sexta-feira, 27 de julho de 2012

Repressão

Uma batalha vem sendo travada cada vez com mais intensidade em Porto Alegre, a que envolve os defensores do sossego e do "direito ao descanso" contra os que desejam se divertir em bares e casas noturnas. Sob o argumento de que os frequentadores de tais estabelecimentos promovem "algazarras" os defensores do descanso buscam fechá-los ou, no mínimo, limitar o seu horário de funcionamento. Numa cidade que não dispõe de atrativos naturais e turísticos, isso é um desatino. O direito à diversão é tão legítimo quanto o de repousar. Associar a saudável e natural necessidade de divertimento, principalmente dos mais jovens, com desordens e "perturbações da ordem", é algo de um ranço repressor nauseante. O último episódio do gênero envolveu o fechamento de um bar na Avenida Independência, que funciona há 37 anos, está com toda a documentação em dia, e possui autorização para operar durante 24 horas. Entre as alegações dos moradores da região estão o de que há aglomeração de pessoas na área externa ao bar, ou seja, na via pública e a suspeita de que o estabelecimento vende bebidas para quem está do lado de fora. Sejam quais forem as razões aventadas, elas apenas dão sequência a uma queda de braço que, nos últimos tempos, está sendo vencida pelos que, em nome da defesa da tranquilidade, pretendem cercear aos outros o  acesso ao lazer e ao divertimento. Como se costuma dizer, o que se leva dessa vida é o que se come, o que se bebe e o que se brinca. Eventuais excessos podem, e devem, ser coibidos, mas proibir pessoas de se divertir é injustificável. Não é à toa que o Rio Grande do Sul ostenta alguns índices preocupantes, entre eles o de ser o campeão nacional de suicídios. A vida não pode prescindir da extravasão dos sentimentos. Reunir-se com amigos para conversar, comer, beber e dançar é extremamente saudável. Os que tentam impedir isso usam a defesa do direito ao descanso para encobrir suas frustrações. Ressentidos, não suportam que os outros usufruam de prazeres que, por sua postura diante da vida, nunca conseguiram desfrutar.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Susto

A Seleção Olímpica Brasileira estreou, hoje, na Olimpíada de 2012 vencendo o Egito por 3 x 2. O jogo, contudo, trouxe preocupação para quem espera que o Brasil ganhe, finalmente, a medalha de ouro olímpica, única grande conquista que ainda falta para o futebol brasileiro. Com menos de meia hora de jogo, o Brasil já goleava por 3 x 0. A facilidade alcançada em tão pouco tempo de partida, levou a equipe a uma perigosa acomodação. Como consequência disso, no segundo tempo, o Egito marcou dois gols e tornou tenso o final do jogo, pela possibilidade de que pudesse obter o empate. O que poderia ter sido uma goleada histórica, transformou-se numa vitória apertada contra um adversário modesto. Assim, o técnico Mano Menezes continua sem transmitir total confiança sobre a qualidade do seu trabalho, e seu emprego permanece correndo riscos. A única saída para Mano firmar-se no cargo, dizia-se antes da Olimpíada, seria obter a medalha de ouro. Com a primeira amostragem, a confiança na conquista do título olímpico já sofreu um abalo. O próximo adversário do Brasil, a Bielorússia, também não possui maior tradição no futebol, e a expectativa é de mais uma vitória. O problema deverá vir mais adiante. Na medida em que avance na competição, o Brasil não poderá mostrar os mesmos erros de hoje. Caso contrário, será mais uma frustração na busca do ouro olímpico. Material humano, com certeza, não falta para o Brasil, e qualquer resultado que não seja o título, ficará marcado como um fracasso.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Mantendo a boa fase

