sábado, 21 de setembro de 2013
Erro imperdoável
O Grêmio empatou em 0 x 0 com o Vitória, hoje, no Barradão, pelo Campeonato Brasileiro.Muito poderia ser dito sobre o jogo, mas um fato se sobrepõe a qualquer outro: o absurdo impedimento marcado aos 36 minutos do primeiro tempo, anulando um gol legítimo do Grêmio. Tem razão o gerente de futebol do Grêmio, Rui Costa, quando disse que, dessa vez, não iria analisar qualquer fator técnico ou tático ocorrido no jogo, mas iria tratar, apenas, da arbitragem. O "erro" de arbitragem foi imperdoável, inaceitável, intolerável, indesculpável. Ele prejudicou de modo decisivo o Grêmio num momento em que o Brasileirão caminha para a definição. Como bem lembrou Rui Costa, pode não ser coincidência que, depois da enorme gritaria no centro do país pela marcação de um pênalti em favor do Grêmio contra a Portuguesa, tenha acontecido o fato de hoje. Sim, eu poderia analisar vários aspectos técnicos e táticos do jogo, principalmente o incrível total de 101 passes errados na partida. Porém, sempre tive a convicção de que o resultado de um jogo só pode ser considerado injusto quando ele for determinado diretamente pela ação da arbitragem. Foi o que aconteceu em Grêmio x Vitória. O "erro" de arbitragem se põe acima de qualquer outro fator. Em linguagem bem direta, o Grêmio foi roubado no Barradão.
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Mais um 20 de setembro
Hoje é dia 20 de setembro. No Rio Grande do Sul, é feriado, pois comemora-se a Revolução Farroupilha. Trata-se de uma das comemorações mais excêntricas de que se tem notícia. Afinal, a referida revolução, depois de 10 anos de refregas, terminou derrotada. Foi um movimento separatista organizado por estancieiros inconformados com a elevação, por parte do governo imperial, das taxas cobradas sobre o charque, principal produto da economia gaúcha da época. A chamada República Rio-Grandense, portanto, teve uma existência muito curta. Outro fato que deve ser ressaltado é que a capital do Estado, Porto Alegre, e Rio Grande, seu único porto marítimo, rechaçaram todas as tentativas dos revolucionários de ocupá-las. A república gaúcha, em sua breve duração, teve várias capitais, em municípios que, ainda hoje, possuem pouca expressão demográfica e econômica. Depois de 10 anos, os revolucionários entraram em acordo com o Império, pondo fim ao movimento separatista. Uma história que ainda ficou manchada, em seu final, pelo massacre de Porongos, onde os negros escravos que lutaram junto com os farroupilhas foram por eles traídos e entregues ao ataque das forças imperiais. Nada disso impediu que, em torno do episódio farroupilha se criasse toda uma apologia que só faz crescer. A exaltação á "Guerra dos Farrapos", que sempre foi grande, ao ponto da bandeira da extinta república ter sido adotada como pavilhão do Rio Grande do Sul, aumentou ainda mais a partir do surgimento do chamado movimento tradicionalista, encabeçado, entre outros, por Barbosa Lessa e Paixão Cortes, que faz uma defesa apaixonada do que seriam as "raízes culturais" do Estado. O movimento tradicionalista é tentacular, está em todos os lugares. Seu marketing é agressivo e coercitivo, tentando impingir a todos as suas "verdades" e valores. Tornou-se tão forte que ninguém se dispõe a bater com ele de frente. Governantes e meios de comunicação cedem às suas imposições, ajudando a propagar a mentira histórica que faz de um movimento elitista de senhores proprietários de terra uma "revolução" e que ignora a derrota final transformando-o num feito a ser exaltado ao longo do tempo. Muitos são os que sabem ser tudo uma grande empulhação, mas poucos os que se encorajam a enfrentar a colossal máquina de propaganda dos defensores do gauchismo. Assim, a cada ano, são mais atividades, desfiles, programas de televisão e reportagens de jornais tonitruando as façanhas farroupilhas. Em tudo isso, uma grande vítima agoniza diante de todos: a verdade. Ela, no entanto, não serve aos interesses dos que faturam com a ideologia "gaudéria". Todos os que ousam tentar ir, publicamente, na direção contrária, são logo abatidos pela poder de fogo dos tradicionalistas, que querem fazer crer que quem não lê pela sua cartilha não é gaúcho e deve, então, abandonar os "pagos" e cantar em outra freguesia. Nada pode ser mais fascista do que isso.
