terça-feira, 20 de dezembro de 2016
Rompendo barreiras
Os tempos, decididamente, são outros. Mesmo em meio a uma onda conservadora que se abate sobre o país, as pessoas seguem rompendo barreiras, numa prova de que, em matéria de costumes e comportamentos, a História não caminha para trás. As situações formais e os ambientes mais vetustos não estão a salvo dos protestos de quem se sente discriminado. Talles Oliveira Faria, de 24 anos, compareceu à sua formatura no Instituto Tecnológico da Aeronáutica, uma das mais respeitadas instituições de ensino do país, cujo nível de exigência dos conteúdos é extremamente rigoroso, trajando vestido e salto alto. Talles é homossexual assumido e agiu dessa maneira para protestar contra as pressões e constrangimentos que sempre sofreu em razão da sua condição, e que lhe custaram a interrupção da carreira militar. Pode-se até achar que Talles exagerou ao se apresentar assim numa cerimônia tão solene, mas essa é uma demonstração de que as pessoas não se deixam mais oprimir em silêncio, como ocorria num passado nem tão remoto . Para os que sonham com a volta de uma sociedade autoritária, submetida a todo o tipo de censura, saibam que isso é, apenas, um delírio. A consciência de cidadania se expandiu, a busca pelos direitos humanos fundamentais se ampliou. Como diria Caetano Veloso, num trecho de sua composição "Muito Romântico": "Nenhuma força irá me fazer calar. Faço no tempo soar minha sílaba". Gostem muitos ou não, o mundo, agora, é, também, de pessoas como Talles, para desconsolo dos Bolsonaros da vida.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2016
Demofobia
O Rio Grande do Sul e o Brasil estão sendo vítimas da demofobia praticada pelos seus governos. Em nome do enfrentamento da crise econômica, medidas lesivas aos interesses da maioria do povo brasileiro são enviadas à Assembleia Legislativa e ao Congresso Nacional. Em busca, alegadamente, da "austeridade" nas contas públicas, os projetos levados à apreciação dos parlamentares estaduais e federais propõem o fim de conquistas e direitos históricos da população nos campos trabalhista e previdenciário. No Rio Grande do Sul, o governador José Ivo Sartori chega ao cúmulo de propor a oficialização do calote, ou seja, a autorização para pagar os salários do funcionalismo público de forma parcelada. O presidente Michel Temer quer fazer uma reforma da Previdência Social que obrigue as pessoas a trabalharem durante 49 anos para obter a sua aposentadoria se forma integral. São apenas dois exemplos dos sacos de maldades preparados pelos dois governantes, esfolando o povo sem ameaçar os privilégios dos setores dominantes da sociedade. No caso do Rio Grande do Sul, a votação do pacote de perversidades de Sartori começou hoje, e houve confronto entre servidores e a Brigada Militar. O Brasil está vivendo a pior crise política de sua história. A pressão popular e o que ainda reste de consciência dos parlamentares são a única chance de se evitar a aprovação de medidas tão lesivas aos trabalhadores. No caso de Temer, a melhor saída seria pôr um fim ao seu governo, já que ele chegou ao poder pela via do golpe e tem um índice alarmante de impopularidade. Sartori, ao contrário de Temer, alcançou o poder pelas urnas. Porém, isso não significa o recebimento de um cheque em branco para massacrar os direitos dos trabalhadores. Os próximos dias serão decisivos para o Rio Grande do Sul e o Brasil. A marcha conservadora que assola o país não pode destruir com o futuro dos brasileiros. Só a ampla mobilização da sociedade será capaz de evitar o pior.
domingo, 18 de dezembro de 2016
Dificuldades
O que se prenunciava como um jogo previsível e tedioso, acabou sendo uma partida surpreendente e agradável. O Real Madrid confirmou a expectativa de ganhar o título do Campeonato Mundial de Clubes, mas enfrentou muitas dificuldades para vencer o Kashima Antlers, hoje, em Yokohama, o que ninguém esperava. Ao abrir o placar logo aos nove minutos de jogo, o Real Madrid reforçou a ideia de que poderia até golear o seu adversário. Nada disso. Com gols no final do primeiro tempo e no início do segundo, o Kashima Antlers virou o jogo. Sofreu o empate pouco depois, mas sustentou o resultado até o final, levando o jogo para a prorrogação. No final da partida, o Kashima Antlers foi seriamente prejudicado pela arbitragem, que não expulsou o zagueiro Sergio Ramos, do Real Madrid. Sérgio Ramos já tinha um cartão amarelo, e deveria receber o segundo, por ter cometido uma falta violenta. Na prorrogação, a lógica se impôs, e o Real Madrid marcou mais dois gols, chegando ao placar final de 4 x 2. O Real Madrid comprovou o seu favoritismo, mas o Kashima Antlers portou-se de maneira muito digna, e perdeu de cabeça erguida.
