sábado, 28 de abril de 2012
Pesos diferentes
Muito se tem dito sobre o Gre-Nal que decidirá, amanhã, a Taça Farroupilha, o segundo turno do Campeonato Gaúcho. Especula-se quem seria o favorito, qual time sentirá mais os desfalques, se o fator campo é ou não decisivo, quem está mais motivado, se o fato de que o Grêmio só treinou durante a semana e o Inter teve um jogo na quarta-feira poderá influir ou não no resultado. O que parece não estar sendo levado em conta é a consequência de uma derrota em cada um dos clubes. Em caso de vitória, para qualquer um dos lados, os efeitos irão pouco além das gozações sobre o tradicional adversário. Afinal, o Campeonato Gaúcho, há muito tempo, deixou de ser uma competição prioritária para Grêmio e Inter. Em caso de derrota, contudo, a história muda de figura. O Inter ainda está na Libertadores e se tiver êxito nessa competição, anulará o impacto de um fracasso no Gauchão. Os exemplos concretos ocorreram em 2006 e 2010, quando o Grêmio foi campeão gaúcho e o Inter ganhou a Libertadores. Para o Grêmio, todavia, a derrota teria consequências maiores. Se ganhar o título estadual, em si, não significa grande coisa, perdê-lo, para o Grêmio, faria acrescentar mais um item no rol de fracassos que o clube acumula desde 2001. O discurso da diretoria, que no final do ano passado prometia um Grêmio diferente em 2012, com o clube voltando a formar um time forte e capaz de conquistar grandes títulos, cairia no descrédito. Sem ao menos se classificar para a decisão do Gauchão, como pretender que o Grêmio possa, ainda em 2012, ter condições para vôos mais altos? A derrota teria efeitos devastadores no Grêmio, praticamente condenando todo o trabalho feito no ano, até aqui, e forçando uma reformulação do projeto em meio às competições. O Grêmio precisa da vitória muito mais do que o Inter. Só ela poderá evitar que o clube mergulhe na crise e seja tomado pelo desalento. O Gre-Nal de amanhã será muito equilibrado, por diversas razões, o que dificulta um prognóstico, mas não me eximirei de opinar. Pelo fato de jogar em seu estádio, o Inter, ainda que levemente, é o favorito.
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Código Florestal
O Novo Código Florestal, aprovado na quarta-feira pela Câmara dos Deputados, deverá ter alguns itens vetados pela presidente Dilma Rousseff. A repercussão quanto ao texto aprovado foi muito negativa entre os ambientalistas. A tendência é que pontos polêmicos, como a anistia para desmatadores, recebam o veto da presidente. O secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, disse que Dilma irá analisar os vetos com "serenidade" e "sangue frio", considerando compromissos sociais e ambientais. Desejo que tais previsões se confirmem. Seria muito triste que, às vésperas da Rio + 20, o Brasil aparecesse perante o mundo com um código florestal tão hostil à preservação do ambiente, e tão favorável aos agressores da natureza e aos defensores do chamado "agronegócio". Na verdade, Dilma Rousseff, e seu antecessor no cargo, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, nunca pareceram muito sensíveis às questões ambientais. Para os dois, e talvez para muitas outras pessoas, a luta pela preservação da natureza é vista, por vezes, como coisa de ecochatos. Nesse tipo de visão, pretensamente pragmática, tal postura seria apenas um entrave ao progresso. A necessidade de gerar mais energia, por exemplo, faz com que Dilma ignore os danos ambientais que serão causados pela construção de usinas hidrelétricas. Por isso, não pode ser descartada a hipótese de que a presidente sancione o texto sem qualquer modificação. Se assim ocorrer, contudo, o Novo Código Florestal deverá enfrentar uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin), movida pelo Ministério Público Federal. O embasamento da ação será um estudo que aponta redução significativa de áreas ambientalmente protegidas. Torço para que Dilma Rousseff imponha vetos ao texto aprovado na Câmara dos Deputados. O Brasil não pode caminhar na contramão da preocupação mundial com a preservação do ambiente. Em nome de mesquinhos interesses imediatos, não se pode comprometer o futuro das próximas gerações. O preço do progresso não há de ser a devastação ambiental.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Cotas raciais