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
O retorno da crise
O Inter perdeu por 2 x 0 para o Bahia, hoje, na Arena Fonte Nova, pelo Campeonato Brasileiro. O time teve uma atuação muito fraca, especialmente no primeiro tempo. Nem mesmo as quatro bolas na trave ao longo da partida servem como atenuante. O desempenho do time foi decepcionante, determinando a derrota para um adversário limitadíssimo. O primeiro tempo foi de baixíssimo nível técnico. O Bahia não mostrava nenhum poder ofensivo, e errava muitos passes. No segundo tempo, o Bahia voltou mais animado, e abriu o placar. Só então o Inter reagiu e foi para cima, criando várias oportunidades de gol, mas desperdiçando todas. Foi preciso, portanto, que o Inter sofresse um gol para que resolvesse atacar com insistência. Porém, o gol não aconteceu, e, no final do jogo, o Bahia ampliou o placar para 2 x 0. A crise do Inter, que parecia ter sido debelada com a vitória sobre o Criciúma, voltou com toda a força, e a torcida já pede, abertamente, a saída do técnico Dunga. Os próximos dias do Inter serão de grande turbulência.
Desilusão
O Grêmio empatou em 1 x 1 com o Santos, ontem, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro. Em dois jogos seguidos em casa o Grêmio só obteve um ponto dos seis disputados. O torcedor, contudo, não foi pego de surpresa. Apenas 13 mil pessoas compareceram ao jogo, público de Campeonato Gaúcho. A derrota para o Atlético Mineiro e o afastamento da possibilidade de ganhar o título do Brasileirão já haviam desiludido a torcida. O futebol mostrado pelo time foi decepcionante. A atuação do Grêmio no primeiro tempo foi tão fraca que o atacante Kléber, após o jogo, disse que o time parecia estar "passeando no shopping". O segundo tempo começou no mesmo diapasão, até que, aos 26 minutos, o técnico do Grêmio, Renato, trocou Zé Roberto por Vargas. Um minuto depois, Vargas, em grande jogada, passou para Elano marcar um golaço. A substituição pareceu ter destravado o Grêmio que ganhou em velocidade com Vargas, e se tornou um time mais insinuante. A impressão era de que, após a enorme dificuldade em fazer o primeiro gol, o Grêmio ampliaria o placar. Isso não aconteceu. Estranhamente, o Grêmio se encolheu, na busca de garantir o resultado, permitiu o avanço do Santos e sofreu o empate. Um péssimo resultado, que afasta o clube, definitivamente, da busca pelo título, e ameaça, até mesmo, a classificação para a Libertadores.
