segunda-feira, 22 de outubro de 2012

O decano sai de cena

Jorge Mendes, decano da crônica esportiva do Rio Grande do Sul, faleceu hoje, dois dias antes de completar 90 anos. Simpático e afável, era um verdadeiro repositório de histórias e fatos do futebol gaúcho e brasileiro, pois começou sua carreira em 1939. Trabalhou em diversos orgãos de imprensa e foi presidente da Associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos (ACEG). Mesmo com a idade avançada, permanecia lúcido e com grande vitalidade. Fazia-se presente em, praticamente, todos os jogos da dupla Gre-Nal em Porto Alegre. Afora ser um profissional competente, era um ser humano admirável. Com a sua morte, o jornalismo e a sociedade do Rio Grande do Sul ficam empobrecidos. Vai fazer muita falta!

A volta do multicampeão

Pela terceira vez, Fábio Koff foi eleito presidente do Grêmio. Koff é o dirigente mais vitorioso da história do Grêmio. Foi duas vezes campeão da América, e venceu, uma vez cada, a Recopa Sul-Americana, a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro. Em 1995 ganhou, também, um Campeonato Gaúcho em que o Grêmio jogou a decisão com um time misto, o "Banguzinho", vencendo a competição em mais duas oportunidades. Seu retorno se dá 16 anos depois do encerramento de seu segundo período como presidente do Grêmio, e cercada de enorme expectativa da torcida. Koff já está com 81 anos, mas todos confiam de que possa ter energia para alcançar as ambiciosas metas que traçou. Tomara que as esperanças da torcida sejam plenamente atendidas. O Grêmio não merece ficar tanto tempo sem a conquista de grandes  títulos. O jejum já dura 11 anos. Fábio Koff promete o retorno aos bons tempos. Esperemos que essa aspiração se concretize, para o bem do Grêmio e, por extensão, do futebol gaúcho.

Tropeço

O empate do Grêmio com o Coritiba em 0 x 0, no Olímpico, no sábado, foi um terrível tropeço na reta final do Campeonato Brasileiro. O Grêmio não está sabendo tirar proveito da tabela que lhe concede maioria de jogos em casa nos últimos jogos do Brasileirão. Seus três últimos jogos no Olímpico terminaram empatados. Depois de empatar apenas um jogo no primeiro turno, o Grêmio já acumula sete empates no segundo. São pontos preciosos que lhe tiraram a chance de aspirar ao título e, agora, tornam difícil até a obtenção do vice-campeonato, que garantiria a classificação direta para a Libertadores, já que, com a vitória de ontem sobre o Fluminense, o Atlético Mineiro está com quatro pontos de vantagem. Menos mal que o São Paulo perdeu para o Flamengo, fazendo com que o Grêmio abrisse mais um ponto de distância sobre o clube paulista na classificação. As próximas rodadas serão decisivas para o Grêmio alcançar seus objetivos. Suas chances ainda são muito boas, mas é preciso parar de desperdiçar pontos.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Paixão nacional

