segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Velhas intenções
A "flexibilização" das leis trabalhistas é um antigo sonho da direita brasileira. O discurso é conhecido, as alegações são repetidas, isto é, de que a legislação trabalhista do Brasil é muito antiga, por ser da década de 40 do século passado, de que ela é excessivamente detalhista e intervencionista, de que dificulta as contratações pelos custos que acarreta para as empresas. Por trás de todo esse arrazoado se esconde, na verdade, a intenção de precarizar cada vez mais os empregos, facilitando as demissões e implantando uma política de baixos salários, que favoreça o aumento dos lucros dos empregadores. Essas ideias são constantemente defendidas por empresários e por veículos da grande imprensa, permanentemente a serviço do capital. A mais notória publicação dessa vertente jornalística, a revista "Veja", traz, em sua última edição, uma entrevista, nas "páginas amarelas", com o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, João Oreste Dalazen. Por incrível que pareça, Dalazen, em vez de defender obstinadamente os interesses dos trabalhadores, faz eco aos argumentos conservadores. Dalazen diz que são necessárias a revisão e a atualização da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Na opinião do magistrado, a intervenção estatal na legislação trabalhista é exagerada, a lei deveria assegurar um patamar mínimo de proteção ao trabalhador e com "sindicatos fortes e representativos" o diálogo entre as partes construiria normas permanentes, aplicáveis e suportáveis para cada segmento, levando em conta "as especificidades de cada um". Dalazen cita o modelo trabalhista americano como exemplo de um vastíssimo sistema de negociação coletiva "sem quase nenhuma intervenção estatal no ãmbito legal". Sobre a crescente tendência da terceirização, Dalazen considera inegável se tratar de "um fenômeno econômico irreversível no plano universal", pois entende ser "compreensível" que as empresas se utilizem desse meio para aumentarem seus lucros com o barateamento do custo da mão de obra. Pobre trabalhador brasileiro! O presidente do Tribunal Superior do Trabalho não está interessado em defendê-lo. Mesmo revelando ser de origem muito pobre, e ter trabalhado, entre outras funções, como office-boy, engraxate, lavador de carro, cobrador e balconista, Dalazen tem conceitos afinados com as elites. A CLT nada tem de excessiva, isso não passa de retórica direitista. Na verdade, é necessário que se ampliem as conquistas e garantias dos trabalhadores, defendendo-os da sanha dos neoliberais. O Brasil é um dos países com maior desigualdade social e pior distribuição de renda do mundo. "Flexibilizar", as leis trabalhistas só iria agravar esse quadro. A direita seguirá tentando, mas não irá conseguir, ainda que conte com a adesão dos Dalazen da vida.
domingo, 18 de dezembro de 2011
Chocolate
Foi um "banho de bola" como há muito tempo não se via. Uma decisão de Campeonato Mundial de Clubes que acabou se parecendo com uma pelada de fim de semana, tal a disparidade dos disputantes. O Barcelona ganhou do Santos como e quando quis. Seus gols tiveram brilho técnico, tanto coletivo como individual. A posse de bola, ao final do jogo, apontava 71% para o Barcelona e 29% para o Santos. Paulo Henrique Ganso não conseguiu jogar. Neymar, afora perder, talvez, a única grande chance de gol do Santos, já no segundo tempo, pouco fez. Ao final do primeiro tempo, o placar de 3 x 0 mostrava que o jogo já estava decidido. Messi, que havia aberto o placar com um belo gol, reservou outro, também muito bonito, para o segundo tempo, encerrando a goleada. O Barcelona provou que, atualmente, não tem adversários. Passa por cima de todos que vê pela frente. Dizer, como fazem alguns, que é o melhor time de todos os tempos é um evidente exagero, mas, na atualidade, inegavelmente, ninguém o supera. O Barcelona tem o melhor jogador do mundo, Messi, outros grandes nomes, como Xavi, Iniesta e Fábregas, um futebol coletivo que se vale do entrosamente de um time que joga junto há três anos, e um esquema tático que, muitas vezes, coloca o adversário "na roda". O toque de bola do Barcelona é envolvente, o time troca vários passes sem que o adversário consiga o desarme. Num dos gols de hoje, o Barcelona tocou a bola por quase dois minutos, trocando mais de vinte passes, até a conclusão para as redes. Após o jogo, Neymar declarou, com surpreendente sinceridade, que o Barcelona ensinou como se joga futebol. Neymar parecia resignado. Ele sabia que não havia o que fazer diante de um time tão inspirado e poderoso. Foi 4 x 0. Poderia ter sido muito mais. Como se costuma dizer, hoje em dia, foi um autêntico "chocolate" do Barcelona sobre o Santos. O resultado deve ensejar, também, algumas reflexões. Nas últimas cinco edições do Mundial de Clubes, os europeus ganharam todas, sendo que, no ano passado, o representante sul-americano sequer se classificou para a decisão. As duas últimas Copas do Mundo foram ganhas por seleções européias. O futebol sul-americano precisa reagir com urgência.