sábado, 17 de dezembro de 2016
Simulacro
O Brasil vive um momento terrível em sua história. O governo, que deveria guiar os rumos do país, não passa de um simulacro. O presidente finge governar, enviando medidas ao Congresso Nacional e editando pacotes, mas sua fragilidade é gritante. Michel Temer chegou ao poder por um golpe. Seu índice de impopularidade é alarmante. Ao contrário do que pregavam os defensores do impeachment da presidente Dilma Rousseff, o país não obteve nenhuma melhora com Temer. Cresce, mesmo entre os apoiadores do golpe, a ideia de que Temer deva renunciar. Ninguém no atual governo possui a mínima credibilidade. O presidente e sua equipe estão envoltos em denúncias de recebimento de propinas. Na verdade, o Brasil está à deriva. A solução mais adequada para o quadro atual seria a destituição de Temer e a convocação de eleições diretas. A saída de Temer, seguida da escolha de um novo presidente pela via indireta, feita por um Congresso Nacional corrupto e desmoralizado seria a consumação do caos. Eleições diretas, o quanto antes! Só assim o país poderá ter um governo com legitimidade para enfrentar as muitas dificuldades que o assolam.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2016
Auxílio eletrônico
O que muitos desejavam está sendo; finalmente, posto em prática pela Fifa, com a utilização do recurso de vídeo em auxílio à arbitragem. A experiência está ocorrendo no Campeonato Mundial de Clubes, cuja disputa se encerrará domingo, no Japão. Até agora, a utilização do recurso tem recebido muitas críticas da imprensa, pois os árbitros tem se mostrado muito confusos na sua aplicação. Apressadamente, muitos já defendem que a ideia não dará certo, e que deve ser abandonada. O meia Modric, do Real Madrid, por exemplo, pediu para que acabem com o recurso de vídeo, pois argumentou que "isso não é futebol ". Discordo frontalmente dos críticos apressados e de Modric. Sempre desejei que chegasse o dia em que, com a utilização de imagens, se pudesse evitar ou corrigir os erros grosseiros de arbitragem que desfiguram e desqualificam o futebol. Particularmente, sempre considerei o erro de arbitragem que influencia no resultado de um jogo o que há de mais abominável no futebol. O fato de as primeiras experiências com o auxílio de imagens para a arbitragem estarem sendo confusas não é motivo para a ideia ser deixada de lado. Como é algo novo, é natural que, no início, haja dificuldade na aplicação do recurso. O único erro da Fifa foi fazer o teste dessa nova alternativa numa competição de tamanha visibilidade. Melhor seria ter testado a ideia em competições de menor relevância. O recurso no entanto, deve ser aperfeiçoado, para que, em pouco tempo, seja definitivamente agregado ao futebol. O futebol, pelas paixões que o envolvem, e pelos interesses que desperta, precisa ter a garantia de que os resultados dos jogos sejam limpos, sem erros grosseiros de arbitragem. Para isso, o auxílio eletrônico à arbitragem é fundamental. Cabe, apenas, fazer o seu aprimoramento.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2016
Parece que foi ontem
Na data de hoje completam-se 20 anos da conquista do segundo título de campeão brasileiro do Grêmio. Mais uma data "redonda" que merece ser reverenciada. O tempo transcorreu muito rápido. Parece que foi ontem. Foi o último grande feito odo Grêmio na era Felipão, técnico sob cujo comando o clube só não obteve o título mundial, ganhando todos os demais. Foi uma conquista dura, sofrida. O Grêmio havia perdido o primeiro jogo da decisão para a Portuguesa, em São Paulo, por 2 x 0. Para ser campeão, precisava devolver o placar na segunda partida, no Olímpico. A Portuguesa tinha um grande time, no qual se destacavam nomes como Ze Roberto, que ainda está em atividade aos 42 anos, e Rodrigo Fabri. Porém, o Grêmio também era um time de grandes jogadores. Nomes como Danrlei, Arce, Adílson, Roger, Dinho, Paulo Nunes, faziam do Grêmio um conjunto vocacionado para ganhar títulos. Paulo Nunes, então jogando como um falso centroavante, após a saída de Jardel do clube, abriu o placar logo aos três minutos de jogo, levando todos a imaginar que o objetivo seria alcançado com facilidade. Nada disso. A Portuguesa soube recompor-se do golpe, e foi sustentando a derrota por 1 x 0, resultado que era suficiente para que obtivesse o título. A partida já se aproximava, perigosamente, do final quando, aos 39 minutos do segundo tempo, Aílton, um jogador que recém havia entrado em campo, e que não contava com a simpatia da torcida, marcou o gol do título. Um título inesquecível, que merece ser destacado quando se completam duas décadas da sua conquista.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2016
Resultado surpreendente
O Nacional de Medellín atraiu a simpatia dos brasileiros pela solidariedade demonstrada com a Chapecoense no desastre aéreo que vitimou sua delegação. Os dois clubes decidiriam entre si a Copa Sul-Americana. Em função do trágico acontecimento, o Nacional solicitou à Conmebol que a Chapecoense fosse oficializada como campeã da competição que não pôde ser decidida, sugestão que foi acatada. Os belos gestos do clube colombiano fizeram com que ele ganhasse o apoio dos brasileiros na sua participação no Campeonato Mundial de Clubes. Hoje, no entanto, a torcida pelo Nacional transformou-se em frustração. Num resultado surpreendente, o Nacional foi goleado por 3 x 0 pelo Kashima Antlers, atual campeão japonês, e está fora da decisão do Mundial. O jogo será lembrado, também, pelo pênalti que resultou no primeiro gol, marcado após a observação do lance no vídeo. Esse lance, provavelmente, desestabilizou o Nacional, que dominava o jogo e perdia muitas chances de gol. Com o clube colombiano fora da decisão, a conquista do Mundial deverá ficar ainda mais fácil para o Real Madrid, que, amanhã, enfrentará o América do México na outra semifinal, num jogo em que a possibilidade de ocorrer uma surpresa é quase nula. Por outro lado, o atual formato da competição deveria ser repensado pela Fifa. Não há sentido na participação de um clube na condição de campeão do país sede, como é o caso do Kashima Antlers. Uma disputa que define o campeão mundial de clubes só deveria contar com a participação dos campeões continentais.
