sexta-feira, 27 de janeiro de 2017
Estupidez
A nota da Fifa afirmando que só reconhece como campeões mundiais os clubes vencedores das competições que ela organizou é uma rematada estupidez. Desde os anos 60, os campeões sul-americanos e europeus se enfrentavam em jogos de ida e volta para definir um campeão mundial. Essa estrutura de disputa durou até 1979. A partir de 1980, a disputa passou a ocorrer em jogo único, no Japão, sob o patrocínio da montadora de veículos Toyota. Não faltará quem alegue que esses confrontos não poderiam ser considerados como a decisão de um título mundial, pois não contavam com representantes da África, Ásia e Oceania. O argumento é admissível, em termos conceituais, mas, na prática, a força do futebol sempre se concentrou na América do Sul e na Europa. Tanto isso é verdade que, até hoje, todas as Copas do Mundo foram ganhas por seleções sul-americanas ou europeias. A mesma situação ocorre no Campeonato Mundial de Clubes da Fifa, onde só sul-americanos e europeus ficaram com os títulos. Nada, nem ninguém, vai deslustrar as conquistas do Santos de Pelé, do Flamengo de Zico, do Grêmio de Renato, do São Paulo de Raí, todas elas anteriores á organização da competição pela Fifa. São, todos eles, campeões mundiais, reconhecidos pelo campo e pela História. O resto é conversa fiada.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2017
Monstruosidades
A simples cogitação de que instituições como o Banrisul e a Corsan possam ser privatizadas é um descalabro. Essas privatizações, caso se efetivassem, se constituiriam em monstruosidades contra os interesses do Rio Grande do Sul. Embora o secretário da Fazenda, Giovani Feltes, negue, enfaticamente, a venda do Banrisul, dois membros do governo federal ilegítimo e golpista acenam com a possibilidade. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que a privatização do banco estará na mesa da renegociação das dívidas do Rio Grande do Sul. No mesmo tom, o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, declarou que o Banrisul é a "jóia da Coroa" do Estado, e que cabe ao governador José Ivo Sartori decidir pela sua venda ou não. Fiel ao seu estilo golpista e antipopular, Padilha finge desconhecer que o Banrisul só pode ter sua venda autorizada mediante a realização de um plebiscito. O mandato de governador, ainda que obtido nas urnas, não é um cheque em branco para que o ocupante do cargo aja do modo como quiser. Para tornar a situação ainda mais repugnante, os veículos da RBS, a maior rede de comunicação do Estado, historicamente atrelados ao ideário neoliberal, começam a estimular a hipótese da venda do banco. A privatização do Banrisul é, sob qualquer argumento, inaceitável. Para impedi-la, os gaúchos não podem medir esforços e, se preciso for, devem pegar em armas para defender a instituição. O mesmo vale para a venda da Corsan. Como pode se cogitar vender a companhia de abastecimento de água da população? A água é um direito de todos, não é um "produto". O governo Sartori está destruindo o Rio Grande do Sul, e permanecer complacente diante disso é inaceitável. O povo do Rio Grande do Sul precisa dar um basta nessa situação de qualquer maneira, até mesmo, partindo para a rebelião.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2017
Os 90 anos de Tom Jobim
Na data de hoje, se vivo fosse, Tom Jobim completaria 90 anos. Tom, que se chamava Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, trazia, como se vê, a nacionalidade estampada no próprio nome. Ele é um dos maiores brasileiros de todos os tempos, mas não tem, em seu país, um reconhecimento equivalente à sua importância. "Garota de Ipanema", que compôs em parceria com Vinícius de Moraes, é a segunda música de maior sucesso na História, só atrás de "Yesterday", dos Beatles. Em 1964, no mesmo ano da explosão da Beatlemania, "Garota de Ipanema" ganhou o Grammy de melhor canção do ano. A obra de Tom Jobim, no entanto, não se resumiu a esse megasucesso. Com diferentes parceiros, ou sozinho, Tom criou outras pérolas como "Desafinado", "Eu sei que vou te amar", "Insensatez", "Águas de março", entre tantas outras. Tom Jobim é um ícone da música, cuja obra merece ser, sempre, reverenciada.