sábado, 17 de dezembro de 2011
Duas perdas
O Brasil sofreu, hoje, a perda de duas grandes personalidades, de diferentes áreas de atuação, Joãosinho Trinta e Sérgio Britto. Joãosinho Trinta popularizou a figura do carnavalesco, isto é, do responsável pela concepção do desfile de uma escola de samba. Antes de Joãosinho, essa era uma função pouco percebida pelo grande público. Joãosinho Trinta revolucionou o Carnaval, adicionou-lhe o luxo e as mulheres desnudas, levou-o para um inevitável profissionalismo. Aos que criticavam sua concepção opulenta e faustosa dos desfiles, que teriam matado a pureza do Carnaval, respondia com uma frase que se tornou célebre: "Pobre gosta de luxo, quem gosta de pobreza é intelectual". Joãosinho contribuiu decisivamente para que o Carnaval se tornasse um espétaculo fascinante e inebriante, de muitas luzes e cores, indo muito adiante do simples samba no pé. Vários de seus enredos marcaram época, pela ousadia temática, pela beleza visual, ou sua antítese, como quando colocou na avenida pessoas vestidas de mendigos, e, também, por efeitos especiais, em que, até mesmo, um homem fez um vôo sobre a Marquês de Sapucaí. A importância de Joãosinho Trinta pode ser resumida nas palavras de Neguinho da Beija-Flor: "O Carnaval se divide em antes e depois de Joãosinho Trinta". O outro grande nome que nos deixou hoje, Sérgio Britto, foi, sobretudo, um homem do teatro, embora tenha atuado, também, no cinema e na televisão. No teatro sua grande paixão, foi ator e diretor. "O teatro não é chato, ele não se repete, o público é que se renova", disse, certa vez, Sérgio Britto. Mesmo tendo morrido com 88 anos, Sérgio Britto trabalhou até o fim. O teatro era a sua vida, a força que o movia. Seu trabalho atravessou gerações, marcado pela qualidade, reconhecido pelo público e pelos colegas. O Brasil perdeu, num mesmo dia, dois homens que atingiram a maestria nos ofícios que escolheram. Marcaram sua presença de maneira indelével e permanecerão nas nossas lembranças.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
A popularidade de Dilma
Uma pesquisa realizada sob encomenda da Confederação Nacional da Indústria (CNI), revela que a popularidade de Dilma Roussef é a maior da história para um presidente brasileiro no primeiro ano de mandato. Trata-se de um feito notável, pois Dilma supera, dessa forma, o seu antecessor no cargo, e padrinho político, Luís Inácio Lula da Silva, cujos índices de aprovação também eram superiores a todos os presidentes anteriores. Imagine-se o desespero que tais números devem estar causando em certos setores da sociedade brasileira. A revista "Veja", porta-voz do direitismo brasileiro, tem conseguido, com suas denúncias, derrubar vários ministros do governo Dilma. No entanto, como a pesquisa está a demonstrar, ainda que a revista consiga causar a demissão, um a um, de todos os ministros do governo, isso não resultará em perda de prestígio de Dilma junto à opinião pública. O governo Lula já havia deixado isso claro, mas a direita não aprendeu a lição. Os escãndalos José Dirceu/Valdomiro Diniz e do mensalão, apesar da ampla repercussão na imprensa, em nada afetaram a popularidade de Lula como presidente. O mesmo ocorre, agora, com Dilma. A mensagem do eleitor é muito clara. Ele estava satisfeito com o governo Lula e tem a mesma postura em relação á administração de Dilma Roussef. Pode-se lamentar o que parece ser uma indiferença das pessoas com a ética na política, mas o eleitor brasileiro está se mostrando pragmático. Ele está priorizando os próprios interesses. O brasileiro sabe que Lula melhorou a condição de vida dos mais pobres, promoveu o crescimento econômico, expandiu a geração de empregos, e entende que Dilma, por ser sua afillhada política, prosseguirá nessa direção. A verdade é que, para o desalento da grande imprensa e demais parcelas reacionárias da sociedade brasileira, não há nenhuma perspectiva de alternãncia no poder nos próximos anos. A era do PT na presidência da República tem tudo para ser muito longa.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Pouco mais que um treino
