segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A Comissão da Mentira

O governo federal deseja que a Câmara dos Deputados vote, em regime de "urgência urgentíssima", a chamada "Comissão da Verdade". A comissão vai tentar esclarecer fatos ocorridos na ditadura, mas não terá caráter judicial, nem punitivo. O governo busca um acordo suprapartidário para facilitar a votação, pois afirma que o assunto o une à oposição, em vez de causar divisão. A secretária nacional de Direitos Humanos, Maria do Rosário, disse que a matéria não divide a oposição nem o governo, e, sim, une a todos. "A democracia é uma construção de todos. É a busca pela unidade nacional", declarou Maria do Rosário. O assessor especial do ministro da Defesa, José Genoíno, disse que não haverá disputa partidária em torno da comissão. O texto do projeto foi negociado pelo ex-ministro da Defesa, Nélson Jobim, com os comandantes militares. Genoíno afirma que qualquer alteração no texto implicaria em nova rodada de negociações. O líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Duarte Nogueira (SP) reuniu-se com ministros  e disse que há convergência para aprovar a comissão, mas que a condição é que o texto do governo não seja alterado e que se evite "mexer nas feridas do passado". Para não prejudicar a tramitação da Comissão da Verdade, o governo decidiu "congelar" o projeto da deputada federal Luíza Erundina (PSB-SP) que tem o objetivo de mudar a Lei de Anistia para punir quem torturou, matou e desapareceu com opositores do regime militar. A proposta já esteve por ser votada duas vezes, mas foi retirada de pauta por pressão do governo. Ora, diante de todos esses dados, se percebe que de "verdade", a tal comissão não tem coisa alguma. Trata-se de um engodo, um verdadeiro escárnio com a sociedade brasileira. Como pode uma comissão se debruçar sobre os fatos acontecidos na ditadura, tendo o texto do projeto sido previamente negociado com os militares? Para que servirá a comissão se não terá caráter judicial nem punitivo? Se não for para "mexer nas feridas do passado", qual o sentido de se criar a comissão? Ao contrário de seus vizinhos, Uruguai e Argentina, o Brasil insiste em não passar a limpo o horror da ditadura militar. O mais incrível é que isso continue a ocorrer no governo da presidente Dilma Roussef, que sentiu na própria pela a força da repressão do regime militar que se instalou no país em 1964. Se é para ter uma comissão de fachada, é melhor deixar como está. Antes não fazer nada do que escarnecer dos que sofreram com a perda de parentes e pessoas queridas para os carrascos da ditadura. Carrascos que deveriam ser exemplarmente punidos por seus crimes. Para tanto, o ideal seria aprovar o projeto de Erundina. Só assim, o país varreria para sempre os escombros da ditadura, e os brasileiros que pereceram na luta pela democracia, obteriam uma reparação, que não lhes restituiria a vida, mas honraria a sua memória.

domingo, 11 de setembro de 2011

Time consolidado

O Grêmio, nas últimas cinco partidas, jogou bem em todas. Desse conjunto de jogos, ganhou quatro e perdeu apenas um. Com base nessa amostragem, já dá para dizer que o Grêmio "encaixou", pois o time encontrou uma escalação e uma forma de jogar. Isso ficou demonstrado, mais uma vez, na vitória de 1 x 0 sobre o São Paulo, na tarde de hoje, no Olímpico. Diante de um público entusiasmado de 30 mil pessoas, o Grêmio perseguiu a vitória obstinadamente, até alcançá-la, com um gol de Douglas, numa magnífica jogada de Júlio César. O time esteve bem individual e coletivamente. Victor não chegou a ser muito exigido, mas, quando foi necessário, fez boas intervenções. A defesa, composta por Mário Fernandes, Saimon, Edcarlos, e Júlio César, teve excelente desempenho. No meio de campo, Adílson, novamente, destoou, mas Fernando, Marquinhos, Escudero e Douglas tiveram boas atuações. No ataque, André Lima não brilhou, mas foi participativo e esforçado, preocupando a defesa do São Paulo. Os jogadores que entraram no segundo tempo, Miralles e Brandão, tiveram pouco tempo para mostrar alguma coisa. O Grêmio obteve uma importante vitória, contra um time que está entre os primeiros colocados do Campeonato Brasileiro e que tinha um grande retrospecto nos jogos fora de casa. A distância da zona de classificação para a Libertadores caiu para apenas 7 pontos. Com os bons resultados que vem alcançando e, principalmente, com o bom futebol que vem jogando, o Grêmio já se permite começar a sonhar com algo mais no Brasileirão..