terça-feira, 17 de setembro de 2013
Grande filme
O filme "Rush - No Limite da Emoção" entrou em cartaz na sexta-feira passada. Retrata a disputa acirrada pelo título do Campeonato Mundial de Fórmula 1 de 1976 entre os pilotos James Hunt e Niki Lauda. Merecidamente, vem recebendo uma série de elogios. Para quem é mais jovem, e não conhecia esse período da Fórmula 1, a história retratada no filme, por certo, se revelará fascinante. Para quem como eu, sempre acompanhou as corridas da categoria, e era um adolescente na época, é uma deliciosa rememoração. Parece que foi ontem, mas lá se vão 37 anos! Uma disputa emocionante, entre dois pilotos de perfis antagônicos, mas ambos brilhantes, e marcada por um acidente que quase tirou a vida de Lauda. A fidelidade do filme aos detalhes da história enfocada é primorosa, e passa pela escolha dos dois protagonistas, cuja semelhança física com os verdadeiros Hunt e Lauda é impressionante. Algumas imagens das corridas de 1976 são colocadas em meio às encenadas no filme, enriquecendo o aspecto informativo da obra. O ponto alto do filme, é claro é o acidente de Niki Lauda no Grande Prêmio da Alemanha, em que ele quase morreu. Lauda sofreu gravíssimas queimaduras, que lhe deformaram o rosto para sempre. O mais incrível é que, apenas 42 dias depois, ele estava de volta ás corridas. No período em que Lauda esteve ausente, James Hunt aproveitou para acumular vitórias e pontos. Mesmo ficando fora de vários grandes prêmios, Lauda retornou ainda em condições de ser campeão. Tão espantoso quanto a sua volta em tempo recorde, é o fato de ter obtido o 4º lugar na corrida. Lauda, que buscava o bicampeonato, só não ficou com o título porque, no último grande prêmio do ano, o do Japão, abandonou a prova, por vontade própria, em razão da chuva intensa que caía. Ainda assim, por pouco não foi campeão. Hunt conquistou o título ao conseguir, com extremo esforço, chegar em 3º lugar. Se Hunt chegasse abaixo dessa colocação, Lauda seria o campeão. Ao retratar a emocionante disputa entre os dois nas pistas, e mostrar detalhes de suas vidas pessoais, o filme agrada em cheio ao espectador. Recomendo que, quem puder, vá vê-lo. Com certeza, não irá se arrepender.
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
A insistência de Serra
José Serra é um político que já exerceu diversos cargos, foi prefeito, governador, ministro da Saúde. Seu grande sonho, porém, é ser presidente. Nada há de errado nisso, é uma aspiração legítima. O problema é que esse é um desejo que, para se concretizar, precisa da concordância do eleitor. Na sua primeira tentativa de se eleger presidente, em 2002, Serra foi derrotado por Luís Inácio Lula da Silva. Em 2006, Lula reelegeu-se, mas concorrendo contra outro candidato do PSDB, Geraldo Alckmin. Porém, em 2010, oito anos depois da primeira tentativa, e, nesse interregno, tendo sido prefeito e governador de São Paulo, Serra voltou a concorrer ao cargo, e perdeu novamente, dessa vez para Dilma Roussef. Apenas dois anos se passaram e, em 2012, voltou a participar de uma eleição, para prefeito de São Paulo, e perdeu para Fernando Haddad. Em todas estas eleições, numa prova da polarização política que se estabeleceu no Brasil, a disputa se deu entre Serra, pelo PSDB, e um candidato do PT. José Serra perdeu todas. Mesmo assim, ele não desiste, embora as evidências de que sua hora já passou. Ele poderá argumentar em contrário, dizendo que Lula, antes de se eleger presidente pela primeira vez, perdeu em três oportunidades, ou ainda, que Fernando Henrique Cardoso foi derrotado por Jânio Quadros numa eleição para prefeito de São Paulo, e isso não o impediu, mais tarde, de se tornar presidente. Porém, há diferenças entre essas situações. O PT, mesmo com três derrotas consecutivas, jamais cogitou lançar outro candiadto que não fosse Lula. Fernando Henrique, depois da derrota para Jânio, foi o ministro da Fazenda que conduziu o Plano Real, o que lhe trouxe grande prestígio. Serra insiste em que o PSDB faça prévias para escolher seu candidato a presidente, mas parece óbvio que o partido já optou pelo senador Aécio Neves. O governador de Minas Gerais, Antônio Anastasia, não deixa dúvidas quanto a isso. Ele diz, em entrevista ás páginas amarelas da edição dessa semana da revista "Veja": "O partido deveria ganhar tempo e pôr logo a campanha na rua em vez de se perder em disputas internas. Aécio Neves já conquistou a base e as lideranças do PSDB, Chegou a vez dele". A colunista da revista "Época", Ruth de Aquino, acha que o PSDB deveria transformar Serra, definitivamente, num quadro na parede. Serra deveria poupar sua biografia política de um desfecho tão constrangedor e sair de cena por decisão própria, antes de ser rejeitado publicamente.
