quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Desclassificações

Como já se suspeitava, pelos times que colocaram em campo, ocorreram, hoje as desclassificações de Grêmio e Inter da Copa da Primeira Liga. Porém, Grêmio e Inter não fizeram atuações vexatórias, pelo contrário, e até mereciam melhor sorte. O Grêmio jogou contra o Cruzeiro, no Mineirão, com um time inteiramente reserva. Seu adversário, por sua vez, escalou vários titulares, e ainda colocou outros durante o jogo. Exceto Bruno Rodrigo, o Grêmio jogou, basicamente, com garotos. Ainda assim, fez um enfrentamento equilibrado com o Cruzeiro. Sofreu dois gols no final do jogo, quando tudo indicava que a decisão de quem se classificaria para as semifinais da competição se daria na cobrança de tiros livres da marca do pênalti. Nessas circunstâncias, a derrota deixou um gosto amargo, mas o que fica é que o time reserva do Grêmio portou-se com muita dignidade diante de um adversário com muitos jogadores renomados. O Inter também poderia ter tido um resultado melhor. Contra um Atlético Mineiro que levou para o campo um time misto reforçado por nomes como Marcos Rocha, Gabriel, Fred e Robinho, o Inter, que escalou apenas reservas, levou um gol cedo, reagiu, e terminou o jogo fazendo uma enorme pressão sobre o adversário. Só não empatou porque o goleiro do Atlético Mineiro, Giovanni, fez uma série de grandes defesas. Grêmio e Inter foram desclassificados, mas sem conspurcar a grandeza de ambos os clubes. Agora, resta seguirem na busca dos seus objetivos, o Grêmio o de ganhar mais uma Libertadores, e o Inter o de vencer o Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão.

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terça-feira, 29 de agosto de 2017

Legado olímpico

Completado um ano da realização da Olimpíada no Rio de Janeiro, há pouco ou quase nada para ser exaltado. O propalado legado olímpico não se confirmou. As instalações do Parque Olímpico da Barra da Tijuca não tiveram o aproveitamento posterior que foi anunciado. Até agora, a área tornou-se um elefante branco em processo de sucateamento. O impulso para o esporte no país, também não se confirmou, pelo contrário. Muitos atletas tiveram seus patrocínios reduzidos ou cortados após a competição. O "legado" concreto da Olimpíada foi mais um rombo nos cofres públicos, ainda que o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, negue o fato. Dizia-se que a realização da Olimpíada seria inteiramente bancada com recursos privados, mas isso foi apenas uma falácia. A oportunidade de transformar o Brasil num país poliesportivo, capaz de deixar a condição de mero figurante olímpico, foi desperdiçada. Até mesmo modalidades esportivas antes bem sucedidas no país regrediram no seu desempenho, nos últimos anos, e a Olimpíada do Rio de Janeiro em nada serviu para alterar esse quadro. O exemplo mais notório dessa realidade é o basquete, que segue ladeira abaixo, depois de ter alcançado muitas glórias. Pela primeira vez, desde 1959, o basquete feminino ficará de fora de uma edição do campeonato mundial. O basquete, masculino, por sua vez, deverá ficar alijado da próxima edição dos Jogos Pan-Americanos. No balanço final, quem lucrou com a Olimpíada foram as figuras de sempre em competições desse porte, ou seja, os dirigentes esportivos e os donos de empreiteiras. Para os atletas e o povo, terminada a festa, restou uma amarga conta para pagar.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

