domingo, 5 de fevereiro de 2012
Perspectivas sombrias
O Gre-Nal de hoje à noite, no Olímpico, qualquer que fosse o seu resultado, nada traria de bom para o Grêmio. Nem uma vitória, até mesmo de goleada, serviria para muita coisa. Afinal, o Grêmio jogava com o time titular, em seu estádio, contra um Inter que, com exceção do goleiro, colocou em campo os seus reservas. Porém, como nada é tão ruim que não possa piorar, o Grêmio conseguiu a "façanha" de empatar com o descaracterizado Inter, por 2 x 2, em pleno Olímpico! Não há como imaginar que o Grêmio de 2012 possa "encaixar", como se costuma dizer no jargão do futebol. Os equívocos são muitos. A escolha do técnico foi o primeiro erro. Caio Júnior não tem um bom currículo e, para quem, como foi o caso dos dirigentes do Grêmio, prometeu um time forte e um ano de retomada das grandes conquistas, a opção por seu nome soa incompreensível. A saída de Saimon do time e a manutenção de Douglas Grolli é outro fato absurdo. Grolli fez, hoje, o seu segundo gol contra nos últimos três jogos. Seu único atributo como zagueiro é ser alto. Tecnicamente, contudo, é muito fraco. A venda de Douglas, sem que houvesse um substituto já contratado, é outro desatino. A utilização de Leandro no meio de campo, sem que ele tenha característica para jogar no setor, é algo, também, inaceitável. A insistência em escalar Marco Antônio, sem que o jogador dê qualquer resposta, é outro atentado ao bom senso. O Grêmio pode continuar se enganando, se quiser, e pagará um preço alto por isso. A desculpa de que o trabalho está no início, de que a pré-temporada foi curta, e outras alegações do gênero, não convencem. Todos os grandes clubes brasileiros passaram por isso e, mesmo assim, muitos deles estão obtendo bons resultados em seus jogos. Se o Grêmio quiser salvar o ano, terá que agir energicamente e de forma rápida. Afora buscar os reforços que a própria diretoria admite que ainda são necessários, é preciso mudar o técnico. Pior do que cometer um erro é persistir nele. O Grêmio errou ao trazer Caio Júnior. Está na hora de alterar o rumo da situação. Com Vanderlei Luxemburgo livre no mercado, a solução é por demais óbvia.
sábado, 4 de fevereiro de 2012
A palavra do secretário
Anteriormente, já manifestei minha opinião sobre a questão que envolve o estádio que sediará os jogos da Copa do Mundo de 2014 em Porto Alegre. Até hoje não entendi o porquê da escolha do Beira-Rio, que precisava ser reformado, quando era de conhecimento da CBF que o Grêmio iria construir um estádio inteiramente novo, totalmente dentro dos padrões estabelecidos pela Fifa. O argumento de que a escolha foi feita por que um estádio já existia e o outro era apenas um projeto não se sustenta. O Brasil foi escolhido para sediar a Copa de 2014 sete anos antes da realização da competição, e um estádio não precisa mais do que dois anos para ser erguido. Tanto é verdade, que o estádio do Corinthians, que sediará os jogos da Copa em São Paulo, não existia nem como projeto quando o Brasil foi designado para abrigar o evento. Porque optar por um estádio velho, que trem de sofrer adaptações, em vez de um novinho em folha? Retorno ao assunto porque o secretário municipal da Copa de 2014, João Bosco Vaz, preocupado com o fato de que há mais de 200 dias as obras de reforma do Beira-Rio estão paralisadas, já acena com a possibilidade de o novo estádio do Grêmio, que será inaugurado em novembro, ser o local dos jogos da Copa em Porto Alegre. Vaz disse que se, até março, as obras do Beira-Rio não reiniciarem, não terá problemas em pedir à Fifa e ao Comitê Organizador Local, que os jogos sejam realizados na Arena do Grêmio. "Se tivermos que ir à Fifa pedir para tirar o Beira-Rio e botar a Arena vamos fazer isso, porque o evento é muito maior", declarou Vaz. O secretário ainda foi mais longe. "Se a Fifa dissesse para nós: "Olha aqui, anote o plano B", já tínhamos escolhido a Arena para a Copa das Confederações. Não teríamos perdido a Copa das Confederações", declarou João Bosco Vaz. Pois é, por uma escolha de estádio absurda e incompreensível, Porto Alegre já ficou sem jogos pela Copa das Confederações. Agora, se nada for feito, acabará perdendo, também, a condição de uma das cidades que sediará jogos da Copa. A influência política do Inter nos bastidores, apelando até para o fato de que o governador do Estado e a presidente da República são torcedores do clube, e a vaidade de seus dirigentes, que não querem cometer um vexame diante da opinião pública, afora outros interesses bem pragmáticos, impediram, até agora, que se adotasse a solução devida para o impasse. Essa é lógica e cristalina. Deve-se designar o novo estádio do Grêmio para os jogos da Copa de 2014 em Porto Alegre. A cidade já perdeu a Copa das Confederações e não pode sofrer um novo e irreparável prejuízo ficando de fora da Copa do Mundo. Está na hora de consertar um erro, para não ser definitivamente derrotado por ele.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Os ministros continuam caindo