A diferença

O futebol tem as suas verdades, alicerçadas ao longo do tempo. Dentre elas, está a de que um time que tenha ambições de grandes conquistas necessita contar com um artilheiro, um homem de definição das jogadas de gol. Sem isso, um time se torna incompleto, capenga. Pois reside nesse aspecto o resumo do que aconteceu no jogo Palmeiras 0 x 3 Inter, hoje à tarde, no Pacaembu. O Palmeiras dominou o jogo, teve mais posse de bola, e criou várias situações de gol. Porém, a ausência de seu principal atacante, Kléber, e a mediocridade dos seus homens de frente, impediram o Palmeiras de traduzir esse volume de jogo em gols. O Inter, por outro lado, jogou, basicamente, nos contra-ataques, mas teve em Leandro Damião uma peça preciosa e decisiva. Leandro Damião fez os três gols do Inter, todos eles em jogadas de contragolpes. Trata-se de um centroavante que não desperdiça oportunidades, transformando em gols os erros e vacilações do adversário. Sua média de gols é impressionante, fazendo dele o principal goleador do Brasil em 2011. Leandro Damião fez a diferença na tarde de hoje. Enquanto o Palmeiras dependia de jogadores como Vinícius, Fernandão e Ricardo Bueno para tentar marcar gols, o Inter tinha Leandro Damião. Não resta dúvida de que, com tão fulgurante desempenho, um futuro milionário na Europa aguarda pelo atacante, muito em breve. Até lá, o Inter vai se beneficiando com seus gols, subindo na tabela do Campeonato Brasileiro e sonhando, quem sabe, com uma classificação para a Libertadores. Também na Seleção Brasileira, Leandro Damião já deixou a sua marca, fazendo o gol da vitória sobre Gana. No futebol brasileiro, um celeiro inesgotável de revelações, a cada momento surge um jogador que monopoliza as atenções. A bola da vez é Leandro Damião.

sábado, 10 de setembro de 2011

Entrevista insossa

A entrevista das páginas amarelas da edição da revista "Veja" que chegou às bancas hoje, é com o técnico da Seleção Brasileira, Mano Menezes. No país do futebol, e que irá sediar a próxima Copa do Mundo, seria de se esperar que as declarações do técnico de sua seleção trouxessem aspectos interessantes para serem repercutidos, mas não é isso o que acontece. A entrevista de Mano Menezes soa tão insossa e estéril quanto o futebol da Seleção Brasileira sob o seu comando. Mano repete lugares comuns, como quando afirma que, no futebol, cada jogador é apenas uma peça, condenando o individualismo, que considera pernicioso. Também recorre a outro argumento desgastado, o de que o Brasil já não joga o melhor futebol do mundo. Curiosamente, Mano entende que a equipe mais completa do momento não é a Espanha, atual campeã do mundo, mas a Alemanha. Para o técnico, a Alemanha sempre foi metódica e taticamente quase perfeita, mas pecava pela incapacidade de resolver as partidas, o que agora consegue com jogadores como Özil, Müller e Schweinsteiger. Ora, se a Alemanha é o modelo a ser perseguido por Mano Menezes, estamos em maus lençóis. O futebol alemão, historicamente, caracteriza-se pela eficiência e objetividade, mas sem inventividade, atribuição típicamente brasileira. Para quem tem dúvidas de quem leva vantagem nesse confronto de características, basta lembrar que, na única vez em que Brasil e Alemanha se enfrentaram numa Copa do Mundo, na decisão, em 2002, os brasileiros venceram de forma inequívoca. Mais adiante, confrontado com a denúncia de que beneficiaria seu empresário, Carlos Leite, convocando jogadores representados por ele, Mano disse que de tudo o que se fala contra sua pessoa, essa é a única acusação que o incomoda, e negou que tal ocorra. Mano, no entanto, não concorda que além de ser honesto, se tenha de parecer honesto. Para ele, importa, apenas, a primeira condição. O técnico entende, também, que não cometeu erros graves no comando da Seleção e que reúne as habilidades exigidas para o cargo. Porém, quando se chega ao final do texto, a sensação que se tem é de que muito pouco de substancial foi lido. Agora se entende porque o futebol da Seleção anda tão inexpressivo. Ele reflete a postura insípida do seu técnico.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Assuntos massacrantes