O São Paulo está na rota da queda

Sempre que um clube grande começa a dar sinais de que pode ser rebaixado, há resistência dentro e fora dele a que se admita essa possibilidade. A realidade, no entanto, mostra que oito dos doze grandes clubes brasileiros já caíram para a Segunda Divisão. Assim, embora o segundo turno do Campeonato Brasileiro esteja apenas começando, é perceptível que o São Paulo está na rota da queda. A exemplo do que aconteceu com outros clubes grandes que foram rebaixados, o São Paulo já trocou de técnico e o time não reagiu. Uma das razões para isso, como ocorreu com o Inter em 2016, foi a escolha inadequada do novo técnico. No caso do São Paulo, Dorival Júnior não tem o perfil indicado para promover uma virada no desempenho de um time. Dorival tem somado muitos trabalhos ruins nos últimos anos, e não é um técnico sanguíneo, capaz de despertar o brio dos jogadores. Outro dado preocupante para o São Paulo é que ele já iniciou o segundo turno do Brasileirão dentro da zona de rebaixamento, o que não aconteceu com o Inter, por exemplo, que, mesmo assim, caiu. A derrota de ontem para o Palmeiras foi emblemática de um clube que se encaminha para o rebaixamento. O São Paulo abriu o placar, sofreu a virada, conseguiu empatar o jogo, teve três chances claras para fazer o terceiro gol, e acabou perdendo por 4 x 2. Se o São Paulo vier a cair, restarão Flamengo, Santos e Cruzeiro entre os grandes clubes brasileiros a nunca terem sido rebaixados. Essa é mais uma prova de que, ao contrário do que arrogantemente afirmava o Inter antes da sua queda, clube grande cai, sim.

domingo, 27 de agosto de 2017

As escandalosas cifras do futebol

Vai longe o tempo em que o futebol, o esporte das multidões, tinha uma atmosfera de romantismo. O futebol tornou-se um negócio milionário, com grandes quantias sendo pagas pela aquisição de jogadores, que, por sua vez, recebem salários altíssimos. Porém, essa situação ultrapassou todos os limites. As escandalosas cifras do futebol estão comprometendo o futuro desse esporte. Os valores dispendidos pelo Paris Saint Germain pela aquisição de Neymar, e o salário pago ao jogador, podem levar o futebol a um novo parâmetro, cada vez mais excludente, pois só clubes que tenham um magnata ou grupo econômico a lhes dar sustentação financeira poderão formar times fortes. Não fosse a Fifa uma instituição corrupta, alguma medida já teria sido tomada no sentido de coibir esses exageros. Só alguém demasiadamente ingênuo poderá crer que é tudo uma questão de mercado, uma ação natural do capitalismo. Pelos valores cada vez mais altos pagos nas contratações de jogadores, é evidente que o futebol está sendo usado como um meio de lavar dinheiro. A paixão de milhões de torcedores pelo futebol está sendo malbaratada por pessoas e grupos que vêem nele apenas uma fachada para encobrir suas falcatruas.

sábado, 26 de agosto de 2017

O Campeonato Brasileiro não acabou

Embora quase todos digam que é apenas uma questão de tempo para o Corinthians conquistar o título, o Campeonato Brasileiro não acabou. Hoje, o Corinthians perdeu o seu segundo jogo no Brasileirão, por 2 x 1, para o Atlético Goianiense, lanterna absoluto da competição, em pleno Itaquerão. No sábado anterior, o Corinthians havia perdido, também em casa, para o Vitória, outro clube que está na zona de rebaixamento. Dessa forma, se o Grêmio vencer o seu jogo isolado contra o Sport, no próximo sábado, na Arena, sua diferença para o Corinthians cairá para sete pontos.  O jogo seguinte do Corinthians será contra o Santos, na Vila Belmiro, um clássico na casa do adversário, onde a chance de perda de pontos é muito grande. A possibilidade de reversão do campeonato existe, é considerável, e o Grêmio é o clube com chances mais concretas de tirar o título das mãos do Corinthians. Porém, o Grêmio não aprende com os próprios erros. A política de pôr reservas no Campeonato Brasileiro para privilegiar a Copa do Brasil se revelou um equívoco, mas o clube sinaliza que fará o mesmo com a Libertadores. A consequência poderá ser o Grêmio não conquistar nenhum título, e deixar de vencer uma competição, o Brasileirão, que, desde o início mostrou estar ao seu alcance, mas que foi, absurdamente, desprezada pelo clube.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Vitória suada