Mais um ministro do governo da presidente Dilma Roussef, o 7º em pouco mais de um ano de administração, deixou o cargo. Dessa vez foi o ministro das Cidades, Mário Negromonte, do PP. O ministro pediu demissão por estar envolvido, a exemplo de cinco dos seis outros afastados, em denúncias de corrupção. O curioso é que Negromonte saiu, mas o cargo continuou com seu partido. Para o seu lugar foi escolhido o deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). A prova de que a mudança é apenas de nomes, e não de procedimentos, é que, assim que Ribeiro foi confirmado como ministro, surgiu a acusação de que ele destinou, como deputado federal, mais de R$ 800 mil em emendas para Campina Grande (PB), onde sua irmã é candidata a prefeita neste ano, e também enviou verbas para Pilar, município administrado por sua mãe. Como se vê, há muito mais preocupação com a "governabilidade" do que com o combate á corrupção. Isso, contudo, não traz problemas para o governo. A popularidade de Dilma é alta e não há sinais de que venha a cair nos próximos meses. A maioria dos eleitores dá pouca importãncia para os ministros. No Brasil, há o culto a figura do mandatário. Se o povo entende que o país vai bem, a popularidade do presidente sobe, independentemente de denúncias ou escândalos envolvendo membros do governo. Por natureza, o brasileiro é personalista, valoriza quem exerce o poder, não a administração como um todo. Dessa forma, Dilma pode ficar tranquila. Escãndalo algum no seu governo vai derrubar sua popularidade. O eleitor blindou a presidente em relação a fatos nebulosos ou suspeitos, assim como já havia feito com seu antecessor, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. Enquanto os números da economia e da geração de empregos forem bons, os ministros podem, todos, deixarem seus cargos, que, ainda assim o governo continuará gozando de amplo apoio popular. Se a oposição quiser ter alguma chance nas eleições para presidente, em 2014, vai precisar bem mais do que forçar a queda de ministros.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Vitória magra e a saída de Douglas
O Grêmio venceu o São Luiz, de Ijuí, hoje à noite, no Olímpico, por 1 x 0, mas não convenceu. Kléber marcou o único gol da partida, numa belíssima jogada de Marcelo Moreno, mas a atuação do time como um todo, mais uma vez, deixou muito a desejar. Antes de marcar o gol, Kléber já havia desperdiçado um pênalti. O jogo valeu apenas pelo resultado e, ainda assim, o Grêmio continua, mesmo com a vitória, fora da zona de classificação de seu grupo no Campeonato Gaúcho. Um ponto positivo a ser ressaltado foi a segunda grande atuação consecutiva de Victor, indicando que ele talvez possa voltar a ser o goleiro seguro de outros tempos. No lado negativo, mais uma atuação abaixo da crítica de Marco Antônio, que não tem sabido aproveitar as chances que recebe para se firmar no time. Com o que vem mostrando em campo, o Grêmio não inspira confiança para o Gre-Nal de domingo. Independentemente do time que o Inter escalar, a partida tende a ser muito difícil para o Grêmio, mesmo jogando em casa, com o apoio da sua torcida. A verdade é que o trabalho do técnico Caio Júnior não aparece, nem dá sinais de que se possa esperar por uma melhor produção do time. Para piorar o quadro, o Grêmio vendeu Douglas para o Corinthians. Embora fosse criticado por muitos, Douglas é um jogador de grande técnica e sua saída empobrecerá ainda mais o time do Grêmio. Conforme o gerente de futebol Paulo Pelaipe, o Grêmio ainda está em busca de um zagueiro e dois meias. Ora, convenhamos, faltando pouco mais de um mês para a estréia na Copa do Brasil, o Grêmio já deveria estar com seu time pronto, e não em busca de três titulares. No entanto, dependendo do que acontecer no Gre-Nal, muito coisa poderá mudar no Grêmio. Afinal, é bom lembrar que o técnico Vanderlei Luxemburgo, como se previa, foi demitido pelo Flamengo, e está disponível no mercado.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Favoritismo confirmado