Muito se fala, no Brasil, sobre liberdade de expressão e imprensa livre, e da necessidade de garanti-las e protegê-las. Porém, a imprensa não é um elemento neutro, e a linha editorial dos veículos de comunicação traduz a visão de mundo de seus proprietários e a ação de grupos muito estruturados e influentes. Nos últimos dias, dois assuntos, um de cobertura nacional e outro de abrangência estadual, demonstram isso exemplarmente. Primeiro, no plano nacional, a cobertura massiva que vem sendo dada aos 10 anos do 11 de setembro, data que marca o atentado às torres do World Trade Center, em Nova Iorque. Trata-se de um fato relevante, sem dúvida, mas cuja importância foi, desde sua ocorrência, maximizado, por ter atingido os Estados Unidos. O excessivo alarde em torno do assunto reflete a vassalagem do mundo ocidental em relação aos americanos. O fato foi traumático, é claro, e três mil pessoas perderam suas vidas no atentado. Porém, o mundo convive, rotineiramente, com guerras e conflitos que resultam num número maior de mortos, sem que se faça tanto estardalhaço em torno disso. A cobertura do 11/09 pela Rede Globo é um exemplo desse exagero. No último domingo, o programa "Fantástico", dedicou quase toda a sua edição ao assunto. De lá para cá, há reportagens sobre o ataque às torres gêmeas em todos os noticiários da Globo, e alguns de seus jornalistas viajaram para os Estados Unidos especialmente para produzir matérias sobre o fato. Pode-se imaginar, então, o que será a cobertura no próximo domingo, quando se completarão os 10 anos do ato terrorista. Haja paciência para tantas reportagens e análises sobre o mesmo assunto. Passemos, então, para o âmbito estadual. Estamos no mês de setembro, o qual, no dia 20, marca a comemoração da chamada "Revolução Farroupilha", estranha reverência a um evento fracassado, em que os separatistas acabaram vergados pelas forças do Império. Durante quase todo o mês, os cultuadores das tradições gauchescas e do denominado "nativismo" se reúnem num parque de Porto Alegre para realizar suas "bailantas", comer muito churrasco e preservar o que entendem serem as "raízes" da cultura do Rio Grande do Sul. O que se vê, na verdade, é que o movimento tradicionalista gaúcho ganha espaço massivo em todos os meios de comunicação do Estado, para propagar sua idéia de que se deve perpetuar e zelar pelo que diz ser a identidade cultural do Rio Grande do Sul. Trata-se de uma pregação insistente e que não admite contestação, num processo de cunho fascistóide, do tipo "Rio Grande do Sul, ame-o ou deixe-o", que procura impor um padrão cultural único para o Estado, ignorando as diversidades. Está mais do que claro que muitas pessoas nascidas no Rio Grande do Sul não se identificam com as coisas "gaudérias", nem reconhecem no gaúcho pilchado uma tradução fiel do habitante típico do Estado. Mesmo assim, os veículos de comunicação cobrem o assunto amplamente, como se toda a população cultivasse o apreço por tais manifestações. Como se vê, tanto num caso como no outro, a tão propalada liberdade de imprensa não se faz presente. No primeiro caso, a imprensa está apenas a refletir a visão de mundo americanófila dos proprietários dos meios de comunicação. No segundo, está a serviço de um grupo fortemente estruturado e aparelhado que se apoderou dos canais de expressão da sociedade para impor sua idéia do que seja o Rio Grande do Sul. Num e noutro caso, o cidadão não está sendo corretamente informado, mas sim massacrado por um volume exagerado de dados sobre assuntos cuja efetiva importância não justificariam tão ampla cobertura.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Afirmação

