quarta-feira, 19 de março de 2014
O gol que mudou tudo
No futebol, um gol pode fazer toda a diferença. Foi o que aconteceu essa noite, no empate em 1 x 1 do Grêmio com o Newell's Old Boys, no estádio Marcelo Bielsa, em Rosário (Arg), pela Libertadores. O Grêmio começou o jogo mal escalado, pois seu técnico, Enderson Moreira, colocou Dudu no time, em detrimento de Alan Ruiz, que seria uma opção muito mais lógica para o lugar de Zé Roberto. Ainda assim , o Grêmio se comportou bem no primeiro tempo, não permitindo qualquer oportunidade para o Newell's e ainda arriscando algumas ações no ataque. No segundo tempo, como era de se esperar, o Newell's procurou pressionar mais, mas o Grêmio também cresceu no seu ímpeto ofensivo, e obrigou o goleiro Guzmán a fazer grandes defesas. Porém, como expressa a máxima do futebol, quem não faz leva, e o Grêmio sofreu um gol, em que Pará e Marcelo Grohe falharam, aos 35 minutos do segundo tempo. Um duro golpe, que deixaria o Grêmio em má situação no seu grupo, podendo ser eliminado por um jogo de compadres entre o Newell's e o Nacional, de Medellin, na última rodada. No entanto, aos 46 minutos, Rhodolfo empatou. Não havia mais tempo para o Newell's reagir. Com isso, o Grêmio continua líder isolado do seu grupo, com 8 pontos, um a mais que o Nacional, de Medellin, e três na frente do Newell's. Sua classificação ficou muito bem encaminhada. O gol de Rhodolfo mudou tudo. O que era uma situação quase desastrosa, tornou-se uma perspectiva das mais favoráveis. A lamentar, apenas, que o segundo empate consecutivo tenha feito o Grêmio cair do primeiro para o quarto lugar na classificação geral, mas, como ainda faltam duas rodadas para o término dessa fase, isso não é definitivo. O resultado obtido pelo Grêmio foi importantíssimo, e o sonho do terceiro título da Libertadores prossegue.
terça-feira, 18 de março de 2014
Cogitação esdrúxula
Circula pelos meios políticos a hipótese de que o ex-presidente Fernando Henrique possa vir a concorrer como candidato a vice na chapa do presidenciável Aécio Neves (PSDB). Seria o que se chama de uma "chapa pura", por ambos pertencerem ao mesmo partido. Trata-se de uma cogitação esdrúxula. Fernando Henrique foi presidente por dois mandatos sucessivos, e está com 80 anos. Sua candidatura a vice-presidente teria vários inconvenientes. Primeiramente, representaria um rebaixamento para quem já exerceu o cargo de presidente. Também não faria sentido um vice de idade tão avançada, bem mais velho que o cabeça de chapa. Um vice dessa envergadura poderia, afora tudo isso, eclipsar a figura do presidente, e ser tratado por muitos como o presidente de fato, ainda que não de direito. A cogitação que, entendo eu, não deverá ser mais do que isso, revela uma possível fragilidade do PSDB na formulação de uma chapa atraente para o eleitor no pleito presidencial. Aécio Neves ainda apresenta índices modestos nas pesquisas, e os partidos que podem compor aliança com o PSDB não parecem dispor de grandes opções para compor na chapa. O nome de Fernando Henrique surge, portanto, como um possível chamariz para o eleitorado. O fato é mais um a evidenciar que a oposição é pródiga em desferir ataques e fazer denúncias contra o governo, mas não consegue construir uma alternativa consistente para que o eleitorado se sinta atraído a fazer uma mudança. Por essas e por outras, a presidente Dilma Rousseff deverá ser reeleita sem maiores dificuldades.
