sexta-feira, 21 de julho de 2017

A punhalada dos golpistas

O Brasil vive dias terríveis, como consequência direta de um golpe contra uma presidente legitimamente eleita. O sórdido expediente contou, como costuma ocorrer nesses casos, com o patrocínio da plutocracia e o apoio entusiasmado da classe média reacionária. Para esses dois segmentos, era preciso, a qualquer preço, retirar o PT do poder. Afinal, argumentavam, o PT era a fonte de todos os males do país. Como se sabe, plutocratas detestam aumento de impostos, o mesmo acontecendo com a classe média direitista. Pois não é que foi justamente essa surrada e desastrosa solução que o governo do presidente golpista e ilegítimo Michel Temer adotou para tentar cumprir a meta fiscal de 2017? Com o aumento da alíquota de PIS/Cofins dos combustíveis, divulgado ontem, Temer e seus asseclas pretendem arrecadar R$ 11 bilhões. A razão para isso é que a arrecadação neste ano tem ficado abaixo da esperada pelos golpistas, que previam que a economia brasileira cresceria em um ritmo mais acelerado, o que não ocorreu. O efeito da medida no bolso da população foi imediato, pois o preço do litro da gasolina já superou o valor de R$ 4, o que levará a um efeito cascata de aumentos sobre vários produtos. A punhalada dos golpistas atinge em cheio o discurso dos seus apoiadores. Os empresários do pato amarelo e a classe média que bate panelas vociferam, permanentemente, contra aumento de impostos. Pois foram "brindados" com um pelos bandoleiros que ajudaram a colocar no poder. A traição dos golpistas aos seus defensores seria até cômica, se não fosse trágica para o país como um todo. A amarga conta do golpe continua a ser cobrada de todos os brasileiros, e ainda está longe de chegar ao fim.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

A queda de Roger Machado

O futebol brasileiro viu, nos últimos anos, o surgimento de técnicos emergentes, num processo natural e necessário diante da decadência dos medalhões. O problema é que os novos técnicos ainda não mostraram solidez em seus trabalhos. A queda de Roger Machado no Atlético Mineiro é um exemplo disso. Roger foi, dentre esses técnicos, o mais bafejado pela imprensa, pelo período em que treinou o Grêmio. Ocorre que o desempenho de Roger no Grêmio não foi mais do que razoável, e acabou superestimado por uma parte da imprensa. Observando com atenção o seu trabalho no Grêmio, percebia-se um grande potencial, mas um profissional ainda carente de maturação. No Atlético Mineiro, Roger comprovou essa impressão. Ele é estudioso, tem ótima base teórica aliada á sua experiência como jogador. Sua proposta de jogo se baseia num futebol envolvente, com muita troca de passes. Porém, Roger não tem variações em sua proposta tática, e tem visíveis dificuldades para fazer a "leitura do jogo" durante o seu transcorrer. Roger tem condições de se tornar um grande técnico, mas, a exemplo dos outros emergentes, ainda não alcançou uma afirmação.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Paulo Sant'Ana

O Rio Grande do Sul perdeu, na noite de hoje, o maior nome do seu jornalismo, em todos os tempos. A morte de Paulo Sant'Ana, aos 78 anos, não colheu ninguém de surpresa, pois era sabido que o seu estado de saúde era muito delicado. Porém, isso não diminui o impacto da perda. Muito antes que o termo fosse cunhado, Sant'Ana foi um jornalista multimídia. Atuou com igual brilho no rádio, jornal e televisão. Nenhum outro jornalista, em tempo algum, foi tão popular no Rio Grande do Sul. No início de sua carreira, se dedicou á crônica esportiva, e alcançou enorme sucesso como um defensor apaixonado do Grêmio. Mais tarde, tornou-se um cronista de assuntos gerais, novamente com êxito retumbante. Sant'Ana será velado na Arena do Grêmio. Não poderia ser de outra forma. Amanhã será um dia para Porto Alegre reverenciar um dos seus nomes mais representativos. A cidade ficou mais pobre na sua paisagem humana. O jornalismo perdeu um gênio. Uma notável trajetória, que deixa uma enorme saudade.