O jogo da solidariedade
A Seleção Brasileira, formada apenas com jogadores que atuam no país, venceu a Colômbia por 1 x 0, hoje, no Engenhao, em jogo amistoso cuja renda será destinada às famílias das vítimas da queda do avião que transportava a delegação da Chapecoense, em novembro. Foi o jogo da solidariedade, antes de tudo. O resultado e o desempenho das equipes pouco importavam. Ainda assim, não foi um "jogo de compadres", pois teve um vencedor. O fato negativo foi que o estádio não lotou. Por sua localização, numa zona insegura e não servida por metrô, o Engenhao não era o estádio ideal para a realização da partida. A arrecadação, que foi de pouco mais de um milhão de reais, poderia ter sido bem maior em outro estádio. Valeu pelo gesto das duas seleções, que deram continuidade a uma corrente de auxílio aos familiares das vítimas do desastre aéreo que há de prosseguir com outras ações.
terça-feira, 24 de janeiro de 2017
Começou
Para os grandes clubes do país, o futebol valendo pontos, em 2017, começou hoje. A segunda edição da Primeira Liga teve início com o Fluminense vencendo o Criciúma por 3 x 2, de virada. Primeiro campeão da competição, o Fluminense saiu perdendo, mas virou o placar, ampliou o marcador e, depois, sofreu outro gol. Foi o começo das competições envolvendo os maiores clubes do país, que se intensificará, no fim de semana, com o início dos principais campeonatos estaduais. Depois das férias e da pre-temporada, chegou a hora do futebol para valer, como gostam os torcedores. O trabalho de formação dos grupos de jogadores, feito pelos dirigentes durante o período de recesso do futebol, será, a partir de agora, posto à prova. Para quem gosta de futebol, não faltarão emoções ao longo do ano, pois o calendário dos grandes clubes terá muitas disputas, e a Seleção Brasileira jogará suas últimas partidas pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018, na Rússia. Prepare o seu fôlego, e divirta-se.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2017
O fim da era Bernie Ecclestone
A Fórmula 1 está mudando. Seu controle foi adquirido pelo grupo americano Liberty Media. A primeira grande consequência da nova ordem foi anunciada hoje. Depois de 40 anos, é o fim da era Bernie Ecclestone na F1. Nesse periodo, ele foi o manda chuva da principal categoria do automobilismo mundial. Sob sua liderança, a F1 cresceu economicamente, expandiu suas fronteiras geográficas, aumentou o número de corridas do calendário, tornou-se um espetáculo global. Porém, nos últimos anos, a categoria tem perdido força. A escassez de grandes ídolos, e a pouca competitividade, com o predomínio de uma equipe sobre as demais, como ocorre atualmente com a Mercedes, fizeram o interesse do público pela Fórmula 1 decair. Uma série de mudanças nos carros e no regulamento ocorrerá já no campeonato de 2017. Bernie Ecclestone, de 86 anos, deverá ter um cargo honorífico na nova administração, mas não irá mais ditar os rumos da Fórmula 1. Uma mudança se fazia necessária para revitalizar a Fórmula 1. Ela já começou. Se será para melhor, só o tempo poderá revelar.
domingo, 22 de janeiro de 2017
Sem papas na lingua
Duas entrevistas de profissionais do Grêmio produziram impacto nos últimos dias. O zagueiro Geromel e o técnico Renato se mostraram sem papás na língua. O primeiro a se pronunciar foi Geromel. Ele cobrou dos dirigentes a formação de um grupo mais qualificado, e lembrou que o Grêmio perdeu o Campeonato Gaúcho e foi eliminado precocemente na Libertadores, em 2016, quando ficou sem alguns jogadores fundamentais e não tinha uma reposição a altura. Geromel destacou que, mesmo na Copa do Brasil, que acabou ganhando, o Grêmio enfrentou dificuldades na campanha, e que sua colocação final no Campeonato Brasileiro não foi boa. Renato, um dia depois, foi no mesmo tom. Revelou que, antes de sair de férias, deixou tudo "mastigadinho" para os dirigentes quanto às contratações a serem feitas. Entre as indicações de Renato estavam a de dois jogadores "top", que não vieram em razão das limitações financeiras do Grêmio. O técnico disse que todos os jogadores contratados até aquele momento tinham vindo com o seu aval, com exceção de Beto da Silva, que foi uma iniciativa da diretoria que ele abraçou. As declarações de Geromel e Renato colocam os dirigentes do Grêmio contra a parede. Eles agiram assim porque sabem que tem cacife para tanto. A verdade é que o departamento de futebol do Grêmio está deixando a desejar na sua política de contratações. Os torcedores esperavam por nomes de maior expressão, principalmente por ser um ano em que o clube disputará a Libertadores. O vice-presidente de futebol, Odorico Roman, até agora, não mostrou um desempenho compatível com o cargo. A velha cantilena da falta de recursos financeiros não pode mais servir de escudo para uma ação tão tímida na aquisição de reforços de qualidade. Os outros clubes brasileiros que participarão da Libertadores estão se mostrando bem mais ousados nas suas contratações. Se o Grêmio não modificar a sua postura quanto aos reforços, o único título ao seu alcance, em 2017, será o do Campeonato Gaúcho.