segunda-feira, 17 de março de 2014
Corpo mole
A expressão "corpo mole" é usada no futebol para designar o comportamento displicente de um time em campo, a ponto de "entregar" o jogo, ou seja, perder de propósito. Trata-se, sem dúvida, de uma atitude eticamente reprovável, mas, muitas vezes, os próprios torcedores de um clube pedem para que ele "amoleça" um jogo, desde que isso prejudique os interesses de um grande rival. Claro, é muito difícil, para não dizer impossível, comprovar que um time perdeu intencionalmente para outro. De qualquer forma, discussões éticas à parte, os clubes teoricamente prejudicados, ao acusarem os que teriam agido de forma antiesportiva, estão, na verdade, lançando mão de uma tática diversionista. Afinal, se um clube, para atingir um objetivo qualquer, necessita de resultados paralelos, é porque não conseguiu chegar lá com as suas próprias forças. Logo, não pode culpar a ninguém, senão a si próprio, por um fracasso. Esse é o caso do Corinthians, que ontem foi eliminado do Campeonato Paulista. Seu técnico e vários jogadores acusam o São Paulo de ter perdido intencionalmente para o Ituano, a fim de eliminá-lo. Nunca se vai saber se isso, efetivamente, aconteceu, o que no entanto, não é relevante. Outras situações semelhantes já ocorreram, sempre com a choradeira dos pretensos prejudicados. Esquecem-se eles que quem cumpre uma boa campanha atinge os seus objetivos sem necessitar do auxílio de ninguém. O que se faz nessas ocasiões é desviar o foco, tirando a responsabilidade dos próprios ombros, e transferindo-a para terceiros, com o objetivo, entre outros, de aplacar a frustração do torcedor. O único responsável pela eliminação do Corinthians é ele mesmo, que fez uma péssima campanha no início da competição, iniciou uma reação tarde demais, e, ontem, novamente, não fez a sua parte, pois apenas empatou com o Penapolense, num jogo em que vencer era obrigatório para atingir a classificação. Cada um de nós é responsável pelos próprios insucessos. Transferi-los para os outros é uma atitude covarde e oportunista. Com os clubes de futebol, não é diferente.
domingo, 16 de março de 2014
Reta decisiva
Enfim, o Campeonato Gaúcho, insosso, desorganizado, desinteressante e tecnicamente ruim, chega à sua reta decisiva. No próximo fim de semana, serão realizados os jogos das quartas de final do Gauchão, em partida única na casa dos clubes que obtiveram melhor classificação. O Inter, primeiro colocado do Grupo A, jogará contra o Cruzeiro, 4º do B, provavelmente no Estádio do Vale, para não atrasar ainda mais as obra do Beira-Rio. O Grêmio, primeiro colocado do Grupo B, jogará contra o Juventude. 4º do A, na Arena. O Brasil, de Pelotas, 2º colocado do Grupo A, jogará contra o Novo Hamburgo, 3º do B, no Bento Freitas. O Caxias, 2º colocado do Grupo B, jogará contra o Veranópolis, 3º do A, no Francisco Stédile. As semifinais, também em jogo único na casa dos clubes de melhor campanha, serão, de um lado, entre os vencedores de Inter x Cruzeiro e Caxias x Veranópolis, e, de outro, com os ganhadores de Grêmio x Juventude e Brasil x Novo Hamburgo. A decisão da competição será em duas partidas, e, caso se classifique, seja qual for o seu adversário, o Inter fará o último jogo em casa. Tudo se encaminha para que tenhamos dois grenais na decisão. Caso isso se confirme, o fato de fazer o segundo jogo fora de casa poderá custar caro ao Grêmio, que só em duas oportunidades, em 1980 e 2006, conquistou o título estadual dentro do Beira-Rio. O Grêmio fez nove pontos a menos que o Inter na classificação geral, num campeonato em que jogou contra os mais tradicionais adversários do interior sempre fora de casa, enquanto o Inter os enfrentava como mandante. Afora isso, para os jogos do Grêmio eram designados árbitros de segunda linha, para os do Inter, os melhores da Federação Gaúcha de Futebol. Como se não bastasse todo esse quadro, o Grêmio ainda tem de dividir suas atenções com a Libertadores, competição em que caiu no grupo mais difícil. Ainda assim, o Grêmio tem de buscar, com todas as forças, o título gaúcho, que não ganha desde 2010. Futebol para isso, não lhe falta. Embora tenha feito a melhor campanha, o Inter só agora irá por seu time titular, efetivamente, à prova, e seu verdadeiro potencial ainda é uma incógnita.