A vitória do Grêmio sobre o Bahia por 2 x 1, na noite de hoje, no estádio de Pituaçu, em Salvador, representa uma afirmação para o time. Pelo quarto jogo consecutivo, a contar do Gre-Nal, o Grêmio mostrou bom futebol e foi superior ao seu adversário na maior parte do tempo. Isso ocorreu até mesmo contra o Corinthians, no único desses quatro jogos em que o time foi derrotado. A queda de rendimento no segundo tempo não anula a excelente atuação da primeira etapa da partida. Foi algo, até certo ponto, natural, pela perturbação causada pelo pênalti desperdiçado por Douglas no final do primeiro tempo, e pela esperada reação do Bahia que, sendo derrotado em casa, precisava tentar reverter o resultado. Após esse conjunto de jogos, já dá para dizer, sem receio, que o Grêmio achou sua escalação e sua forma de jogar. No primeiro tempo, o Grêmio teve uma grande atuação, nenhum de seus jogadores atuou mal. No segundo tempo, alguns jogadores, como Escudero e Marquinhos, caíram de rendimento, mas, no balanço geral, foi uma vitória consistente e merecida. O resultado foi importante por vários motivos. O Grêmio se afastou da zona de rebaixamento, obteve sua segunda vitória fora de casa no Campeonato Brasileiro, e venceu duas partidas consecutivas, o que proporciona maior estímulo para o grupo de jogadores. A próxima partida do Grêmio, contra o São Paulo, no Olímpico, é dificílima, por ser um clássico nacional e pelo fato do adversário ter obtido melhores resultados jogando fora do que em casa. Afora isso, o São Paulo possui jogadores de muita qualidade, como Lucas, Casemiro, Rivaldo, entre outros, e um atacante, Dagoberto, que sempre marca gols nas partidas contra o Grêmio. Será um jogo, por certo, para levar um grande público ao Olímpico. O Grêmio já faz por merecer uma maior confiança do seu torcedor. A tempestade, longa e dolorosa, parece estar terminando. A bonança já começa a chegar para o Grêmio.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Uma defesa que preocupa