O Grêmio se manteve na sua escala ascendente ao vencer o Fluminense por 1 x 0, hoje à noite, no Olímpico. Foi um jogo dificílimo, em que, a exemplo do que ocorrera contra o Sport, o Grêmio teve de enfrentar um adversário extremamente fechado. A diferença é que o Fluminense tem um time muito mais qualificado que o do Sport, o que tornou ainda mais árdua a busca do Grêmio pela vitória. O Grêmio soube ter paciência, e marcou seu gol, de autoria de Kléber, aos 23 minutos do segundo tempo, tratando, depois, de segurar o resultado. Com a vitória de hoje, o Grêmio continua em 4º lugar no Campeonato Brasileiro, mas diminuiu sua diferença para o 3º colocado, o próprio Fluminense, para apenas um ponto. Como, na próxima rodada, haverá o confronto direto entre Fluminense e Atlético Mineiro, que estão na sua frente na tabela de classificação, o Grêmio poderá consolidar-se ainda mais nas primeiras posições, desde que, é claro, vença o difícil jogo que terá, no sábado, contra o Coritiba, fora de casa. Na partida de hoje, o Grêmio, como um todo, jogou muito bem, sem ninguém que destoasse do conjunto. As melhores atuações, contudo, foram de Souza e Elano. Souza comprova, a cada de jogo, que achou o seu lugar em campo, e Elano, em quatro partidas pelo Grêmio, obteve quatro vitórias. O Grêmio, ao que parece, está mesmo "embalado". Agora é só manter a regularidade para colher bons frutos no final da competição.

Erro decisivo

O Inter venceu o Figueirense por 1 x 0, hoje à noite, no Orlando Scarpelli. Foi o segundo jogo de Fernandão como técnico do Inter, ambos com vitória. Fernandão juntou ao seu inegável carisma junto ao torcedor as facilidades proporcionadas pela tabela do Campeonato Brasileiro, fazendo suas duas primeiras partidas como técnico contra clubes que realizam péssima campanha na competição. Assim, garantiu uma ótima largada no seu início na nova função. Porém, sua capacidade só será efetivamente avaliada quando o Inter enfrentar adversários de grande porte. O primeiro desses testes será contra o Vasco, sábado, no Beira-Rio. O Vasco vive muito boa fase e deverá exigir muito do Inter. No entanto, comprovando que Fernandão é, também, bafejado pela sorte, Juninho Pernambucano, suspenso pelo terceiro cartão amarelo, não irá jogar. A sorte já havia sorrido para Fernandão no jogo de hoje, quando, aos 44 minutos do segundo tempo, o árbitro deixou de marcar um pênalti claro de Fabrício, do Inter, sobre Roni, do Figueirense, um erro decisivo para o resultado da partida. O Inter parece demonstrar mais disposição em campo sob a orientação de Fernandão e, novamente, contou com o auxílio prestimoso da arbitragem, mas ainda é cedo para fazer juízos definitivos sobre até onde poderá ir com seu novo técnico.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Vai começar

A abertura oficial só ocorrerá na sexta-feira, mas algumas disputas da Olimpíada de 2012 , em Londres, já terão iniciado antes, como o futebol, masculino e feminino, e o tiro. No futebol, as seleções brasileiras, tanto a masculina quanto a feminina, buscarão uma ainda inédita medalha de ouro. A seleção feminina iniciará sua caminhada amanhã, e a masculina na quinta-feira, antes portanto da data oficial de início da Olímpiada. Mais uma vez, as esperanças de medalhas para o Brasil recaem sobre os esportes coletivos. Afora o já citado futebol, o vôlei, de quadra e de praia, e até mesmo o basquete, que na categoria masculina retorna às Olimpíadas depois de 16 anos de ausência, surgem com possibilidades de conquista de medalhas. Nos esportes individuais, pela falta de uma melhor estrutura no país, o Brasil segue dependendo de grandes e esporádicos talentos para almejar o pódio olímpico. Nomes como César Cielo, Maurreen Riga Maggi, Fabiana Murer e Diego Hipólito são as poucas exceções à condição de meros figurantes dos competidores brasileiros nas disputas individuais em Olimpíadas. O Brasil tem evoluído nos esportes olímpicos, mas não de forma compatível com o potencial do país. Por isso, a expectativa é de que o desempenho brasileiro seja o mesmo da Olimpíada de 2008, em Pequim, quando foram conquistadas 15 medalhas. Há de se convir que é um resultado muito modesto para um país de quase 200 milhões de habitantes. O Brasil precisa intensificar a valorização das diversas práticas esportivas, até porque a Olimpíada de 2016 será realizada no país, tendo por sede o Rio de Janeiro. Seria muito frustrante se, dentro de quatro anos, o Brasil fosse mero espectador das vitórias alheias em seu próprio território. A realização de uma competição da magnitude de uma Olimpíada em solo brasileiro poderá ser, também, o estímulo que falta para a massificação dos esportes no país, rompendo com a monocultura do futebol. Mais uma Olimpíada está por começar. Tomara que, para o esporte brasileiro, ela seja o início de uma nova era, que permita ao país fazer bonito quando vier a sediar a competição.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Um festival de besteiras

