domingo, 9 de setembro de 2012
Derrota lógica
A derrota do Inter para o Fluminense por 1 x 0, hoje à tarde, no Beira-Rio, pode ser tida como lógica. O Inter, embora jogando em casa, estava desfalcado de oito titulares e, nos seis jogos anteriores, havia obtido uma única vitória. O Fluminense, por sua vez, alcançara, no meio de semana, a liderança do Campeonato Brasileiro. Jogando com inteligência, sem se expor demasiadamente, e explorando com eficiência os contra-ataques, o Fluminense chegou á vitória com um gol de Fred que, agora, é o artilheiro isolado do Brasileirão, com 11 gols. O grande nome do jogo, contudo, foi Wellington Nem. Muito veloz, e bastante habilidoso, Wellington Nem foi o grande artífice da jogada do gol, conduzindo a bola por mais de 50 metros, desde o seu campo de defesa, até entregá-la para a conclusão de Fred. A grande dúvida que fica sobre o lance, aliás, é porque Élton não matou a jogada no nascedouro, fazendo uma falta, em vez de permitir que o adversário atravessasse o campo com a bola dominada. Porém, Wellington Nem não se limitou à jogada do gol. Perturbou seus marcadores, fazendo com que Nei fosse expulso após cometer duas faltas violentas sobre ele. Por pouco não marcou seu gol, num lance em que Muriel se chocou com ele, e que, para alguns, teria sido pênalti. Não havia como o Inter obter melhor sorte, e quem pensa o contrário está se deixando levar pela ilusão. Com a derrota de hoje, o título tornou-se praticamente impossível para o Inter, pois sua distância para o líder, o próprio Fluminense, já é de 15 pontos, faltando 15 rodadas para o final da competição. Até mesmo a classificação para a Libertadores está muito difícil. Fluminense, Atlético Mineiro e Grêmio já encaminharam suas classificações, restando apenas a quarta vaga em aberto, que está sendo disputada, afora o Inter, por Botafogo, São Paulo e Cruzeiro. A próxima partida do Inter será contra um adversário direto na busca pela vaga na Libertadores, o Botafogo, fora de casa. O mesmo Botafogo que derrotou o Inter completo por 2 x 1, de virada, no primeiro turno, no Beira-Rio. Portanto, nem mesmo a volta de vários titulares dá a certeza de que o Inter possa sair vencedor. Por sinal, o retrospecto do Inter não é nada animador, pois, dos últimos 15 pontos que disputou, ganhou apenas quatro. A cada rodada, os objetivos do Inter ficam mais distantes de serem alcançados.
sábado, 8 de setembro de 2012
Apagão
O Grêmio perdeu para o Corinthians por 3 x 1, hoje à noite, no Pacaembu, num jogo em que, caso vencesse, obteria a liderança provisória do Campeonato Brasileiro, até que fossem realizadas as demais partidas da rodada. Pior do que a derrota em si, foi a maneira como ela ocorreu. Apresentando um inexplicável apagão, o Grêmio tomou dois gols em sequência, logo no início do jogo, que comprometeram seriamente a sua chance de obter um melhor resultado. Ainda no primeiro tempo, Souza foi substituído por Marquinhos, o que melhorou um pouco o desempenho do time. No segundo tempo, entraram Leandro, que fez o único gol do Grêmio no primeiro lance de que participou, e Marco Antônio, cuja contribuição, mais uma vez, foi nula. A atuação do Grêmio no segundo tempo melhorou sensivelmente, dando a impressão de que o empate poderia ser alcançado, mas aí veio o terceiro gol do Corinthians, que tornou inviável qualquer reação. O resultado nada tem de anormal, já que o adversário, o Corinthians, é um grande clube e jogava em sua casa. Porém, na medida em que o Grêmio é um dos candidatos ao título do Brasileirão, e o Corinthians nada ambiciona na competição, a derrota torna-se ainda mais frustrante. Ainda assim, nada está decidido. O perde e ganha continuará, por certo, até o final, e o campeão só deverá ser definido, como tem acontecido nos últimos anos, na rodada derradeira da competição. Foi um tropeço, incômodo e indesejável, mas que não tira o Grêmio da rota do título.