A vitória do Inter sobre o América Mineiro era mais do que previsível. Nem mesmo a goleada do clube mineiro sobre o Vasco por 4 x 1, no último domingo, o credenciava para obter um bom resultado no Beira-Rio. Porém, o resultado de 4 x 2 para o Inter no jogo de hoje á tarde, não ajudou em nada para afastar as preocupações com o desempenho de sua defesa. Em apenas 13 minutos, o Inter já goleava por 3 x  0, mas, a exemplo do que fez contra o Santos, a defesa vazou e tomou dois gols do lanterna do Campeonato Brasileiro. Dessa vez, nem mesmo o goleiro Muriel, que vinha tendo excelentes atuações, se salvou. Muriel falhou nos dois gols do América Mineiro. Rodrigo Moledo marcou um gol, mas isso Bolívar também fez contra o Santos. No entanto, também como Bolívar, Rodrigo Moledo não se mostrou um zagueiro seguro. O problema defensivo do Inter, como se vê, não estava concentrado apenas nas falhas do seu capitão. Sem ele, nos últimos dois jogos, o Inter sofreu três gols. O ataque do Inter divide a condição de mais positivo do Brasileirão com o Flamengo e o Botafogo, todos com 36 gols marcados. No entanto sua defesa é vazada em, praticamente, todos os jogos, já tendo sofrido 30 gols. Não faltará quem veja no esquema do técnico Dorival Júnior, sabidamente um ofensivista, uma das razões para o fraco desempenho defensivo do Inter, o que poderá fazer com que ganhe adeptos a idéia de colocar mais volantes no meio de campo. Menos mal para o Inter que, no jogo do próximo domingo, contra o Palmeiras, fora de casa, o atacante Kléber, do clube paulista, não irá jogar, por estar suspenso. Ainda assim, com a fragilidade defensiva que vem demonstrando, o Inter tem de encarar todo e qualquer jogo com muita preocupação. Para chegar na zona de classiificação para a Libertadores não basta marcar muitos gols, é preciso parar de tomá-los.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Redução da maioridade penal

Há alguns dias, abordei nesse espaço a defesa, feita por certas pessoas e grupos, da repressão como solução para o problema do vandalismo e da violência. Como se sabe, violência gera mais violência, num círculo vicioso que não traz qualquer benefício para a sociedade. No entanto, as idéias autoritárias e repressoras como forma de impor a lei e a ordem vão ganhando adeptos. Afora a apologia da força e da punição rigorosa aos transgressores da lei, os defensores de tais métodos desejam, também, a redução da maioridade penal. O autor de um artigo publicado no último domingo, num jornal de Porto Alegre, propõe que a maioridade penal seja reduzida dos atuais 18 anos para 12 anos! Conforme o articulista, ter 12 anos hoje é muito diferente do que ter a mesma idade em 1940. Era só o que faltava! Os presídios brasileiros, já superlotados, verdadeiros depósitos de seres humanos submetidos às condições mais degradantes, passariam a receber meninos mal saídos da infância. O discurso pró-repressão é enfático e escarnece dos que pensam em sentido contrário, que são classificados como a "turma dos direitos humanos", como se isso, em vez de meritório, fosse pejorativo. As medidas defendidas pelos partidários da repressão atuam, na verdade, contra as consequências, ignorando as causaas. Isso acontece não por desconhecimento, mas por estratégia. Atuar contra as causas que geram a violência, ameaçaria a manutenção do modelo de sociedade do qual tais pessoas se beneficiam. Elas desejam reprimir como forma de dissuadir os menos favorecidos a manifestarem inconformidade com a desigualdade social. Sua intenção é de que os mais pobres conformem-se com sua condição social, contentando-se com as migalhas que o Brasil, um dos países mais injustos e desiguais do mundo, lhes reserva. Sabem que a única maneira de abolir a violência é construir uma sociedade com oportunidades iguais para todos, ensino de qualidade, acesso ao sistema de saúde para toda a população, isto é, investimento prioritário no capital humano. Só que, se isso fosse feito, onde achar milhões de pobres coitados para servir como massa de manobra de seus discursos demagógicos? Onde encontrar eleitores incautos e desinformados para eleger os Bolsonaros da vida? Não, para os defensores da pancada educativa, povo que pensa é povo perigoso, que passa a ter o péssimo hábito de fazer reivindicações, de exigir seus direitos, de não aceitar ser capacho de ninguém. Por isso, querem o uso do cassetete, as chibatadas em praça pública, os presídios em condições subumanas, a redução da maioridade penal. Tudo para reduzir a violência, sem diminuir seus privilégios.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Pequena melhora

