sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

O mundo não acabou

Finalmente, o dia 21 de dezembro de 2012 chegou. Uma interpretação do calendário maia apontou essa data como sendo "o dia do fim do mundo". Não é a primeira vez que isso acontece, nem, por certo, será a última. As Profecias de Nostradamus também já foram usadas para marcar a data do fim dos tempos. Portanto, o que varia é a fonte da previsão, mas a ideia de anunciar uma data precisa para o mundo acabar persiste entre as pessoas. Como se pode perceber, do mesmo modo que nas vezes anteriores, o mundo não acabou hoje. Mesmo diante de tantas previsões fracassadas, sempre há quem acredite na próxima predição sobre o fim do mundo. Excetuados os excessivamente crédulos, ou os absolutamente idiotas, a maioria das pessoas, é claro, não leva o tema a sério. Trata o assunto como mais um motivo para "jogar uma conversa fora". Os meios de comunicação, contudo, não perderam a oportunidade, e, enquanto a data "fatídica" não chegava, tratavam exaustivamente do "fim do mundo". Até um seriado de televisão foi criado tendo o tema como foco. Numa época marcada pela superficialidade e frivolidade, o "fim do mundo" foi mais um dos tantos assuntos ocos com que a sociedade se ocupa, enquanto outros, bem mais relevantes, são deixados de lado. Antes que outra data seja apontada como a da destruição da Terra, outras vacuidades e futilidades ganharão espaço nas rodas de conversa. O ser humano é assim, adora um "papo furado". Entre encarar os temas mais sérios e dispersar-se da realidade debatendo sobre asneiras, prefere a segunda opção.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

O futebol contra a pobreza

Pela primeira vez, o "Jogo Contra a Pobreza" foi realizado na América do Sul, mais especificamente no novo estádio do Grêmio, a Arena. Reuniu, como de costume os times "Amigos de Ronaldo" e "Amigos de Zidane". Foi a 10ª edição do jogo, cuja renda beneficia instituições e programas assistenciais de vários países. A partida em si, é claro, não prima pela competitividade. Afinal, trata-se, essencialmente, de uma festa, e os jogadores participantes, em grande parte, já encerraram suas carreiras. Porém, se faltam ritmo e intensidade, sobra qualidade técnica, proporcionada por grandes craques do presente e do passado. No jogo de hoje à noite, a vitória ficou com os amigos de Ronaldo, por 3 x 2. Nomes como Zico, Zidane, Neymar, Lucas, e Falcão, do futebol de salão, realizaram belas jogadas. O estádio recebeu um grande público que mostrou-se satisfeito com o que viu. Um espetáculo de alto nível, com várias estrelas, e com um propósito dos mais meritórios. Recebê-lo, sem dúvida, foi motivo de orgulho para o Rio Grande do Sul e o Brasil.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O fim do livro impresso

Vivemos numa época de aceleradas inovações tecnológicas. Somos surpreendidos, constantemente, pelo aparecimento de aparelhos cada vez mais sofisticados e com uma gama enorme de recursos. Tão veloz é esse processo que aquilo que é moderno hoje, poderá ser totalmente obsoleto meses depois. Mesmo para quem disponha de recursos financeiros, é difícil se manter atualizado tecnologicamente, tamanha a variedade de novos produtos que são colocados no mercado. Alguns deles são potencialmente revolucionários, como é o caso do e-book, o "livro eletrônico". Com sua disseminação, o livro impresso pode estar com os dias contados. Em vez de folhear as páginas de um livro impresso, passaríamos a ler o que estivesse gravado em uma tela. Não resta dúvida de que as pessoas, em sua maioria, adoram uma novidade. Sendo assim, o sucesso do e-book deverá ser crescente. Até porque, afora o charme da inovação, o livro eletrônico é ecologicamente mais correto, por dispensar o uso de papel, cuja fabricação implica na derrubada de árvores. Porém, mesmo sabendo de tudo isso, não acredito na extinção do livro impresso. A portabilidade e manuseabilidade de um livro de papel ainda não pode ser superada. Ele não depende de uma bateria que o faça funcionar. Não corre o risco de quebrar-se. Adapta-se às mais diversas situações de uso. O contato tátil com um livro impresso é uma sensação muito mais gratificante do que a de segurar uma tela entre as mãos. Não sou refratário às mudanças, pois sei que elas são inevitáveis. O e-book veio para ficar, e seu uso se tornará cada vez mais crescente. No entanto, irá conviver com o livro impresso. A história tem nos mostrado que os novos inventos não tiram de cena os mais antigos. Representam um acréscimo, não uma substituição. Com o e-book não será diferente.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Os efeitos de uma entrevista

