecer. Seus métodos buscam favorecer os interesses dos empresários e banqueiros, depauperando os demais segmentos sociais. A imprensa conservadora brasileira saudou efusivamente a eleição de Maurício Macri quando ele tornou-se presidente da Argentina. Macri era visto como o homem que iria sanar os problemas da Argentina causados pelo "kirchnerismo" e suas atitudes "populistas". Em pouco tempo no poder, no entanto, Macri afundou a Argentina. Agora, o país se vê diante da possibilidade de um arrocho ainda maior para tentar reverter a crise, o que só agravará o problema. No momento em que o Brasil se prepara para eleger um novo presidente, é fundamental que o eleitor reflita sobre o que acontece quando se vota na direita. Ela não soluciona nenhum dos problemas que promete resolver. Pelo contrário, só os agrava. Não se obtém crescimento econômico com corte de gastos. Não há nenhuma solução econômica duradoura sem justiça social e distribuição de renda. O resto é falácia neoliberal para enganar desavisados .

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

O incêndio do Museu Nacional

Nunca um acontecimento traduziu com tanta precisão o estágio deprimente em que se encontra o Brasil. Num país governado por um golpista, com a cultura sucateada, mergulhado na corrupção e com um candidato a presidente que propõe o uso da violência como solução administrativa, o incêndio do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, é a demonstração de que nada é tão ruim que não possa piorar. Um enorme e qualificado acervo de mais de 20 milhões de itens, vira cinzas em poucas horas, resultado direto da indiferença com que os detentores do poder tratam os bens culturais. O contingenciamento de verbas, que impede a preservação e manutenção dos museus do país, ocorre porque a prioridade do governo é atender os interesses do grande capital, favorecido com toda a sorte de incentivos e isenções. A direita não preza a cultura, nem a educação. Por motivos óbvios, já que o seu projeto de subjugação da sociedade se fortalece com uma população privada do conhecimento. Num país em que as más notícias parecem soterrar a todos, o incêndio de ontem foi o ápice. O Brasil é um barco à deriva. Cabe aos eleitores lembrarem disso na eleição presidencial, para que tamanho descaso com a história e memória do país não volte a acontecer.

domingo, 2 de setembro de 2018

Auxílio precioso

Como se fosse um daqueles filmes de sucesso que se desdobram em várias continuações, o Inter, novamente, contou com a colaboração da arbitragem na obtenção de um resultado. Dessa vez, o auxílio precioso da arbitragem ocorreu, hoje, no empate em 0 x 0 com o Cruzeiro, no Mineirão, pelo Campeonato Brasileiro. O Cruzeiro foi melhor durante o jogo inteiro, mas esbarrava nas grandes defesas do goleiro do Inter, Marcelo Lomba, que impedia que abrisse o placar. A insistência do Cruzeiro na busca pelo gol iria ser premiada, quando, de forma absurda, o árbitro Wilton Pereira Sampaio (GO), o mesmo que não viu três pênaltis em favor do Grêmio no Gre-Nal do primeiro turno, marcou uma falta inexistente de Bruno Silva sobre Iago num lance em que Raniel estava abrindo o placar para o Cruzeiro. Tanto naquele Gre-Nal como hoje, a ação da arbitragem resultou em empates, garantindo ao Inter dois pontos que não iria obter. Num campeonato de pontos corridos, isso tem grande influência para a colocação final na classificação. Como já foi destacado muitas vezes nesse espaço, o apito amigo em favor do Inter é algo que está presente em toda a história do clube. Assim, o Inter tem ganho preciosos pontos para quem busca se manter entre os primeiros colocados do Brasileirão. Não se deve subestimar quem tem a arbitragem como força auxiliar. 

