sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

A data que mudou a história da música

Há exatos 50 anos, em 7 de fevereiro de 1964, os Beatles desembarcavam, pela primeira vez, nos Estados Unidos. Eles já eram ídolos em seu país, a Inglaterra, mas só a partir de sua incursão no território americano se tornariam um fenômeno mundial. Foram recebidos com desdém pela imprensa local, mas sua apresentação no programa de tv "The Ed Sullivan Show" teve enorme audiência. A partir daí, o mundo se renderia ao talento do grupo. Iria começar a Beatlemania, um fenômeno de popularidade jamais visto antes ou depois no meio musical. Ao dominarem o país culturalmente mais influente de todos, os limites geográficos desapareceram para o grupo, e os Beatles tornaram-se ídolos mundiais. Vários de seus shows foram realizados naquele país, inclusive o último, em 1966. Ainda que tenham enfrentado a má vontade inicial da imprensa, por serem estrangeiros, logo desmancharam qualquer resistência, e mudaram a história da música. Começava, em termos mundiais, a apoteótica trajetória do maior grupo musical de todos os tempos. Foram milhões de cópias vendidas de seus discos em todo o mundo, o que acontece até hoje, pois todos permanecem em catálogo, sempre com muitos bons índices de comercialização. São de autoria dos Beatles vários standards da música internacional. A música de maior sucesso de todos os tempos, por ter sido a mais regravada e a que mais vezes foi tocada nas rádios, "Yesterday", é criação do grupo, mais especificamente de Paul McCartney, embora tenha sido creditada a ele e John Lennon, em parceria. Desde aquela data, foram anos de êxtase para fãs do mundo inteiro, até a dissolução do grupo, em 1970, quando, no dizer de John Lennon, "o sonho acabou". Na verdade, esse é um sonho que nunca acabará, pois a música dos Beatles é atemporal e segue conquistando novos fãs. A eclosão desse fenômeno começou há 50 anos, mas permanecerá pelo tempo afora.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

O fracasso de Alexandre Pato

O futebol, com seus jogadores de ascensão meteórica e salários milionários, vez por outra, produz fracassos pessoais gigantescos. São casos de jogadores que, embriagados pela fama súbita e pelo enriquecimento rápido, se esquecem do que os fez chegar nessa condição, e passam de ídolos a renegados. Um exemplo disso é Alexandre Pato. Revelação fulgurante do Inter aos 16 anos, Pato ficou pouco tempo no clube, pelo qual foi campeão mundial um mês depois de lançado no time principal. Logo foi vendido ao Milan, que apostava estar diante de mais um craque brasileiro. Pato sofreu inúmeras lesões enquanto esteve no Milan, não mantendo uma continuidade no time. O jogador não justificou o alto investimento feito na sua contratação. Afora as lesões, seu nome só ficou em evidência por seu casamento de curta duração com uma atriz da Rede Globo e, posteriormente, por seu envolvimento com a filha de Sílvio Berlusconi, dono do Milan e ex-primeiro ministro da Itália. As principais preocupações de Pato pareciam ser a de vestir roupas de grife e frequentar restaurantes caros. Suas declarações seguem um roteiro previamente traçado por consultores. Como se vê, Pato tratou de atuar em várias frentes, só se esqueceu de jogar futebol. O Corinthians o adquiriu por R$ 40 milhões, a maior quantia já paga por um jogador no Brasil, mas Pato não correspondeu. Ontem, Pato foi trocado por Jádson, do São Paulo. Pato ficará emprestado ao São Paulo por dois anos, Jádson foi em definitivo para o Corinthians. Seja como for, a negociação é um atestado eloquente do seu fracasso, que ficou mais evidente diante dos protestos da torcida do São Paulo em relação à sua contratação durante o jogo de hoje, no Morumbi, em que o clube venceu o Paulista, de Jundiaí, por 2 x 0, pelo Campeonato Paulista. Com apenas 24 anos, Alexandre Pato já é um homem rico, mas por ter perdido o foco, privilegiando os prazeres proporcionados pela carreira em detrimento do futebol dentro de campo, não irá ingressar no panteão dos craques, como era esperado. Irá para o limbo, lugar dos jogadores que logo são esquecidos, ainda que, no seu caso, com os bolsos cheios.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Injustiça

