domingo, 10 de novembro de 2013
Tranquilidade
O Inter ganhou do Botafogo por 2 x 1, hoje à tarde, no Francisco Stédile, pelo Campeonato Brasileiro. Com isso, a hipótese de rebaixamento, que já era muito remota, foi totalmente afastada. Os últimos cinco jogos do Brasileirão, portanto, serão de absoluta tranquilidade para o Inter, que apenas cumprirá tabela. Circunstancialmente, a vitória do Inter também beneficiou o Grêmio, pois impediu que o Botafogo o ultrapassasse na classificação. Agora, com o Inter livre de qualquer ameaça de rebaixamento, e sem nenhum objetivo dentro da competição, não faltará quem levante a hipótese dele entregar o jogo que fará contra o Goiás, no Serra Dourada, no próximo final de semana, a fim de prejudicar o Grêmio. Seja como for, o Inter está liberado para projetar o ano de 2014. Com o clube sem ter mais o que buscar até o fim do campeonato, é obrigação dos dirigentes começarem a planejar o próximo ano, se não quiserem repetir o fracasso deste e do anterior.
Agonia
O Grêmio foi goleado pelo Cruzeiro, hoje à tarde, no Mineirão, pelo Campeonato Brasileiro. A agonia da torcida prossegue, pois o Grêmio não marca um gol há seis jogos! Dessa vez, as chances até apareceram, e as duas maiores foram em chutes de Barcos, um que bateu na trave, outro que foi defendido espetacularmente pelo goleiro Fábio. Assim mesmo, não dá para aceitar as justificativas do técnico do Grêmio, Renato, para o resultado. Renato argumentou que o Grêmio jogou bem e que teve chances de fazer gols, o que só não conseguiu devido às grandes defesas de Fábio. Não é verdade. A atuação do Grêmio foi muito ruim no primeiro tempo, só melhorando, um pouco, no segundo. Mais uma vez, mesmo perdendo o jogo, Renato voltou do intervalo com o mesmo time. Pior, só mexeu no time aos 32 minutos do segundo tempo, quando o Cruzeiro já tinha feito três substituições. A entrevista de Renato, após o jogo, também foi lamentável. Exaltou o fato de que o Grêmio está há 21 semanas no G4, disse que só não assinou a renovação de seu contrato por que não quis, e ainda provocou o Inter, ao declarar que seu clube ainda tem objetivos no Brasileirão, enquanto outros já estão de férias há muito tempo. Renato criou um sistema tático com três zagueiros e três volantes que foi o responsável pela ascensão do Grêmio na competição. Tudo indica, no entanto, que esse esquema já perdeu o seu prazo de validade. Renato tem de buscar uma nova alternativa. O que antes era uma certeza, a classificação para a Libertadores, agora está seriamente ameaçada. O últimos jogos do campeonato eram para ser um tranquilo cumprimento de tabela para o Grêmio, mas transformaram-se num drama sem garantia de um final exitoso.