O Supremo Tribunal Federal decidiu, hoje, por unanimidade, pela constitucionalidade do sistema de cotas raciais, que visa proporcionar o acesso de negros e índios a instituições de ensino superior. Foi outra decisão elogiável da mais alta instância da magistratura brasileira, agindo em consonância com os interesses maiores da sociedade, sem ceder às pressões dos grupos conservadores. O julgamento de constitucionalidade se deu a partir de uma contestação ao sistema de cotas da Universidade de Brasília (UnB), apresentada pelo DEM. Os votos dos ministros ressaltaram a necessidade do país saldar a dívida histórica com etnias que foram marginalizadas do acesso ao ensino superior. Como toda medida que busca romper com desigualdades e injustiças, o sistema de cotas gerou furiosas reações dos adeptos do conservadorismo. Felizmente, os tempos são outros, e os magistrados brasileiros refletem, em suas decisões, a tendência modernizadora da maioria da sociedade, e não mais a postura de setores retrógrados. A baixa presença de negros e índios no ensino superior brasileiro é um retrato da discriminação histórica sofrida por essas etnias. O racismo sempre esteve presente na sociedade brasileira. Sua existência foi abafada, contudo, pela difusão da ideia de que o Brasil é um país sem preconceitos. Os argumentos contrários às cotas são pífios e inconsistentes, motivados apenas pela inconformidade dos detentores de privilégios de abrirem mão de suas vantagens. O ensino, em todos os níveis, tem de ser democratizado. A cor da pele e a condição econômica não podem servir de filtro para o acesso ao estudo. O sistema de cotas é uma iniciativa meritória, que deve ser incentivada, pois é um meio para que o país pague, ao menos em parte, a imensa dívida moral que tem com negros e índios.
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Empate frustrante
O torcedor do Inter fez a sua parte. Foi em grande número ao estádio, vibrou o tempo inteiro. Porém, mais uma vez, o Inter não conseguiu vencer um adversário do seu porte. Apenas empatou com o Fluminense em 0 x 0, no Beira-Rio, pela Libertadores. Foi o quarto jogo importante do Inter, em 2012, contra grandes clubes, sendo três deles no Beira-Rio, com duas derrotas e dois empates. Sobrou vontade ao Inter, mas faltou futebol. Sandro Silva, Guiñazu e Tinga desdobraram-se no meio de campo, com o argentino, como é de costume, abusando da violência. No entanto, Dátolo, o único homem de criação escalado no meio de campo, foi muito mal no jogo, e ainda errou um pênalti que poderia ter mudado a história da partida. Leandro Damião, como tem acontecido constantemente, esteve muito apagado. Dagoberto, até sair lesionado, nada havia feito em campo. Não fora a covardia do Fluminense, que se recolheu ao seu campo no segundo tempo, praticamente abdicando de atacar, e o clube do Rio de Janeiro poderia sair do Beira-Rio com uma vitória. Em termos de regulamento, a situação do Inter não é ruim, pelo contrário. Um novo empate em 0 x 0, no segundo jogo, no Engenhão, levará a decisão da classificação para os tiros livres da marca do pênalti. Caso haja empate com gols, o Inter se classificará. Para o Fluminense, portanto, só a vitória interessa. O problema é que o Inter não vem jogando um futebol que autorize a expectativa de um bom resultado. Se jogando em casa, com o apoio maciço do seu torcedor, não foi capaz de obter o que queria, é improvável que o consiga fora de seus domínios.
