terça-feira, 22 de outubro de 2013

A história da Coligay

Tomei conhecimento de que meu colega de profissão e amigo Léo Gerchmann escreveu um livro sobre a história da Coligay, torcida organizada do Grêmio formada por homossexuais que surgiu no final dos anos 70. Considero a iniciativa importantíssima. Por várias razões, a Coligay é uma página das mais representativas da história do futebol do Rio Grande do Sul. Seu nome derivava da boate Coliseu, famosa à época, frequentada por seus integrantes. Naquele período, o preconceito contra a homossexualidade era muito maior do que hoje. Não havia nem sombra da relativa aceitação da condição homossexual verificada em nossos dias. Afora isso, o futebol era um reduto caracteristicamente machista, e o Rio Grande do Sul, sabe-se é um estado marcadamente conservador. Como se não bastasse, o Grêmio era tido como um clube fechado, austero. Pois bem, a Coligay desafiou o ranço homofóbico da sociedade, o conservadorismo gaúcho e a propalada sisudez do Grêmio, levando alegria e irreverência aos estádios. Obviamente, foi motivo de muita zombaria por parte dos adversários do Grêmio, principalmente de seu maior rival, o Inter. No entanto, acabou por conquistar a simpatia dos demais torcedores do clube e, certamente, contribuiu de modo decisivo para que o Grêmio se tornasse cada vez mais aberto. O Grêmio, há muitos anos, é o clube mais popular do Rio Grande do Sul, fato comprovado tanto pelas pesquisas quanto pela bilheteria. A Coligay deu sua contribuição para que isso acontecesse. A partir dela, o clube foi adquirindo uma nova imagem, mais inclusiva, avessa a preconceitos de qualquer natureza. Para um clube que era visto por muitos como elitista e, até mesmo, racista, foi um avanço considerável. A Coligay deixou de existir, mas o seu papel histórico tem de ser exaltado. Ao lançar um livro sobre a Coligay, Léo Gerchmann realiza um importante registro histórico, pois ela constitui um episódio que não pode cair no esquecimento. Assim, os mais jovens poderão saber que, numa época em que a homossexualidade ainda era um grande tabu, o Grêmio teve uma torcida gay, o que deve ser motivo de orgulho para o clube e os seus torcedores.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

A criação de novos municípios

O Senado aprovou o projeto que regulariza a criação de novos municípios no país. A proposta aumentou as restrições para que um distrito se torne um município. A medida mais criticada pelas lideranças "municipalistas" é a que define uma população mínima para que o distrito possa se emancipar. No caso do Rio Grande do Sul, onde há 47 pedidos encaminhados, só poderiam se emancipar as localidades que tivessem um mínimo de 12 mil habitantes. O presidente da Comissão de Assuntos Municipais da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, deputado José Sperotto (PTB), criticou o texto do projeto, que julga ser discriminatório, beneficiando as regiões Nordeste, Centro-Oeste e Norte, cujo índice mínimo de habitantes exigido é menor em relação ao Sul e ao Sudeste. Sperotto contesta, também, a "parte da mídia" que diz que os novos municípios aumentam custos. Particularmente, saúdo efusivamente o projeto aprovado. Jamais concordei com a farra emancipacionista que tomou conta do país a partir dos anos 80. Lembro que, quando ingressei na escola, no final dos anos 60, o Rio Grande do Sul tinha 232 municípios. Hoje, possui 496. Evidentemente, a maioria desses novos municípios caracteriza-se por ter populações pequenas e desempenho econômico irrisório, e se sustenta com o repasse do Fundo de Participação dos Municípios. O processo de emancipação de uma localidade deve ocorrer quando ela tiver um crescimento populacional e econômico que lhe permita adquirir autonomia. Esse é um processo que, do ponto de vista histórico, se desenvolve lentamente. Na verdade, a criação de municípios tal como tem sido feita, serve apenas para criar onerosas estruturas como novas prefeituras e câmaras de vereadores, favorecendo os que enxergam na política um meio de conseguir uma "boquinha". Chega a ser surpreendente que o Senado, num poder legislativo tão voltado para os próprios interesses, tenha aprovado o projeto. Ele vem em muito boa hora. Tomara que as exigências para emancipações de distritos se tornem cada vez mais rígidas. O país e o bolso do contribuinte só terão a ganhar com isso.