sábado, 1 de setembro de 2018

Uma chuva de gols

Um favoritismo confirmado com uma facilidade maior que a esperada. Assim foi a goleada do Grêmio por 4 x 0 sobre o Botafogo, hoje, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro. Com um único titular ausente, Marcelo Grohe, o Grêmio colocou em campo um time muito superior ao do Botafogo. O primeiro gol veio numa cobrança de pênalti, mas o Grêmio já havia perdido várias oportunidades claras. O placar não refletia a imensa superioridade do Grêmio, que só marcou o segundo gol no final do primeiro tempo. No segundo tempo, o panorama não se alterou. As chances de gol se acumulavam em favor do Grêmio, que marcou mais dois gols, sendo um deles, novamente, de pênalti. A goleada poderia ter sido muito mais ampla, não fossem as várias chances desperdiçadas pelo Grêmio. Nem mesmo a chuva, que, em dado momento, se tornou torrencial, criando poças d'água no gramado, causou dificuldades ao Grêmio. Foi, também, uma chuva de gols. A atuação do Grêmio mostrou, mais uma vez que, a exemplo do que ocorreu em 2017, ele seria o maior candidato ao título do Brasileirão, desde que priorizasse a competição. Por outro lado, o Botafogo que já está no seu quarto técnico nesse ano, demonstrou muita fragilidade técnica, e deverá ter como principal preocupação, até o final da disputa, a de evitar a possibilidade de rebaixamento.

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Cartas marcadas

A decisão do Tribunal Superior Eleitoral que determinou, por seis votos a um, a inegibilidade do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva no pleito de outubro próximo, nada traz de novidade. Desde o golpe que depôs uma presidente legitimamente eleita, o Brasil vive um jogo de cartas marcadas, cujo único objetivo é levar ao poder aqueles que perderam quatro pleitos presidenciais sucessivos para o PT. Como tradicionalmente ocorre nos golpes à brasileira, toda uma série de simulações de normalidade são feitas para tentar negar a obviedade de que o país está vivendo num regime de exceção. O ato espúrio que derrubou a presidente Dilma Rousseff seguiu todo o rito processual e os prazos estabelecidos, de forma a parecer que se tratasse de um procedimento dentro das regras democráticas, com as instituições em pleno funcionamento, e não um golpe adredemente preparado, como foi, verdadeiramente. Todos, inclusive o próprio Lula, sabiam que não lhe permitiriam concorrer. Fernando Haddad assumirá a candidatura, no lugar de Lula, e tem amplas condições de vencer. Haddad já foi ministro da Educação e prefeito de São Paulo. Numa comparação com os demais candidatos, é, de longe, o mais culto e preparado. Lula não irá transferir a totalidade de seus votos para Haddad, mas o fará em número suficiente para que ele chegue ao segundo turno. Lula tem perdido batalhas, mas ganhará a guerra.

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

O golpe não acabou

Só os muito estúpidos ainda podem duvidar de que houve um golpe no país, cujas consequências são mais catastróficas a cada dia. O grande acordo "com o Supremo, com tudo", a que se referiu o senador Romero Jucá (MDB/RR) em uma gravação, ficou escancarado, hoje. Numa prova de que o golpe não acabou, o Supremo Tribunal Federal aprovou a terceirização irrestrita das atividades de finalidade das empresas. A medida, que tornará ainda mais caótica a deplorável situação dos trabalhadores brasileiros, foi aprovada pouco depois de o presidente golpista e ilegítimo Michel Temer conceder um aumento de 16% nos vencimentos dos magistrados brasileiros. Como expressa o ditado, uma mão lava a outra, ainda que seja com o sangue e o suor dos brasileiros. O povo brasileiro está entregue à própria sorte, não tem quem o defenda. A magistratura brasileira nada mais é do que uma organização mafiosa a serviço das elites. Em vez de fazerem justiça, os magistrados brasileiros formam uma casta que usufrui de enormes privilégios, obtidos ao custo de uma postura servil aos interesses das classes dominantes. Ao contrário do que sustenta a imprensa conservadora, as instituições não estão em pleno funcionamento. A farsa do impeachment de uma presidente legitimamente eleita foi, na verdade, a quebra da incipiente democracia brasileira. O Brasil está vivendo sob um regime de arbítrio e exceção. A próxima eleição presidencial será um simulacro de pleito democrático, pois o candidato preferido do eleitorado está preso, condenado sem provas por um um crime que não cometeu, e impedido de concorrer pelo mesmo espúrio Poder Judiciário. Não resta outra alternativa ao povo brasileiro que não seja a desobediência civil.