O Brasil parou na noite de hoje. Estava sendo exibido o último capítulo de "Avenida Brasil", novela de um sucesso estrondoso, que mesmerizou a audiência durante meses. Não é de hoje que as novelas de televisão mostram essa capacidade de magnetizar o público. Talvez em nenhum outro país esse gênero de programa televisivo alcance tamanha repercussão. A novela surgiu praticamente junto com a televisão no Brasil. A primeira emissora brasileira, a Tupi, de São Paulo, foi inaugurada em 1950 e, já em 1951, a primeira novela ia ao ar. Ao contrário das novelas atuais, que são exibidas de segunda à sábado, a primeira tinha apenas dois capítulos por semana. A telenovela, que buscou sua inspiração inicial nas novelas de rádio, também de grande sucesso popular, foi, aos poucos, se consolidando no gosto do público. O primeiro grande sucesso do gênero talvez tenha sido "O Direito de Nascer", levada ao ar no início dos anos 60. A partir daí, até os dias de hoje, tivemos uma sucessão de novelas com grande êxito de audiência. Os setores mais intelectualizados da sociedade brasileira, ainda hoje, torcem o nariz para esse fenômeno. As novelas são consideradas, por tais grupos, como um produto culturalmente pobre e alienante. Há outros que entendem que as novelas exercem uma influência nefasta sobre o público, por difundir ideias licenciosas e comportamentos vulgares. Tanto num caso como no outro o que se manifesta é o preconceito. Como tudo que alcança grande repercussão, as novelas atraem a crítica dos invejosos e dos eternos ranzinzas. A verdade, e o ocorrido com "Avenida Brasil" só reafirma isso, é que a novela é uma paixão do povo brasileiro. Se há algo que o Brasil faz bem são as telenovelas. Sua qualidade de produção é cada vez melhor. Há várias décadas já tornaram-se um produto de exportação, sendo vendidas para países de todos os continentes. Por mero ranço ideológico, há quem manifeste desprezo às novelas. Não há razão para isso. Trata-se basicamente de uma forma de entretenimento, e que, ao contrário do viés alienante que lhe é atribuído, muitas vezes leva o público a importantes reflexões sobre as mazelas do país. Com ou sem opositores, o sucesso das novelas no Brasil permanecerá por muito tempo. Até mesmo os jornais do exterior repercutiram o fato de que o país iria parar na noite de hoje para assistir ao final de uma novela. Isso só mostra a qualidade do trabalho da equipe que a realizou, desde o autor, passando pelos atores, diretores e equipe técnica. Uma prova de que os brasileiros são capazes de realizações de alto nível, ao contrário do que pensam os propagadores do complexo de vira-latas que tanto assola o país ao longo de sua história.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Os vetos de Dilma

A presidente Dilma Rousseff vetou nove artigos do novo Código Florestal Brasileiro, aprovado pelo Congresso Nacional. Não cabe, aqui, citar em detalhes os vetos de Dilma, pois tornaria o texto muito extenso e pormenorizado. O que deve ser destacado é que, com sua atitude, a presidente atingiu diretamente os interesses de médios e grandes proprietários rurais, que eram flagrantemente beneficiados pelo novo código. A proposta original do código, aliás, foi reabilitada pelos vetos de Dilma, já que havia sido modificada durante sua tramitação no Congresso Nacional, favorecendo os médios e grandes proprietários e comprometendo a preservação ambiental. Por medidas como essa é que Dilma, a exemplo de seu antecessor e padrinho político, Luís Inácio Lula da Silva, obtém índices altíssimos de popularidade e de aprovação ao seu governo. Erros e malfeitos ocorrem em todos os governos, e no de Dilma isso também acontece. O que concede credibilidade a um governante é a coerência entre o discurso e a prática e a fidelidade aos seus princípios. Com seus vetos, Dilma mostra-se alinhada com sua trajetória histórica de esquerda. A bancada ruralista, é claro, já reclamou contra a decisão de Dilma. O vice-líder do DEM na Câmara dos Deputados, Ronaldo Caiado (GO), disse que a presidente está querendo legislar por decreto e quer que seus vetos sejam julgados pelo Congresso. Isso, no entanto, não deverá acontecer. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) declarou que não há espaço na pauta para o julgamento dos vetos, e a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou que o Código Florestal Brasileiro é uma página virada. Por essas e por outras é que a direita brasileira, apoiada pela imprensa conservadora, ataca frontalmente o governo. Afinal, é a primeira vez na história do país que seus interesses estão sendo contrariados.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Desolação

A derrota do Inter para o Figueirense, por 2 x 1, em pleno Beira-Rio, estabelece, para o clube, um quadro de absoluta desolação. Depois de perder, no sábado, para o lanterna absoluto do Campeonato Brasileiro, o Atlético Goianiense, no Serra Dourada, o Inter foi batido, também, pelo vice-lanterna, e o que é pior, dentro de sua casa. Em ambos os jogos, o Inter saiu vencendo, ou seja, permitiu que os adversários ganhassem de virada. As declarações do técnico Fernandão, e do vice-presidente de futebol, Luciano Davi, soam patéticas, demonstrando a falta de rumo do clube nesse momento. O Inter fazia uma campanha insatisfatória. Agora, ela já começa a ser vexatória. A cada dia, os resultados evidenciam a necessidade de mudanças profundas no Inter. Para o ano que vem, será preciso fazer alterações radicais. Não dá para manter a mesma base de time por mais um ano. Vários jogadores já cumpriram o seu ciclo, não havendo razão para que permaneçam. O Inter do novo ano não poderá ser apenas mais um remendo numa base vitoriosa mas já envelhecida. Terá de ser um time renovado. Só assim as vitórias poderão retornar. Por enquanto, resta ao torcedor sofrer com a sucessão de fiascos, e sonhar com dias melhores.