Em princípio, resultado injusto, em futebol, é aquele ditado por erros de arbitragem. Porém, é inevitável se pensar em injustiça depois do que se viu na vitória do Inter sobre o Pelotas, por 1 x 0, hoje, na Boca do Lobo, pelo Campeonato Gaúcho. O Pelotas dominou o jogo inteiro, obrigou o goleiro Agenor a fazer defesas importantes e, no minuto final da partida, levou um gol que não lhe permitiu obter sequer o empate. O Inter, que mais uma vez utilizou um time misto entre reservas e jogadores do sub-23, chegou, assim, a sua sexta vitória em seis jogos no Gauchão, mas sem somar méritos para alcançá-la. A velha máxima do futebol, mais uma vez se confirmou: quem não faz, leva. O resultado acabou sendo um castigo para o Pelotas, e um prêmio imerecido ao Inter. Resta, agora, ver se, no Gre-Nal de domingo, na Arena, com o seu time titular, o Inter será capaz de manter os seus 100% de aproveitamento na competição.

Vitória inconvincente

Dessa vez, ao contrário do jogo de domingo, contra o Juventude, o Grêmio venceu. A vitória de hoje contra o Veranópolis, por 1 x 0, na Arena, pelo Campeonato Gaúcho, no entanto, esteve longe de se mostrar convincente. O time repetiu os mesmos erros do jogo anterior, e as atuações individuais, mais uma vez, foram muito fracas. Alguns são casos perdidos, como Pará e Kléber, de quem nada pode se esperar de sã consciência. Edinho, novamente, foi muito mal e, a exemplo da partida no Alfredo Jaconi, foi substituído. Zé Roberto foi o burocrata de sempre. Ramiro, uma vez mais, foi inexpressivo. Máxi Rodriguez esteve péssimo. Bressan, como de costume, foi tosco e atrapalhado. Até mesmo Wendell, que foi o melhor em campo em Caxias do Sul, não teve uma boa atuação. Marcelo Grohe foi bem, no geral, mas cometeu um erro, numa saída de gol, que poderia ter custado caro ao Grêmio. Entre os titulares, a melhor atuação foi de Rhodolfo. A vitória, contudo, só foi possível pelas entradas de Jean Deretti e, principalmente, Luan, que deram outra dinâmica ao time. Porém, foi uma vitória escassa, contra um adversário modesto. Pelo que o Grêmio vem mostrando, não há qualquer razão para se ter otimismo em relação ao seu desempenho na Libertadores. O Grêmio ainda padece dos mesmos defeitos e limitações do ano passado, e parece não saber identificá-los.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Primeiros classificados

Saíram, hoje, os dois primeiros classificados na pré-Libertadores. O Nacional, do Uruguai, como era de se esperar, reverteu a derrota por 1 x 0 na primeira partida, e, jogando em casa, venceu o Oriente Petrolero, da Bolívia, por 2 x 0, e se classificou para integrar o "grupo da morte" da Libertadores, junto com Grêmio, Nacional de Medellin e Newells Old Boys. A classificação do Nacional também deverá ter uma consequência direta no Gre-Nal de domingo, na Arena, pelo Campeonato Gaúcho. Como o Grêmio estreará na Libertadores na quinta-feira, dia 13, fora de casa, contra o vencedor desse confronto, caso o Oriente Petrolero fosse o classificado, provavelmente, jogaria o Gre-Nal com seu time B, dada a viagem, relativamente longa, para Santa Cruz de La Sierra. Como Montevidéu fica bem mais próxima, não implicando num desgaste maior, os titulares deverão jogar o Gre-Nal. Especificamente em relação à Libertadores, a classificação do Nacional torna o grupo do Grêmio, que já era difícil, ainda mais duro. Isso deve deixar o torcedor do Grêmio ainda mais preocupado, porque a apresentação do time contra o Juventude, domingo passado, foi desalentadora. O outro classificado da noite foi o Independiente Santa Fe, da Colômbia, que venceu, em casa, o Morelia, do México, por 1 x 0. Como perdera, no primeiro jogo, por 2 x 1, classificou-se pelo saldo qualificado, ou seja, por ter marcado um gol fora de casa. O Independiente Santa Fe irá para o grupo do Atlético Mineiro, atual campeão da Libertadores. Os outros dois integrantes, no entanto, Nacional, do Paraguai, e Zamora, da Venezuela, fazem desse grupo um dos mais fracos da competição.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Um novo perfil na educação

