sábado, 18 de fevereiro de 2017

Os cem anos de uma revolução que mudou o mundo

Há cem anos, na data de hoje, tinha início a revolução bolchevique. Seus efeitos se fariam sentir pelas sete décadas seguintes. Não cabe, no seu centenário, analisar os meandros de sua trajetória, seus erros e acertos. O que deve ser destacado é o ideal que moveu a eclosão do movimento. O que se buscava era um mundo com mais justiça e paz. A União Soviética legou para a história um país sem desemprego, sem a miséria tão presente nos tempos do império, educação e saúde gratuitas para toda a população, ausência de inflação. O fim da Revolução Russa não significa a morte dos ideais que lhes inspiraram. O humanismo e igualitarismo que caracterizaram os seus primeiros tempos são aspirações permanentes dos povos. Num momento em que o mundo se depara com a prevalência de ideias retrógradas e injustiças crescentes contra os menos favorecidos, os ideais humanistas mostram-se mais atuais e necessários do que nunca. Enganam-se os que pensam que o fim da União Soviética representou o triunfo definitivo do capitalismo. O sonho de se construir um mundo humano e fraterno é atemporal, e seguirá sendo acalentado em contraponto à desigualdade perversa do capitalismo.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

A coragem de Raduan Nassar

Um dos maiores escritores brasileiros vivos, Raduan Nassar não deixou por menos ao se pronunciar na cerimónia em que foi agraciado com o Prêmio Camões. Nassar disse que o Brasil vive tempos sombrios, e qualificou o impeachment da presidente Dilma Rousseff como um golpe. A coragem de Raduan Nassar é um exemplo para todos os intelectuais brasileiros. Cabe a eles se pronunciar, vigorosamente, contra um governo ilegítimo e carregado de demofobia. O ministro da Cultura, Roberto Freire, rebateu as colocações de Nassar de forma grosseira, e foi vaiado pelos presentes. Após o episódio, o governo federal tentou, mais uma vez, imputar a culpa de uma manifestação contrária nas costas do PT. Ao contrário do quer fazer crer o governo, as vaias contra Roberto Freire não foram fruto de uma ação orquestrada. Foi a reação natural de quem ouviu grosserias vindas de um membro do governo golpista contra um renomado escritor. Tomara que o pronunciamento de Nassar não seja um fato isolado, e que sirva de inspiração para a luta pela restituição da normalidade democrática no Brasil.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Cartas marcadas

O julgamento de hoje no TJD da Federação Gaúcha de Futebol escancarou algo que já acontece há muito tempo, ou seja, que a instituição que deveria reger equanimemente a modalidade no Rio Grande do Sul, é um feudo do Inter. Não bastassem os árbitros e seus "erros humanos", que sempre beneficiam o Inter, o TJD é um órgão que julga em desacordo com os fatos, sempre no intuito de impedir que o clube sofra qualquer penalização mais forte. Diante das cenas de selvageria que foram vistas em Veranópolis, protagonizadas por duas torcidas do Inter, a imputação ao clube de uma pena pecuniária de baixo valor, sem perdas de mandos de campo, é um acinte. No âmbito da Federação, a administração do futebol é um jogo de cartas marcadas, que tem o Inter como único beneficiário.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Desempenho preocupante

Como era esperado por todos, o Inter estreou na Copa do Brasil vencendo o Princesa do Solimões, e se classificou para a próxima fase da competição. Porém, mesmo tendo vencido por 2 x 0, o Inter teve um desempenho preocupante, capaz de tirar o sono do seu torcedor. O primeiro tempo ficou no 0 x 0, e o modesto Princesa do Solimões ainda foi prejudicado com a não marcação de um pênalti escandaloso a seu favor. Os gols só saíram no segundo tempo, marcados por jogadores que começaram a partida no banco de reservas, Valdivia e Brenner. O Inter apenas cumpriu com sua obrigação, diante de um adversário que não entrava em campo, oficialmente, desde outubro, e que abriu mão de jogar em casa, transferindo a partida para Cascavel, no interior do Paraná, um reduto de gaúchos, em troca de uma quantia em dinheiro. O clube amazonense mostrou bravura e aplicação em campo, mas o prejuízo causado pela arbitragem quando o jogo ainda estava com o placar em branco, e suas limitações técnicas e físicas, não lhe permitiram melhor sorte. Para o Inter, fica a certeza de que o caminho até que consiga apresentar um futebol convincente será muito longo e penoso.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Decadência