domingo, 20 de outubro de 2013

Outro empate

O Gre-Nal de hoje á tarde, no Francisco Stédile, pelo Campeonato Brasileiro, terminou empatado em 2 x 2. Foi um jogo bem melhor do que o Gre-Nal do primeiro turno, no entanto, tanto em um quanto em outro, não houve um vencedor. A partida de hoje teve quatro gols, e uma qualidade que não se via em grenais há algum tempo. Ainda no começo do jogo, o Inter abriu o placar com um chute de fora da área de Williams em que Dida falhou gravemente. Ainda no primeiro tempo, o Grêmio conseguiu o empate num incrível gol contra de Jackson, que encobriu Muriel. No segundo tempo, numa jogada belíssima, Vargas desempatou para o Grêmio. A partir do gol, o Grêmio cresceu em campo e passou a dominar o jogo, parecendo inevitável que ampliasse o placar. Porém, uma bola entregue de presente para o ataque do Inter levou Bressan a cometer um pênalti. D'Alessandro cobrou, e Dida, mais uma vez falhou, roçando na bola mas permitindo que ela entrasse. A partir daí, dado o cansaço e o forte calor, os times pareceram considerar o empate um bom resultado. Ainda assim, houve oportunidades de gols para ambos os lados. A maior delas em favor do Grêmio, aos 46 minutos, quando Souza, de cabeça, perdeu um gol feito. O empate ficou adequado com o que se viu em campo, mas, se o jogo tivesse um vencedor, teria de ser o Grêmio. Ninguém festeja empate, mas, das duas torcidas, a mais frustrada com o resultado, certamente, foi a do Grêmio. Afinal, mesmo com uma campanha amplamente superior no Brasileirão, o Grêmio não conseguiu vencer o Inter em nenhum dos dois grenais da competição. Afora isso, com mais um tropeço do Cruzeiro, que perdeu para o Coritiba, o Grêmio desperdiçou, novamente, a chance de se aproximar do clube mineiro na tabela. A diferença entre os dois clubes caiu, apenas, um ponto. Menos mal para o Grêmio que Botafogo e Atlético Paranaense também não venceram na rodada, o que o mantém como vice-líder isolado, posição que garante uma classificação direta para a Libertadores. Agora, teremos uma pausa no Campeonato Brasileiro, e todas as atenções estarão voltadas para a Copa do Brasil, onde Grêmio e Inter, na quarta-feira, jogarão suas sortes contra, respectivamente, o Corinthians na Arena e o Atlético Paranaense no Durival de Brito, na busca  da classificação para as semifinais. O Grêmio, por jogar em casa, parece ter melhores perspectivas que o Inter, mas em competições onde impera o formulismo, tudo pode acontecer.

sábado, 19 de outubro de 2013

Os 100 anos de Vinícius de Moraes

O dia de hoje marca a passagem dos 100 anos de nascimento de Vinícius de Moraes. Vinícius foi diplomata, poeta e compositor. Nestas duas últimas atividades, está entre os maiores do Brasil em todos os tempos. Foi um dos pais da Bossa Nova, movimento musical que mudou a face da música popular brasileira. Junto com Tom  Jobim, compôs "Garota de Ipanema", a segunda música mais tocada de todos os tempos, atrás, apenas, de "Yesterday", dos Beatles. Vinícius foi múltiplo e intenso. Na vida pessoal, teve nove casamentos e muitos filhos. Amava a boemia e as mulheres. Compôs, também, para crianças. Afora Tom Jobim, teve vários parceiros, como Carlinhos Lyra, Baden Powell, Chico Buarque de Holanda, Toquinho. Com eles, compôs obras-primas da música brasileira, criações inesquecíveis e atemporais. Poucos souberam falar tão bem sobre o amor. Sua poesia não tem o tom academicista, fala direto ao coração, sem escalas. Vinícius é, sem dúvida, um patrimônio cultural brasileiro. A data de hoje merece ser reverenciada. O Brasil é um país com muitos talentos nos campos artístico e cultural, dos quais Vinícius é uma das maiores expressões. O centenário de nascimento de Vinícius de Moraes é uma ótima oportunidade para que os mais jovens possam tomar contato com a sua obra. Discos, livros, programas de televisão, matérias em jornais e internet, estão revivendo a trajetória pessoal e a obra de Vinícius. Para os que já apreciam Vinícius, um motivo para revisitá-lo. Para os que ainda não o conhecem a fundo, uma chance de fazê-lo que não deve ser desperdiçada.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Anistia injusta