sábado, 9 de novembro de 2013
Competitividade
O "chefão" da Fórmula-1, Bernie Ecclestone, cogita a ideia de que a categoria mais importante do automobilismo mundial possa, mais uma vez, mudar o seu sistema de pontuação. Dessa vez, a proposta é de que a F-1 adote um sistema semelhante ao do circuito mundial de tênis, em que alguns torneios fornecem mais pontos do que outros para o estabelecimento do ranking. Assim, algumas corridas dariam mais pontos do que outras. A F-1 já realizou mudanças na sua pontuação anteriormente. Durante muitos anos, apenas os seis primeiros colocados pontuavam, e o vencedor recebia 9 pontos. Mais tarde, talvez para optar por um número mais "redondo", o vencedor passou a receber 10 pontos. Há alguns anos, houve uma mudança mais radical, e o vencedor passou a ganhar 25 pontos, com a zona de pontuação se estendendo até o 10º lugar, o que se mantém até hoje. Na verdade, o que há por trás da proposta de Ecclestone é a tentativa de garantir a competitividade da F1. Ele, certamente, está incomodado com a ampla superioridade do atual tetracampeão da categoria, Sebastian Vettel, que caminha para bater todos os recordes da F-1. A F-1 não é apenas um esporte, é, também uma atração transmitida pela televisão, e a previsibilidade atual de suas corridas pode diminuir o interesse do público. A preocupação do dirigente da F-1, portanto, é compreensível. Disputas mais acirradas aumentam o interesse das pessoas pelas competições esportivas. Há, por exemplo, quem não goste da fórmula de campeonatos de futebol em pontos corridos, de há muito implantada na Europa e que só chegou ao Brasil em 2003, por julgá-la pouco competitiva. Em contrapartida, exaltam as competições do tipo "mata-mata", cujo modelo de disputa nivela adversários de potenciais distintos. Particularmente, sou fã dos pontos corridos, por entender que é a mais justa fórmula para se definir um campeão. Os melhores não podem ser punidos pela sua maior qualidade. Ainda que a superioridade de um esportista ou de uma equipe, por vezes, torne algumas competições previsíveis quanto ao seu resultado, esse é o preço a se pagar quando se está diante de um talento, individual ou coletivo, superior. Como expressa o slogan de uma premiação publicitária, nada substitui o talento. Ele tem todo o direito de se mostrar na sua plenitude, e de obter os resultados correspondentes.
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
Irrelevância
Vivemos em uma época de notáveis avanços científicos e tecnológicos. Em consequência disso, nossa existência é cercada de confortos e recursos inimagináveis para nossos antepassados, e a longevidade humana, beneficiada pelo progresso da medicina, se expande cada vez mais. Tudo isso deveria fazer com que estivéssemos num período luminoso da história, mas não é o que acontece. A vida não se faz só de aspectos objetivos, possui uma grande carga de subjetividade, que envolve valores, expectativas, anseios, necessidades. O aspecto cultural também é importantíssimo. Em tais terrenos, parece que estamos involuindo. A produção cultural, decaiu de qualidade em relação ao passado. O conteúdo de jornais, revistas e internet, e as programações de rádio e televisão são marcadas pelo culto ao descartável, ao insignificante. São inúmeras matérias sobre celebridades, o que elas fazem, o que dizem, que lugares frequentam, que gafes cometem, onde passam suas férias. O padrão "revista Caras" espalhou-se por todos os veículos de comunicação. Enormes espaços são reservados para notícias que nada informam, sobre fatos que, na sua essência, não tem nenhuma importância. Numa sociedade marcada pelo consumo desenfreado e pela descartabilidade, até mesmo o jornalismo e a cultura foram tomados pelo supérfluo. Temos acesso a um volume de informações cada vez maior, mas apenas na quantidade. Tudo o que exige aprofundamento e reflexão foi deixado de lado, a superficialidade se impôs. Devíamos estar experimentando uma etapa grandiosa da história humana, mas, ao contrário, a aridez toma conta de nossas vidas. Em vez de movidos por ideais grandiosos, estamos cercados pela irrelevância.
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
Jorge Dória
O ator Jorge Dória, que faleceu ontem e foi enterrado hoje, no Rio de Janeiro, teve uma trajetória profissional singular. Ele já tinha uma longa carreira no teatro e no cinema quando fez sua estreia na televisão. Dória, que morreu com 92 anos, só chegou à televisão em 1970, na extinta Tupi.. Em 1972, aos 51 anos, fez seu primeiro trabalho na Globo, como o Lineu da primeira versão do seriado "A Grande Família". Foi o que bastou para que Dória nunca mais deixasse o vídeo. O grande público da tv, que em sua maioria não o conhecia, logo se identificou com o seu inegável talento. Jorge Dória fez toda a sorte de papéis em sua carreira, mas destacava-se por sua veia cômica. Tanto o primeiro quanto o último trabalho de Dória na Globo tinham a marca da comicidade. O primeiro, como o já citado Lineu, funcionário publico dedicado e chefe de família suburbano. O último, no programa "Zorra Total", como Maurição, um machista empedernido que não se conforma ao constatar que seu filho é gay. Dória estava afastado do vídeo desde 2005 quando sofreu um AVC que o impossibilitou de continuar trabalhando. Teve uma existência e carreira longas, e, certamente, deixa muita saudade no público. Mais um grande nome que se vai, nesse celeiro de artistas que é o Brasil.