Montanha-russa

O empate do Grêmio em 2 x 2 com o Fluminense, hoje à noite, no Engenhão, levou seus torcedores, a exemplo do que já havia acontecido no domingo, a viverem uma montanha-russa de emoções. O Grêmio jogou melhor, praticamente, durante toda a partida. Ainda no primeiro tempo, poderia ter feito gols. No início do segundo tempo, finalmente, abriu o placar, mas não sustentou a vantagem, permitindo o empate numa falha de marcação, após uma cobrança de escanteio. Um pouco depois, sofreu a virada, num chute de longa distância de Rafael Sóbis. Mesmo que o chute tenha sido forte e bonito, houve falha do goleiro Marcelo Grohe, pois ele estava adiantado e a bola foi na sua direção. Como se não bastassem esses terríveis erros, Marcelo Moreno, que estava no banco, foi expulso 43 segundos depois de entrar em campo, por uma cotovelada em Rafael Sóbis. O cenário que se apresentava para o Grêmio era desastroso. Afinal, perdia o jogo e tinha um homem a menos. No entanto, o Grêmio mostrou capacidade de reação, e o que poderia se transformar numa goleada do Fluminense acabou num empate. Ficou a impressão, ainda, de que se o jogo durasse mais alguns minutos, o Grêmio conseguiria virar a partida, novamente. Em termos de classificação, o resultado foi pouco útil, pois o Grêmio continua 11 pontos atrás do Fluminense, e, agora, restam, apenas, sete rodadas para o final do Campeonato Brasileiro. Porém, o Grêmio soube reagir à adversidade, o que mantém seu ânimo em alta para os jogos que faltam até o encerramento do Brasileirão.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Com cara de Seleção

A goleada da Seleção Brasileira por 4 x 0 sobre o Japão, hoje, em Breslávia, na Polônia, parece apontar novos rumos para a equipe. Ainda que o Japão esteja longe de ser um adversário fortíssimo, também não é uma seleção desprezível. Na semana passada, por exemplo, ganhou da França, em Paris. Se antes não se tinha ideia de qual era a equipe titular da Seleção, agora ela já parece ter sua definição encaminhada. Com a entrada de Kaká, a lacuna existente no meio de campo pode, finalmente, estar sendo preenchida. Com exceção do goleiro, posição ainda em aberto, a defesa parece estar escalada, com Daniel Alves, David Luiz, Thiago Silva e Marcelo. Daniel Alves e Marcelo estão machucados, mas, quando voltarem, serão titulares, sem discussão. O meio de campo achou sua dupla de volantes, Paulinho e Ramires, ambos em excelente fase de suas carreiras. Com Kaká e Oscar nas meias, o setor apresenta um alto nível técnico. No ataque, Neymar dispensa considerações. O único senão é a presença de Hulk, um atacante vigoroso e esforçado, mas sem o padrão técnico dos demais jogadores. O técnico da Seleção Brasileira, Mano Menezes, está optando por uma equipe sem um centroavante de ofício, com o que não concordo. Acho imprescindível a presença de um centroavante, e entendo que o técnico deve passar por cima de qualquer atrito pessoal e convocar Fred que é, indiscutivelmente, o melhor do país. O que fica do jogo de hoje, contudo, é que, com todas as ressalvas que se façam em relação ao nível de exigência da partida, a Seleção Brasileira apresentou  uma ideia de conjunto, mostrou identidade. Depois de mais de dois anos sob o comando de Mano Menezes, a Seleção Brasileira, enfim, tem uma cara.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O escândalo das arbitragens

