quarta-feira, 26 de março de 2014

Vitórias esperadas

As vitórias eram esperadas e se confirmaram. Assim, Grêmio e Inter irão decidir o Campeonato Gaúcho. Nos jogos de hoje, pelas semifinais, eliminaram o Brasil, de Pelotas, e o Caxias, respectivamente.. O Grêmio ganhou do Brasil, na Arena. A vitória gremista foi merecida, pelo que se viu em campo, embora o Brasil reclame de que Luan teria dominado a bola com a mão antes de marcar o segundo gol.. Luan, por sinal, foi o melhor jogador em campo, com mais uma atuação de altíssimo nível. O restante do time teve uma atuação um pouco abaixo dos jogos anteriores. Barcos, por exemplo, que fizera três gols no jogo contra o Juventude, teve um desempenho muito discreto. O Brasil, por sua vez, abusou da violência e das reclamações, com a complacência do árbitro Fabrício Neves Corrêa. Porém, ainda que não tenha sido fácil, pois o Brasil marcou um gol no final do jogo, a vitória do Grêmio refletiu o que se observou em campo. No outro jogo das semifinais do Gauchão, o Inter goleou o Caxias por 3 x 0, no Estádio do Vale. O Inter marcou seu primeiro cedo, num lance de oportunismo de Wellington Paulista. Uma jogada, no entanto, acabaria tendo um peso decisivo para o resultado final. Um pênalti claro de Paulão, tocando com a mão na bola, não foi marcado pelo árbitro, quando o jogo ainda estava apenas 1 x 0 para o Inter. Logo depois,  o Inter marcou o seu segundo gol, encaminhando a vitória. Um terceiro gol ainda aconteceria, logo no início do segundo tempo, transformando o restante do jogo no mero cumprimento de uma formalidade. Agora, serão dois grenais paras decidir o campeonato estadual, o que aconteceu pela última vez em 2011. O primeiro jogo será domingo, na Arena. O segundo, que terá o Inter como mandante, será realizado no dia 13 de abril, em local ainda indefinido.

terça-feira, 25 de março de 2014

Os algozes do futebol

Paixão que move multidões, o futebol vem sendo golpeado por pessoas e instituições que o submetem a seus interesses. A decisão da Brigada Militar de não permitir que, no jogo de amanhã, contra o Grêmio, na Arena, o Brasil, de Pelotas, tenha mais de 1.500 torcedores, é absurda, e fere o Estatuto do Torcedor, que estabelece uma cota de ingressos para o clube visitante de 10% da capacidade do estádio. A partida é válida pela semifinais do Campeonato Gaúcho, e a torcida do Brasil, fanática e numerosa, ocuparia um espaço muito maior no estádio, se lhe fosse disponibilizado. Num campeonato de média de público ridícula, estabelecer esse tipo de restrição num dos poucos jogos capazes de receber um grande número de assistentes é um contrassenso. Isso também tem ocorrido nos grenais, tirando parte do brilho de um clássico que, em outros tempos, concedia pouco menos da metade do estádio para a torcida visitante. A alegação é sempre a de falta de "condições de segurança". No caso do jogo de amanhã, isso se daria pela precariedade do entorno da Arena. Ainda no caso do novo estádio do Grêmio, sua administradora, a Arena Porto Alegrense, submeteu os torcedores do clube a um suplício no jogo de domingo, contra o Juventude. Ao liberar apenas duas das quatro rampas de acesso ao estádio, com o intuito de economizar no número de funcionários utilizados, obrigou os torcedores a uma maratona em volta da Arena. Esses fatores, somados ao encolhimento dos estádios, transformados em arenas, e ao alto preço dos ingressos,  estão elitizando o mais popular dos esportes. Os algozes do futebol estão bem identificados. Resta, aos que amam esse esporte, não deixar que eles continuem a agir impunemente.