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
O mesmo de sempre
Poucas coisas são menos estimulantes, hoje em dia, do que assistir um jogo da Seleção Brasileira. Os tempos de belas atuações, proporcionadas por equipes recheadas de craques, infelizmente, ficaram para trás. O jogo de hoje à tarde, no Morumbi, apenas reafirmou esse quadro desalentador. A vitória da Seleção Brasileira por 1 x 0 sobre a África do Sul frustrou os torcedores que compareceram em bom número ao Morumbi. Como já virou hábito no período em que está sob o comando do técnico Mano Menezes, a Seleção apresentou um futebol pobre, sem soluções, em que até jogadores de reconhecida qualidade, como Neymar e Lucas, por exemplo, não conseguem se destacar. A vitória só veio no segundo tempo, quando Hulk saiu do banco de reservas para marcar o único gol do jogo. A consequência de mais essa pífia atuação, como não poderia deixar se ser, foram as vaias da torcida, que já se faziam sentir desde o primeiro tempo e se intensificaram após o final da partida. O mais preocupante é que o adversário é uma equipe tecnicamente modesta e, ainda assim, a Seleção teve enormes dificuldades para ganhar o jogo. O próximo amistoso da Seleção será segunda-feira, contra a China, no Arruda, em Recife. Trata-se de outra equipe fraca, que, inclusive, jã foi desclassificada das Eliminatórias da Ásia para a Copa do Mundo de 2014. Mano Menezes, contudo, diz que é um adversário difícil de ser derrotado. A verdade é que Mano Menezes já está no cargo há dois anos e um mês, e a Seleção, até agora, nada mostrou. O tempo corre velozmente, e faltam menos de dois anos para o início da Copa de 2014. Mano Menezes é um bom técnico, mas não conseguiu acertar na Seleção. A troca do técnico é uma hipótese que, cada vez mais, precisa ser cogitada.
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Viagem do nada ao lugar nenhum
O empate do Inter com o São Paulo em 1 x 1, ontem à noite, no Morumbi, foi considerado por alguns como um bom resultado, já que o jogo foi na casa do adversário e D'Alessandro foi expulso aos 18 minutos do segundo tempo. Em circunstâncias normais, tal análise estaria correta, mas não é o caso. O Inter está atrasado na tabela do Campeonato Brasileiro, já que pretende classificar-se para a Libertadores. O São Paulo é um adversário direto na busca dessa classificação. Portanto, a vitória era mais do que necessária. O empate, que já é o nono do Inter no Brasileirão, fez com que o clube subisse uma posição, devido a derrota do Cruzeiro para o Botafogo, mas permanecesse ainda distante da zona de classificação para a Libertadores. Para o São Paulo, o resultado também foi prejudicial, pois vale para ele o mesmo raciocínio feito em relação ao Inter. Na verdade, com o resultado de ontem, Inter e São Paulo empreenderam uma viagem do nada ao lugar nenhum.
Vitória e filme de terror
O Grêmio venceu o Atlético Goianiense por 2 x 1, ontem à noite, no Olímpico, resultado que foi excelente para as ambições do clube no Campeonato Brasileiro, e que o deixou, temporariamente, em segundo lugar na competição. Afora isso, contudo, não há muito o que comemorar. O Grêmio teve um início de jogo avassalador e, aos 18 minutos, já ganhava por 2 x 0. Porém, ao sofrer um gol, aos 24 minutos, que teve origem numa falta inexistente, o Grêmio se perturbou, deixou que o adversário começasse a pressioná-lo e, por pouco, não viu a vitória, que se prenunciava por goleada, se transformar num empate desastroso. O suspense durou até o fim, com o Grêmio cedendo um escanteio no último minuto dos acréscimos. A campanha do Grêmio é excelente, e o clube já está com o maior número de vitórias entre os participantes do Brasileirão, mas não é admissível que tenha tantas dificuldades diante de um adversário tão modesto, transformando o que era para ser uma festa incontida num nervosismo próprio dos que assistem a filmes de terror. O próximo jogo do Grêmio será contra o Corinthians, fora de casa. Por se tratar de um adversário de tradição, a partida, por si só, é difícil, mas o Corinthians apenas cumpre tabela na competição. A responsabilidade maior pela busca da vitória é do Grêmio.
