quarta-feira, 4 de março de 2015

Sorte

A sorte foi o principal fator para que o Inter vencesse o Emelec por 3 x 2, hoje à noite, no Beira-Rio, pela Libertadores. O Inter saiu na frente no placar, mas, ainda no primeiro tempo, sofreu a virada, mostrando, mais uma vez, uma defesa muito falha, mesmo que, dessa vez, fosse protegida por dois volantes de contenção, Nico Freitas e Nílton. No começo do segundo tempo, o Inter se mostrava perturbado, e o Emelec parecia à vontade no jogo. Porém, a defesa também é o ponto falho do Emelec, e, assim como ocorrera no primeiro gol do Inter, um erro na tentativa de interceptação de um lançamento propiciou o empate. Esse gol, ocorrido ainda cedo, inflamou o torcedor e o time do Inter, que passou a pressionar, ainda que de forma desordenada. Foi então que o goleiro do Emelec, até então de muito boa atuação, rebateu muito mal uma bola, para o meio da área, o que resultou no gol da vitória do Inter. Novamente, a exemplo do que aconteceu contra a Universidad de Chile, o Inter fez sua obrigação e venceu em casa. No entanto, em ambas as vezes, não convenceu, e deixa os seus torcedores com a pulga atrás da orelha sobre suas possibilidades no decorrer da competição.

terça-feira, 3 de março de 2015

Equívoco

Cada vez fica mais claro que a escolha do Catar como sede da Copa do Mundo de 2022 foi um equívoco. Cercada de suspeitas e denúncias, a designação do Catar para sediar uma Copa é algo totalmente impróprio. O Catar é riquíssimo, mas possui uma população pequena, não tem tradição no futebol, e o calor em junho e julho, meses em que a Copa normalmente é disputada, é muito forte e impróprio para a prática do futebol no país. Sabendo disso, a Fifa já propõe que a Copa no Catar seja realizada em dezembro, quando o clima é mais ameno, o que quebraria uma tradição e traria transtorno ao calendário esportivo em muitos países. Na verdade, o interesse em sediar a Copa de 2022 no Catar nada tem a ver com o futebol, e sim com o fascínio da Fifa por ganhar dinheiro. Como os governantes do Catar estão dispostos a gastar o que for necessário para fazer a Copa, a Fifa esfrega as mãos de entusiasmo. O correto, em vez de propor a mudança do período de realização da competição, seria a Fifa voltar atrás e reabrir o processo de escolha da sede da Copa. Afinal, faltam sete anos para chegarmos em 2022, e ainda há tempo para que isso seja feito.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Sem espaço para sonhos

A contratação do centroavante uruguaio Braian Rodriguez, anunciada hoje pelo Grêmio, se insere dentro da política de futebol da atual diretoria do clube, que prioriza o corte de custos em detrimento da formação de um time de qualidade. Braian tem 28 anos, rodou por vários clubes de diversos países, dos quais só o Peñarol possui a condição de grande, pertence ao Bétis, da Espanha, mas estava cedido ao Numancia, da segunda divisão daquele país. Chamou a atenção do Grêmio há dois anos, no Huachipato, do Chile, quando os dois clubes se enfrentaram pela Libertadores. Ele vem por empréstimo até junho de 2016. Sua contratação não está proibida de dar certo, mas é uma aposta, num momento em que o Grêmio carece de agregar ao seu grupo nomes de qualidade indiscutível. Porém, jogadores desse padrão custam caro e o Grêmio está preocupado em pagar contas, mesmo que isso implique em ter um time de perspectivas sombrias. O Grêmio precisava, urgentemente, contratar, e o fez, mas nada assegura ao seu torcedor que, com a chegada de jogadores desse nível, os resultados de campo possam melhorar. No Grêmio atual, não há espaço para sonhos. Para desconsolo da sua torcida.

domingo, 1 de março de 2015

Os 450 anos de uma cidade inigualável

O Rio de Janeiro, completa, hoje, 450 anos. Uma data bonita, redonda, para homenagear uma cidade inigualável, a mais linda do mundo. Não há qualquer exagero na afirmação. Só quem não a conhece pode duvidar dessa assertiva. Não é por acaso que ela é conhecida como "Cidade Maravilhosa". A natureza moldou uma geografia esplendorosa, complementada por algumas belas obras do engenho humano. Uma cidade que, afora sua beleza incomparável, é habitada por um povo de uma descontração ímpar, o que torna a experiência do visitante algo único e extremamente recompensador. Poucas cidades possuem tantos pontos e atrativos turísticos. São praias belíssimas, uma floresta urbana, um estádio de futebol mítico, o Maracanã, o bondinho do Pão de Açúcar, a estátua do Cristo Redentor, prédios históricos, o mais famoso Carnaval do mundo, uma vida cultural intensa e inúmeras atrações noturnas. Por tudo isso, depois que se vai ao Rio de Janeiro pela primeira vez, deseja-se voltar sempre e, se possível, mudar-se para lá. Se você ainda não foi, não perca mais tempo, vá de uma vez. Parabéns, Rio de Janeiro!