sábado, 15 de março de 2014
Candidato oficializado
O PMDB é o primeiro partido a ter candidato oficializado na eleição para governador do Rio Grande do Sul. Em prévia realizada hoje, o ex-prefeito de Caxias do Sul, José Ivo Sartori, foi o escolhido. Ele concorria com o presidente da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), Paulo Ziulkoski, e obteve 70% dos votos. Sartori é um político de corte conservador, e sua escolha gera um conflito no partido. Afinal, Sartori apoia a candidatura a presidente do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e o PMDB nacional está com Dilma Rousseff, que buscará a reeleição para o cargo. O vice-presidente de Dilma, inclusive, é Michel Temer, do PMDB. Afora essa questão, por si só bastante polêmica, Sartori não é um nome de apelo estadual, e não tem carisma, o que dificulta a tarefa de torná-lo conhecido do eleitorado do Rio Grande do Sul em pouco tempo. Salvo melhor juízo, apesar da grande capilaridade do PMDB em todo o Estado, o futuro governador deverá ser o vencedor da disputa entre o atual governador, Tarso Genro, do PT, e a senadora Ana Amélia Lemos, do PP. O candidato do PDT, Vieira da Cunha, não tem cacife para uma disputa desse nível, e os demais candidatos que venham a participar da eleição, só marcarão posição, nada mais.
sexta-feira, 14 de março de 2014
Paulo Goulart
O ator Paulo Goulart, ontem falecido, aos 81 anos, teve uma trajetória de vida longa e admirável, do tipo que, certamente, não contemplava arrependimentos. Num mundo de tantas pessoas perdidas, procurando um rumo em suas existências, Goulart cedo definiu-se na profissão e na vida pessoal. Poucos dias antes de falecer, completou 60 anos de casamento com a atriz Nicette Bruno, e sua carreira também já somava seis décadas. Uma de suas filhas, Bárbara Bruno, foi muito feliz ao dizer que é raro um homem deixar sua marca como cidadão, marido, pai e profissional, e que ele conseguiu isso. Num meio, o artístico, tão conhecido pela volubilidade das relações amorosas, e pelo comportamento liberado de seus integrantes, Goulart manteve um casamento por toda uma vida e construiu uma família sólida, a tal ponto que suas duas filhas e seu único filho também abraçaram a carreira artística, a exemplo do pai e da mãe. Ao contrário de alguns de seus companheiros de profissão, que privilegiam um meio em detrimento aos outros, Paulo Goulart trabalhou intensamente no teatro, televisão e cinema. Foram muitas atuações, que permanecerão na memória do público. Mesmo já estando muito doente, fez seu último trabalho no filme "O tempo e o vento". Foi ator até o fim, só parando quando a enfermidade, contra a qual lutava há algum tempo, enfim o venceu. Um profissional dedicado, que deixa uma história de vida inspiradora, numa sociedade de valores tão frágeis.
quinta-feira, 13 de março de 2014
Tropeço
Ainda que o Grêmio tenha terminado o primeiro turno da fase de grupos da Libertadores como líder geral, o empate em 0 x 0 com o Newell's Old Boys, hoje à noite, na Arena, foi, sem dúvida, um tropeço que pode causar problemas na campanha do clube. Se ganhasse, o Grêmio livraria seis pontos de vantagem para o próprio Newell's. Agora, está com três pontos a mais que o adversário dessa noite, e terá de enfrentá-lo na próxima quarta-feira, fora de casa. A vitória, caso acontecesse, praticamente garantiria a classificação para as oitavas de final, e encaminharia a conquista do primeiro lugar do grupo. O prejuízo trazido pelo empate, portanto.foi considerável. O Grêmio saiu jogando com o seu time titular, sem modificações de última hora, o que está correto. Porém, após o mau rendimento no primeiro tempo, o time já deveria ter voltado do vestiário modificado. Não foi o que aconteceu. Os jogadores que mais deixaram a desejar foram, novamente, Pará e Zé Roberto. Pará segue blindado contra qualquer possibilidade de sair do time, sem que se entenda o porquê, e Zé Roberto só foi substituído em meio ao segundo tempo, depois de mais uma atuação burocrática. As substituições feitas pelo técnico do Grêmio, Enderson Moreira, foram corretas, o time cresceu de produção, mas o gol não veio. A exemplo do que acontecera contra o Cruzeiro, no Campeonato Gaúcho, o Grêmio criou várias chances de gol, mas não aproveitou. Barcos e Pará perderam gols feitos. O que era uma campanha risonha, já começa a trazer preocupações. Em qualquer competição, não é aconselhável perder pontos em casa. Até aqui, navegando em águas tranquilas, nos próximos dois jogos, que serão fora de casa, o Grêmio poderá se deparar com um maremoto. Tomara que tenha maturidade e futebol suficiente para superar esses obstáculos e continuar sua caminhada rumo ao seu terceiro título de Libertadores.