O novo procurador geral da República, Rodrigo Janot, em manifestação enviada ao Supremo Tribunal Federal, observa que a anistia brasileira deve se submeter às convenções internacionais que tratam do assunto. De acordo com tais convenções, tortura e morte de opositores políticos são crimes contra a humanidade, e, consequentemente, imprescritíveis. Portanto, ao contrário da interpretação em vigor no Brasil, militares e agentes que violaram direitos humanos na ditadura não podem ser beneficiados pela Lei de Anistia. Sem dúvida, é reconfortante que alguém que ocupe um cargo dessa relevância tenha esse discernimento. O ocupante anterior da função, Roberto Gurgel, tinha um entendimento contrário sobre o assunto. Por várias vezes, neste espaço, firmei minha posição de inconformidade com a anistia a quem praticou crimes tão hediondos. O argumento de que a anistia de 1979 era para os dois lados que se enfrentaram durante a ditadura militar é cínico, igualando desiguais. Coloca na mesma balança os que foram perseguidos por defender o país e a democracia e os seus algozes, que perpetraram torturas e assassinatos covardes. Países como Uruguai e Argentina também passaram por ditaduras ferozes, mas, depois de se livrarem delas, puniram com severidade os seus agentes. A manifestação de Janot vem, em muito boa hora, reavivar o debate em torno da questão. A imprensa conservadora e a elite brasileira insistem em dizer que a anistia foi para ambos os lados e que não se deve remexer mais nessas feridas, que o país precisa livrar-se desse esqueleto. Trata-se de uma interpretação muito conveniente para os interesses de tais grupos, mas que não serve ao país. O Brasil precisa, de uma vez por todas, virar essa página de sua história, mas não pela via do esquecimento, e sim da justa e devida punição aos torturadores e assassinos da espúria ditadura militar. Só assim o Brasil poderá seguir em frente, livre de amarras do passado. Varrer a sujeira para baixo do tapete não é solução, é perpetuação de uma abominável impunidade..

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Censura

Há poucos dias, escrevi sobre a tentativa de um grupo de artistas de impedir a publicação de biografias não autorizadas. O grupo denomina-se "Procure Saber", e é integrado, entre outros, por Roberto Carlos, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque de Holanda. Retorno ao assunto porque a polêmica em torno dele ampliou-se nos meios de comunicação. Não se pense que estamos diante de um tema que opõe a classe artística de um lado e biógrafos e editoras de outro. Entre os que condenam a posição do "Procure Saber" estão nomes como Fágner, Alceu Valença e Ivan Lins. Biografias autorizadas ou submetidas a verificação prévia são de pouco ou nenhum interesse para o leitor, pois a tendência é que sejam "chapa-branca", isto é, só relatem o que é favorável ou elogioso ao biografado. A liberdade de expressão é um pilar de qualquer sociedade que se pretenda democrática. Em nome da preservação da privacidade o que se está tentando fazer é, simplesmente, censura. O mais chocante é que quem está propondo tal medida já sofreu na carne o peso da repressão. Os revezes, no entanto, não tardaram. Após dizer que não havia concedido entrevista para o autor da biografia de Roberto Carlos, Paulo César de Araújo, e ser confrontado com a comprovação de que ela ocorreu, Chico Buarque de Holanda lhe pediu desculpas públicas. A imagem, antes imaculada, de Chico, Caetano e outros integrantes do grupo como baluartes da luta contra o autoritarismo e o obscurantismo sofreu um enorme arranhão. Os supostos prejuízos que pudessem vir a sofrer com a publicação de alguma biografia que considerassem inconveniente seriam, certamente, muito menores do que o desgaste que tiveram em suas imagens de heróis da cultura brasileira. Antes ícones, agora serão vistos como ídolos caídos do pedestal. Em nome de interesses mesquinhos e de uma ação censória injustificável, feriram o seu maior patrimônio, o conceito público amplamente favorável de que, até agora, gozavam. Decididamente, o movimento por eles lançado foi um tiro que saiu pela culatra.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Tabu mantido