O Inter confirmou o seu favoritismo e está classificado para a fase de grupos da Libertadores, após empatar, hoje à noite, em Manizales, na Colômbia, com o Once Caldas, em 2 x 2. O Once Caldas fez 1 x 0 logo a 1min30s de jogo, cobrando um pênalti. O time colombiano, contudo, não soube manter nem ampliar a vantagem, cometendo, também, um pênalti, pouco depois, que determinou o empate. O Inter passou a frente, numa bonita jogada, e o Once Caldas empatou, logo a seguir, em outro lance de bela feitura. O primeiro tempo terminou empatado e o placar, no segundo tempo não foi movimentado, pois o Once Caldas esbarrou nas suas limitações técnicas e no nervosismo com o tempo que ia passando. O Inter já terá jogo pela Libertadores na quinta-feira da próxima semana, contra o Juan Aurich, do Peru, no Beira-Rio, uma partida que se prenuncia fácil. O grupo do Inter é o mesmo do Santos, mas, como se classificam dois clubes por chave, isso não deve causar maiores problemas. Resta saber, agora, se o Inter irá colocar o time reserva no Gre-Nal de domingo, o que é bastante provável. Seja como for, conforme já havia colocado num texto há poucos dias, 2012 começa do mesmo modo que 2011 e todos os últimos anos, isto é, inteiramente favorável ao Inter na rivalidade com o Grêmio. Para os que são gremistas, torcer, hoje em dia, não é apenas o exercício de uma paixão, é um ato de heroísmo.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Os descaminhos do ensino brasileiro
O ensino, no Brasil, vive o agravamento de uma crise iniciada há muitos anos. A rigor, desde a malfadada reforma realizada em 1971, em pleno regime militar, pelo então ministro da Educação, Jarbas Passarinho, o nível do ensino no país só faz decair. Agora, o sindicato dos professores do Rio Grande do Sul, Cpers, na palavra de sua presidente, Rejane de Oliveira, alerta para mais uma medida que poderá ser danosa aos interesses dos estudantes. Trata-se da reforma do Ensino Médio no Rio Grande do Sul, que dará ênfase, nas escolas públicas, ao ensino profissionalizante. Rejane considera que a medida ampliará a desigualdade no Estado, pois entende que os estudantes das escolas públicas serão preparados para se tornarem mão de obra barata das empresas, enquanto as instituições privadas têm o o foco na parte intelectual do seu aluno. A presidente do Cpers diz que a proposta não vai preparar o aluno da rede pública para o mercado de trabalho e tampouco para disputar um lugar na universidade, pois o ensino profissionalizante será insuficiente e haverá, também, menos tempo dedicado às matérias essenciais. Parece incrível, mas enquanto outros países possuem uma metodologia de ensino alicerçada ao longo do tempo, fazendo, é claro, as necessárias adaptações às novas realidades, o Brasil parece estar num permanente experimentalismo. Isso, é claro, é extremamente danoso para o país. A qualidade da educação brasileira é baixa, e a cada nova avaliação internacional, revela-se pior. A escola pública já foi um primor no país. Hoje, é sinônimo de ensino de má qualidade. Há quem coloque a culpa da deterioração do ensino brasileiro na universalização do acesso à escola. Ora, este é um argumento absurdamente elitista! O ensino fundamental é um direito de todo e qualquer cidadão. Se, após esse estágio inicial, verifica-se enorme evasão no ensino médio e um número ínfimo de alunos ingressa na universidade, a culpa é de uma política educacional que está na contramão dos interesses dos estudantes e do país. Ideias como a que se pretende implantar no Estado em nada colaborarão para uma mudança nesse quadro desolador. No plano nacional, a substituição dos vestibulares pelo Enem está longe de ser uma solução. Trata-se de uma visão "meritocrática" de inspiração americana que também faz com que aumente o fosso entre os alunos mais bem preparados e os de formação mais precária. O sistema de ensino não pode nem deve ser uma forma de perpetuação das desigualdades sociais. A lógica neoliberal para o setor é a da tal "meritocracia", que favorece os mais bem aquinhoados, rejeita as cotas sociais, sucateia o ensino público e retira dos menos favorecidos a possibilidade de ascensão social. Ensino público gratuito e de qualidade, em todos os níveis, fundamental, médio e superior, é um direito da sociedade e um dever dos governos. Forma, junto com o acesso aos serviços de saúde e a garantia de segurança, as três tarefas essenciais e intransferíveis do poder público.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Centenário de Herivelto Martins