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Inconveniência
O ex-presidente do Grêmio, Fábio Koff, decidiu-se e confirmou que irá concorrer, novamente ao cargo, em eleição que terá seu primeiro turno, apenas com os votos dos conselheiros, ainda no mês de setembro. O atual presidente, Paulo Odone, informado sobre o fato, também teria resolvido disputar a eleição que, em função disso, quase certamente irá para o segundo turno, com o voto dos sócios. Não poderia haver algo mais inconveniente para o Grêmio, agora, do que uma eleição presidencial tão acirrada. Até hoje não entendo o porquê do clube ter modificado a norma estatutária que dizia que as eleições para presidente do Grêmio deveriam ocorrer sempre num período de até 15 dias a contar do último compromisso oficial do ano. A modificação já resultou num prejuízo claro para o clube. Foi em 2008, quando o Grêmio tinha tudo para ser campeão brasileiro e perdeu a competição depois de abrir 11 pontos de vantagem sobre o São Paulo, que acabaria ficando com o título. O processo eleitoral, deflagrado justamente na reta final do Campeonato Brasileiro daquele ano, acabou por tirar o foco do clube do que deveria ser sua única preocupação, a conquista do título, o que acabou sendo fatal, com o Grêmio deixando de obter uma taça que já era praticamente sua. Duas medidas que evitariam esse enfrentamento eleitoral foram tentadas, mas não obtiveram êxito. A primeira foi convencer o atual presidente do Conselho Deliberativo do Grêmio, Raul Régis de Freitas Lima, a aceitar a condição de ser um candidato de consenso, unindo e pacificando o clube. Raul Régis recusou o convite. A segunda medida foi encaminhada pelo Movimento Grêmio Independente, que solicitou o adiamento da eleição para depois do Campeonato Brasileiro, o que foi recusado. O Grêmio tem boas chances de ser o campeão brasileiro de 2012, e nada pode ser mais inconveniente do que o clube dividir sua atenção entre o futebol dentro de campo e um embate político acalorado. Nessas horas, a vaidade deveria ser deixada de lado, com todos os gremistas se unindo na busca da conquista do título.
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
Herança
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em artigo publicado em jornais, apelou para o velho argumento da "herança pesada" recebida pelo governo. Fernando Henrique referia-se ao governo da presidente Dilma Roussef, que teria recebido tal herança, "pesada como chumbo", conforme ele, de seu antecessor, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. Dessa vez, contudo, o ataque de FHC não ficou sem resposta. Dilma Roussef expediu uma nota em que contestou as afirmações do ex-presidente. Dilma principiou dizendo que foi citada de modo incorreto por FHC. A presidente contestou a colocação feita no artigo, declarando que recebeu uma "herança bendita de Lula". A nota de Dilma não poupou "alfinetadas" em FHC, como no seguinte trecho: "Não recebi um país sob intervenção do FMI". Dilma afirmou, ainda, que recebeu uma economia sólida, com crescimento robusto, inflação sob controle, investimentos consistentes em infraestrutura e reservas cambiais recordes. Acrescentou, também, que não reconhecer os avanços que o país teve nos últimos dez anos é uma tentativa de reescrever a história. No seu artigo, FHC disse que Lula preferiu governar ao sabor da popularidade a fazer reformas politicamente custosas, repetindo a velha cantilena neoliberal de propor sacrifícios para a população em nome dos interesses maiores do país. Dilma, em sua nota, exalta o fato de que recebeu um país mais justo e menos desigual, com 40 milhões de pessoas ascendendo à classe média, pleno emprego, e oportunidade de acesso à universidade a centenas de milhares de estudantes. Numa estocada brilhante, Dilma, referindo-se à Lula, definiu-o como "um democrata que não caiu na tentação de uma mudança constitucional que o beneficiasse", numa clara alusão ao fato de que FHC mudou a Constituição em proveito próprio, instituindo a reeleição para poder usufruir de mais um mandato. Dilma acrescentou que "o ex-presidente Lula é um exemplo de estadista". A nota de Dilma é mais do que oportuna. Ela rebate, com rigor, os ataques de FHC. Dessa forma, a presidente manda um claro recado para aqueles que apostavam que ela quisesse se desligar de Lula., e mostra a FHC que ele não vai continuar fazendo provocações em seus artigos sem obter resposta. Fernando Henrique Cardoso e a imprensa conservadora brasileira podiam dormir sem essa.
domingo, 2 de setembro de 2012
Alívio
A goleada do Inter sobre o Flamengo, por 4 x 1, de virada, hoje à tarde, no Beira-Rio, pelo Campeonato Brasileiro, trouxe, sem dúvida, um grande alívio para jogadores, comissão técnica, dirigentes e torcedores. Vindo de quatro jogos sem vencer, com apenas um gol marcado, o Inter precisava desesperadamente de uma vitória. Para sua sorte, seu adversário, o Flamengo, mostrou escancaradamente as razões de sua má campanha. Mesmo tendo saído na frente no placar, o Flamengo mostrou um time fraco, com uma defesa que beira o ridículo. O goleiro Felipe, que já teve bons desempenhos em anos anteriores, estava incrivelmente inseguro, soltando quase todas as bolas. O miolo de zaga parecia constituído de atores de comédia pastelão. O time parece, também, carecer de preparo físico, o que foi outro fator que não lhe permitiu melhor sorte no jogo. Diante desse quadro, a partida parecia feita sob encomenda para as necessidades do Inter. Diego Forlán, que ainda não havia marcado gols pelo Inter, fez dois. Leandro Damião, que também vinha amargando a ausência de gols, deixou o seu, e até o modesto volante Josimar contribuiu com o placar. Só resta saber quanto tempo durará a bonança no Inter. Afinal, o próximo adversário é um concorrente direto por um lugar na zona de classificação para a Libertadores, o São Paulo, fora de casa, e o Inter estará sem Guiñazu, Fred, Leandro Damião e Diego Forlán. Até lá, pelo menos, os ânimos no clube, tão exaltados no últimos dias, até com protestos de torcedores que incluíram agressões à jornalistas, estarão serenados.