O Inter empatou em 0 x 0 com o Santos, hoje, na Vila Belmiro, pelo Campeonato Brasileiro. O tabu de jamais ter vencido o Santos na Vila Belmiro prossegue para o Inter. O Inter chegou a ser superior no primeiro tempo, mas não traduziu esse fato em vantagem no placar. No segundo tempo, diminuiu o seu ímpeto, parecendo resignar-se com o empate. A campanha do clube segue insatisfatória, muito abaixo das expectativas. Afinal, o Inter está 21 pontos atrás do líder do Brasileirão, o Cruzeiro, e 11 de seu maior rival, o Grêmio. Domingo, por sinal, irá jogar contra o Grêmio, no Francisco Stédile. O mando de campo talvez seja sua única vantagem para a partida. O momento do Grêmio é melhor, e não é nenhum exagero lhe atribuir o favoritismo para a partida. As ambições dos dois clubes, dentro da competição, nesse momento, são muito desiguais. Enquanto o Inter tentará, apenas, atrapalhar a caminhada do seu adversário, o Grêmio buscará consolidar sua classificação direta para a Libertadores e manter suas esperanças, ainda que remotas, de conquistar o título. Ganhar o Gre-Nal poderia dar ao Inter uma motivação maior para tentar eliminar o Atlético Paranaense, na Copa do Brasil, na próxima quarta-feira, no Durival de Brito, o que, hoje, parece pouco provável, dado o momento dos dois times. Em um Gre-Nal tudo pode acontecer, mas enquanto o Grêmio mostra grande mobilização, o Inter dá a impressão de apenas cumprir tabela.

Vitória suada

O Grêmio venceu o Corinthians por 1 x 0, hoje, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro. Os dois times mostraram extremos cuidados defensivos, e o primeiro tempo acabou num previsível 0 x 0. Na volta do intervalo, o técnico do Grêmio, Renato, fez uma substituição que acabaria sendo decisiva. Mudou o esquema do 3-5-2 para o 4-4-2, trocando um zagueiro, Bressan, por um meia, Máxi Rodriguez. A mudança trouxe ao Grêmio uma presença ofensiva e uma retenção de bola de que o time não dispusera até então. Máxi Rodriguez passou a preocupar a defesa do Corinthians com penetrações insinuantes, passes e lançamentos. O lance que decidiu o jogo foi de sua autoria, um passe magnífico para Barcos, que matou no peito e fez um golaço, quebrando um jejum de mais de um mês sem marcar gols. A vitória manteve o Grêmio 10 pontos atrás do Cruzeiro, líder do Brasileirão, que também ganhou hoje. Se o Botafogo tropeçar amanhã, jogando contra o Vitória, no Barradão, o Grêmio voltará a ser vice-líder isolado da competição. A sucessão de jogos difíceis, no entanto, continuará para o Grêmio. A próxima partida pelo Campeonato Brasileiro será contra o Inter, domingo, no Francisco Stédile. Na quarta-feira da semana que vem, seu adversário será o Corinthians, novamente na Arena, pela Copa do Brasil, num jogo em que será decidido quem irá para as semifinaus. O jogo de hoje não foi muito diferente dos anteriores para o Grêmio. Mais uma vez, o time marcou apenas um gol. A diferença é que, dessa vez, ele lhe valeu a vitória, ao contrário das duas últimas partidas, em que havia sofrido uma derrota e amargado um empate no final. O retorno das vitórias consolida o Grêmio na zona de classificação para a Libertadores e aumenta a confiança do time para as partidas difíceis que tem pela frente. Com seu futebol de pouco brilho e muita aplicação, o Grêmio segue muito vivo nas duas competições que disputa.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Definições

