segunda-feira, 16 de maio de 2016

Cauby Peixoto

O Brasil perdeu, ontem, o talento de Cauby Peixoto, um dos grandes cantores da história do país. Cauby faleceu aos 85 anos, vítima de uma pneumonia. Cauby foi um personagem único na música brasileira. Dono de um vozeirão, Cauby sempre foi reconhecido por sua excelência como cantor. Ainda que, por vezes, fosse um tanto caricato e mostrasse um certo histrionismo em suas apresentações, nunca lhe faltou o reconhecimento do público e da comunidade artística. Cauby se manteve em atividade até os últimos dias de sua vida, numa carreira de mais de 60 anos. Seu maior sucesso foi "Conceição", gravada em 1956. Viveu o auge de sua trajetória nos anos 50, perdendo espaço com o surgimento da Bossa Nova. No entanto, se não era mais o ídolo popular que provocava histeria nas fãs, Cauby nunca foi esquecido pelo público e pela imprensa. Mesmo cantando sentado, nos últimos anos, devido á saúde frágil, Cauby nunca deixou de se apresentar em shows. Seu estilo é inconfundivel e lhe garantirá um lugar na memória do público.

domingo, 15 de maio de 2016

Fora do reino encantado

Para o senso comum, o empate do Inter com a Chapecoense em 0 x 0, hoje, no Beira-Rio, pelo Campeonato Brasileiro, foi uma surpresa. Não é verdade. Ainda que o Inter seja um clube de porte bem maior que a Chapecoense, e estivesse jogando em casa, o resultado está longe de ser surpreendente. O Inter tem um time fraco e um técnico limitado. No Campeonato Gaúcho, com as peripécias do presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Francisco Novelleto, e seus árbitros de "erros humanos", tudo de torna bem mais fácil para o Inter. Apenas uma semana após a conquista do hexacampeonato gaúcho, o Inter saiu de campo, hoje, vaiado por sua torcida. Fora do seu reino encantado, a vida é muito mais dura para o Inter.

O Grêmio continua o mesmo

Olhado de uma forma genérica, o empate do Grêmio em 0 x 0 com o Corinthians, hoje, no estádio do adversário, pelo Campeonato Brasileiro, parece um bom resultado. Afinal, o Grêmio vem de duas eliminações em poucos dias, houve mudanças no seu departamento de futebol e o jogo foi fora de casa. A impressão é enganosa. O Grêmio não apresentou nenhuma mudança na sua produção em campo, e, sendo assim, sinaliza para a continuidade da sua rotina de fracassos. A incapacidade do time de chutar no gol é absolutamente irritante. Os jogadores do Grêmio costuram demasiadamente os lances, e transferem a responsabilidade na hora do chute. Nesse item, por sinal, ninguém supera Giuliano. Ele sempre procrastina a jogada de finalização. Sem evolução dentro de campo, e com reforços contratados ou especulados que não entusiasmam ninguém, o Grêmio mostra que não aprende com os seus erros. Pelo contrário, segue repetindo-os indefinidamente. Portanto, que ninguém se iluda com o aparente bom resultado de hoje. Na prática, o Grêmio continua o mesmo.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Os protestos já começaram

No primeiro dia de um governo espúrio e golpista, os protestos já começaram. Em Porto Alegre, hoje, cinco mil pessoas realizaram o enterro da democracia. No Rio de Janeiro, milhares de pessoas se manifestaram contra o golpe, na Cinelândia. Ontem, em Porto Alegre, um protesto contra o governo ilegítimo de Michel Temer foi reprimido pelo batalhão de choque da Brigada Militar, que fez uso de gás lacrimogêneo. A sociedade brasileira não é a mesma de 1964. Ela não se comporta mais com passividade diante de golpes políticos. Michel Temer está fadado ao fracasso com o seu governo interino. Não há possibilidade realista de êxito para a sua administração. O correr dos dias irá demostrar o quanto esse governo é inviável. O Brasil mergulhou num túnel escuro, sem que se vislumbre a perspectiva de uma saída.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

A democracia sem povo

O Brasil é um país de singularidades. Há no país uma fruta que só é encontrada em seu território, a jabuticaba. O saudoso cantor e compositor Tim Maia também destacava outras peculiaridades brasileiras, como a prostituta que se apaixona, o gigolô que tem ciúme, o traficante que se vicia e o pobre que é de direita. Não política, existe uma outra singularidade brasileira que é a democracia sem povo. Os arautos do neoliberalismo, com suas propostas excludentes, se dizem defensores da democracia. A autêntica democracia é chamada por tais figuras de "populismo". O partido denominado Democratas é o antigo PFL , surgido do ventre da antiga Arena, legenda de sustentação da ditadura militar. O Partido Progressista é a própria Arena com outro nome. São partidos cuja principal característica é a demofobia, mas se autoproclamam "democrata" e "progressista". Diante disso, verifica-se uma outra característica marcante no Brasil, ainda que não seja uma exclusividade do país, que é a desfaçatez. Nesse aspecto, decididamente, somos insuperáveis.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