Vez por outra, talvez numa tentativa de causar impacto e obter seus quinze minutos de fama, pensadores, sociólogos e outros profissionais do ramo das ciências humanas aparecem defendendo posições conflitantes com os comportamentos socialmente preponderantes. Dessa forma, conceitos superados e práticas arquivadas pela evolução natural da sociedade são trazidos ao debate novamente. A edição dessa semana da revista "Veja" apresenta uma entrevista com a socióloga inglesa Catherine Hakim. Ela é considerada uma expoente do chamado novo feminismo europeu. Trata-se do que a revista classifica como "feminismo às avessas". Ao longo da entrevista, Catherine desfila uma série de ideias retrógradas, capazes de despertar a ira das ativas e independentes mulheres dos tempos atuais. Catherine diz, por exemplo, que atratividade e beleza são fundamentais para a ascensão profissional das mulheres nas sociedades modernas. Seguindo nessa linha, a socióloga sustenta que, no que concerne ao sucesso, ninguém duvida do mérito dos inteligentes nem questiona a exclusão dos ignorantes, sendo natural que se recompense, também, quem se destaca pela aparência. Catherine argumenta que o mito feminista da igualdade dos sexos é tão infundado quanto a afirmação de que todas as mulheres almejam a total simetria nos papéis familiares, emprego e salário. Ela afirma que, ao contrário do que defendem as feministas, diversos estudos indicam que a maioria das mulheres prefere ficar em casa em tempo integral quando os filhos são pequenos, e que um parceiro bem-sucedido torna essa opção mais viável. Catherine chega ao ponto de dizer que tornar-se uma dona de casa "à toa", em tempo integral, é uma utopia moderna para a maioria das mulheres. Mais uma vez calcando-se em inespecíficos "estudos" realizados em "todo o mundo", a socióloga argumenta que as mulheres preferem homens com recursos, pois isso viabiliza a permanência delas no lar. Prosseguindo com seus disparates, Catherine diz que a legislação, por ter sido inventada pelos homens para os seus próprios interesses, impede, muitas vezes, que as mulheres recebam integralmente o lucro de seus talentos, com valor comercial adequado. Nesse sentido, considera que a barriga de aluguel é um fluxo de receita inexplorado e do qual as mulheres poderiam se beneficiar. Essas e outras tantas ideias expostas por Catherine Hakin ao longo da entrevista poderiam ser classificadas como excêntricas e anacrônicas, e o são, efetivamente. Porém, mais do que isso, por estarem em absoluto descompasso com a evolução alcançada pela mulher na sociedade, merecem ser tidas, tão somente, como um festival de besteiras.