A decisão que ninguém esperava
A Liga dos Campeões será decidida, no dia 19 de maio, no Alianz Arena, em Munique, entre Bayern e Chelsea. Trata-se de um final de competição que contraria totalmente as expectativas. Havia uma quase certeza de que Real Madrid e Barcelona fariam a grande decisão. Os dois gigantes espanhóis tiveram a faca e o queijo na mão para confirmar os prognósticos. Perderam o primeiro jogo pelas semifinais, mas por resultados reversíveis, e decidiram a classificação jogando em casa. Ambos abriram uma vantagem de 2 x 0 no placar no segundo jogo, mas não souberam sustentá-la. Assim, o Chelsea, com uma vitória por 1 x 0 em casa, e um empate em 2 x 2 no Nou Camp, eliminou o Barcelona, ontem. Hoje, o Bayern, que havia ganho o primeiro jogo, em Munique, por 2 x 1, perdeu em Madri pelo mesmo placar, que se manteve inalterado na prorrogação. Nos tiros livres da marca do pênalti, venceu por 3 x 1, e alijou o Real Madri da competição. O destaque negativo desses jogos foi o desempenho dos supercraques Messi e Cristiano Ronaldo que, quando seus times mais precisavam deles, não deram a resposta esperada. Messi errou um pênalti no início do segundo tempo que teria selado a sorte do jogo em favor do Barcelona. Cristiano Ronaldo marcou os dois gols do Real Madri no tempo normal, um deles de pênalti, mas errou a cobrança nos tiros livres, abrindo caminho para a eliminação de seu clube. Agora, assistiremos a uma decisão inesperada e equilibrada. Um dado casual, contudo, poderá ser determinante para apontar o ganhador da Liga dos Campeões. O sorteio, feito antes do início da competição, apontou o Alianz Arena como o estádio da decisão. Para sorte do Bayern, justamente o seu estádio. Numa decisão em jogo único, é um trunfo considerável.
terça-feira, 24 de abril de 2012
O fim de uma hegemonia
Enfim, a fase de time imbatível do Barcelona terminou. Nos seus últimos três jogos, teve duas derrotas e um empate, e duas dessas partidas foram no seu estádio, o Nou Camp. Com isso, o Barcelona ficou, praticamente, alijado do título do Campeonato Espanhol, e está eliminado da Liga dos Campeões. Era natural que isso acontecesse. A história do futebol mostra que os supertimes não conseguem manter seu predomínio por um tempo muito longo. A constante pressão por novas conquistas, a base de time e a comissão técnica mantidas por muito tempo, geram um desgaste que acaba por resultar no fim do ciclo de vitórias. A derrota para o Chelsea, em Londres, por 1 x 0, parecera circunstancial para o Barcelona, que chegou a colocar quatro bolas na trave. Tudo indicava que a reversão, no segundo jogo, em casa, seria fácil. Porém, entre esses dois jogos, o Barcelona enfrentou o Real Madrid. Mesmo jogando em seu estádio, não conseguiu evitar a derrota por 2 x 1, perdendo uma longa invencibilidade em seus domínios, e tornando quase impossível a conquista do título espanhol. No jogo de hoje, mais uma vez, tudo parecia favorável ao Barcelona. Abriu 2 x 0 no placar, viu o capitão do Chelsea ser expulso, e teve todas as condições para, quem sabe, alcançar uma goleada.. Não foi isso, contudo, o que aconteceu. O brasileiro Ramires marcou um golaço e, com a derrota por 2 x 1, o Chelsea estava se classificando para a decisão da competição. O Barcelona, então, começou o segundo tempo de forma avassaladora, na tentativa de desfazer o resultado desfavorável. Alugou o campo do Chelsea, buscando, de todas as formas, marcar um gol. Logo no início do segundo tempo, teve um pênalti a seu favor, que Messi cobrou no travessão. Era o indício do que viria. O Barcelona continuou pressionando, colocou uma bola na trave, num chute de Messi, mas não fez gol e ainda sofreu o empate, já no final do jogo. Classificação heróica do Chelsea. Para aqueles que acham que foi uma enorme zebra, cabe ressaltar que foi o sétimo jogo seguido entre os dois clubes sem vitória do Barcelona. O Chelsea chegou, assim, com méritos, à sua segunda decisão da Liga dos Campeões. O Barcelona, por sua vez, terá de partir para uma reformulação que lhe injete entusiasmo para iniciar um novo ciclo de conquistas. O início desse processo talvez se dê com a saída do técnico Josep Guardiola. Agora é esperar para ver quem será o adversário do Chelsea na grande decisão, Real Madrid ou Bayern de Munique. O Bayern ganhou o primeiro jogo, em Munique, mas o Real Madrid, embalado e jogando em casa, tem tudo para reverter a situação e se classificar.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Popularidade