Como já se esperava, o Barcelona não teve nenhuma dificuldade para vencer, hoje, o Al Sadd, do Catar, e classificar-se para decidir o Mundial de Clubes contra o Santos. A goleada de 4 x 0 não diz o que foi o jogo, poderia ter sido muito mais. O Al Sadd conseguiu resistir por mais de vinte minutos até sofrer o primeiro gol, armando uma retranca poucas vezes vista, mas o lance que colocou o Barcelona em vantagem mostrou toda a limitação do time catariano. O goleiro, para não segurar uma bola que lhe foi atrasada por um companheiro, o que resultaria na marcação de uma falta, titubeou e permitiu que o brasileiro Adriano empurrasse a bola para o fundo das redes. Os demais gols do Barcelona também foram marcados com grande facilidade, e o goleiro falhou, praticamente, em todos. Foi pouco mais que um treino para o Barcelona que, no entanto, teve o prejuízo da fratura de tíbia de David Villa, que ficará parado por seis meses. Agora, é esperar para ver a grande decisão de domingo entre Santos e Barcelona. Tem tudo para ser um jogo inesquecível.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Supremacia individual
A vitória do Santos sobre o Kashiwa Reysol, hoje, por 3 x 1, foi determinada pelas individualidades, mas o time brasileiro pecou no que tange ao aspecto coletivo. O Santos, sabidamente, possui jogadores mais qualificados que os do Kashiwa, e dois deles, Neymar e Paulo Henrique Ganso, são diferenciados, do tipo que podem resolver uma partida sozinhos. Neymar, inclusive, confirmou isso, ao fazer 1 x 0 para o Santos, em jogada de craque, sendo que, até aquele momento, o time brasileiro pouca tinha realizado em campo, com a posse de bola estando a maior parte do tempo com o adversário. O gol de Borges, cinco minutos depois, foi outro que teve o brilho da jogada pessoal. Borges tentava encontrar um companheiro para passar a bola. Como a marcação não permitisse isso, conduziu a bola, cortou um marcador e descortinou uma brecha para chutar a bola no ângulo, fazendo um golaço. O gol do Kashiwa, no início do segundo tempo, de cabeça, após uma cobrança de escanteio, mostrou uma falha defensiva preocupante para quem terá de enfrentar o Barcelona, já que ninguém cogita da eliminação do time espanhol para o Al Sadd, do Catar. O jogo só não cresceu em dificuldades, porque Danilo cobrou uma falta com maestria, ainda que o goleiro pudesse ter, pelo menos, saltado. Foi outro lance de habilidade individual, que resultou em mais um gol para o Santos. O representante sul-americano fez sua parte, classificando-se para a decisão do Mundial de Clubes, e evitando o vexame proporcionado pelo Inter em 2010, quando perdeu para o Mazembe, um time bem inferior ao Kashiwa Reysol. Assim, o Santos só fica na espera do seu adversário para a decisão de domingo, que, certamente, deverá ser o Barcelona. A vitória de hoje, no entanto, ficou apenas como a confirmação de uma expectativa. O futebol demonstrado pelo Santos não entusiasmou, e o time brasileiro terá de jogar muito mais para poder fazer frente ao poderoso Barcelona. Só com os talentos individuais, não será suficiente, pois o Barcelona também os possui, e tem um desempenho coletivo afinadíssimo. Será um jogo imperdível, em que teremos um confronto de talentos entre Neymar e Messi. O desafio do Santos, vencer o Barcelona, é enorme, mas isso só o torna mais estimulante. O Santos sabe que o adversário é favorito, mas em futebol tudo é possível. Tudo indica que Santos x Barcelona será um espetáculo como há muito tempo não se vê no futebol. Resta torcer para que isso se confirme, e desejar boa sorte ao Santos.