domingo, 22 de julho de 2012

Embalou

O Grêmio ganhou do Botafogo por 1 x 0, hoje, no Engenhão e, mesmo que não tenha jogado uma grande partida, dá a impressão de ter "embalado", isto é, entrado naquela fase em que os bons resultados em sequência vão alimentando a segurança e auto-estima do grupo. Foi a terceira vitória consecutiva do Grêmio, a segunda fora de casa. Mais do que isso, essas duas vitórias como visitante foram contra clubes de grande expressão, o Cruzeiro e o Botafogo. Elas se juntam a outra vitória obtida fora de casa, contra o Atlético Goianiense. Já são, portanto três vitórias na casa dos adversários em 11 rodadas disputadas, até agora, no Campeonato Brasileiro. Para quem tinha enormes dificuldades, em anos anteriores, em ganhar jogando fora de seu estádio, é um grande alento e um fator fundamental para buscar a conquista do título da competição. Mais uma vez, Elano e Zé Roberto mostraram o acréscimo técnico que representam para o Grêmio, ao criarem a jogada que resultou no gol da vitória, marcado por Marcelo Moreno. Foi justamente quando ambos foram substituídos que o Grêmio decresceu em campo, passando a sofrer uma enorme pressão do Botafogo, mas conseguindo manter o resultado, com Léo Gago chegando a tirar uma bola junto à linha do gol. O Grêmio continua na zona de classificação para a Libertadores, em 4º lugar, e seu próximo jogo será em casa, contra outro grande adversário, o Fluminense, único clube ainda invicto no Brasileirão e que está uma posição acima da sua na tabela. O Olímpico deverá receber um grande público para levar o Grêmio a mais uma vitória. Não é hora de se fazerem previsões excessivamente otimistas, pois muito ainda há a se realizar para tornar o Grêmio um time confiável. No entanto, é inegável que os acréscimos técnicos feitos no time e a sequência de bons resultados já proporcionam entusiasmo à torcida. Agora, pelo menos, depois de muito tempo, ela já se permite sonhar com melhores dias. Ainda é pouco, tendo em vista a grandeza do Grêmio, mas já é um começo.

Nada mais que o dever de casa

O Inter, na estreia de Fernandão como técnico, hoje à tarde, no Beira-Rio, goleou o Atlético Goianiense por 4 x 1. O primeiro tempo terminou empatado em 1 x 1, mas, no segundo, o Inter deslanchou. A vitória larga, no entanto, não deve alimentar ilusões. O Inter ganhou do lanterna absoluto do Campeonato Brasileiro, que obteve, até agora, apenas uma vitória na competição. Jogando em seus domínios, contra um adversário tão fraco, o Inter apenas fez o dever de casa, como se costuma dizer na linguagem do futebol. O início de trabalho com uma goleada, é claro, favorece Fernandão, mas não é garantia de que ele prosseguirá tendo êxito. O próximo jogo também será contra um adversário fraco, o Figueirense, mas fora de casa. Isso aumentará o grau de dificuldade para o Inter, fazendo com que seu novo técnico e os jogadores sejam um pouco mais exigidos. O resultado de hoje valeu pelos três pontos, mas uma avaliação mais precisa do desempenho do Inter só será possível quando houver o enfrentamento com times mais fortes.

sábado, 21 de julho de 2012

Relação de causa e efeito

A morte de 12 pessoas, alvejadas por um atirador, ocorrida ontem numa das salas de cinema do complexo Century 16, em Aurora, no estado de Colorado (EUA), é uma trágica repetição. Acontecimentos semelhantes são praticamente rotineiros nos Estados Unidos e, é óbvio, isso não acontece por acaso. A cultura americana, certamente, tem muito a ver com isso. O assassino da vez é James Holmes, de 24 anos. Holmes comprou mais de 6 mil balas, duas pistolas, fuzil e escopeta, de forma legal, numa loja especializada na internet. Aí, já temos um dos aspectos a serem levados em conta. Nos Estados Unidos, comprar armas é tido como um direito do cidadão. A sociedade americana não aceita qualquer cerceamento nesse sentido. Com isso, toda e qualquer pessoa, desde que o deseje, pode comprar o quanto quiser de armas e munições. Abre-se assim, um caminho extremamente facilitado para que pessoas perturbadas ou, ainda pior, psicopatas, possam levar adiante seus planos homicidas. Um outro dado a ser considerado é a ideia, preponderante nos Estados Unidos, de que os indivíduos tem de ser vencedores a qualquer custo. Dependendo do que alcancem na vida, as pessoas são classificadas como vencedoras ou perdedoras. Conforme o psiquiatra gaúcho Renato Piltcher, em entrevista ao jornal Zero Hora, esse tipo de ideia, absorvida por um esquizofrênico ou psicopata, pode levar à prática de tais crimes, pela "fama" que eles proporcionam, fazendo de seus autores, numa visão distorcida de mentes perturbadas, vencedores. Piltcher diz, também, que características que diferenciam os seres humanos dos demais animais, como a capacidade de pensar e a intimidade, têm perdido espaço para aparência e ação. O distanciamento do que mais nos caracteriza como humanos, que é a cultura e o afeto, dado que a felicidade tornou-se sinônimo de poder e força, diminui a consideração pelo outro. Há um empobrecimento da noção de valor da vida. O psiquiatra acrescenta que o fato de crimes do gênero já estarem acontecendo fora dos Estados Unidos, como foi o caso do massacre ocorrido em 2011 na Noruega, é reflexo da massificação e globalização dos conceitos americanos já referidos acima. Ele entende que a massificação tem levado as pessoas a não tolerarem as diferenças e a globalização tem piorado isso ao pressioná-las para que rotulem e sejam igualmente classificadas como "vencedoras" ou "perdedoras". Os americanófilos, do qual a revista "Veja" é, possivelmente, a maior representante no Brasil, abordam tais crimes como sendo algo ligado, tão somente, às perturbações de seus autores, sem aceitar que sejam a consequência de um modo de pensar de uma coletividade. As evidências, contudo, de que existe uma relação de causa e efeito entre uma coisa e outra, são perceptíveis.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Fernandão