No rumo da liderança

Em apenas duas rodadas do Campeonato Brasileiro, o Corinthians, líder da competição, viu sua diferença para o segundo colocado, o Grêmio, ser reduzida de dez para seis pontos. Após empatar, por 2 x 2, sábado, com o Atlético Paranaense, em pleno Itaquerão, o Corinthians voltou a tropeçar, hoje, ao não sair do 0 x 0 com o Avaí, na Ressacada. O Grêmio tirou proveito da situação, pois venceu seus dois últimos jogos. No domingo, derrotou a Ponte Preta, de virada, por 3 x 1, na Arena. Hoje, repetiu o placar contra o Vitória, no Barradão. O número de vitórias do Grêmio chegou a dez, apenas uma a menos que o Corinthians. Com isso, o Grêmio vai no rumo da liderança do Brasileirão, que já esteve muito perto, e depois se distanciou. Sua vantagem sobre o terceiro colocado, o Santos, se manteve, e aumentou em relação aos demais clubes da parte de cima da classificação. No jogo contra o Vitória, o grande destaque foi Fernandinho, que marcou o primeiro gol, de falta, e criou a jogada do segundo. Embora com a ausência de três titulares, Geromel, Michel e Luan, o Grêmio venceu ao natural. Mesmo levando um gol no início do segundo tempo, quando já ganhava por 2 x 0, o Grêmio não permitiu uma reação do Vitória, pois marcou o terceiro, logo depois. O que parecia um campeonato com um ganhador antecipado, voltou a ser uma disputa em aberto.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Apito amigo

Se há um fato recorrente na história do Inter é o auxilio do apito amigo. Mesmo quando montou grandes times, como o da década de 70, com nomes como Manga, Figueroa, Falcão e Paulo César Carpeggiani, o Inter não abriu mão dos "erros humanos" dos árbitros. Ninguém melhor do que o torcedor do Grêmio sabe o que foram, na época, as arbitragens do chamado "trio ABC", formado por Agomar Martins, José Luiz Barreto e José Cavalheiro de Morais, que decidiram vários jogos em favor do Inter com seus "erros". Anos mais tarde, Carlos Simon foi um dos principais sucessores do trio em benefícios do apito para o Inter. Hoje, em mais uma atuação deplorável, o Inter venceu o modesto Luverdense por 1 x 0, no Beira-Rio, pelo Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão, com um gol nos acréscimos, fruto de uma sinalização confusa de um bandeirinha. Não vem ao caso saber se o bandeirinha estava certo ou errado ao marcar impedimento no lance. O fato é que, ao levantar a bandeira, ele induziu a defesa do Luverdense a parar no lance, o que facilitou para William Potker marcar o gol. Dizer que o árbitro nada havia apitado, e que, portanto, os jogadores do Luverdense deveriam prosseguir normalmente no lance, é um argumento cínico. O Luverdense sofreu um esbulho. A arbitragem brasileira continua vergonhosa, como sempre. Porém, nem mesmo com a ação prestimosa da arbitragem o Inter conseguiu entrar na zona de classificação para a Primeira Divisão. Está em quinto lugar e, se continuar jogando um futebol tão fraco, não haverá arbitragem facciosa capaz de fazer com que venha a subir.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Exploração demagógica

O assunto da injúria racial ao goleiro Aranha, acontecida num jogo entre Grêmio e Santos, na Arena, pela Copa do Brasil de 2014, está se prestando a uma exploração demagógica. Como Aranha voltou a jogar na Arena, ontem, dessa vez pela Ponte Preta, o fato foi reativado, o que não deveria ter ocorrido. Está claro que Aranha não quer deixar o assunto morrer, e a cada vez que vem jogar contra o Grêmio, na Arena, aproveita para se colocar na condição de vítima de uma perseguição de cunho racista. Parte da imprensa, ávida por fatos que possam proporcionar manchetes, embarca na proposta de Aranha, e gera repercussão em cima de uma situação que já deveria ter sido superada. O "desabafo" de Aranha, após o jogo de ontem, dizendo que não olha para as arquibancadas porque as pessoas ali presentes estão carregadas de ódio, e sua generalização de que "no sul do país é assim", foi uma ode ao vitimismo. O fato de 2014 foi julgado e produziu uma condenação, injusta, por sinal, ao Grêmio. O clube assimilou a injustiça sofrida, e seguiu com sua vida. Aranha deveria fazer o mesmo, e não reacender as discussões em torno do ocorrido há três anos.

domingo, 16 de julho de 2017

Diferença diminuída

Depois da vitória sobre o Flamengo, o técnico do Grêmio, Renato, disse que o Corinthians não conseguiria manter sua campanha de quase 90% de aproveitamento, e que iria "despencar". Hoje, Renato retificou sua declaração, trocando despencar por "tropeçar". Seja como for, Renato acertou sua previsão. Ontem, o Corinthians empatou em 2 x 2 com o Atlético Paranaense, em pleno Itaquerão. O Grêmio, hoje, venceu, de virada, a Ponte Preta  por 3 x 1, na Arena. Com isso, a vantagem do Corinthians na liderança do Campeonato Brasileiro se reduziu. A diferença diminuída, mesmo que permaneça expressiva, dá um novo alento á competição. Agora, a diferença, que era de dez pontos, em relação ao Grêmio, foi para oito. Outro ponto positivo para o Grêmio foi que Santos e Flamengo também empataram na rodada, ficando mais afastados dele em pontos. A situação do Grêmio poderia ser bem melhor, é claro, se ele não tivesse escalado reservas contra Sport e Palmeiras, e ganhado seus jogos em casa contra Corinthians e Avaí, mas a redução da vantagem do líder da competição traz um novo entusiasmo para o clube e sua torcida. Em relação ao jogo, em si, o Grêmio não teve uma grande atuação, e saiu perdendo para a Ponte Preta, assustando o seu torcedor. No entanto, teve força e atitude para obter a virada. Lucas Barrios, com dois gols, um dos quais de pênalti, pondo fim ao trauma das cobranças erradas, foi o grande destaque do jogo. O Grêmio sairá agora para dois jogos seguidos fora de casa, contra Vitória e São Paulo, clubes que se encontram na zona de rebaixamento. Se tem, verdadeiramente, pretensões dentro da disputa, o Grêmio não pode desperdiçar pontos nesses jogos.