A entrevista concedida por Fábio Koff, que tomará posse amanhã como presidente do Grêmio para os próximos dois anos, ao jornal Zero Hora, ontem, foi uma das mais infelizes e desastradas de que se tem notícia. Koff, em vez de estimular a torcida, jogou sobre ela um balde de água fria. Praticamente ninguém, sejam os profissionais de imprensa ou os cidadãos comuns, deixou de condenar a entrevista de Koff, pelo conteúdo lastimável e pela total inoportunidade. Em sua declaração mais impactante, Koff disse que o novo estádio do clube, a Arena, não é do Grêmio, pois terá de ser pago por 20 anos. O futuro presidente acrescentou que o Grêmio só obterá retorno financeiro com o estádio num prazo de seis a oito anos. Revelou, também, que o Grêmio tem um déficit mensal significativo. Para qualquer pessoa medianamente inteligente, tudo isso soa como desculpa antecipada para uma futura frustração dos torcedores. Koff foi um grande presidente do Grêmio, nas duas vezes em que passou pelo cargo. Foi duas vezes campeão da Libertadores. Foi campeão do mundo. Conquistou, também, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro, afora títulos gaúchos. Tudo isso fez dele um ídolo do torcedor. Por isso mesmo, ao concorrer pela terceira vez ao cargo de presidente, foi vitorioso novamente, dessa vez contando, além dos votos dos conselheiros, com os dos associados, o que não ocorrera nas outras duas eleições. A condição de dirigente vencedor, somada às promessas de que tinha uma grande contratação cujo nome estava guardado num cofre e de que o clube contaria com o aporte de recursos de um fundo de investidores, lhe garantiram a vitória. O tal nome guardado no cofre, conforme admitido pelo próprio Fábio Koff, foi apenas uma estratégia eleitoral. O fundo de investidores também não apareceu até agora. O torcedor que apostou suas fichas em Koff para que o Grêmio retomasse a sua rotina de grandes conquistas deve estar extremamente frustrado. Koff nem tomou posse e já adotou o discurso da situação difícil, da herança desfavorável. O que era para ser um novo período de otimismo e confiança na vida do clube, começará tomado pela insegurança e decepção do torcedor. Koff, com sua entrevista, só conseguiu satisfazer aos torcedores do maior rival do Grêmio, o Inter, que "deitaram e rolaram" com o seu conteúdo. Antes mesmo da posse do futuro presidente, o torcedor do Grêmio se vê diante de indícios de que pode ter sido vítima de um estelionato eleitoral.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Corinthians campeão

O Corinthians ganhou do Chelsea por 1x0, hoje, em Yokohama, e é o novo campeão mundial de clubes. Foi um título com a cara do Corinthians. Uma vitória apertada, num jogo em que o adversário era o favorito. As estrelas estavam no Chelsea: David Luiz, Ramires, Lampard, Mata. No Corinthians, mais uma vez sobressaía a força de conjunto. Jogadores como Alessandro, Chicão, Paulinho, Émerson, se destacavam pela bravura. Cássio e Guerrero tornaram-se heróis da conquista. Cássio fechou o gol e foi escolhido o melhor jogador da competição. Guerrero marcou os dois gols, ambos de cabeça, um pelas semifinais e o outro na decisão, que levaram o Corinthians a obter o título. Portanto, foi um título conquistado com duas vitórias por 1 x 0, com um futebol até pobre em certos momentos, mas com foco, aplicação, entrega, senso de conjunto. Um autêntico trabalho em equipe, sem espaço para vedetismos. Um título que coroa a carreira do técnico Tite, que já foi campeão estadual, da Copa do Brasil, do Campeonato Brasileiro, da Copa Sul-Americana, da Libertadores da América e, agora, do Mundial de Clubes. Assim, ao contrário de quando ganhou um torneio de verão, em 2000, que a Fifa denominou de campeonato, o Corinthians é um autêntico campeão mundial. Um título com muitos méritos para quem foi campeão invicto da Libertadores, e que resgata o futebol brasileiro dos vexames dos dois últimos anos no Mundial de Clubes, quando o Inter foi eliminado da decisão pelo Mazembe, do Congo, e o Santos levou uma goleada de  4 x 0 do Barcelona. Duro deve ser para o torcedor gremista entender o fato de seu clube se desfazer de Cássio, vendendo-o, ainda muito jovem, para o PSV Eindhoven, e por quê Alessandro, capitão do Corinthians, onde é titular há cinco anos, era reserva de Patrício no Grêmio.. Parabéns ao Corinthians!