segunda-feira, 24 de março de 2014

As reedições de uma marcha idiota

Nada poderia ser mais patético e fora de lugar do que as reedições da "Marcha da família coim Deus e pela Liberdade" que estão ocorrendo em algumas capitais do Brasil. Em 1964, essa marcha idiota foi um dos elementos de incitação ao espúrio golpe militar perpetrado contra um governo legitimamente eleito. Trata-se de mais um gesto das forças reacionárias que tentam convencer a opinião pública de que "o país está um caos", e de que necessita de uma "faxina". Na verdade, nada há na situação brasileira atual que justifique uma ruptura institucional. O Brasil tem um governo legítimo, e a presidente Dilma Rousseff, de acordo com várias pesquisas, deverá se reeleger no primeiro turno. Aliás, ao contrário do que apregoam os saudosos do autoritarismo, o presidente João Goulart, deposto pelos militares, dispunha de amplo apoio da população. Goulart caiu porque ousou afrontar os interesses das classes dominantes com as suas reformas de base. Pelo mesmo motivo, a imprensa conservadora tenta plantar as sementes de um novo golpe. Porém, o que se viu nas capitais que promoveram as tais marchas foi um fracasso retumbante. Elas não reuniram, cada uma, mais que meia centena de pessoas. Muitas vezes, os grupos de contestação às marchas eram mais numerosos. Isso prova duas coisas. Primeiro, que não há nenhuma razão para se quebrar a ordem democrática no Brasil. Em segundo lugar, mostra que o povo brasileiro já não se deixa manipular tão facilmente. O desespero da direita, e sua ânsia de defender a ideia de que como está não pode ficar, é porque ela, finalmente, se deu conta do óbvio, isto é, de que enquanto houver eleições limpas e em dois turnos, ela jamais voltará ao poder. Ao perceber algo que sempre foi tão evidente, resolveu partir para o estímulo ao golpismo. As marchas realizadas, no entanto, mostraram que toda essa gritaria contra o governo não obteve eco junto à população. Como expressa o ditado, os cães ladram e a caravana passa. A direita continuará berrando e esperneando, mas fora do poder.

domingo, 23 de março de 2014

Goleada afirmativa

Foi definido, na tarde de hoje, o último clube classificado para as semifinais do Campeonato Gaúcho. Na Arena, o Grêmio goleou o Juventude por 3 x 0. Foi uma goleado afirmativa, pois o Grêmio vinha de um empate heróico pela Libertadores, e ganhou de um adversário que estava sendo uma pedra no seu sapato nos últimos anos. O Grêmio começou a encaminhar o resultado cedo, com um gol de Barcos, aos nove minutos do primeiro tempo. Ele marcaria mais dois gols no segundo tempo, um de pênalti e outro, muito bonito, driblando o goleiro. Mesmo a competência, e o conhecimento que possui sobre o Grêmio, do técnico Róger Machado, não foi suficiente para equilibrar o jogo, dada a diferença de qualidade entre os dois times. No Grêmio, afora Barcos, Wendell, mais uma vez, se destacou. Dudu foi rápido e insinuante, e Marcelo Grohe correspondeu quando foi exigido. Agora, o Grêmio irá enfrentar o Brasil, de Pelotas, novamente na Arena. Um jogo que será difícil, sem dúvida, mas para o qual o Grêmio é favorito. Se obtiver a classificação, deverá, provavelmente, decidir o Gauchão contra o Inter, que também é favorito, diante do Caxias, no Estádio do Vale, na outra partida pelas semifinais.

sábado, 22 de março de 2014

Sem surpresas

Os jogos de hoje pelas quartas de final do Campeonato Gaúcho tiveram vitórias dos favoritos. O Inter, jogando no Estádio do Vale, venceu o Cruzeiro por 3 x 1. Depois de abrir 2 x 0 no placar, o Inter levou um gol aos 39 minutos do segundo tempo. Porém, em vez de um final de jogo nervoso, com o Cruzeiro ameaçando o empate, foi o Inter que fez mais um gol. Na verdade, o Inter ainda não foi devidamente testado, dada a fragilidade dos adversários que enfrentou, até agora, no Gauchão e na Copa do Brasil. Seu único adversário de alto nível foi o Grêmio, e só ele poderá pô-lo a prova, caso voltem a se enfrentar. Algumas constatações, no entanto, já podem ser feitas. Uma delas é a de que Aranguiz, autor dos dois primeiros gols do Inter, hoje, é a melhor contratação do clube em muitos anos. A outra é a de que Dida já não se mostra um goleiro confiável. Ele quase proporcionou um gol para o Cruzeiro quando o jogo ainda estava empatado, e falhou no único que o adversário marcou. O Brasil, de Pelotas, por sua vez, também confirmou o seu favoritismo. Num Bento Freitas com grande público, ganhou do Novo Hamburgo por 2 x 0. A vitória, contudo, foi mais difícil do que o placar indica. O Brasil fez 1 x 0, ainda no primeiro tempo, com um gol de falta, e não chegou a se impor sobre o adversário. Nos minutos finais, o Novo Hamburgo pressionou intensamente o Brasil, que se defendeu como pode. Num desses ataques, o Brasil conseguiu retomar a bola e armar um contragolpe, que resultou no segundo gol. Agora, nas semifinais, o Inter jogará contra o Caxias, novamente no Estádio do Vale. O Brasil aguarda o vencedor de Grêmio x Juventude para saber quem terá de enfrentar. Se o Grêmio se classificar ganhando no tempo normal, o jogo contra o Brasil será na Arena. Se o Grêmio vencer nos tiros livres da marca do pênalti, ou se o classificado for o Juventude, a partida será no Bento Freitas.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Primeiro classificado