Uma pesquisa do Instituto Datafolha, publicada no último domingo pelo jornal Folha de São Paulo, revelou que o governo da presidente Dilma Rousseff tem 64% de aprovação, após um ano e três meses decorridos da posse. Trata-se da mais alta aprovação de um presidente brasileiro com esse período de mandato. Com esse mesmo tempo no cargo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tinha 30% de aprovação, e Luís Inácio Lula da Silva, 38%. A pesquisa mostra, também, que, hoje, num eventual segundo turno da eleição presidencial de 2010, Dilma teria 69% da preferência dos entrevistados, contra 21% de José Serra, sendo que 26% dos que afirmaram ter votado nele, disseram que, agora, optariam pela atual presidente. Os números são muito expressivos, mas estão longe de serem incompreensíveis. O Brasil, como já vinha acontecendo no governo Lula, continua com a economia num estágio favorável. O país não foi contaminado pela crise internacional. O índice de emprego é bom e há mobilidade social, com pessoas de classes mais baixas ascendendo na escala de consumo. O que a pesquisa deixa evidente, mais uma vez, é que o eleitorado médio não se move por ideologias, mas, sim, de acordo com o próprio bolso. Enquanto a situação econômica do país permanecer favorável, será muito difícil a tarefa da oposição de tentar alcançar o poder. Como se percebe, os muitos escândalos envolvendo ministros e outras denúncias de malfeitos relacionados ao governo não influíram no humor do eleitorado. Os bons indicadores da economia servem para blindar o governo do efeito de qualquer deslize ético de seus integrantes, até porque a imagem da presidente não foi atingida por tais acontecimentos. Pelo contrário. Tendo demitido, até agora, sete ministros, Dilma construiu um conceito de quem não transige com a corrupção. Cada vez mais, as chances de a oposição retomar o poder nas eleições presidenciais de 2014 torna-se mais remota. O PT e seus aliados, tudo está a indicar, ainda terão uma longa hegemonia no governo federal. O mais significativo, contudo, é que essa não é uma situação imposta por uma ditadura, mas fruto da vontade popular.
domingo, 22 de abril de 2012
Facilidade
Nem mesmo a perturbação que poderia acontecer no Inter após a derrota para o Juan Aurich na Libertadores, e o fato de o Veranópolis ter feito a melhor campanha no Campeonato Gaúcho com exceção da dupla Gre-Nal, foram capazes de tornar mais difícil o jogo entre os dois clubes pelas semifinais da Taça Farroupilha, o segundo turno da competição. O Inter goleou o Veranópolis por 4 x 0, hoje à tarde, no Beira-Rio, num jogo cujo placar traduz fielmente a superioridade de um time sobre o outro durante a partida. O Veranópolis foi uma presa fácil para o Inter, comprovando a imensa distância técnica que separa os dois maiores clubes do Rio Grande do Sul dos demais participantes do Gauchão. Com a vitória obtida, o Inter decidirá a Taça Farroupilha contra o Grêmio, no próximo domingo, no Beira-Rio. O Inter, sem dúvida, é o favorito, ainda que muitos digam que em clássicos prevaleça o equilíbrio. A má notícia do jogo de hoje para o Inter foi a nova lesão de D'Alessandro, que poderá deixá-lo de fora da primeira partida pelas oitavas de final da Libertadores, quarta-feira, contra o Fluminense, e, até mesmo, do Gre-Nal. Nei que recebeu o terceiro cartão amarelo, será desfalque certo contra o Grêmio. Porém, nem mesmo no tocante aos desfalques o Grêmio leva alguma vantagem. Afinal, sua maior contratação de 2012, Kléber, só voltará a jogar em junho ou julho, Marcelo Moreno ainda é dúvida, e Léo Gago, que recebeu o terceiro cartão amarelo contra o Canoas, está fora da partida. A única vantagem do Grêmio é que irá se preparar durante toda a semana para o jogo, enquanto o Inter dividirá suas atenções com a partida contra o Fluminense. No entanto, a inconsistência do futebol mostrado pelo Grêmio até o momento não autoriza expectativas mais otimistas. A tendência é que o Inter seja o vencedor do segundo turno e decida a competição com o Caxias, ganhador da Taça Piratini, o primeiro turno.