sábado, 15 de dezembro de 2012

A nova realidade dos estádios

A inauguração da Arena do Grêmio, ocorrida há exatamente uma semana, foi o pontapé inicial numa nova realidade em temos de estádios no Brasil. Trata-se do primeiro estádio a ser construído, no país, dentro do chamado "padrão Fifa". Porém, outros estádios em construção também seguem esse modelo, e os que estão sendo reformados para a Copa do Mundo de 2014 serão adaptados a ele. Ainda em dezembro, o Castelão, em Fortaleza, e o Mineirão, em Belo Horizonte, serão reinaugurados, já com suas dependências adaptadas ao referido padrão. O item mais notório do padrão Fifa é que os estádios tem cadeiras em todos os seus setores. Não há torcedores em pé ou sentados diretamente sobre o cimento. A pista atlética também é eliminada, o que aumenta a proximidade do torcedor do anel inferior em relação ao campo de jogo, gerando uma maior interação do público com o espetáculo. Afora isso, há uma série de comodidades e confortos que não estão presentes nos estádios convencionais. Tudo isso é muito bom. Fiquei impressionado com o que vi na Arena do Grêmio, e com as imagens mostradas pela televisão de como ficaram o Castelão e o Mineirão, e de como será o novo Maracanã. A Arena Palmeiras e o Itaquerão, futuro estádio do Corinthians, também serão, a exemplo da Arena do Grêmio, construídos inteiramente dentro dos parâmetros da Fifa. Portanto, o Brasil terá, em breve, estádios de qualidade de "Primeiro Mundo". Esse é o bônus. Agora, vamos ao ônus. O preço dos ingressos em estádios com tanto conforto, é elevado. Mesmo as localidades mais baratas custam pouco menos de R$ 100. Nos estádios privados, a tendência é que a frequência aos jogos acabe limitada aos associados, o que, para o clube, é uma boa fonte de receita ordinária. No entanto, para o torcedor comum e menos aquinhoado financeiramente, significa, praticamente, a impossibilidade do comparecimento às partidas. Se por um lado, com o padrão instaurado, os novos estádios se civilizam, por outro se tornam mais elitizados, fato pouco aceitável num esporte tão popular como é o futebol. Há quem diga que os estádios serão, agora, como teatros. O futebol, contudo, não combina com a elegância formal dos teatros. Vibrante por natureza, não pode prescindir do calor e da emoção das multidões.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Popularidade

Uma pesquisa do Ibope confirma aquilo que venho afirmando constantemente, isto é, de que os escândalos, supostos ou reais, divulgados de maneira quase permanente pela imprensa, não afetam a imagem do governo federal, nem a popularidade da presidente Dilma Rousseff. Conforme demonstra a pesquisa, a aprovação do governo permanece no índice recorde de 62%, e a popularidade de Dilma cresceu um ponto em relação ao último levantamento, estando agora em 78%. O "mensalão" esteve nas manchetes durante o ano inteiro. A cada semana, novas acusações surgiam contra o governo do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. Some-se a isso, o fato de que, no início de seu governo, Dilma teve de afastar vários ministros que praticaram malfeitos. Nas últimas semanas, novos escândalos e acusações dominaram o noticiário. Primeiro, o caso envolvendo Rosemary Noronha, poderosa assessora de Lula. Depois, os ataques de Marcos Valério Fernandes de Souza, protagonista do mensalão, ao ex-presidente, que, segundo ele, sabia de tudo o que se passava em relação ao assunto. Pois, mesmo com tal carga sobre o governo anterior e o atual, nada parece atingir os atuais detentores do poder. Isso já havia sido demonstrado em outubro, quando Fernando Haddad, candidato apadrinhado por Lula, saiu de índices baixíssimos nas pesquisas de intenção de voto e elegeu-se prefeito de São Paulo. A nova pesquisa do Ibope vem reafirmar que o prestígio do governo, e de Dilma Rousseff em particular, não é afetado pela onda de denúncias. O eleitor é prático, leva em conta os resultados apresentados pela administração, e os reflexos deles na sua vida. Sabedor de que nunca antes tantos ascenderam à faixa de consumo, de que as desigualdades sociais estão sendo reduzidas, de que os níveis de emprego permanecem satisfatórios, e de que o país tem conseguido se manter a salvo de maiores efeitos da crise econômica no Primeiro Mundo, o eleitor permanece fiel aos que governam o país desde 2003. Para que esse quadro mude, qualquer denúncia, por mais escabroso que pareça ser seu conteúdo, não será suficiente.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