A liderança, como se prenunciava, foi alcançada, mas o Inter esteve longe de empolgar. Hoje, no Beira-Rio, o Inter venceu o Paysandu por 3 x 2, e se tornou líder do Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão, posição que só havia ocupado na primeira rodada. No entanto, anainda assim, não há razão para euforia, pois, enfrentando um adversário modestíssimo, obteve uma vitória suada. O primeiro gol do Inter saiu de uma bela jogada de D'Alessandro e Leandro Damião, os outros dois resultaram de falhas defensivas graves do Paysandu. O jogo chegou a estar empatado em 1 x 1, mas parecia ter ficado tranquilo para o Inter quando ele marcou mais dois gols. Porém, o Paysandu conseguiu descontar, e ameaçou empatar a partida até o final. O destaque da noite foi Leandro Damião, que marcou dois gols, já que, desde que retornara ao Inter, só fizera um, e de pênalti. Afora isso, pouco há a festejar. Como o jogo de hoje deixou claro, a liderança obtida pelo Inter decorre muito mais da debilidade dos adversários do que de uma melhora efetiva da qualidade do seu futebol.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Fúria privatista

O governo golpista e ilegítimo não se cansa de mostrar suas garras. Consciente de que está no poder por um arranjo de forças que reúne a plutocracia do país e políticos que vendem o seu apoio por cargos e verbas, o governo afronta os interesses do povo, pois sabe que não depende de popularidade para ficar onde está. Agora, Michel Temer e seus asseclas foram tomados por uma fúria privatista que pretende dizimar com o patrimônio público do país. Esse filme já foi visto pelos brasileiros no governo de Fernando Henrique Cardoso, que vendeu estatais como a Companhia Vale do Rio Doce em troca de moedas podres, mas nunca com tanta intensidade. Depois de anunciar que pretende vender a Eletrobrás, o que irá encarecer e comprometer o abastecimento de energia elétrica para a população, o governo quer privatizar, até mesmo, a Casa da Moeda, instituição responsável pela fabricação do dinheiro no país. Paralelamente a isso, áreas de reserva ambiental são destruídas e entregues á exploração comercial de seus recursos naturais. O país está exposto a um processo de desmonte nunca visto em sua história, e o que é pior, com a complacência das ruas. Não há limites para a desfaçatez e a insensibilidade por parte dos golpistas que se apossaram do governo. O Brasil está sendo dizimado, e, nesse ritmo, nada restará do país até que saiam do poder. Está mais do que na hora de a população reagir e sair às ruas para derrubar esse governo. Se demorar ainda mais tempo para fazer isso, o quadro se tornará tão dramático que deixará como única alternativa a deflagração de uma guerra civil.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Eliminado

A tentativa de jogar pelo regulamento não deu certo. O Grêmio foi muito tímido nos dois jogos pelas semifinais da Copa do Brasil, contra o Cruzeiro, e está eliminado da competição. O Grêmio contentou-se em ganhar o primeiro jogo por 1 x 0, na Arena, apostando no gol qualificado. Pareceu esquecer que bastava ao Cruzeiro devolver o placar no segundo jogo para que a classificação fosse decidida nos tiros livres da marca do pênalti, um item onde o Grêmio vem tendo um aproveitamento muito baixo em 2017. O primeiro tempo, que terminou empatado em 0 x 0, deu a ideia de que o Grêmio tinha o jogo sobre controle. Porém, o Grêmio sofreu um gol em jogada de bola aérea logo no início do segundo tempo, e o time desandou em campo. A rigor, o Grêmio teve uma única chance de gol em todo o jogo, com Lucas Barrios, aos cinco minutos de partida. Foi uma chance clara de gol, que não poderia ser desperdiçada, pois praticamente daria a classificação para o Grêmio, já que obrigaria o Cruzeiro a marcar três gols. Ainda assim, Barrios não deveria ter sido substituído, pois a ausência de um centroavante de referência facilitou a tarefa defensiva do Cruzeiro. O Grêmio jogou muito abaixo da sua produção normal. Nenhum jogador se destacou. O que mais dói no torcedor é que a eliminação do Grêmio se deu para um adversário que, sabidamente, lhe é inferior em qualidade.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