Empate insosso

Diante de um público razoável, com a badalada promoção da torcida mista, reunindo torcedores de Grêmio e Inter num mesmo setor, o Gre-Nal de hoje à tarde, no Beira-Rio, pelo Campeonato Gaúcho, terminou num insosso empate de 0 x 0. O Inter jogou com um time misto. Os únicos titulares escalados foram Alisson e Nilmar. O Grêmio entrou em campo com o seu time pretensamente titular. Porém, a preterição de Júnior em favor de Marcelo Oliveira, na lateral esquerda, foi absurda e injustificável. Como seria de se esperar, Marcelo Oliveira foi o pior jogador do Grêmio em campo. Araújo foi outro que não disse a que veio na partida, e foi corretamente substituído no intervalo. Giuliano, que entrou no lugar de Araújo, não conseguiu jogar bem. Entre os garotos, Walace e Lincoln foram destaques. A grande surpresa positiva no Grêmio foi Matias Rodriguez. Criticado, constantemente, por suas deficiências na marcação, foi um leão na defesa, mostrando a proverbial fibra dos jogadores argentinos. No Inter, não houve um destaque individual maior. Em resumo, um empate que não entusiasmou ninguém, mas que, também, não ficou mal para nenhum dos lados. Para o Grêmio porque, numa fase horrorosa, não perdeu. Para o Inter porque, tendo jogado com um time misto, isso serve de atenuante.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Choque inevitável

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, levou um "puxão de orelhas" da presidente Dilma Rousseff sobre declarações que deu a respeito da desoneração da folha de pagamento das empresas, e foi obrigado a retratar-se, admitindo que, em sua fala, abusou do coloquialismo. Episódio semelhante já havia ocorrido com o ministro do Planejamento, Nélson Barbosa, no seu primeiro dia de trabalho, quando se pronunciou sobre o reajuste do salário mínimo. Duas situações constrangedoras ocorridas ainda nos dois primeiros meses do segundo mandato de Dilma. Não deve haver, no entanto, nenhuma surpresa diante de tais fatos pois esse tipo de choque era inevitável. Dilma Rousseff, na ânsia de brecar a crise econômica e atrair a simpatia do mercado, colocou em postos estratégicos do governo figuras afinadas com a cartilha neoliberal. Essa é uma receita fadada ao fracasso. Ao incluir em sua administração ministros com esse perfil, Dilma contraria a vontade de seus eleitores e das bases de seu partido, sem que obtenha qualquer trégua por parte da oposição e da grande imprensa, que estão obstinadas em promover o seu impeachment. A busca da governabilidade tem levado aos acordos mais esdrúxulos entre partidos e políticos, juntando pessoas de espectros ideológicos antagônicos. Essa prática transforma a política num balcão de negócios, desacreditando-a perante a opinião pública. Porém, até para a flexibilização de posições ideológicas há limites. Não é possível misturar água e azeite. Um nome como Joaquim Levy será sempre um corpo estranho num governo do PT, e que tem como presidente uma ex-torturada pelo regime militar. Não é preciso ser nenhum adivinho para saber que o atual ministro da Fazenda não terá vida longa no governo. Mais cedo ou mais tarde, Dilma terá de enfrentar toda a carga da oposição e da mídia golpista e montar uma equipe econômica que esteja de acordo com as aspirações dos seus eleitores e das bases do seu partido. Afinal, se não tiver a sustentação de ambos, seu governo caminhará para um final inglório.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Frivolidade

A internet é, sem dúvida, um meio fantástico de disseminação de informações. Talvez nenhum outro invento, em toda a história da humanidade, tenha sido tão revolucionário na sua capacidade de armazenar e distribuir conhecimentos. Hoje, estar conectado não é mais uma opção, é, praticamente, uma imposição, sob pena de, em caso contrário, experimentar-se uma sensação de marginalização social. Todo instrumento de difusão de ideias e notícias, no entanto, dependerá do uso que dele se fizer. Com a internet, não é diferente. Ela permite o acesso a grandes conteúdos culturais, mas também se presta para comentários estúpidos e agressivos nas redes sociais, ou para a mais absoluta frivolidade, como se verificou nas últimas horas. A postagem que rodou o mundo perguntando sobre qual é a cor de um determinado vestido, e que foi um dos assuntos mais comentados desde ontem pelos internautas, é uma demonstração quase insuperável da propensão humana para a banalidade. Num mundo com tantos problemas e conflitos, anônimos e famosos ocuparam seu tempo a palpitar sobre a verdadeira cor do referido vestido, e leigos e estudiosos deram explicações sobre as diferentes percepções que os indivíduos tem das cores, e por que isso acontece. Foi como se toda a realidade dura que nos cerca ficasse em suspenso, para que todos pudessem se entregar a tarefa de opinar sobre tão "estimulante" assunto. Poucas vezes se viu tantas pessoas se debruçarem sobre algo tão irrelevante, e em escala mundial! Foi uma ode à superficialidade, e um retrato fiel do vazio que habita os seres humanos na sociedade atual.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Dever cumprido