quarta-feira, 12 de março de 2014
Facilidade inesperada
Certamente, nem o mais otimista dos torcedores poderia prever a extrema facilidade que o Inter encontrou em sua estreia na Copa do Brasil. A goleada de 6 x 1 sobre o Remo, hoje à noite, no Mangueirão, excedeu qualquer expectativa. Porém, ela não revela um grande patamar técnico do Inter, mas, sim, a debilidade técnica do Remo. Antes um digno participante das competições nacionais, dentro das suas limitações, é claro, o Remo, atualmente, não está classificado para nenhuma das quatro divisões do Campeonato Brasileiro. Hoje, foi possível entender o porquê. Seu time é fraquíssimo. Com a goleada, o Inter eliminou a necessidade de realização do segundo jogo. Essa foi a grande vantagem que obteve na partida. Como aferição do potencial do time, nada poderá ser levado em conta. Diante de um adversário tão desqualificado tecnicamente, qualquer entusiasmo com o desempenho do time seria uma temeridade. Na próxima fase, o Inter deverá enfrentar, novamente, um adversário de pouca expressão. Só quando a competição atingir fases mais avançadas é que se poderá avaliar o verdadeiro potencial do Inter.
terça-feira, 11 de março de 2014
Classificação encaminhada
O empate em 2 x 2 entre Nacional, de Medellin, e seu homônimo do Uruguai, no Atanásio Girardot, pela Libertadores, foi amplamente favorável ao Grêmio. O tropeço, em casa, do clube colombiano, que chegou a estar perdendo por 2 x 0, o deixou com apenas quatro pontos, dois atrás do Grêmio. Caso o Grêmio vença o Newell's Old Boys, quinta-feira, na Arena, abrirá cinco pontos de vantagem para o Nacional de Medellin, que está em segundo lugar no grupo. Sobre o Newell's e o Nacional, do Uruguai, a diferença em favor do Grêmio passaria a ser de seis e oito pontos, respectivamente. Isso deixaria a classificação do Grêmio para as oitavas de final encaminhada, pois ele encerrará sua participação no grupo contra o Nacional, do Uruguai, atual lanterna, na Arena. Assim, um empate nos dois jogos que ainda tem de realizar fora de casa, contra Newell's Old Boys e Nacional, de Medellin, pela ordem, talvez lhe baste para ficar em primeiro lugar no grupo. Agora, só depende do próprio Grêmio corresponder às expectativas e vencer o Newell's Old Boys na quinta-feira. O resultado de hoje, certamente, entusiasmou, ainda mais, o torcedor gremista, que deverá ir em grande número à Arena, no jogo contra o Newell's Old Boys. Até o momento, a Libertadores tem tido apenas boas notícias para o Grêmio. As perspectivas de que tudo continue dessa forma são muito grandes. Resta esperar para ver.
segunda-feira, 10 de março de 2014
Implantes dentários
Os políticos são inesgotáveis na capacidade de produzir fatos que desgastem ainda mais a sua imagem, já tão deteriorada, perante a sociedade. Agora, veio a público que senadores gastaram até 70 mil reais cada um em implantes dentários, pagos com verba do Senado, ou seja com dinheiro público. Entre os que adotaram o procedimento, está o senador Pedro Simon (PMDB-RS), tido como uma das figuras de maior respeitabilidade no Congresso Nacional. Simon disse que não pagou pelos implantes porque não tinha dinheiro, já que vive do salário, e, como sempre, alegou que não fez nada fora da lei. O salário de um senador é de 26 mil reais. Será que essa quantia não permite pagar implantes dentários com recursos próprios? Ademais, a velha argumentação de ter agido dentro do que a lei faculta não serve como desculpa. Acima da lei está a ética e a consciência de cada um. O plano de saúde dos senadores é vitalício, extensivo a dependentes, e para ter direito a ele os parlamentares não precisam fazer nenhuma contribuição. Basta exercer o cargo por, pelo menos 180 dias. Enquanto isso, em Porto Alegre, um mutirão de cirurgias de cataratas do SUS submeteu as pessoas operadas, pobres e, na maioria, idosas, a mais de dez horas de espera para a liberação, sem receberem alimentação. A desfaçatez dos políticos brasileiros não tem limites, e o fosso entre classes no Brasil, também não. Uma triste realidade, que insiste em não se modificar.
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