O Caxias é o primeiro clube classificado para as semifinais do Campeonato Gaúcho. Em jogo realizado no Francisco Stédile, o Caxias saiu perdendo para o Veranópolis por 2 x 0, no primeiro tempo, e foi para o vestiário, no intervalo, intensamente vaiado por sua torcida. No segundo tempo, veio a reação, e o empate em 2 x 2. A decisão, então, foi para os tiros livres da marca do pênalti, e o Caxias venceu por 9 x 8. Agora, o Caxias ficará na espera do vencedor do jogo Inter x Cruzeiro, no Estádio do Vale, amanhã. Para o Veranópolis foi uma desclassificação doída, pois vencia por 2 x 0 na casa do adversário e não conseguiu sustentar a vantagem. De qualquer forma, o técnico Julinho Camargo sai valorizado do Gauchão, pois fez mais um bom trabalho, confirmando o conceito favorável de que desfruta, e tendo sido o único a vencer o Inter, até agora, na competição. Por outro lado, o Caxias não demonstrou o futebol que se esperava, ainda mais para quem jogava em casa, e não parece capaz de fazer frente ao Inter, caso este se classifique. A princípio, salvo alguma grande surpresa, a decisão do campeonato estadual deverá ser, como na maioria das vezes, entre Grêmio e Inter.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Bellini

O tempo é implacável. No ano em que a Seleção Brasileira tentará buscar, jogando em casa, seu sexto título de Copa do Mundo, os autores da conquista pioneira, de 1958, vão saindo de cena. Entre titulares e reservas, vários já se foram. Hoje, o capitão da primeira Copa do Mundo ganha pela Seleção, o zagueiro Bellini, nos deixou. Bellini imortalizou o gesto de erguer a taça de campeão acima da cabeça. A partir daí, a atitude passou a ser repetida por todos os capitães de seleções campeãs do mundo. Numa homenagem mais do que justa, Bellini ganhou uma estátua em frente ao Maracanã, em que é representado fazendo o histórico gesto. Sua vida foi longa, faleceu aos 83 anos, mas já lutava há algum tempo contra o Mal de Alzheimer. Em sua vitoriosa carreira, jogou por Vasco e São Paulo, dois dos maiores clubes brasileiros. Pela Seleção, disputou três Copas do Mundo, e perdeu apenas quatro jogos com a camisa da equipe. Sua carreira também foi extensa. Parou de jogar aos 39 anos. Agora, dos onze titulares da Seleção Brasileira de 1958, só três ainda estão vivos: Zito, Pelé e Zagallo. Em nossos corações e memória, no entanto, eles permanecerão vivos para sempre.

quarta-feira, 19 de março de 2014

O gol que mudou tudo

No futebol, um gol pode fazer toda a diferença. Foi o que aconteceu essa noite, no empate em 1 x 1 do Grêmio com o Newell's Old Boys, no estádio Marcelo Bielsa, em Rosário (Arg), pela Libertadores. O Grêmio começou o jogo mal escalado, pois seu técnico, Enderson Moreira, colocou Dudu no time, em detrimento de Alan Ruiz, que seria uma opção muito mais lógica para o lugar de Zé Roberto. Ainda assim , o Grêmio se comportou bem no primeiro tempo, não permitindo qualquer oportunidade para o Newell's e ainda arriscando algumas ações no ataque. No segundo tempo, como era de se esperar, o Newell's procurou pressionar mais, mas o Grêmio também cresceu no seu ímpeto ofensivo, e obrigou o goleiro Guzmán a fazer grandes defesas. Porém, como expressa a máxima do futebol, quem não faz leva, e o Grêmio sofreu um gol, em que Pará e Marcelo Grohe falharam, aos 35 minutos do segundo tempo. Um duro golpe, que deixaria o Grêmio em má situação no seu grupo, podendo ser eliminado por um jogo de compadres entre o Newell's e o Nacional, de Medellin, na última rodada. No entanto, aos 46 minutos, Rhodolfo empatou. Não havia mais tempo para o Newell's reagir. Com isso, o Grêmio continua líder isolado do seu grupo, com 8 pontos, um a mais que o Nacional, de Medellin, e três na frente do Newell's. Sua classificação ficou muito bem encaminhada. O gol de Rhodolfo mudou tudo. O que era uma situação quase desastrosa, tornou-se uma perspectiva das mais favoráveis. A lamentar, apenas, que o segundo empate consecutivo tenha feito o Grêmio cair do primeiro para o quarto lugar na classificação geral, mas, como ainda faltam duas rodadas para o término dessa fase, isso não é definitivo. O resultado obtido pelo Grêmio foi importantíssimo, e o sonho do terceiro título da Libertadores prossegue.

