quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Tatata Pimentel

Toda a cidade tem seus personagens característicos, pessoas que são indissociáveis da sua paisagem urbana. No caso de Porto Alegre, Tatata Pimentel era uma dessas figuras. Sua morte, aos 74 anos, priva a cidade de uma de suas personalidades fundamentais. Tatata foi professor e comunicador, mas, também, muito mais do que isso. Foi agitador cultural, intelectual, boêmio. Sua cultura era vasta, enciclopédica. Amava os livros e a música. Era um apreciador das óperas. Lia compulsivamente. Era um homem extravagante em suas atitudes, mas que sempre teve o respeito de todos, que nele reconheciam o talento e o brilhantismo. Esse final de ano está sendo cruel com Porto Alegre. Na mesma semana, duas pessoas das mais queridas e emblemáticas da cidade faleceram. Primeiro Jorge Mendes, agora Tatata Pimentel. A sensação que se abate sobre seus amigos e admiradores é a de um imenso vazio, e de uma grande saudade.

Dando força para o rival

Claro que a intenção do Inter não era essa, mas com sua vitória sobre o Vasco, por 2 x 1, de virada, hoje á noite, em São Januário, beneficiou muito mais ao Grêmio, seu maior rival, do que a si próprio. Embora diga acreditar nas possibilidades matemáticas que lhe restam, o Inter sabe que não tem chances de se classificar para a Libertadores. Ao ganhar do Vasco, e deixá-lo nove pontos atrás do Grêmio, faltando apenas seis rodadas para o final do Campeonato Brasileiro, o Inter praticamente definiu os quatro clubes brasileiros que irão para a Libertadores. Pela distância em pontos que possuem sobre os demais clubes, e pelo reduzido número de rodadas que falta até o final do Brasileirão, Fluminense, Atlético Mineiro, Grêmio e São Paulo, deverão ser os quatro classificados para a competição continental. A vitória serviu para o Inter satisfazer seu torcedor depois de duas derrotas consecutivas, proporcionou a primeira grande atuação de Diego Forlán, que fez os dois gols, com a camisa do clube, e marcou a volta de D'Alessandro às grandes atuações. Porém, em termos práticos, foi uma enorme ajuda para o seu mais tradicional adversário.

Só valeu pelo resultado

A vitória do Grêmio sobre o Barcelona de Guayaquil, por 2 x 1, de virada, hoje à noite, no Olímpico, valeu pela classificação obtida para a próxima fase da Copa Sul-Americana. Porém, o desempenho do time, mais uma vez, foi sofrível. O Grêmio padece de falta de poder ofensivo. Kléber continua a não jogar nada, e Marcelo Moreno só foi notado na partida quando desperdiçou uma oportunidade de gol de maneira bisonha, fazendo com que o torcedor perdesse a paciência de vez. Elano foi poupado pelo técnico Vanderlei Luxemburgo, e ficou no banco. Pois foi somente após a sua entrada em campo, no segundo tempo, que o Grêmio melhorou de produção. Novamente, o Grêmio mostrou enormes dificuldades diante de um adversário que se feche e marque forte. Os erros de passe levaram a torcida à exasperação. Com exceção de Anderson Pico, de boa atuação, os demais jogadores deixaram a desejar. O Grêmio segue com boas campanhas nas duas competições que disputa paralelamente, o Campeonato Brasileiro e a Copa Sul-Americana, mas seu futebol não suscita nenhum entusiasmo. Existe uma base de time, mas ela precisará ser substancialmente reforçada se o Grêmio tiver grandes ambições para 2013.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Vício autoritário

O Brasil é um país que ainda não se habituou à prática da democracia. A rigor, o país só vivenciou períodos de efetiva democracia, no plano político, de 1946 a 1964 e de 1985 até os dias de hoje. Como se vê, muito pouco para um país com 512 anos de história. Isso gerou consequências terríveis, e a pior delas é o desapreço de grande parte da população pelas práticas democráticas, a defesa dos direitos humanos, e a pluralidade de ideias e comportamentos. Ao contrário do país libertino e licencioso pintado por alguns, o Brasil é, lamentavelmente, de um conservadorismo muito acentuado. Isso pode ser verificado no atual clima de polarização política que vive o país. A guerra entre PT e PSDB, ou, mais amplamente, entre os partidos de esquerda e os de direita, pelo poder, nunca esteve tão acirrada. Porém, ela não se dá, como deveria, no plano das ideias, mas, sim, em manifestações de ódio e intolerância cada vez mais explícitas. O antipetismo de colunistas como Reinaldo Azevedo e Guilherme Fiúza, das revistas "Veja" e "Época", respectivamente, atingiu um nível fóbico e doentio. Nas redes sociais, a intolerância para com os que pensam diferente é flagrante. Ninguém, por mais ilustre que seja, é poupado. Até mesmo Caetano Veloso, artista notável, foi vítima dessa ira. Por ter dito que apoia a candidatura de Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM) para prefeito de Salvador, Caetano foi atacado por muitos no Facebook. A opção política do cantor e compositor, nesse caso, é surpreendente e lastimável, mas não dá a ninguém o direito de ofendê-lo ou tentar diminuir a qualidade do seu trabalho. A democracia ainda é uma planta frágil no Brasil. Precisa de muito sol e água para que possa crescer e atingir a maturidade. A radicalização de posições em nada colaborará para isso. A postura autoritária é uma marca perceptível tanto da esquerda quanto da direita. Todos querem, apenas, fazer valer sua visão de mundo, excluindo os contrários. Menos mal que, com tantos apostando no pior, as instituições brasileiras tem mostrado solidez. Contra a vontade dos radicais, o Brasil, mesmo com todas as suas mazelas, tem avançado na construção da democracia. O país ainda é muito injusto e desigual, mas tem eleições livres em todos os níveis, cujos resultados são respeitados. Os que pensam diferente de nós devem ser vistos como adversários num embate leal e democrático, não como inimigos a quem se deva destruir.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