A Seleção Brasileira venceu a de Zâmbia por 2 x 0, em amistoso realizado, hoje, em Pequim. Apesar da pouca expressão do adversário, que jamais participou de uma Copa do Mundo, o jogo serviu para o técnico da Seleção Brasileira, Luiz Felipe Scolari, encaminhar a formação definitiva do grupo que irá disputar a Copa do Mundo de 2014. Afinal, serão apenas mais três amistosos até a lista final de convocados para a Copa. Três jogadores foram sacados da equipe no intervalo, Lucas, Alexandre Pato e Ramires. No caso de Ramires isso não deve indicar um corte, pois ele já tem um currículo respeitável a serviço da Seleção, mas Lucas e Alexandre Pato dificilmente serão chamados novamente. Lucas vive uma prolongada má fase, tanto na Seleção quanto em seu clube, o Paris Saint Germain, e Alexandre Pato continua sem confirmar as expectativas que foram depositadas nele desde o começo de sua carreira. Sua atuação, hoje, foi, mais uma vez opaca, e o mesmo vem acontecendo no Corinthians. Mais cara contratação da história do futebol brasileiro, tendo custado R$ 40 milhões aos cofres do clube paulista, até hoje não se firmou como titular, e parece mais empenhado em levar uma vida de superstar fora de campo. Dentre os que ainda buscam cavar um lugar no grupo, Dedé, certamente, ganhou pontos junto a Felipão. Marcou um dos gols e chorou emocionado, mostrando a importância que dá à Seleção. Maxwell é outro que deverá confirmar sua participação na Copa, pois, dentre os jogadores testados para a reserva de Marcelo, foi o que deu a melhor resposta. A Seleção Brasileira está com sua formação para a Copa encaminhada. As poucas dúvidas existentes começam a ser dirimidas. A fase não é mais de testes em série de jogadores, mas de definições. A Copa do Mundo se aproxima, e a Seleção já está quase pronta para a busca do sexto título mundial.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Favoritismo

A ansiedade da imprensa conservadora brasileira em desalojar o PT do poder levou-a a tirar conclusões precipitadas sobre os protestos de junho nas ruas de várias cidades do país. Os movimentos foram interpretados como uma rejeição ao governo, abrindo a possibilidade de uma mudança nos ocupantes do poder. Algumas pesquisas, feitas pouco tempo depois dos protestos, ajudaram a fazer crescer essas especulações. Nelas, a popularidade da presidente Dilma Rousseff sofria sensíveis quedas. Houve até quem, em face de tais números, aventasse a hipótese do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva assumir a candidatura, para evitar a derrota de seu partido. Agora, quatro meses depois das manifestações de rua, uma pesquisa do Instituto Datafolha revela que a popularidade de Dilma Rousseff voltou a subir, e que, caso seus adversários na eleição sejam Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), a presidente deverá ganhar no primeiro turno. Muitos devem ter se surpreendido com tais dados. Eu não. Sempre achei que a possibilidade de uma derrota de Dilma era muito remota. Por mais que a imprensa se esforce em divulgar escândalos e povoar a mente da população com fantasmas como o da volta da inflação, a maioria do eleitorado brasileiro continua a apoiar o governo. Não se trata de algo casual ou irrefletido, mas de uma escolha consciente. O eleitor age assim porque é capaz de constatar os benefícios concretos que obteve na atual administração. Por isso, concedeu dois mandatos sucessivos para Lula, e deverá fazer o mesmo com Dilma. Os programas sociais, as políticas de cotas, e tantas outras iniciativas de afirmação da cidadania, fazem com que o eleitor mantenha a sua preferência pelo atual governo. Não serão denúncias em série ou previsões catastrofistas que mudarão esse quadro. Para que haja uma troca no poder, é preciso que quem está na oposição proponha algo melhor para o eleitorado. Isso, até hoje, não aconteceu, e o PT deverá seguir governando o país por muito tempo.