Está difícil, para mim, nessa semana, escrever sobre temas que não estejam relacionados ao futebol, embora esse espaço não se limite a eles. Hoje, não é diferente. A demissão do técnico do Inter, Dorival Júnior, e a contratação de Fernandão para o seu lugar, aparecem como a grande notícia do dia. A queda de Dorival era algo inevitável e, na verdade, até demorou para acontecer.  Em nenhum momento de seus 11 meses no Inter, o time deslanchou. Os títulos da Recopa Sul-Americana e do Campeonato Gaúcho não serviram para encobrir a inconsistência do trabalho realizado pelo técnico. Na competição que era a prioridade absoluta do clube para 2012, a Libertadores, o Inter foi muito mal. Só se classificou para as oitavas de final porque seu grupo na primeira fase era muito fraco, mas, ainda assim, fez uma campanha pífia, de menos de 50% de aproveitamento, sem ganhar nenhum jogo fora de casa. Dessa forma, foi o último colocado entre os 16 clubes que se classificaram para a sequência da Libertadores. Como não poderia deixar de ser, foi eliminado logo a seguir. Na decisão do Gauchão, contra o modesto Caxias, teve enorme trabalho, em pleno Beira-Rio, para ganhar o título com uma vitória, de virada, por 2 x 1. Iniciado o Campeonato Brasileiro, única competição que restou ao Inter para disputar em 2012, o fraco desempenho persistiu. Nem mesmo a desculpa dos muitos desfalques que o time vinha tendo serviu, dessa vez, para encobrir o baixo desempenho de Dorival Júnior. A diretoria do Inter, finalmente, atendeu ao que desejava a torcida e demitiu Dorival. A solução encontrada foi Fernandão, que vinha sendo o gerente de futebol do clube, pois, como ocorrerão eleições para presidente do Inter no final do ano, não seria possível firmar contrato com um técnico para um período que ultrapassasse 2012, e nenhum treinador conceituado aceitaria  um contrato por tempo tão curto. Fernandão nunca trabalhou como técnico, mas é inteligente, articulado, tem liderança no vestiário e é ídolo do torcedor. As últimas experiências com grandes ídolos como técnicos, na dupla Gre-Nal, não foram das melhores. Renato teve um início excepcional no Grêmio, quando de sua chegada, mas, no ano seguinte, não repetiu a mesma performance e foi demitido. Falcão, mesmo ganhando um título de campeão gaúcho, só ficou três meses no cargo. Agora é a vez de Fernandão fazer a sua tentativa. Ainda que o vice-presidente de futebol do Inter, Luciano Davi, tenha dito que não, Fernandão é uma aposta. Dadas as circunstâncias, o Inter não tinha muitas opções. Colocou suas fichas em um nome adorado pela torcida pelo que fez como jogador. Fizera o mesmo, antes, com o já citado Falcão e, anteriormente, com Figueroa. Foram iniciativas que não deram certo, mas nada impede que Fernandão mude esse quadro.