O decano sai de cena

Jorge Mendes, decano da crônica esportiva do Rio Grande do Sul, faleceu hoje, dois dias antes de completar 90 anos. Simpático e afável, era um verdadeiro repositório de histórias e fatos do futebol gaúcho e brasileiro, pois começou sua carreira em 1939. Trabalhou em diversos orgãos de imprensa e foi presidente da Associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos (ACEG). Mesmo com a idade avançada, permanecia lúcido e com grande vitalidade. Fazia-se presente em, praticamente, todos os jogos da dupla Gre-Nal em Porto Alegre. Afora ser um profissional competente, era um ser humano admirável. Com a sua morte, o jornalismo e a sociedade do Rio Grande do Sul ficam empobrecidos. Vai fazer muita falta!

A volta do multicampeão

Pela terceira vez, Fábio Koff foi eleito presidente do Grêmio. Koff é o dirigente mais vitorioso da história do Grêmio. Foi duas vezes campeão da América, e venceu, uma vez cada, a Recopa Sul-Americana, a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro. Em 1995 ganhou, também, um Campeonato Gaúcho em que o Grêmio jogou a decisão com um time misto, o "Banguzinho", vencendo a competição em mais duas oportunidades. Seu retorno se dá 16 anos depois do encerramento de seu segundo período como presidente do Grêmio, e cercada de enorme expectativa da torcida. Koff já está com 81 anos, mas todos confiam de que possa ter energia para alcançar as ambiciosas metas que traçou. Tomara que as esperanças da torcida sejam plenamente atendidas. O Grêmio não merece ficar tanto tempo sem a conquista de grandes  títulos. O jejum já dura 11 anos. Fábio Koff promete o retorno aos bons tempos. Esperemos que essa aspiração se concretize, para o bem do Grêmio e, por extensão, do futebol gaúcho.

Tropeço

O empate do Grêmio com o Coritiba em 0 x 0, no Olímpico, no sábado, foi um terrível tropeço na reta final do Campeonato Brasileiro. O Grêmio não está sabendo tirar proveito da tabela que lhe concede maioria de jogos em casa nos últimos jogos do Brasileirão. Seus três últimos jogos no Olímpico terminaram empatados. Depois de empatar apenas um jogo no primeiro turno, o Grêmio já acumula sete empates no segundo. São pontos preciosos que lhe tiraram a chance de aspirar ao título e, agora, tornam difícil até a obtenção do vice-campeonato, que garantiria a classificação direta para a Libertadores, já que, com a vitória de ontem sobre o Fluminense, o Atlético Mineiro está com quatro pontos de vantagem. Menos mal que o São Paulo perdeu para o Flamengo, fazendo com que o Grêmio abrisse mais um ponto de distância sobre o clube paulista na classificação. As próximas rodadas serão decisivas para o Grêmio alcançar seus objetivos. Suas chances ainda são muito boas, mas é preciso parar de desperdiçar pontos.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Paixão nacional