Não resta dúvida de que a má qualidade da educação é um dos grandes problemas do Brasil. Muito se tem falado sobre o assunto, sob os mais diversos ângulos. Em sua coluna na edição dessa semana da revista "Veja", o economista Claudio de Moura Castro, especializado em educação, aborda um aspecto interessante que parece não estar sendo levado em conta pelos que pretendem modificações no sistema de ensino brasileiro. Moura Castro alerta para o excesso de conteúdos no ensino médio brasileiro. Ele sustenta que é preciso ensinar bem o que esteja ao alcance dos alunos, e não inundá-los com uma enxurrada de informações e conhecimentos. Vai adiante e afirma que falar de teorias não serve para nada e que o que se aprende na escola tem de ser útil na vida real. Particularmente, sempre entendi que o ensino na escola é muito distanciado da realidade prática, e isso é um forte fator de desestímulo ao estudo e de incentivo à evasão. Mesmo os melhores alunos das escolas de elite, diz Moura Castro, são entulhados com mais do que conseguem digerir. Sendo assim, a situação dos alunos menos brilhantes é ainda pior. Ensina-se demais e eles aprendem de menos. Uma nova escola precisa ser criada, ajustando os currículos aos alunos. Para isso, é preciso cortar conteúdos. Não se trata, adverte Claudio de Moura Castro, de uma escola de pouca exigência para alunos que se esforçam menos. O que se propugna é uma escola que vai exigir o que tem sentido na vida do estudante e que está dentro do que ele pode, efetivamente, dominar. Concordo com o entendimento do colunista, e acho que se essa proposição fosse posta em prática, o ensino brasileiro daria um salto em eficiência.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Facilidade

O Inter, jogando pela primeira vez, em 2014, com o seu time titular, custou a marcar o primeiro gol, que só saiu no final do primeiro tempo, sofreu o empate no início do segundo, mas goleou o Cruzeiro por 4 x 1, no Estádio do Vale, pelo Campeonato Gaúcho. Foi mais uma demonstração da fragilidade técnica da competição. Como teste, o jogo não teve nenhuma serventia para que se possa aferir o potencial do time do Inter. Como o clube não está na Libertadores, vai levar um bom tempo até que seja, efetivamente, exigido. Até lá, o torcedor poderá se deliciar com a facilidade proporcionada pelo Gauchão, onde o Inter, em cinco jogos, com diferentes escalações, ainda não perdeu nenhum.

Mau futebol

O time titular do Grêmio, em seu primeiro teste mais forte em 2014, foi amplamente reprovado. Empatou em 1 x 1 com o Juventude, no Alfredo Jaconi, pelo Campeonato Gaúcho, depois de sair perdendo, e assustou pelo mau futebol apresentado. A única exceção ao desastre técnico foi Wendell que, com inteira justiça, foi o autor do gol do Grêmio. Marcelo Grohe não brilhou, mas também não comprometeu. Os demais jogadores foram abaixo da crítica. Pará e Bressan foram péssimos, Rhodolfo esteve atrapalhado, Edinho mostrou todas as suas conhecidas limitações técnicas, Ramiro foi inexpressivo, Máxi Rodriguez não se encontrou em campo, Zé Roberto, o jogador de toques improdutivos de sempre, Kléber, a nulidade costumeira, e Barcos, um centroavante sem nenhuma contundência. Os torcedores que assistiram ao jogo, no estádio ou pela televisão, devem ter ficado apavorados com as perspectivas do Grêmio para esse ano, a partir do que viram. Algumas verdades, já constatadas em 2013, seguem sendo ignoradas pelo Grêmio. Vamos a elas. Pará é um jogador esforçado e dedicado. Porém, tecnicamente, não possui condições para jogar num clube como o Grêmio, muito menos como titular. Bressan, ainda que tenha combatividade, é outro jogador limitadíssimo do ponto de vista técnico, e não pode ser titular. Com o que o Grêmio dispõe em seu grupo, sua zaga tem de ser, obrigatoriamente, Warley e Rhodolfo. Ramiro no time e Riveros no banco é um absurdo. Kléber não pode mais ficar no Grêmio. Urge que a diretoria encontre uma solução para rescindir o seu contrato. A verdade é que o Grêmio do técnico Enderson Moreira não acrescentou nada ao que se via no ano passado. O que é natural, já que não resolveu nenhuma das deficiências flagrantes que apresentava. O sofrimento gremista, há 13 anos sem grandes títulos, ao que parece, vai prosseguir.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