O pior está por vir

Consumado o golpe, e o afastamento da presidente Dilma Rousseff por 180 dias, o Brasil se prepara para o governo interino de Michel Temer. Para quem acha que a situação do país está ruim, e com base nesse argumento apoiou o golpe, é prudente se preparar, pois o pior está por vir. O Brasil está prestes a ser governado por um presidente sem voto, que jamais obteria o cargo se dependesse do veredito das urnas. Sua "tropa de choque", ou seja, seus auxiliares mais próximos, serão figuras nefastas da política brasileira, como Eliseu Padilha, Romero Juca, Moreira Franco e Gedel Vieira Lima. As ideias que já circulam como sendo as diretrizes da administração de Temer apontam para medidas que atentam contra interesses fundamentais dos trabalhadores, e contemplam as aspirações do grande empresariado. A estultice de uma parte considerável da classe média brasileira levou-a a, mais uma vez, apoiar uma ação golpista. O resultado não será diferente. Em pouco tempo, os incautos que se deixaram levar pelo discurso da direita perceberão que foram, novamente, logrados. Só lhes restará, então, chorar pelo leite derramado, o que, como se sabe, de nada adianta.

terça-feira, 10 de maio de 2016

O soldado do golpe

O Supremo Tribunal Federal, instância máxima da Justiça brasileira, tem entre seus integrantes uma figura infecta, um canalha na sua pior expressão, cujo nome é Gilmar Mendes. Único entre os onze membros do tribunal a ter sido indicado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Mendes adota um comportamento incompatível com a natureza do cargo que ocupa. Em vez da discrição que se espera de um magistrado, Mendes está em constante exposição na mídia. Age como o soldado do golpe que está em curso no país, manifestando abertamente sua oposição ao atual governo, legitimamente eleito. Diante da tentativa do governo de barrar o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, Mendes faz comentários sarcásticos e debochados, assegurando que qualquer medida nesse sentido está fadada ao fracasso. A presença de Gilmar Mendes no Supremo Tribunal Federal é um escárnio ao povo brasileiro, e evidencia a necessidade de se reverem os critérios para o preenchimento das cadeiras da mais alta corte do país.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Turbulência política

A decisão do presidente em exercício da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PP/MA) de anular a sessão da casa que determinou a admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, no dia 17/04, colocou mais lenha na fogueira da longa crise política que se abate sobre o país. A medida parecia pouco viável em termos práticos, o que acabou se confirmando no decorrer do dia. Seja como for, o anúncio da decisão causou enorme impacto e revelou que a turbulência política no Brasil está longe do fim. A imprensa conservadora insiste em apresentar o impeachment como um fato consumado, com Michel Temer assumindo como presidente na próxima quarta-feira e Dilma Rousseff sendo afastada do cargo para não mais voltar. Há quem diga, até, que surgirá uma solução para diminuir o período de afastamento legal da presidente, de 180 dias, para um prazo menor. Tudo pela ânsia de se livrar de Dilma Rousseff. Houve quem, tempos atrás, defendesse a ideia absurda de que a presidente renunciasse ao cargo, compactuando com o golpe. O que fica do gesto de Waldir Maranhão é a convicção de que muita água ainda irá rolar debaixo da ponte antes da consumação do golpe. Seja qual for o desfecho, não faltará resistência em defesa da democracia.

domingo, 8 de maio de 2016

Protocolo cumprido

Desde que se soube que Inter e Juventude fariam a decisão do Campeonato Gaúcho, a definição do vencedo da competição tornou-se, apenas, o exercício de uma formalidade. A prova disso foi que, já no primeiro jogo, no Alfredo Jaconi, o Inter foi o vencedor. O Juventude em nenhum momento mostrou ter capacidade de enfrentamento contra o seu adversário, ainda que o time atual do Inter seja muito fraco. No segundo jogo, hoje, no Beira-Rio, o Inter goleou o Juventude por 3 x 0. O protocolo, portanto, foi cumprido. Nada pode ser pior que uma decisão de campeonato entre forças díspares, em que o vencedor já é conhecido de antemão. Somando-se os jogos da decisão com o da fase classificatória, em três partidas o Inter fez cinco gols no Juventude, e não sofreu nenhum, ainda que dois deles tenham sido no Alfredo Jaconi. Tudo isso só torna ainda maior o vexame do Grêmio, que foi eliminado por esse fraco Juventude, e deixou de ganhar um campeonato que estava lhe caindo no colo.

sábado, 7 de maio de 2016

O encerramento dos campeonatos estaduais

Amanhã, ocorrerá o encerramento dos campeonatos estaduais. Até que enfim! Em várias oportunidades, escrevi, nesse espaço, de que essas competições são um anacronismo. Não faz sentido ocupar quase todo o primeiro semestre com disputas de tão poucos atrativos. A média de público dos campeonatos estaduais, muito baixa, é a prova de que as pessoas não se interessam mais por eles. Claro que os jogos de amanhã, por serem decisivos, terão um público muito bom. Porém, a festa dos vitoriosos e o choro dos derrotados não deverá durar mais do que algumas horas. Afinal, no domingo seguinte, terá início o Campeonato Brasileiro, o mais importante e qualificado do país. Poderemos, então, a cada rodada, acompanhar jogos entre os grandes clubes brasileiros, e não partidas desinteressantes deles contra clubes pequenos. Os campeonatos estaduais deveriam ser extintos, ou pelo menos sofrer uma drástica redução no seu tempo de duração. Só assim o Campeonato Brasileiro poderia ser disputado durante nove meses, a exemplo dos seus congêneres europeus, e não em seis e meio, como ocorre atualmente.