O Brasil parou na noite de hoje. Estava sendo exibido o último capítulo de "Avenida Brasil", novela de um sucesso estrondoso, que mesmerizou a audiência durante meses. Não é de hoje que as novelas de televisão mostram essa capacidade de magnetizar o público. Talvez em nenhum outro país esse gênero de programa televisivo alcance tamanha repercussão. A novela surgiu praticamente junto com a televisão no Brasil. A primeira emissora brasileira, a Tupi, de São Paulo, foi inaugurada em 1950 e, já em 1951, a primeira novela ia ao ar. Ao contrário das novelas atuais, que são exibidas de segunda à sábado, a primeira tinha apenas dois capítulos por semana. A telenovela, que buscou sua inspiração inicial nas novelas de rádio, também de grande sucesso popular, foi, aos poucos, se consolidando no gosto do público. O primeiro grande sucesso do gênero talvez tenha sido "O Direito de Nascer", levada ao ar no início dos anos 60. A partir daí, até os dias de hoje, tivemos uma sucessão de novelas com grande êxito de audiência. Os setores mais intelectualizados da sociedade brasileira, ainda hoje, torcem o nariz para esse fenômeno. As novelas são consideradas, por tais grupos, como um produto culturalmente pobre e alienante. Há outros que entendem que as novelas exercem uma influência nefasta sobre o público, por difundir ideias licenciosas e comportamentos vulgares. Tanto num caso como no outro o que se manifesta é o preconceito. Como tudo que alcança grande repercussão, as novelas atraem a crítica dos invejosos e dos eternos ranzinzas. A verdade, e o ocorrido com "Avenida Brasil" só reafirma isso, é que a novela é uma paixão do povo brasileiro. Se há algo que o Brasil faz bem são as telenovelas. Sua qualidade de produção é cada vez melhor. Há várias décadas já tornaram-se um produto de exportação, sendo vendidas para países de todos os continentes. Por mero ranço ideológico, há quem manifeste desprezo às novelas. Não há razão para isso. Trata-se basicamente de uma forma de entretenimento, e que, ao contrário do viés alienante que lhe é atribuído, muitas vezes leva o público a importantes reflexões sobre as mazelas do país. Com ou sem opositores, o sucesso das novelas no Brasil permanecerá por muito tempo. Até mesmo os jornais do exterior repercutiram o fato de que o país iria parar na noite de hoje para assistir ao final de uma novela. Isso só mostra a qualidade do trabalho da equipe que a realizou, desde o autor, passando pelos atores, diretores e equipe técnica. Uma prova de que os brasileiros são capazes de realizações de alto nível, ao contrário do que pensam os propagadores do complexo de vira-latas que tanto assola o país ao longo de sua história.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Os vetos de Dilma

A presidente Dilma Rousseff vetou nove artigos do novo Código Florestal Brasileiro, aprovado pelo Congresso Nacional. Não cabe, aqui, citar em detalhes os vetos de Dilma, pois tornaria o texto muito extenso e pormenorizado. O que deve ser destacado é que, com sua atitude, a presidente atingiu diretamente os interesses de médios e grandes proprietários rurais, que eram flagrantemente beneficiados pelo novo código. A proposta original do código, aliás, foi reabilitada pelos vetos de Dilma, já que havia sido modificada durante sua tramitação no Congresso Nacional, favorecendo os médios e grandes proprietários e comprometendo a preservação ambiental. Por medidas como essa é que Dilma, a exemplo de seu antecessor e padrinho político, Luís Inácio Lula da Silva, obtém índices altíssimos de popularidade e de aprovação ao seu governo. Erros e malfeitos ocorrem em todos os governos, e no de Dilma isso também acontece. O que concede credibilidade a um governante é a coerência entre o discurso e a prática e a fidelidade aos seus princípios. Com seus vetos, Dilma mostra-se alinhada com sua trajetória histórica de esquerda. A bancada ruralista, é claro, já reclamou contra a decisão de Dilma. O vice-líder do DEM na Câmara dos Deputados, Ronaldo Caiado (GO), disse que a presidente está querendo legislar por decreto e quer que seus vetos sejam julgados pelo Congresso. Isso, no entanto, não deverá acontecer. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) declarou que não há espaço na pauta para o julgamento dos vetos, e a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou que o Código Florestal Brasileiro é uma página virada. Por essas e por outras é que a direita brasileira, apoiada pela imprensa conservadora, ataca frontalmente o governo. Afinal, é a primeira vez na história do país que seus interesses estão sendo contrariados.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Desolação

A derrota do Inter para o Figueirense, por 2 x 1, em pleno Beira-Rio, estabelece, para o clube, um quadro de absoluta desolação. Depois de perder, no sábado, para o lanterna absoluto do Campeonato Brasileiro, o Atlético Goianiense, no Serra Dourada, o Inter foi batido, também, pelo vice-lanterna, e o que é pior, dentro de sua casa. Em ambos os jogos, o Inter saiu vencendo, ou seja, permitiu que os adversários ganhassem de virada. As declarações do técnico Fernandão, e do vice-presidente de futebol, Luciano Davi, soam patéticas, demonstrando a falta de rumo do clube nesse momento. O Inter fazia uma campanha insatisfatória. Agora, ela já começa a ser vexatória. A cada dia, os resultados evidenciam a necessidade de mudanças profundas no Inter. Para o ano que vem, será preciso fazer alterações radicais. Não dá para manter a mesma base de time por mais um ano. Vários jogadores já cumpriram o seu ciclo, não havendo razão para que permaneçam. O Inter do novo ano não poderá ser apenas mais um remendo numa base vitoriosa mas já envelhecida. Terá de ser um time renovado. Só assim as vitórias poderão retornar. Por enquanto, resta ao torcedor sofrer com a sucessão de fiascos, e sonhar com dias melhores.