O dia de hoje marca a passagem do centenário de nascimento de Herivelto Martins, um dos grandes compositores brasileiros. Ainda em 2012, serão completados, também, os 80 anos de seu falecimento. As novas gerações talvez não saibam quem foi Herivelto Martins, já que o Brasil não é um país que prime pela preservação de sua memória artística e cultural. Herivelto teve uma longa e exitosa carreira. Seu início na música se deu com a "Dupla Preto e Branco", em que fazia dueto com Francisco Sena. Mais tarde, Sena saiu e Herivelto se apresentou sozinho por um tempo, até formar uma nova dupla, com Nilo Chagas, com o mesmo nome da anterior. Os dois, depois, formaram, junto com a cantora Dalva de Oliveira, o "Trio de Ouro". Herivelto, que já tinha sido casado e era pai de dois filhos, uniu-se à Dalva, com quem viveu uma relação tumultuada. O casal teve dois filhos e o relacionamento acabou em total rompimento, com Herivelto obtendo a guarda dos meninos na justiça. Herivelto ainda vivenciou uma outra união, da qual nasceram mais dois filhos, e que só acabou com a morte de sua companheira, depois de 44 anos juntos. Como compositor, Herivelto foi autor de vários sucessos, e dois deles, pelo menos, estão entre as maiores criações da música brasileira, "Caminhemos" e "Ave Maria no Morro". São composições cujas letras são carregadas de lirismo e sentimento, sem resvalar na pieguice. Ao longo do tempo, foram regravadas por artistas de outras gerações, e talvez já esteja na hora de fazê-lo novamente, como uma forma de trazê-las ao conhecimento dos mais jovens. O Brasil possui uma música popular riquíssima e é necessário que ela seja devidamente valorizada. Por isso, datas como o centenário de nascimento de Herivelto Martins precisam ter o devido destaque. Não só hoje, mas durante todo o ano, seria interessante que fossem realizados shows e exposições, se escrevessem livros e se lançassem discos reverenciando a obra de Herivelto Martins, um grande compositor que não pode e nem deve ser esquecido.
domingo, 29 de janeiro de 2012
Sem mudanças
A diretoria do Grêmio prometeu formar um time para 2012 que levasse o clube novamente às grandes conquistas e que estivesse à altura da inauguração de seu novo estádio, o que ocorrerá no final do ano. Até agora, no entanto, os resultados são desanimadores. Em três jogos, pelo Campeonato Gaúcho, todos contra clubes do interior, o Grêmio perdeu dois. Hoje, foi para o Juventude, no Alfredo Jaconi, por 2 x 1. Se é verdade que o ataque, com as contratações de Kléber e Marcelo Moreno, é muito qualificado, o restante do time ainda deixa a desejar. O Grêmio precisa contratar com um urgência um zagueiro que reúna qualidade e experiência. Douglas Grolli ainda não possui condição de ser titular, e, com um parceiro mais rodado, Saimon poderia afirmar suas virtudes. O meio de campo também merece atenção. Léo Gago ainda não se firmou, e talvez seja necessária a vinda de outro volante. O Grêmio não conseguiu trazer Giuliano, mas tem de continuar em busca de um meia. Marco Antônio, até agora, não conseguiu demonstrar nada, simplesmente não é percebido em campo. O mais preocupante, no entanto, é o trabalho do técnico Caio Júnior, que não definiu um esquema e faz modificações sem nenhum proveito para o time, como foi o caso, hoje, das trocas de Douglas por Marco Antônio e Júlio César por Bruno Collaço. Nesses dois casos, os jogadores que entraram são da mesma posição dos que saíram, mas inferiores tecnicamente, ou seja, não houve ganho tático nem técnico. Enquanto isso, o time sub-23 do Inter venceu o Veranópolis por 3 x 1, sábado, no Beira-Rio, e D'Alessandro resolveu permanecer no clube. Por enquanto, apesar das promessas dos dirigentes do Grêmio, 2012 começa tão favorável ao Inter quanto foram os últimos anos. Para piorar, domingo já acontecerá o primeiro Gre-Nal do ano, no Olímpico. O sofrimento do torcedor gremista parece, ainda, estar longe do fim.