sábado, 15 de julho de 2017

Um filme de terror

Após a vitória sobre o Ceará, fora de casa, o Inter, no entender de boa parte da crônica esportiva, tinha encontrado o seu time, e sua tendência seria crescer ainda mais. Como seu próximo jogo aconteceria, novamente, na condição de visitante, em que obtivera quatro de suas vitórias no Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão, o otimismo se fez sentir nos prognósticos. O Inter, previa-se, entraria no grupo dos quatro primeiros colocados, e dele não mais sairia. Nada ocorreu de acordo com o esperado. Os torcedores do Inter que assistiram ao jogo de hoje contra o CRB, no Rei Pelé, viram um filme de terror. O Inter perdeu o jogo por 2 x 0, não teve uma única chance de gol, e chegou a ouvir gritos de "olé" da torcida adversária. O resultado fez o Inter cair para o sétimo lugar na classificação. Pior que isso, das catorze rodadas da Série B disputadas até agora, o Inter só figurou na zona de classificação para a Primeira Divisão em quatro delas. A atuação do Inter foi constrangedora. Contra um adversário muito limitado, o Inter não teve nenhuma harmonia coletiva, nem destaques individuais. Em momento algum do jogo o Inter mostrou obstinação em busca do resultado positivo. Se as atuações contra Criciúma e Ceará davam indícios de um crescimento técnico do Inter, a de hoje foi de deixar o torcedor desalentado. O que parecia impossível, o Inter não subir para a Primeira Divisão, já é algo para ser, no mínimo, cogitado.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Cenário aterrador

Diante de um presente tão pavoroso, o que se pode projetar para o futuro do Brasil? Nada de bom, por certo. Um cenário aterrador é o que está se desenhando. As eleições  de 2018 poderão dar a cadeira de presidente para nomes como Jair Bolsonaro e João Dória Júnior. Bolsonaro seduz incautos com a defesa da truculência e da repressão como formas de colocar o país "em ordem". Dória, numa época de repúdio aos políticos, apresenta-se como alguém que não pertence ao meio e que, portanto, não tem os seus vícios, o que é uma fraude, mas que é tida como verdade por desavisados. A esquerda precisa construir uma candidatura que lhe dê viabilidade eleitoral, se o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva não puder concorrer. O tempo até lá é curto, e por isso mesmo, há que agir rápido para não permitir que o projeto de demofobia da direita seja legitimado pelas urnas. A esquerda precisa de um plano B, para salvar não só a si mesma, mas ao próprio país. Se o futuro se apresenta tão ameaçador, é necessário, pelo menos, sustentar a esperança de que ele possa ser melhor. Essa tarefa, urgente e intransferível, é da esquerda brasileira.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Reabilitação

A derrota para o Avaí, em plena Arena, havia sido a terceira consecutiva no Campeonato Brasileiro, o que obrigava o Grêmio a buscar uma reabilitação na competição. Pois ela veio, de maneira grandiosa, com a vitória de 1 x 0 sobre o Flamengo, hoje, na Ilha do Urubu. O Grêmio fez seu gol ainda no primeiro tempo, marcado por Luan, e soube sustentar o resultado até o final, sob intensa pressão do Flamengo. A postura adotada pelo Grêmio após o gol foi arriscada, pois, no segundo tempo, se limitou, praticamente, a se defender para tentar manter o resultado. Ainda assim, Luan perdeu a chance de ampliar o placar, num rápido contra-ataque. A surpresa positiva do jogo foi o goleiro Léo, que fez duas grandes defesas, uma em cada tempo do jogo. Léo cometeu, também, um descuido incrível, que quase redundou no gol de empate do Flamengo, mas isso deve ser creditado á sua inexperiência, e não deslustra o seu bom desempenho. Com a vitória, o Grêmio retomou o segundo lugar isolado do Brasileirão. O Corinthians segue distanciado na liderança, com dez pontos e três vitórias a mais, mas o Grêmio voltou a ser o seu perseguidor mais direto. O Grêmio retornou ao caminho das vitórias, e segue com chances de título nas quatro competições que disputa.