domingo, 15 de setembro de 2013
Frustração
O Grêmio perdeu por 1 x 0 para o Atlético Mineiro, hoje, na Arena, pelo Campeonato Brasileiro. Foi um resultado extremamente frustrante para o clube e sua torcida, por várias razões. Em primeiro lugar, por ocorrer no dia em que o Grêmio comemorou 110 anos de fundação, uma data muito expressiva. Depois, pelo fato de ser derrotado pelo time no qual joga Ronaldinho, o maior desafeto do torcedor do Grêmio. Por fim, porque essa derrota deixa o Grêmio muito atrasado em relação ao dois primeiros colocados do Brasileirão, Cruzeiro e Botafogo, diminuindo suas chances de ser campeão. Sobrou poder de marcação e empenho ao Grêmio, mas faltou criatividade e maior ímpeto ofensivo. O ataque do Grêmio conclui pouco durante os jogos, isso já se tornou um problema crônico. Vargas e Barcos não jogaram bem, e o chileno perdeu dois gols feitos na sequência do mesmo lance. Logo a seguir, o Atlético Mineiro, que praticamente não atacava, fez o seu gol. Um duro golpe para os mais de 36 mil torcedores que compareceram ao jogo. O Grêmio, agora, jogará quarta-feira, contra o Santos, novamente na Arena, uma partida que terá de vencer, obrigatoriamente, se ainda quiser sonhar com o título. No dia do seu aniversário, o Grêmio não ganhou o presente que mais desejava, a vitória.
Cumprindo com o dever
O Inter ganhou do Criciúma por 1 x 0, hoje à tarde, no Heriberto Hülse, pelo Campeonato Brasileiro. Não foi uma vitória com futebol brilhante, mas isso não importa. O essencial era vencer, e o Inter conseguiu. Mesmo com os seus vários tropeços anteriores, o Inter está em 5º lugar no Brasileirão, a um ponto do 4º colocado, pois os resultados paralelos lhe tem sido muito favoráveis. O próximo jogo do Inter será contra o Bahia, na Arena Fonte Nova, um time que vem em queda, depois de um bom início de competição. Ótima oportunidade para obter mais uma vitória e continuar almejando as primeiras colocações. Os próximos dias do Inter deverão ser tranquilos, depois de algumas turbulências em função de um princípio de crise.
Cento e dez anos de glórias
O Grêmio completa, hoje, 110 anos de fundação. Sua história é repleta de glórias e feitos pioneiros. Foi o primeiro clube de Porto Alegre a conquistar o título de campeão gaúcho, em 1921, quando a competição recém alcançava a sua terceira edição. Venceu o primeiro Gre-Nal da história, em 1909, por 10 x 0, placar jamais superado na história do clássico. Foi o primeiro clube do Rio Grande do Sul a ganhar a Taça Libertadores da América e o Campeonato Mundial de Clubes, em 1983. Tornou a ganhar a Libertadores em 1995. Possui dois títulos de campeão brasileiro. Junto com o Cruzeiro, é o recordista de conquistas da Copa do Brasil, que já venceu por quatro vezes. Foi campeão, também, da Recopa Sul-Americana. No total, ganhou 36 campeonatos gaúchos. Em 1931, disputou o primeiro jogo de futebol noturno do Rio Grande do Sul. Em 1950, foi o primeiro clube fora do Rio de Janeiro a jogar no Maracanã, quando venceu o Flamengo por 3 x 1. Em 1959, goleou o Boca Juniors por 4 x 1, em plena Bombonera, com todos os gols marcados por Gessy Lima, um dos maiores craques do clube em todos os tempos. Muitas das glórias do Grêmio foram conquistadas na casa dos adversários, tendo um estádio inteiro contra si, como foi o caso do Campeonato Brasileiro de 1981, ganho contra o São Paulo, no Morumbi, a Libertadores de 1995, enfrentando o Nacional (COL), em Medellin, e as Copas do Brasil de 1997, no Maracanã, e 2001, no Morumbi, tendo por adversários, respectivamente, o Flamengo e o Corinthians.. Hoje, o Grêmio tem mais de 7 milhões de torcedores, o que faz dele o 6º clube mais popular do Brasil, e o primeiro fora do eixo Rio-São Paulo. Completar 110 anos é para poucos. São raras as pessoas que alcançam tão provecta idade. Empresas vitoriosas, dos mais diversos ramos, soçobram antes de atingir tal marca. Uma existência longa e vitoriosa, digna de todos os aplausos. Parabéns, Grêmio!