O desafio dos governantes

O ano de 2014 está apenas no começo, mas as ruas já vivem um processo de ebulição. Os protestos de junho de 2013 marcaram a história do país, e era sabido que quando a Copa do Mundo se aproximasse, eles voltariam com mais força. A greve dos rodoviários, em Porto Alegre, é uma demonstração do vulto que tomaram essas manifestações. Há uma semana, um milhão de pessoas estão sem transporte coletivo para se deslocar até o trabalho. Em meio à paralisação, movimentos paralelos, com as mais variadas intenções, também marcam a sua presença. Atos de vandalismo são praticados. No entanto, a atuação das forças de segurança tem sido branda, quase passiva, o que irrita os mais conservadores. Para eles, o Brasil vive o caos em termos de segurança pública. O que eles propugnam, e que dizem ser a vontade da "maioria honesta e trabalhadora da população" é que aqueles que promovem badernas sejam rigorosamente reprimidos. Isso não irá acontecer, a menos que a situação caminhe para um total descontrole. A razão é simples, tanto no plano estadual, quanto no federal. O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, e a presidente Dilma Rousseff, ambos do PT, são candidatos a reeleição e, até o momento, favoritos em relação aos seus adversários no pleito. Se autorizassem as forças de segurança a "baixarem o pau", para conter possíveis distúrbios na ordem pública, entrariam em rota de colisão com as bases do seu partido, que tomariam a atitude como uma repressão contra setores desfavorecidos da sociedade, algo incompatível com uma sigla de origem popular. Seus adversários, que clamam por uma atitude mais forte dos governos, não deixariam passar a chance de acusá-los de truculentos. Afora isso, com uma Copa do Mundo que fará o Brasil ficar no foco do mundo inteiro, o governo não pode permitir que o país transmita uma imagem de violência contra a população, inaceitável numa democracia. Esse é o desafio dos governantes. Tarso e Dilma caminham numa corda bamba, e manifestantes, autênticos ou oportunistas, sabem disso. Por isso, estão testando ao limite a sua paciência. Porém, como já referi acima, só uma balbúrdia absoluta, com o país sendo varrido pela desordem, poderão levar os governos estadual e federal a tomarem medidas mais duras. Em ano de eleição, prevalece o pragmatismo político. Como se sabe, em time que está ganhando não se mexe. Tarso e Dilma conduzirão a questão da segurança sob o fio da navalha, para que tudo se acomode da melhor maneira, em nome da Copa e da eleição. Antes de condená-los, pense se, no lugar deles, você não faria o mesmo. Faria, certamente.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Beijo gay

O Brasil, por vezes, entrega-se a discussões coletivas patéticas. Como se não houvesse nada mais sério com o que se preocupar, uma curiosidade varreu o país nos últimos dias: o capítulo final da novela "Amor à vida" teria o tão esperado beijo gay entre os personagens Félix e Niko? Diga-se, de passagem, que toda essa polêmica só aconteceu por se tratar de uma novela da Rede Globo, que detém a esmagadora maioria da audiência no país. Em 2011, a novela "Amor e Revolução", do SBT, levou ao ar um ardente beijo lésbico, que não teve nehuma repercussão. "Amor à vida" tratou do tema da homossexualidade com uma abertura e profundidade inéditas na televisão brasileira. Isso gerou, como não poderia deixar de ser, a reação inconformada dos conservadores, que enxergam no fato uma "derrocada dos costumes". Na verdade, a crescente abordagem da homossexualidade na teledramaturgia só reflete o que acontece na própria sociedade. Cada vez mais, os homossexuais ampliam o seu espaço no meio social, recusando-se, com razão, a serem discriminados e tratados como cidadãos de segunda classe. A televisão é uma caixa de ressonância do que ocorre nas ruas, ela não impõe conceitos. Em outras oportunidades, houve a expectativa do beijo gay em novelas da Globo, mas, talvez por entenderem que a sociedade brasileira ainda não estava madura para absorver o impacto de uma cena como essa, a direção da casa não permitiu que ele fosse ao ar. Dessa vez, foi diferente. Mesmo com o rosnar dos reacionários de plantão, é evidente que a maior parte dos brasileiros não mais se escandaliza com os homossexuais. Não faltarão, é claro, atitudes como a de um colunista de jornal, de Porto Alegre, que, há poucos dias, num de seus textos, referiu-se ao homossexualismo como "uma doença que sempre existiu" e solicitou que o governo interferisse para barrar a crescente abordagem do tema nas novelas. Como expressa o ditado, os cães ladram e a caravana passa. O beijo gay na Globo, finalmente, aconteceu. O fato, com certeza, será muito mais festejado que recriminado, e é assim que deve ser.