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
O silêncio da grande imprensa
A sociedade avança, mas o comportamento de certos setores não muda. A grande imprensa brasileira continua a divulgar amplamente o que serve aos seus propósitos, e a ignorar o que se choca contra os seus interesses. O livro "A Privataria Tucana", do jornalista Amaury Ribeiro Jr.,vem sendo ignorado pelos grandes veículos da imprensa brasileira. A obra trata dos malfeitos cometidos durante as privatizações realizadas pelo governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Defensora ardorosa do privatismo e do neoliberalismo, a grande imprensa não faz qualquer referência ao livro, ao mesmo passo em que, a cada semana, divulga mais uma denúncia contra o governo federal, comandado pelo PT, partido contra o qual possui um ódio indisfarçável. Felizmente, as redes sociais trouxeram consigo uma democratização da informação. Foi por meio das redes sociais que o livro de Amaury Ribeiro Jr. recebeu ampla divulgação. Como resultado, a tiragem inicial, de 15 mil exemplares, se esgotou num único dia! Foi inútil o esforço da imprensa conservadora para tentar abafar a repercussão da obra. Já não há mais como manipular a informação impedindo-a de chegar ao público. "A Privataria Tucana" se tornou um sucesso de vendas. Para quem havia esquecido, o livro trata de relembrar que os que hoje pregam a condição de defensores da ética na política, quando estiveram no poder, trocaram patrimônio público por "moedas podres", num predatório processo de privatização. A notáver acolhida do livro mostra que não é mais possível conduzir a informação e manipular a opinião pública. Tal e qual a Carolina da célebre composição de Chico Buarque de Holanda, o tempo passou na janela e só a grande imprensa não viu.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
A vitória do bom senso
O plebiscito realizado ontem para decidir sobre a divisão do Pará em outros dois estados terminou com uma vitória esmagadora da opção "não". Um total de 68,4% dos eleitores consultados rejeitou a criação do estado de Tapajós, e 67,4% foram contrários ao estado de Carajás. Foi uma vitória, também, do bom senso. A criação de novos estados tem benefícios muito duvidosos, se é que gera algum, mas ocasiona prejuízos bastante evidentes. A partir da instalação de novas unidades federativas, várias instituições tem de ser criadas, o que leva ao surgimento de uma série de cargos, pagos com o dinheiro público. São novos governadores, deputados federais e estaduais, senadores, assessores, cargos de confiança, justiça estadual, entre outras funções. Antes que possa obter qualquer ganho prático com a divisão territorial, o cidadão e contribuinte é chamado a pagar a conta. Felizmente, o eleitor, tido quase sempre como despreparado, soube, no caso em questão, ter o discernimento de recusar a proposta de criar novos estados. O Pará seguirá tendo o seu tamanho original. As regiões que abrangem as áreas em que seriam instaladas as novas unidades federativas terão de achar outras alternativas para o seu desenvolvimento que não impliquem no fracionamento do território paraense. O Brasil ficará um pouco mais tranquilo, pois estará livre de um novo desperdício de dinheiro público. Tomara, inclusive, que a derrota fragorosa da proposição divisionista desencoraje ideias semelhantes no futuro. O eleitor paraense está de parabéns. Ele provou que, ao contrário do que expressa o chavão por muitos propalado, o brasileiro sabe votar.