O desempenho do Barcelona na temporada 2016/2017 já não repetia os de anos anteriores, mas a goleada de 4 x 0 sofrida para o Paris Saint Germain, hoje, no Parc de Princes, pela Champions League, parece indicar algo mais que uma simples queda de rendimento. Sensação do futebol mundial nos últimos anos, o Barcelona pode estar em decadência. O trio MSN, Messi, Suarez e Neymar, está produzindo menos. Messi, nos dois últimos anos, perdeu a eleição de melhor jogador do mundo para Cristiano Ronaldo. Neymar não tem conseguido fazer gols. Só Suarez tem mantido a sua regularidade. Alguns jogadores como Busquets e Iniesta acusam o desgaste dos muitos anos de continuidade no time. No futebol, é difícil um time obter um ciclo vitorioso que seja muito longo. Com a atual base de time, o Barcelona, provavelmente, atingiu o seu limite. A partir da próxima temporada, o Barcelona terá que mexer mais na sua fotografia, para tentar retomar sua condição de melhor time do mundo.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

A volta da pobreza

Crises políticas geram consequências danosas bem maiores que o simples embate ideológico. Os que mais perdem são os menos favorecidos na pirâmide social. O golpe que destituiu uma presidente legitimamente eleita e colocou no poder um bando de corruptos já está apresentando a sua conta, com a volta da pobreza para 3,6 milhões de brasileiros. Sim, esse contingente de pessoas que haviam sido resgatadas da penúria pelos governos de Luís Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, e tido acesso a recursos e confortos que antes lhes eram vedados, retornaram á sua condição anterior. Essa é uma consequência direta da demofobia implantada pelo governo golpista. Um governo ilegítimo, sem compromisso com eleitores, pois não recebeu um único voto. O país está vivendo o maior retrocesso político da sua história. A associação dos interesses do grande capital com a escória política brasileira está destruindo conquistas dos trabalhadores construídas ao longo de décadas. A despolitização e a imbecilidade de amplos setores da classe média brasileira, que saiu às ruas para pedir o golpe, estão levando o Brasil para o abismo. O pior é que essa mesma classe média também será duramente atingida pelas medidas do governo golpista, com perdas de direitos trabalhistas e previdenciários. O mais espantoso é que, ainda assim, esses grupos não manifestem arrependimento pela atitude que tomaram. Será que é por vergonha, ou por que são tão estúpidos que ainda não perceberam o desastre que causaram? As ruas continuam vazias, e não se ouvem panelas sendo batidas. Até quando os apoiadores do impeachment permanecerão em silêncio enquanto são levados para o cadafalso? Está na hora deles voltarem às ruas para se somarem a todos os que querem a restituição da ordem democrática no Brasil.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Pouco futebol

A reabilitação do Grêmio, após duas derrotas, era imprescindível, e ela aconteceu. O Grêmio venceu o Passo Fundo por 1 x 0, hoje, na Arena, pelo Campeonato Gaúcho, resultado que o deixou na liderança provisória da competição. No entanto, o Grêmio mostrou pouco futebol. O único gol do jogo aconteceu nos acréscimos do primeiro tempo. Um golaço de Ramiro. Porém, o Grêmio fez pouco mais do que o gol. O resultado só não foi ameaçado porque o Passo Fundo foi tímido no ataque e, no final do jogo, mostrou falta de preparo físico. Bolanos teve boa atuação, mas o restante do time deixou a desejar. Leonardo Moura apresentou um desempenho pálido. Jailson ainda não demonstrou que pode substituir Walace. Luan, mais uma vez, esteve apagado. Se tem ambição de ganhar títulos em 2017, o Grêmio terá de acrescentar reforços tanto para o time titular como para o banco.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Sem vencer