sábado, 21 de janeiro de 2017
Retorno
Numa partida carregada de simbolismos, a Chapecoense fez, hoje, o seu retorno ao futebol, 52 dias depois do acidente aéreo em que morreram 19 jogadores do clube. O amistoso com o Palmeiras, na Arena Conda, terminou empatado em 2 x 2, mas isso pouco importa. A volta da Chapecoense aos gramados, num jogo em casa, diante da sua torcida, é o fato verdadeiramente relevante. O estádio, como não poderia deixar de ser, estava lotado. A emoção tomava conta do ambiente. Os três jogadores que sobreviveram ao acidente, Follmann, Neto e Alan Ruschel, estavam presentes. O radialista Rafael Henzel, outro sobrevivente do desastre, voltava a narrar um jogo da Chapecoense, pela emissora em que trabalha. A taça de campeã da Copa Sul-Americana foi entregue à Chapecoense. Familiares dos jogadores falecidos receberam medalhas. A dor pelas perdas sofridas no acidente permanece, mas a vida impõe que se siga em frente. A Chapecoense está de volta ainda ferida, mas com o estímulo de um futuro cheio de desafios pela frente.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2017
Cem anos de samba
O dia de hoje marca o centenário do lançamento do disco "Pelo Telefone", composição de Donga e Mauro de Almeida, considerado o primeiro samba gravado no Brasil. Os cem anos de samba no Brasil merecem ser efusivamente festejados em todo o país. O samba sempre foi vítima do preconceito das pseudoelites brasileiras, mas está enraizado no gosto de camadas enormes da população, e exerce grande sedução nos estrangeiros. Ao longo do tempo, notáveis sambistas nos brindaram com magníficas composições. Nomes como Noel Rosa, Nélson Cavaquinho, Cartola, João Nogueira, Martinho da Vila, criaram clássicos do gênero. O samba possui várias vertentes. Há o samba-canção, o de enredo, o partido alto, o de breque, todos bons, dentro do seu estilo. Como expressa parte da letra de um clássico do gênero, quem não gosta de samba, bom sujeito não é, é ruim da cabeça ou doente do pé.
O pesadelo que se tornou realidade
Donald Trump tomou posse, hoje, como presidente dos Estados Unidos. O pesadelo que se tornou realidade é a melhor definição que se pode dar para esse fato. Trump é a expressão do que a política pode gerar de pior, pois é racista, xenófobo, machista e arrogante. Sua chegada ao poder representa um enorme retrocesso para a democracia de seu país, e é uma ameaça para o mundo. Mais uma vez, o estapafúrdio sistema americano, que se utiliza de um colégio eleitoral em vez da maioria simples de votos para eleger seu presidente, gera um resultado desastroso Trump teve menos votos totais que Hillary Clinton, mas venceu a eleição, repetindo o que ocorreu quando George Walker Bush se elegeu presidente, em detrimento de Al Gore. Na ocasião, Gore fez 500 mil votos a mais que o seu oponente, mas perdeu a eleição. Dessa vez, o descalabro foi ainda maior, pois Hillary Clinton fez três milhões de votos a mais que Trump. O exótico sistema eleitoral americano se sustenta na alegação de que busca evitar a escolha de um aventureiro ancorado no voto da maioria. Conversa fiada. O princípio que norteia um sistema como esse é o preconceito em relação às escolhas populares, o que põe por terra a ideia amplamente disseminada de que os Estados Unidos possuem a maior democracia do mundo. Tudo o que esse método consegue gerar é a eleição de energúmenos como George Walker Bush e Donald Trump, com consequências desastrosas para o mundo inteiro. Com a posse de Trump, convém se preparar para anos turbulentos e sombrios, dentro e fora dos Estados Unidos.
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