O Campeonato Brasileiro de 2012 já vinha chamando a atenção pelo péssimo nível das arbitragens, num patamar nunca antes visto. Porém, depois da rodada do último fim de semana, o que parecia apenas fruto da má qualidade dos árbitros já dá margem a desconfianças de que algo mais grave esteja por trás de tal quadro. Os erros cometidos pelo árbitro Niélson Nogueira Dias (PE) no jogo entre Fluminense 2 x 1 Ponte Preta, em São Januário, são intoleráveis, pois determinaram o resultado da partida e praticamente definiram quem será o campeão do Brasileirão. O Fluminense perdia o jogo até os 38 minutos do segundo tempo quando o árbitro, que já havia expulsado um jogador da Ponte Preta, marcou um pênalti inexistente para o clube carioca. Poucos minutos depois, inverteu uma falta em favor da Ponte Preta, marcando-a para o Fluminense que, nesse lance, obteve o gol da vitória. No jogo entre Atlético Mineiro 2 x 1 Sport, no Independência, um pênalti claro em favor do clube pernambucano, aos 48 minutos do segundo tempo, não foi marcado pelo árbitro Flávio Rodrigues Guerra (SP), influindo diretamente no resultado. Os árbitros dessas partidas, e o bandeirinha Bruno Boschilia (PR), que trabalhou no jogo Flamengo 1 x 1 Cruzeiro, no Engenhão, e marcou um impedimento inexistente num gol do rubro-negro foram suspensos, o que já havia ocorrido com outros que haviam errado anteriormente. O efeito prático dessas suspensões, contudo, não parece ser relevante. Afora isso, os clubes que foram prejudicados não recuperarão seus pontos. Os erros sucessivos e cada vez mais graves das arbitragens já mancharam o campeonato de maneira irremediável. Mais cedo ou mais tarde, por mais que a Fifa resista à ideia, terá de ser implementado no futebol o auxílio eletrônico às arbitragens, a exemplo do que ocorre em outros esportes. Por mais cara e de difícil implementação que seja essa medida, ela terá de ser tomada, ou a credibilidade do futebol ficará totalmente comprometida.

domingo, 14 de outubro de 2012

Um dia de sonhos e frustrações

O empate do Grêmio com o Botafogo em 1 x 1, hoje, no Olímpico, causou uma enorme frustração no seu torcedor. O resultado, combinado com as vitórias de Fluminense e Atlético Mineiro, deixou o Grêmio, novamente, em terceiro lugar no Campeonato Brasileiro. Agora, o Grêmio está 11 pontos atrás do Fluminense, o que torna a conquista do título quase impossível. O pior para a torcida do Grêmio é que os resultados parciais chegaram a ser inteiramente favoráveis. O Atlético Mineiro estava perdendo para o Sport, no Independência, e só virou o jogo no final. O mesmo aconteceu na partida entre Fluminense e Ponte Preta, em São Januário. Caso os resultados iniciais persistissem, o Grêmio, com uma vitória, ficaria com três pontos a mais que o Atlético Mineiro e diminuiria para seis pontos a sua desvantagem para o Fluminense. Como se não bastassem as viradas de seus concorrentes, o Grêmio permitiu o empate ao Botafogo já no final do jogo. Uma enorme ducha de água fria, que, afora a decepção do torcedor, deve ter abalado o ânimo do grupo. Porém, mais do que nunca, o jogo do Grêmio contra o Fluminense, na próxima quarta-feira, no Engenhão, é decisivo. Se ganhar, o Grêmio diminui um pouco sua distância para o adversário, impede que o Atlético Mineiro também amplie sua diferença sobre ele, atualmente de dois pontos, e evita a aproximação de clubes que estão atrás na tabela. A boa notícia é que titulares importantes, cujas ausências foram muito sentidas hoje, estarão de volta. O empate contra o Botafogo foi um baque, mas nada está perdido. O título, embora cada vez mais distante, ainda não está decidido, e a classificação para a Libertadores continua muito bem encaminhada. Não é hora para o Grêmio se deixar abater. O Brasileirão ainda pode trazer muitas alegrias para o clube.