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Decepção
O Grêmio empatou em 0 x 0 com o Atlético Paranaense, hoje, na Arena, pelas semifinais da Copa do Brasil. Como havia perdido o primeiro jogo, no Durival Britto, por 1 x 0, o Grêmio está eliminado da competição. Uma enorme decepção para a torcida que se fez presente no estádio, estabelecendo o recorde de público na história da Arena, com 44 mil pessoas. Foi o quinto jogo consecutivo do Grêmio sem marcar gols! O técnico do Grêmio, Renato, foi outra nota negativa do jogo. Ele cedeu ás pressões pela escalação de Zé Roberto, colocando-o no time e retirando Vargas. Zé Roberto, como de hábito, não deu nenhuma contribuição positiva para o time, abusando de toques laterais e improdutivos. Acabou substituído no segundo tempo. Mais uma vez, Renato manteve Barcos até o fim, a despeito de sua má atuação,.comprovando que está comprometido com o jogador, que é o seu líder no vestiário. Justamente no final do ano, época de garantir posições que levem o clube a uma disputa de Libertadores, o Grêmio vive seu pior momento. Foi eliminado da Copa do Brasil e corre sério risco de sair da zona de classificação para a Libertadores no Campeonato Brasileiro já no próximo domingo. Agora, já são 12 anos sem que o Grêmio conquiste um grande título. Mais uma frustração para o torcedor do Grêmio, cujo sofrimento parece não ter fim.
terça-feira, 5 de novembro de 2013
O direito ao sossego
O campo do Ararigbóia, no bairro Jardim Botânico, é um dos mais tradicionais locais do futebol de várzea em Porto Alegre. No entanto, a Secretaria de Esportes de Porto Alegre determinou que ele não receberá mais jogos do Campeonato Municipal de Várzea. Conforme o secretário de Esportes, José Edgar Meurer, a decisão ocorreu após pedidos dos moradores locais, que alegavam violência durante as partidas, barulheira e sujeira. A ocorrência de um homicídio no local, no domingo passado, reforçou os argumentos de quem queria a suspensão dos jogos no Ararigbóia. Uma arquiteta que reside há sete anos na frente do campo de futebol disse que é injusto que os moradores não possam usar o parque nos finais de semana porque ele está lotado de "gente que não é daqui". "Nossa comunidade não faz parte deste campeonato", acrescentou a arquiteta que, curiosamente, não quis se identificar, por temer represálias. Mais uma vez, em nome do direito ao sossego, setores da classe média de Porto Alegre tomam medidas contra os divertimentos populares. Claro que um homicídio é um fato grave, mas daí a usá-lo como pretexto para proibir os jogos no Ararigbóia vai uma grande distância. A própria Brigada Militar afirma que o fato destoa da rotina do local, cujas ocorrências, em geral, envolvem perturbação da ordem, gritaria, som em alto volume ou alguma briga, todas elas controláveis. Na verdade, a proibição de jogos no Ararigbóia é mais um ato de segregação de estamentos da classe média contra as comunidades de periferia, que constituem o seu público majoritário. O mesmo já havia sido feito quando o Carnaval foi retirado da zona central da cidade e levado para um local ermo, o Porto Seco. A face perversa de um estado tradicionalmente conservador e elitista se faz sentir mais uma vez. Numa cidade tão carente de alternativas de lazer, nem o divertimento proporcionado pelo futebol de várzea é tolerado. Afinal, a "respeitável" classe média tem direito ao seu sossego. Duro, revoltante mesmo, é ver, novamente, a administração municipal ceder a esse tipo de pressão.