sábado, 1 de setembro de 2012
Bom empate
Normalmente, o empate de hoje entre Grêmio em Palmeiras, em 0 x 0, no Pacaembu, seria um mau resultado para o clube do Rio Grande do Sul. Afinal, o Palmeiras está na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro, de onde não sairia nem com uma vitória. O Grêmio, por outro lado, faz excelente campanha, e é o terceiro colocado da competição. Porém, com a expulsão de Kléber, ainda no primeiro tempo, o empate pode ser considerado bom, até porque o Fluminense, que é o segundo colocado, também não ganhou, ficou no 2 x 2 com o Figueirense, no Orlando Scarpelli, depois de estar vencendo por 2 x 0. O Grêmio provou que está, mesmo, mobilizado. Seus jogadores mostraram muitas disposição para resistir ao Palmeiras, mesmo com o time tendo um homem a menos durante quase todo o tempo. Mesmo com a desvantagem no número de jogadores, o Grêmio poderia ter ganho a partida, já que o árbitro deixou de marcar um pênalti claro a seu favor. Os próximos jogos apresentam boas perspectivas para o Grêmio. Na quarta-feira, jogará em casa contra o Atlético Goianiense, quer faz uma péssima campanha. Depois, irá jogar em São Paulo contra o Corinthians, que apenas cumpre tabela e, a seguir, terá pela frente o Náutico, no Olímpico, em mais uma grande oportunidade de marcar pontos e subir na classificação. O Grêmio faz uma campanha sólida, e seu time demonstra maturidade. Pelo quadro que vem se mantendo nas últimas rodadas, a torcida do Grêmio tem todos os motivos para acreditar na possibilidade da conquista do título.
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
A empulhação da cultura alternativa
O cantor, compositor e líder do grupo musical Skank, Samuel Rosa, deu uma declaração com a qual me identifiquei totalmente. Samuel afirmou que não acredita no jeitão "blasé" de quem diz que faz um trabalho experimental, alternativo, e dá de ombros para o fato de as pessoas gostarem ou não. Para ele, "a resposta de quem ouve o som que você faz é condição básica!". Ele considera, também, que toda e qualquer grupo musical tem que ter este respaldo, pois é uma maneira de mostrar respeito pelo seu público. O assunto pode parecer irrelevante, para alguns, mas me toca de maneira especial. Nunca engoli a chamada "cultura alternativa". Com o argumento de que fazem um trabalho que não se encaixa na "ditadura da mídia" e não segue as determinações da "indústria cultural", o que esses "artistas alternativos" fazem, quase sempre, é tentar nos empurrar música, poesia e literatura de baixíssima qualidade. Como o que nunca falta no mundo são pessoas incautas, tais artistas conseguem formar em torno de si um grupo, pequeno mas ruidoso, de admiradores, que exaltam a autenticidade e a profundidade de um trabalho que "não se dobra às imposições da cultura de massa". Claro que muitas obras de péssimo nível são transformadas em fenômenos de vendagem pela força avassaladora da mídia. Porém, a ideia de que a recíproca seja verdadeira não se sustenta. Não há produção artística de boa qualidade que não receba o reconhecimento do público. Aqueles que não conseguem atingir o grande circuito para mostrar sua obra, não são vítimas da má vontade da indústria cultural, nem autores de um trabalho que só pode ser captado na sua essência por pessoas mais sensíveis. Sua situação se deve, tão somente, a falta de qualidade daquilo que criam, o que os afasta da maioria do público, restringindo-os à admiração de uns poucos que acham que o apoio a tais artistas caracteriza uma demonstração de independência intelectual em relação à cultura de massas. Pura pretensão. Como diz a célebre música "Nos Bailes da Vida", de Mílton Nascimento e Fernando Brant, "todo o artista tem de ir aonde o povo está". O resto é empulhação.
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