domingo, 11 de dezembro de 2011
Conquista inesquecível
O dia 11 de dezembro marca a passagem de mais um aniversário da conquista do Campeonato Mundial de Clubes pelo Grêmio, em Tóquio. Foi em 1983, já se passaram 28 anos. O adversário era o Hamburgo, que naquele ano derrotara, na decisão da Copa dos Campeões da Europa, o poderoso Juventus, que tinha oito jogadores da seleção da Itália, mais os astros Platini, francês, e Boniek, polonês. Foi uma partida inesquecível, que consolidou Renato, autor dos dois gols do Grêmio na vitória por 2 x 1, como o maior jogador e ídolo da história do clube. O Grêmio voltou a Tóquio doze anos depois, em 1995, para decidir, novamente, o título mundial, desta vez contra o Ajax. O Ajax era o melhor time do mundo na época, mas só obteve o título nos tiros livres da marca do pênalti, depois de um 0 x 0 que se estendeu por toda a partida, e também pela prorrogação, com o Grêmio tendo jogado grande parte do tempo com um homem a menos, devido à expulsão de Rivarola. Num momento tão ruim como vive o Grêmio atualmente, há dez anos sem conquistar um título de expressão, o feito de dezembro de 1983, mais do que nunca, tem de ser lembrado, não pode cair no esquecimento. Ele serve como um indicativo, para os que dirigem o clube, da extensão do poderio da instituição, e de qual o caminho que ela deve, permanentemente, perseguir. O Grêmio dos últimos dez anos não tem sido fiel á sua história gloriosa, o que tem frustrado e machucado o seu torcedor. Mais do que comemorar a passagem do aniversário de uma conquista, a lembrança do título mundial de 1983 deve servir como um farol a iluminar a trajetória futura do clube, para o reencontro com a sua imensa grandeza.
sábado, 10 de dezembro de 2011
Impunidade
Já me referi ao assunto outras vezes nesse espaço, mas é pertinente fazê-lo novamente. A manutenção da chamada "Lei da Anistia" é algo inaceitável, que fará com que o Brasil continue com as feridas causadas pelo espúrio golpe militar de 1964 permanentemente abertas. Felizmente, apesar dos indicativos do governo federal de que pretende ceder á influência dos que querem deixar tudo como está, há fortes pressões em sentido contrário. A Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) deu ao Brasil um prazo até o dia 14 de dezembro para alterar a Lei da Anistia e permitir a punição de torturadores, a exemplo do que ocorreu em outros países da América do Sul, como Argentina e Uruguai. A ONU também se manifesta favorável á revisão da anistia. O ex-secretário nacional de Direitos Humanos, e ex-deputado federal pelo PT de Minas Gerais, Nilmário Miranda, atualmente presidente da Fundação Perseu Abramo, ligada ao partido, diz que espera que a criação da Comissão Nacional da Verdade, aprovada recentemente pelo Congresso Nacional, possa mobilizar a opinião pública para que a Lei da Anistia seja revista. Em abril de 2010, o Supremo Tribunal Federal rejeitou uma ação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que contestava a Lei da Anistia. A lei, promulgada em 1979, concede perdão a todos os crimes cometidos durante a ditadura militar (1964-1985), inclusive torturas praticadas por agentes do Estado contra presos políticos. A manutenção dessa lei é um escárnio. Ela tem de ser revista. Há que se punir exemplarmente os artífices do abjeto golpe militar pelas monstruosidades que praticaram. Argentina e Uruguai já deram o exemplo. Façamos o mesmo. Para superar, definitivamente, esse fato traumático de nossa história, é preciso acabar com a impunidade. O lugar de golpistas, torturadores, liberticidas e assassinos é na cadeia.
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