O centenário de Luiz Gonzaga

O dia de hoje marca o centenário de nascimento de Luiz Gonzaga, o "Rei do Baião". Foi um artista extraordinário, e eminentemente popular. Nordestino, trazia todas as características do homem do povo brasileiro, com sua origem pobre, exposto a uma série de dificuldades e tendo de enfrentar preconceitos. Migrou para o Rio de Janeiro e, com muita persistência, conseguiu seu lugar no cenário musical do país, tornando-se uma de suas figuras mais populares. Luiz Gonzaga alcançou o sucesso falando diretamente aos sentimentos das pessoas, sem arroubos estilísticos, pois era um homem de pouca instrução formal. Por isso mesmo, obteve grande aceitação do público, pois muitos se identificavam com sua história e trajetória de vida. Mesmo depois de 23 anos da sua morte, Gonzagão, como também era chamado, não é esquecido. Suas músicas seguem perenes na lembrança dos brasileiros, e atravessam gerações. O Brasil é um país de grandes talentos musicais. Muitas vezes, não os reverencia tanto quanto deveria. O centenário de nascimento de Luiz Gonzaga merece ser festejado com intensidade, como justa homenagem a um dos maiores nomes da arte popular brasileira.

Favoritismo

Depois da vitória do Chelsea sobre o Monterrey, do México, por 3 x 1, hoje, aqueles que achavam que o Corinthians é o favorito para conquistar o Campeonato Mundial de Clubes, devem estar revisando sua posição. Ao contrário do Corinthians, cuja vitória sobre o Al Ahly, do Egito, ontem, foi opaca, o Chelsea ganhou do Monterrey com sobras. Chegou a estar goleando por 3 x 0, e foi muito superior ao longo do jogo. Depois de fazer 1 x 0 no primeiro tempo, liquidou o jogo no começo do segundo, ao fazer dois gols em sequência. Levou um gol, mas não teve o resultado ameaçado. Mostrou um futebol envolvente, técnico, com alguns grandes destaques individuais. Cada jogo é um caso diferente, mas, a se julgar pela atuação de cada um nas semifinais, na decisão de domingo, o Chelsea aparece como o campeão mundial mais provável.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Ravi Shankar

A morte de Ravi Shankar, hoje, aos 92 anos, representa o desaparecimento de um ícone da música. Shankar tornou a música indiana conhecida no mundo ocidental. Tocava cítara, um instrumento tão estranho quanto fascinante na sua sonoridade. Sua introdução no mundo do show business se deveu, em grande parte, a George Harrison, quando ainda era um Beatle. George encantou-se com a cítara, que logo tratou de inserir em músicas dos Beatles. A música do grupo em que a cítara aparece de forma mais marcante talvez seja "Norwegian Wood", belíssima composição assinada por Lennon e McCartney. Harrison e Shankar estabeleceram uma amizade que durou até a morte do primeiro. Foi a partir de um pedido de Shankar que Harrison promoveu o "Concerto para Bangladesh", em 1º de agosto de 1971, no Madison Square Garden, em Nova York, o primeiro grande show de rock beneficente. Shankar, inclusive, foi um dos músicos que se apresentou na ocasião. Os dois também gravaram juntos. No "Concert for George", show realizado no Royal Albert Hall, em Londres, no dia em que se completava 1 ano da morte de George Harrison, Shankar também se apresentou. O músico indiano ganhou três "Grammy" e iria receber o prêmio pela quarta vez na sua próxima edição. Shankar teve uma carreira longa e exitosa, e deixa duas filhas também dedicadas a música. A mais famosa delas é Norah Jones, grande cantora que cancelou a turnê que faria pelo Brasil, e que iniciaria, hoje, por Porto Alegre, ao saber da morte do pai.