A irritação da CBF

A CBF, conforme informação que andou circulando pelos meios de comunicação nas últimas horas, estaria irritada com o Grêmio pelo fato do clube utilizar times reservas em vários jogos do Campeonato Brasileiro. No entender da CBF, isso desvaloriza a competição e gera insatisfação nos patrocinadores. O diagnóstico da instituição é correto, e a opção do Grêmio em privilegiar outras disputas já foi reiteradamente criticada por mim, nesse espaço. A irritação da CBF tem a sua razão de ser, mas ela não assume a sua parcela de culpa nessa situação. Não apenas o Grêmio, mas também Botafogo, Flamengo, Palmeiras e Atlético Mineiro pouparam titulares em alguns jogos do Brasileirão por estarem envolvidos em competições paralelas. A parcela de culpa da CBF está no fato de que o Brasileirão tem o mesmo número de clubes, e, por conseguinte, de rodadas, que campeonatos como o inglês, espanhol, italiano e francês, mas é disputado num tempo menor, o que leva ao acúmulo de jogos. Enquanto nos campeonatos citados as 38 rodadas se desenrolam ao longo de nove meses, no Brasil isso se dá em seis meses e meio. A razão disso é a permanência no calendário dos campeonatos estaduais, que retardam o início do Campeonato Brasileiro. Se os estaduais, que são competições anacrônicas e sem atratividade, fossem extintos, o Brasileirão poderia começar antes, e ter a mesma duração dos principais campeonatos nacionais da Europa. Em vez de se preocupar em criar mecanismos que dificultem a colocação de reservas por parte dos clubes, como a limitação no número de jogadores inscritos, por exemplo, a CBF deveria era fazer a sua parte, retirando os estaduais do calendário e ampliando a duração do Campeonato Brasileiro que, dessa forma, poderia ter rodadas apenas nos finais de semana. Uma medida simples e eficaz, mas que a CBF não se propõe a tomar porque depende dos votos dos presidentes de federações para manter a sua atual estrutura de poder.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Um túnel sem luz

Faltando pouco mais de um ano para as eleições em que serão escolhidos os integrantes das assembleias legislativas, da Câmara dos Deputados e do Senado, bem como os governadores e o presidente do país, a indefinição do quadro político é total. Há, até, quem duvide se a eleição presidencial ocorrerá, mesmo, ou se será dada sequência ao golpe. Se as eleições, em todos os níveis previstos, vierem a acontecer, ignora-se se será dentro das atuais regras, ou com monstrengos de última hora, como o distritão, no caso da escolha dos componentes dos parlamentos. Em termos de possíveis candidaturas ao cargo máximo da disputa, não se sabe se o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, do PT, líder em todas as pesquisas de intenção de votos, conseguirá concorrer, ou terá confirmada, em novo julgamento, a sua condenação á prisão. No PSDB, não há, ainda, a definição de um candidato. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, já se movimenta nesse sentido, mas o prefeito da capital paulista, João Doria Júnior, seu afilhado político, também aspira concorrer ao cargo. Enquanto isso, o presidente golpista e ilegítimo Michel Temer prepara um parlamentarismo às pressas, para ser iniciado ainda no seu governo. Paralelamente a tudo isso, os brasileiros mergulharam numa inexplicável apatia política, e assistem passivamente ao caos que se instalou no país. Para o Brasil, diante de tudo isso, não há luz no fim do túnel, nem mesmo a de um trem em sentido contrário. Só restou um túnel sem luz.