terça-feira, 18 de março de 2014

Cogitação esdrúxula

Circula pelos meios políticos a hipótese de que o ex-presidente Fernando Henrique possa vir a concorrer como candidato a vice na chapa do presidenciável Aécio Neves (PSDB). Seria o que se chama de uma "chapa pura", por ambos pertencerem ao mesmo partido. Trata-se de uma cogitação esdrúxula. Fernando Henrique foi presidente por dois mandatos sucessivos, e está com 80 anos. Sua candidatura a vice-presidente teria vários inconvenientes. Primeiramente, representaria um rebaixamento para quem já exerceu o cargo de presidente. Também não faria sentido um vice de idade tão avançada, bem mais velho que o cabeça de chapa. Um vice dessa envergadura poderia, afora tudo isso, eclipsar a figura do presidente, e ser tratado por muitos como o presidente de fato, ainda que não de direito. A cogitação que, entendo eu, não deverá ser mais do que isso, revela uma possível fragilidade do PSDB na formulação de uma chapa atraente para o eleitor no pleito presidencial. Aécio Neves ainda apresenta índices modestos nas pesquisas, e os partidos que podem compor aliança com o PSDB não parecem dispor de grandes opções para compor na chapa. O nome de Fernando Henrique surge, portanto, como um possível chamariz para o eleitorado. O fato é mais um a evidenciar que a oposição é pródiga em desferir ataques e fazer denúncias contra o governo, mas não consegue construir uma alternativa consistente para que o eleitorado se sinta atraído a fazer uma mudança. Por essas e por outras, a presidente Dilma Rousseff deverá ser reeleita sem maiores dificuldades.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Corpo mole

A expressão "corpo mole" é usada no futebol para designar o comportamento displicente de um time em campo, a ponto de "entregar" o jogo, ou seja, perder de propósito. Trata-se, sem dúvida, de uma atitude eticamente reprovável, mas, muitas vezes, os próprios torcedores de um clube pedem para que ele "amoleça" um jogo, desde que isso prejudique os interesses de um grande rival. Claro, é muito difícil, para não dizer impossível, comprovar que um time perdeu intencionalmente para outro. De qualquer forma, discussões éticas à parte, os clubes teoricamente prejudicados, ao acusarem os que teriam agido de forma antiesportiva, estão, na verdade, lançando mão de uma tática diversionista. Afinal, se um clube, para atingir um objetivo qualquer, necessita de resultados paralelos, é porque não conseguiu chegar lá com as suas próprias forças. Logo, não pode culpar a ninguém, senão a si próprio, por um fracasso. Esse é o caso do Corinthians, que ontem foi eliminado do Campeonato Paulista. Seu técnico e vários jogadores acusam o São Paulo de ter perdido intencionalmente para o Ituano, a fim de eliminá-lo. Nunca se vai saber se isso, efetivamente, aconteceu, o que no entanto, não é relevante. Outras situações semelhantes já ocorreram, sempre com a choradeira dos pretensos prejudicados. Esquecem-se eles que quem cumpre uma boa campanha atinge os seus objetivos sem necessitar do auxílio de ninguém. O que se faz nessas ocasiões é desviar o foco, tirando a responsabilidade dos próprios ombros, e transferindo-a para terceiros, com o objetivo, entre outros, de aplacar a frustração do torcedor. O único responsável pela eliminação do Corinthians é ele mesmo, que fez uma péssima campanha no início da competição, iniciou uma reação tarde demais, e, ontem, novamente, não fez a sua parte, pois apenas empatou com o Penapolense, num jogo em que vencer era obrigatório para atingir a classificação. Cada um de nós é responsável pelos próprios insucessos. Transferi-los para os outros é uma atitude covarde e oportunista. Com os clubes de futebol, não é diferente.