Não é nada boa a campanha do Inter no Campeonato Gaúcho. O Inter continua sem vencer na competição. Em três jogos foram dois empates e uma derrota. Como agravante, há o fato de que dois desses três jogos foram no Beira-Rio. Hoje, mesmo jogando em casa, o Inter apenas empatou em 1 x 1 com o Caxias. O jogo foi equilibrado, mas quando D'Alessandro fez 1 x 0 aos 29 minutos do segundo tempo parecia que a partida teria o Inter como vencedor. Foi uma falsa impressão. Seis minutos depois, o Caxias empatou o jogo. Daí em diante, mesmo pressionado pelo Inter, o Caxias sustentou o resultado. O Inter segue ocupando o décimo lugar entre doze clubes no campeonato estadual. Nem mesmo os 100% de aproveitamento na Primeira Liga servem para amenizar o mau desempenho na disputa doméstica. O Inter precisa reagir logo, ou o trabalho de remontagem do time, que está somente começando, poderá ser interrompido antes que possa colher seus frutos.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Ousadia

Falta ousadia para os dois maiores clubes do futebol do Rio Grande do Sul. Os torcedores de Grêmio e Inter devem estar com muita inveja de Palmeiras e São Paulo, que acabam de contratar, respectivamente, Borja e Lucas Pratto. Afinal, os dois atacantes dariam uma outra dimensão aos times da dupla Gre-Nal. O argumento de que faltam recursos financeiros para Grêmio e Inter não é convincente, pois se o Palmeiras os tem em abundância, o São Paulo apresenta dificuldades nesse aspecto. O Inter ainda vive a circunstância de ser um um clube que irá disputar o Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão, o que dificulta a contratação de grandes nomes. Porém, o Grêmio, que irá disputar a Libertadores, tem a obrigação de ser mais audacioso mas suas contratações. Se o São Paulo, que não vai participar da Libertadores, faz uma contratação de vulto como a de Pratto, o Grêmio não pode ser tão tímido como vem se mostrando nas suas aquisições. Se existem limitações financeiras, é preciso ter criatividade para buscar recursos. O Grêmio vendeu um titular, e perdeu outro, temporariamente, por lesão, o que impõe que vá ao mercado. Para quem tem ambição de ganhar a Libertadores, é preciso ousar.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

O pior ainda está por vir

O país assiste, estarrecido, ao caos que se instalou no Espírito Santo, e que já começa a se espalhar por seu vizinho, o Estado do Rio de Janeiro. A greve das polícias civil e militar deixou os capixabas entregues à sanha dos meliantes. As escolas suspenderam as aulas, o comércio fechou suas portas, as ruas ficaram desertas, pois as pessoas não podem sair de casa. O número de mortos pelas ações violentas sem repressão já se aproxima de duas centenas. O cenário dantesco, no entanto, não é fruto do acaso, e o pior ainda está por vir. O Brasil está sofrendo às consequências de escolhas mal feitas pelos eleitores para os governos estaduais, e de um golpe que instalou na administração federal um bando de corruptos. Uma classe média parva deixou-se levar pela sordidez da grande mídia, e começa a pagar uma conta altíssima e muito dolorosa. O mais chocante é que, com o país sendo conduzido para o abismo, não se ouvem mais panelas sendo batidas, nem avenidas são tomadas por manifestantes vestidos com a camisa da Seleção Brasileira. Os que foram as ruas pedir o impeachment de uma presidente legitimamente eleita, estão, agora, quietos, enquanto seus direitos trabalhistas e previdenciários vão sendo suprimidos pela corja que se instalou no poder. Se, como expressa o dito popular, arrependimento matasse, boa parte da população brasileira teria perecido de desgosto por suas escolhas mal feitas. Porém, outra expressão da sabedoria popular afirma que não adianta chorar o leite derramado. As consequências da insensatez dos batedores de panelas só estão começando, e o preço, pago por todos, será muito alto.