terça-feira, 13 de dezembro de 2016
Recomeço
O Inter não tem tempo a perder. Por isso, embora o presidente eleito do clube, Marcelo Medeiros, só vá tomar posse no dia 3 de janeiro, sua administração, na prática, já começou. Hoje, o Inter apresentou o seu novo técnico, Antônio Carlos Zago. Não se trata de uma unanimidade, pois Zago sofre restrições de boa parte da torcida, que gostaria de um técnico de maior nome. Porém, Zago está longe de ser um erro, pois veio do Juventude, e disputou o Campeonato Brasileiro da Terceira Divisão, onde enfrentou uma realidade bem próxima da que irá encarar na Série B. Sua contratação demonstra que o Inter soube assimilar rapidamente o contexto que o espera em 2017. Ninguém pode garantir que vá dar certo, mas é uma aposta válida.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2016
Pobreza técnica
As tradicionais premiações entregues ao final de cada edição do Campeonato Brasileiro, revelaram, em 2016, a pobreza técnica que caracteriza o futebol do país na atualidade. A "Bola de Prata", promovida pelos canais ESPN, e a premiação oficial da competição, realizada pela CBF, apresentaram uma seleção final com maioria acentuada de jogadores do Palmeiras, o que é natural pela grande campanha que o clube realizou na conquista do título, mas a listagem, em si, não apresenta nomes de um nível superior de qualidade. Com exceção de Gabriel Jesus, nenhum dos jogadores premiados exibe a condição de craque. Na "Bola de Prata", por exemplo, ao longo dos 46 anos de existência do prêmio, foram agraciados jogadores como Renato, Zico, Ancheta, Figueroa, Paulo Isidoro, Falcão, Marinho Chagas, Leão, Paulo César Caju, entre outros. Na seleção de 2016, aparecem nomes como o do goleiro Jailson, do Palmeiras, que, aos 35 anos, participou pela primeira vez de um Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão. Os volantes Tche-Tche e Moisés, também do Palmeiras, eram dois ilustres desconhecidos até pouco tempo. Marinho, que teve um excelente desempenho pelo Vitória, esteve em alguns clubes grandes, e não se firmou. O Campeonato Brasileiro, pelo número de grandes clubes que dele participam, é, sempre emocionante. Porém, se há emoção, falta qualidade. Seja como for, parabéns aos jogadores premiados, com destaque para o zagueiro Geromel, do Grêmio, ganhador da Bola de Prata pelo segundo ano consecutivo.
domingo, 11 de dezembro de 2016
Rebaixado
O Inter está rebaixado para a Segunda Divisão. Era um fato esperado, mas nem por isso dói menos no torcedor. Afinal, a torcida sempre acredita que algo mágico vai acontecer e o pior será evitado. O empate em 1 x 1 com o Fluminense, no Giulite Coutinho, determinou a queda do Inter, inapelavelmente. O empate entre Sport e Figueirense, que perdurou durante todo o primeiro tempo, dava ao Inter a condição de, vencendo o Fluminense, escapar do rebaixamento. Porém, o Fluminense é que pressionava em busca do gol, e, inclusive, desperdiçou um pênalti. Logo no início do segundo tempo, o Sport abriu o placar na Ilha do Retiro, o que tirava do Inter qualquer chance de classificação. Para consumar a queda do Inter, o Fluminense também fez um gol. Ainda aconteceria o empate do Inter, mas ele ocorreu no final do jogo, e de nada serviu em termos práticos. Os dirigentes do Inter, depois de todas as manobras possíveis fora de campo para evitar o rebaixamento, admitiram a culpa pelo que ocorreu. Agora, o Inter terá de recomeçar em outra perspectiva. Seu novo técnico, tudo indica, será Antônio Carlos Zago, que estava no Juventude. Será a sua primeira chance num grande clube. Uma aposta, mas que poderá ser bem sucedida. O período de férias, que agora se inicia, veio bem a calhar para o Inter, que terá um tempo para assimilar a dor da queda. Depois, quando a bola voltar a rolar, não haverá tempo para lamentações, e o retorno á Primeira Divisão será uma obrigação.
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