sábado, 28 de janeiro de 2012
Comendo insetos
Os hábitos alimentares fazem parte dos usos e costumes dos povos, razão pela qual a culinária é um dos importantes aspectos culturais a serem observados em países e regiões. É bastante comum que comidas apreciadas em determinadas localidades sejam vistas como exóticas em outras, ou até, tidas por intragáveis. Em muitos países, é normal o uso de insetos na alimentação. Conforme o Instituto de Biologia da Universidade do México, os insetos são consumidos por mais de 3 mil grupos humanos em 120 países. No Brasil, comer insetos é tido como algo repugnante, mas há quem aposte que isso possa mudar. O Ministério da Agricultura e o Ibama estão analisando dois pedidos inéditos de registros envolvendo o uso de insetos na alimentação. Um deles é para fabricação de ração animal. O outro, de produção para o consumo humano. O presidente da Sociedade Entomológica do Brasil, Antônio Ricardo Panizzi, considera que a expansão dos insetos comestíveis pode ser encarada como uma tendência viável sob diversos aspectos. Panizzi diz que o valor nutritivo dos insetos é semelhante ao de proteínas de animais de sangue quente, sua oferta é abundante, seus ciclos de reprodução são curtos e o manejo e o processamento adequados eliminam riscos sanitários. Afora a barreira cultural, o preço é outro fator que, ainda, limita o consumo de insetos na alimentação. O quilo de inseto desidratado chega a custar R$ 150,00 para o consumidor final. Se houver a autorização para o uso de insetos na alimentação no Brasil, será a vez de tentar vencer a rejeição da ideia pela população. Confesso que não me disponho a comer insetos e, portanto, não incentivaria ninguém a fazê-lo. Porém, quando se fica sabendo que, de cada dez seres vivos, sete são insetos, não resta dúvida de que eles podem constituir um importante recurso nutricional e no combate á fome. Resta saber se o brasileiro seria capaz de vencer sua repulsa por tal tipo de alimento.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Um novo mundo é possível
O Fórum Social Temático, que se realiza em Porto Alegre, afirma, no seu slogan, que um novo mundo é possível.. Visto pela direita como uma reunião de esquerdistas lunáticos, o Fórum Social Temático, na verdade, é um evento importante, durante o qual ocorrem seminários e debates que visam buscar a construção de um mundo mais justo, menos desigual, mais solidário, e que priorize o meio ambiente e a sustentabilidade. O capitalismo desenfreado de nossos dias, com seu incentivo ao consumismo, exploração predatória dos recursos naturais, ânsia desmesurada de lucros, e insensibilidade social, precisa ser confrontado por uma ideia alternativa. A própria crise da economia, que tanto afeta os Estados Unidos e a Europa, é a prova de que o modelo capitalista já não satisfaz, que novos rumos precisam ser vislumbrados. Não é mais tolerável conviver com a desigualdade extrema, com lucros estratosféricos para alguns e miséria absoluta para outros. O consumismo e a aquisição de bens materiais não podem continuar se sobrepondo a todo e qualquer outro valor. Os recursos naturais precisam ser preservados. Uma nova concepção de progresso, menos gananciosa e predatória, precisa ser elaborada. Os que se dizem pragmáticos desdenham de tais aspirações, mas elas não são devaneios, representam, isto sim, uma necessidade inadiável, de estabelecer novos parãmetros para o desenvolvimento. Um desenvolvimento que contemple justiça social e respeito ao meio ambiente. Sim, eu concordo com o entendimento de que um novo mundo é possível. Você pode até achar que eu sou um sonhador, mas, como diria John Lennon, eu não sou o único.
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