O adversário não era uma das grandes seleções do mundo. O cenário era o modesto estádio do Fulham, em Londres, com capacidade para apenas 25 mil pessoas. Descontados esses fatores, a vitória da Seleção Brasileira por 1 x 0 sobre Gana, na tarde de hoje, pelo horário brasileiro, mostrou alguma melhora na equipe, ainda que sutil. Não foi uma atuação entusiasmante da Seleção, mas o jogo proporcionou alguns fatos alentadores. Marcelo provou que é titular indiscutível, pois seu futebol é muito superior aos dos outros jogadores que foram testados na lateral esquerda. Ronaldinho mostrou que, se não é mais um jogador de ritmo constante, sua técnica privilegiada faz a diferença em muitos momentos da partida. Leandro Damião, autor do único gol do jogo, e com boa participação em vários outros lances, deixou claro que não pode ficar de fora de nenhuma convocação daqui por diante. A Seleção, portanto, ainda que de forma tímida, apresentou progressos, e, talvez, o técnico Mano Menezes possa respirar aliviado por algum tempo, sem sentir o seu emprego ameaçado. Hoje mesmo, a Seleção foi novamente convocada, para realizar dois jogos com a Argentina, um lá e outro aqui, ainda em setembro. Só foram convocados jogadores que atuam no país, o mesmo ocorrendo com a Argentina. Entre as principais novidades da lista, a primeira convocação de Mário Fernandes, do Grêmio. O jogador, que prefere ser zagueiro, foi chamado para a lateral direita, o que pode levá-lo a optar de vez por essa posição. Na lateral esquerda, Kléber, do Inter, está de volta à Seleção, o que é um tanto estranho, já que o jogador não vem tendo grandes atuações e, pela idade avançada, dificilmente irá jogar a Copa do Mundo de 2014. O Inter ainda teve dois outros jogadores convocados, Oscar e Leandro Damião, num justo reconhecimento à grande fase de ambos. Chamou a atenção, também, o fato de que o goleiro Victor, do Grêmio, mais uma vez, não foi chamado, o que pode significar que tenha saído dos planos de Mano Menezes. Serão dois bons jogos, no clássico de maior rivalidade do futebol mundial. Esperemos que eles possam ser o início de uma fase de afirmação da Seleção Brasileira.

domingo, 4 de setembro de 2011

Frustração

O sentimento que deve ter se apoderado da torcida do Inter, após o empate de hoje em 1 x 1 com o Ceará, no estádio Presidente Vargas, é o de frustração. Mais uma vez, o Inter não ganhou. Depois do banho de bola tomado no Gre-Nal, quando só não foi goleado em função de uma arbitragem horrorosa, e do incrível empate com o Santos, após estar vencendo por 3 x 0, o Inter não teve forças para ganhar do Ceará.  Chegou a estar perdendo, em razão de um pênalti de Rodrigo Moledo sobre Osvaldo, que Washington cobrou. Como se percebe, a troca de zagueiros não mudou a rotina do Inter de cometer pênaltis. A diferença é que, dessa vez, o árbitro marcou, o que não ocorreu nos jogos contra Grêmio, Fluminense e Cruzeiro. O gol de empate, feito por Jô antes que se atingisse 1 minuto do 2º tempo, surgiu depois de uma falha terrível de Enrico, que atrasou uma bola erradamente. Se é verdade que o Ceará ganha a maioria dos jogos que faz em casa, e que, inclusive, goleou o Grêmio, o empate, nas atuais circunstãncias, foi um mau resultado para o Inter, que não tem conseguido vencer seus jogos. Os clubes que estão nas primeiras posições do Campeonato Brasileiro tem tropeçado seguidamente, mas o Inter não tira proveito disso e continua distante da zona de classificação para a Libertadores. Para quem tem uma folha de pagamento de 6 milhões de reais e um dos técnicos mais conceituados do país, é muito pouco. A vitória contra o América Mineiro, quarta-feira, no Beira-Rio, é obrigatória. Se ela não acontecer, o Inter passará a ser, apenas, um turista de luxo na competição.