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
O mito que ruiu
A ruína do império "X" de Eike Batista (todas as empresas dele tem essa letra em seu nome), expõe exemplarmente os desvarios do capitalismo. Os defensores do mercado e da "livre iniciativa", fizeram de Eike um mito. Com vários empreendimentos simultâneos, e uma fortuna que o colocava entre os homens mais ricos do mundo, Eike foi saudado pela grande imprensa brasileira como um exemplo de empresário arrojado. Eike sempre gostou dos holofotes, de ostentar sua condição de homem extremamente bem sucedido. Chegou ao ponto de ter dentro da sala de sua residência um carro esporte caríssimo. Seu nome começou a ser mais conhecido do grande público quando, há alguns anos, a modelo Luma de Oliveira, com quem era casado e teve dois filhos, desfilou no carnaval do Rio de Janeiro com uma coleira que tinha o seu nome inscrito. Agora, de modelo a ser perseguido, Eike tornou-se um exemplo do quão ilusório pode ser o êxito capitalista. Suas empresas valem cada vez menos. Chegou a ter a pretensão de se tornar o homem mais rico do mundo, mas sua fortuna vem encolhendo a cada dia. Claro que Eike não se tornará um homem pobre. Continuará a usufruir de um alto padrão de vida. Porém, os que apostaram nas suas empresas quebraram a cara. A petrolífera OGX, a principal do império, acumula dívidas de R$ 11 bilhões, o que se configura como o maior calote já aplicado por uma companha na América Latina. A OGX pediu recuperação judicial, o que a aproxima ainda mais da falência. Outra empresa do grupo, a OSX, de estaleiros, está quase seguindo o mesmo caminho. O curioso, no entanto, é que o tratamento editorial dado à queda de Eike não é proporcional ao do tempo de sua ascensão. O empresário chegou a ser capa da revista "Veja", quando de seu êxito. Seu fracasso, contudo, só é registrado, pela mesma publicação, em pequenos espaços, sem maior destaque. Afinal, para quem colocou Eike Batista como um símbolo das "virtudes" do capitalismo e do empreendedorismo, sua queda representa uma propaganda contrária totalmente indesejável.
domingo, 3 de novembro de 2013
Indignação
O Inter perdeu por 1 x 0 para o Atlético Paranaense, hoje, no Durival Brito, pelo Campeonato Brasileiro. Foi mais uma atuação fraca do time, e outra derrota. O destaque maior não ocorreu em campo, mas depois do jogo. Um dos diretores de futebol do Inter, Marcelo Medeiros, habitualmente calmo e polido, deu uma entrevista em tom forte, dizendo-se indignado com a atuação do time, e revelando que, por causa dela, proferiu palavrões durante a partida. Alguns jogadores chegaram a manifestar preocupação pela possibilidade de rebaixamento. Após a eliminação da Copa do Brasil, que lhe tirou a última chance de obter uma classificação para a Libertadores, o Inter parece uma nau sem rumo. As declarações de Marcelo Medeiros e a apreensão revelada por alguns jogadores quanto ao rebaixamento, demonstram o quão conturbado está o vestiário do Inter. A hipótese de queda para a Segunda Divisão é muito remota, mas, de qualquer forma, o Inter tem de tornar a vencer. Não há nada pior para um grande clube do que se acostumar com as derrotas.
Vaias
O Grêmio empatou em 0 x 0 com o Bahia, hoje á tarde, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro. Ao contrário de outros jogos, o Grêmio teve amplo domínio da partida e criou várias chances de gol, mas, ainda assim, não conseguiu mandar nenhuma bola para as redes. Foi o quarto jogo consecutivo do Grêmio sem marcar gols. Nos últimos oito jogos, o Grêmio só obteve uma vitória. No jogo de hoje, em casa e contra um adversário de hierarquia inferior, a vitória era uma obrigação, e por isso, ao final, o torcedor, frustrado, vaiou fortemente o time. Justamente na reta final das competições, quando teria de mostrar mais força, o Grêmio está vacilando perigosamente. A semana será decisiva para o Grêmio, pois, ao final dela, poderá estar eliminado da Copa do Brasil e fora da zona de classificação para a Libertadores no Brasileirão. Urge uma recuperação imediata do time, para que pare de tropeçar e não perca o que parecia já estar garantido, ou seja, a participação na Libertadores. Será uma semana de grandes desafios para o Grêmio, sem que haja a confiança de que ele irá superá-los.
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