A derrota na estreia da Libertadores para o The Strongest, fora de casa, obrigava o Inter a obter uma vitória, hoje, contra a Universidad de Chile, no Beira-Rio. O Inter venceu por 3 x 1, e o dever foi cumprido O primeiro gol do Inter só foi marcado aos 44 minutos do primeiro tempo, de pênalti, mas a vitória foi tranquila. A Universidad de Chile mostrou um time tecnicamente frágil em campo e, mesmo fazendo um gol quando perdia por 2 x 0, não chegou a ameaçar uma reviravolta no resultado. Com a vitória, o Inter e seu técnico, Diego Aguirre, ficam mais aliviados, depois de uma semana de fortes pressões em função do revés no Hernando Siles. Por sinal, Diego Aguirre sai fortalecido do jogo de hoje, pois foi dele a aposta, que se mostrou acertada, no desacreditado Jorge Henrique, que teve grande atuação e ainda marcou um gol. Agora, o Inter terá mais um jogo decisivo em casa, contra o Emelec. Se vencer, empatará em pontos com o próprio Emelec, que é o líder do grupo. Com a Universidad de Chile virtualmente eliminada, após sofrer duas derrotas, e o The Strongest com uma incapacidade crônica de marcar pontos fora de casa, Emelec e Inter se encaminham, naturalmente, para serem os classificados do grupo, restando saber, apenas, a posição de cada um, se em primeiro ou segundo lugar.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Um sopro de esperança

Um gol aos 47 minutos do segundo tempo impediu que o Brasil de Pelotas fosse eliminado da Copa do Brasil pelo Flamengo sem a chance de um segundo jogo. Num Bento Freitas lotado, o Brasil perdeu por 2 x 1 para o Flamengo, mas um gol no final do jogo garantiu a realização da segunda partida, no Maracanã. Em campo, o Brasil foi um time esforçado, empurrado por sua fanática torcida, mas mostrou muitas limitações técnicas, criando poucas chances de gol ao longo do jogo. Com isso, o Flamengo não demorou a dominar a partida e chegou a estar vencendo por 2 x 0, o que lhe garantiria a classificação sem a necessidade de um segundo jogo. A marcação do gol que protelou a definição do confronto surgiu mais da pressão final de um time que buscava não ser eliminado, do que por um futebol de qualidade. Na verdade, tudo indica que o Flamengo não terá dificuldade de se impor no segundo jogo e obter a sua classificação. Porém, ao adiar a definição da disputa entre os dois clubes, o gol do Brasil mostrou a fibra de um time que não se entrega antes do apito final do árbitro, e fez explodir uma torcida apaixonada. Um gol que representa um sopro de esperança, e, como se sabe, sonhar não custa nada. Será difícil o Brasil conseguir uma façanha no Maracanã, mas só ter a chance de tentá-la já enche de orgulho o seu torcedor.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Premiações justas

Na noite de domingo, aconteceu pela, 87ª , vez a cerimônia de entrega do Oscar, o mais importante prêmio do cinema mundial. Todos os anos, não faltam os que criticam a dinâmica da cerimônia, ou que a qualifiquem de chata e sem graça, mas o fato é que ela é assistida em mais de 100 países em todo o mundo, o que comprova que seu fascínio e glamour continuam intactos. Os filmes que receberam o maior número de indicações para os prêmios caracterizaram-se pela boa qualidade. Até por isso, não houve uma concentração de Oscars num único filme, e as premiações foram justas, distribuindo-se entre os vários indicados. A única escolha que, longe de ser injusta, poderia ser questionada, é a de Melhor Ator para Eddie Redmayne, por "A Teoria de Tudo". Redmayne teve uma atuação excepcional, mas Michael Keaton, que concorria na mesma categoria, não ficou atrás com seu desempenho em "Birdman", que foi escolhido como Melhor Filme e ainda arrebatou o prêmio de diretor para o mexicano Alejandro González Iñarritu. As demais escolhas foram dentro do esperado. Julianne Moore, como era cogitado, venceu como Melhor Atriz por  "Simplesmente Alice". Lamentavelmente, o filme só entrará em circuito no Brasil no dia 12 de março. O trabalho brilhante de J.K. Simmons em "Whiplash" fazia dele o favorito absoluto para o prêmio de Ator Coadjuvante, o que, afinal, se confirmou. Patrícia Arquette também correspondeu às expectativas, vencendo na categoria Atriz Coadjuvante. "O Grande Hotel Budapeste", um filme de composição esmerada, ganhou os prêmios de Maquiagem e Cabelo, Trilha Sonora e Design de Produção. "Selma", tido por muitos como um filme injustiçado no número de categorias para as quais foi indicado, ganhou o prêmio de Melhor Canção, com a comovente "Glory", cuja interpretação, feita por John Legend e Common, arrancou lágrimas da plateia. Por outro lado, "Sniper Americano" recebeu apenas o prêmio de Edição de Som, uma categoria técnica, mostrando que nem os americanos levaram a sério a patriotada dirigida por Clint Eastwood. Num ano de bons filmes, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood soube, na quase totalidade dos casos, distribuir os prêmios de acordo com os méritos de cada um.