sábado, 14 de setembro de 2013
Embargos infringentes
O assunto está em todas as rodas, despertando reações. A decisão a ser anunciada, na próxima quarta-feira, sobre o acolhimento, ou não, dos chamados embargos infringentes no julgamento dos réus do mensalão. Não há dúvida de que o mensalão existiu e a prova está é que, em julgamento realizado em 2012, vários réus foram condenados. Porém, como o regimento interno do Supremo Tribunal Federal prevê a apresentação de embargos infringentes quando o réu obtém pelo menos quatro votos a favor de sua absolvição, e 12 dos 25 condenados se encaixam nesse perfil, eles poderão ter penas reduzidas ou não cumpri-las em regime fechado. A situação é extremamente controvertida. Ela envolve o embate entre a aplicação do Direito ao pé da letra e o clamor das ruas pelo fim da impunidade. A votação sobre o acolhimento dos embargos infringentes está empatada, até agora. Foram cinco votos a favor e outros tantos contra o acolhimento. Caberá ao decano do Supremo Tribunal Federal, ministro Celso de Mello, o voto de desempate. Na verdade, a questão já poderia ter sido decidida. A postergação do voto de Celso de Mello foi uma manobra do presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, que encerrou a sessão antes que se desse a definição. A intenção de Barbosa, que votou contra a aceitação dos embargos, foi fazer com que o período de uma semana entre uma e outra sessão, influenciasse a decisão de Celso de Mello, devido ás pressões da opinião pública. A revista "Veja", que é contra o acolhimento, resume a questão na capa da sua edição que chegou hoje às bancas, afirmando ser uma decisão entre a tecnicalidade e a impunidade. Eis o dilema. Se os embargos forem acolhidos, a impressão que ficará é a de que, mais uma vez, assou-se uma imensa pizza para beneficiar criminosos de colarinho branco. Se eles forem rejeitados, muitos juristas e operadores do Direito poderão dizer que se tratou de uma decisão emocional, não sustentada pelas previsões e textos legais. Celso de Mello está numa sinuca, pois, quando do julgamento do mensalão, votou pela condenação dos réus, mas, por outro lado, também em 2012, manifestou-se em favor da aplicação dos embargos. Caso decida pelo acolhimento, portanto, Celso de Mello estaria revertendo o próprio voto condenatório que deu quando do julgamento do mensalão. Particularmente, entendo que será o que fará Celso de Mello, desempatando em favor da aceitação dos embargos. A repercussão junto à sociedade será péssima, pois, na prática, significará um prolongamento quase indefinido do julgamento do mensalão, com a consequente sensação de impunidade. A respeito disso, o ministro Luís Roberto Barroso, que votou a favor dos embargos, declarou: "Ninguém deseja o prolongamento dessa ação. Mas é para isso que existe a Constituição: para que o direito de onze não seja atropelado pelo interesse de milhões". A chave da questão talvez esteja nas palavras da ministra Rosa Weber, que também votou em favor do acolhimento. Sobre os embargos, afirmou ela: "Ainda que se trate de recurso arcaico, anacrônico ou contraproducente, entendo que a técnica jurídica não autoriza a concluir pela sua revogação". Ai está o cerne da questão, a "técnica jurídica". Ministros do Supremo Tribunal Federal, em princípio, são pessoas de notável saber jurídico, e é nele que se escoram para tomarem suas decisões, a despeito delas convergirem ou não com o senso comum. Por outro lado, como bem colocou o ministro Marco Aurélio Melo, que votou contra a aceitação dos embargos, o Supremo cresceu junto aos cidadãos, numa época em que as instituições estão fragilizadas, mas está a um voto de perder essa condição, o que, conforme observou, transfere uma enorme carga de responsabilidade para Celso de Mello. Ainda faltam quatro dias para a revelação do voto de desempate, mas, tudo indica, irá prevalecer a técnica jurídica sobre o clamor das ruas.
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