sábado, 21 de abril de 2012
Vitória escassa
O Grêmio venceu o Canoas por 1 x 0, hoje à tarde, no Olímpico, e está classificado para a decisão da Taça Farroupilha, o segundo turno do Campeonato Gaúcho. A atuação do time, contudo, mais uma vez, não foi boa. O gol foi marcado cedo, logo aos 7 minutos do primeiro tempo, mas, depois disso, mesmo com amplo domínio do jogo, o Grêmio não encontrou soluções para aumentar o placar, nem mesmo quando o Canoas ficou com um jogador a menos em campo, em razão de uma expulsão. O técnico do Grêmio, Vanderlei Luxemburgo, se mostrou, novamente, consciente do estágio do time, e revelou não ter gostado da atuação, apenas da classificação obtida. Mesmo classificado para a decisão do segundo turno, o Grêmio não inspira confiança no seu torcedor. O time acumula vitórias, mas suas atuações não conseguem entusiasmar ninguém. Algumas carências continuam muito evidentes, como a de um grande zagueiro e a de um articulador de qualidade no meio de campo. A ausência de Léo Gago, que recebeu o terceiro cartão amarelo, na decisão da Taça Farroupilha, deverá pesar muito, nem tanto pelo nível do seu futebol, mas pela falta, no grupo, de um jogador com as mesmas características que possa substituí-lo. O Grêmio vai esperar, agora, pela definição, amanhã, no Beira-Rio, do outro finalista do segundo turno, no jogo Inter x Veranópolis. Seja quem for o seu adversário, convém que o Grêmio consiga melhorar significativamente a qualidade do seu futebol, se quiser conquistar o segundo turno do Gauchão.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Tempos estranhos
Decididamente, vivemos tempos insólitos. Ao navegar pelas chamadas redes sociais, verdadeira febre na atualidade, nos deparamos com infindáveis declarações de amor aos animais e de condenação a quem os maltrata ou abandona. A morte a tiros de um cão pit bull, ocorrida dias atrás em Porto Alegre, gerou inconformidade em muitas pessoas. A ferocidade dessa raça de cães foi deixada de lado por tais pessoas, que viram a execução do pit bull como um ato cruel. Não tenho nada contra animais, muito pelo contrário, mas me chama a atenção o crescente apego que eles despertam nas pessoas. Muitas casas não possuem crianças, mas quase todas tem um cão ou um gato. Há casais que decidem não ter filhos, mas enchem seu lar de bichos. Basta sair às ruas para ver todo o tipo de gente conduzindo seu animalzinho de estimação, jovens, velhos, casais, pessoas solitárias. Não resta dúvida de que os animais de estimação, principalmente os cães, podem ser extremamente afetuosos com seus donos. Os efeitos benéficos de se ter um animal de estimação já foram comprovados pela medicina. No entanto, chama a atenção que alguns reajam indignadamente diante de maus tratos contra animais ou a uma árvore que foi derrubada, mas não tenham a mesma postura diante de crianças abandonadas ou exploradas, famílias relegadas á miséria, doentes desassistidos, velhos maltratados e esquecidos. Talvez a explicação para isso esteja no fato de que o amor dos animais para com seu dono é uma relação passiva. O animal se submete docilmente ao comando, ao contrário do relacionamento interpessoal, feito de trocas e exigências. Crianças podem ser voluntariosas e birrentas, a vida a dois exige grande dose de compreensão mútua. Assim, muitos decidem não ter filhos e, às vezes, nem mesmo alguém com quem dividir a vida. Preferem satisfazer sua necessidade de afeto com seus bichinhos de estimação. Repito que nada tenho contra eles, mas não consigo entender quem coloque o contato humano em segundo plano, privilegiando a relação com animais. Acima de tudo, parece mais uma demonstração do enorme vazio existencial dos nossos tempos.
Assinar:
Postagens (Atom)