domingo, 21 de agosto de 2011
Oscar e Fernando
Oscar foi o grande nome do jogo em que a Seleção Brasileira Sub-20 conquistou o campeonato mundial da categoria, ao vencer Portugal por 3 x 2. Logo a seguir, em termos de destaque, esteve Fernando. As semelhanças param por aí. Oscar, que joga no Inter, já vinha fazendo grandes partidas pelo clube e, certamente, agora que está de volta, será titular absoluto do time. Fernando, que nas oportunidades que recebeu no time principal do Grêmio não correspondeu, não deverá ser aproveitado imediatamente pelo técnico Celso Roth. Ocorre que não podem existir dois jogadores diferentes numa só pessoa. Fernando teve excelentes atuações pela Seleção Sub-20 tanto no Campeonato Sul-Americano quanto no Mundial. Cabe ao técnico do Grêmio, que no momento é Celso Roth, a tarefa de extrair do jogador o máximo da sua capacidade. Mesmo que não tenha se saído bem nas oportunidades anteriores que teve no time do Grêmio, Fernando merece uma nova chance. Num time que faz péssima campanha no Campeonato Brasileiro e que tem como opções no meio de campo jogadores tão precários como Adílson e William Magrão, é imperioso que se concedam novas oportunidades para Fernando. Dependendo da resposta técnica que der, Fernando poderá até se tornar titular, pois os volantes do time, Gilberto Silva e Fábio Rochemback, estão deixando muito a desejar. Tomara que Fernando não venha a repetir a mesma história de outros jovens valores do Grêmio, como Ânderson e Douglas Costa, que pouco jogaram pelo clube, preteridos que foram por nomes de mais idade e qualidade muito inferior. A hora de Fernando é agora.
Vitória emocionante e título importante
A visão caolha e bairrista de alguns cronistas da praça fez com que desdenhassem da relevância do Campeonato Mundial Sub-20. Preocupados com os desfalques que os grandes clubes sofrem ao cederem seus jogadores para a Seleção Brasileira Sub-20, tais jornalistas afirmavam que a competição não tinha importância, pois o Brasil já obtivera sua classificação para o torneio de futebol das Olímpiadas. Incrivelmente, de uns tempos para cá, algumas pessoas acham que uma competição só é importante se servir como meio de obter classificação para uma outra disputa. Ora, as competições possuem um valor intrínseco, independente das boniificações que proporcionem. Um título mundial, em qualquer categoria, é algo de enorme expressão. Felizmente, a Seleção Brasileira Sub-20 ignorou tais comentários e conquistou brilhantemente, pela quinta vez, o título mundial da categoria. Tudo o que a Seleção Brasileira principal nos tem negado, a Sub-20 apresentou. Garra, capacidade de reação, bom futebol. Alguns jogadores, como Oscar, Fernando, Henrique e Dudu, tiveram grande desempenho na decisão. A vitória da Seleção Sub-20 por 3 x 2 sobre Portugal, num jogo em que saíra ganhando e sofreu a virada, teve toda a dramaticidade das grandes decisões. Foi emocionante e, sim, muito importante. Ganhar é sempre bom. Ganhar um título mundial, melhor ainda. Parabéns para a Seleção Sub-20!
Empate movimentado
Mais de 30 mil pessoas no estádio, quatro gols, dois para cada lado. Gol de falta de Ronaldinho. Passe de calcanhar e gol de bicicleta de Leandro Damião. Reclamações de ambos os clubes contra a arbitragem. O jogo Inter 2 x 2 Flamengo, hoje, no Beira-Rio, teve todos os ingredientes de um grande espetáculo. Ronaldinho, que já havia brilhado contra o Grêmio, no Rio de Janeiro, também deixou sua marca contra o Inter. Leandro Damião, tido por muitos como um grande goleador sem maiores aptidões técnicas, mostrou que também é capaz de executar jogadas de notável plasticidade. Se, em termos de tabela, o resultado não entusiasmou, pois brecou a ascensão do Flamengo e fez o Inter marcar passo, o jogo correspondeu, em emoção e qualidade, ao que se pode esperar do enfrentamento de dois clubes grandes do futebol brasileiro. Os torcedores mais apaixonados dos dois clubes talvez tenham se frustrado, pois não alcançaram a vitória que almejavam. Porém, o apreciador do bom futebol, por certo, saiu gratificado. São jogos assim que sustentam, através dos tempos, o encantamento das pessoas pelo futebol. Grande público, muitos gols, belas jogadas, são ingredientes infalíveis para se ter um bom jogo de futebol. Inter x Flamengo teve tudo isso.
Grêmio no rumo do rebaixamento
O Grêmio passou a torturar o seu torcedor com requintes de crueldade. Não bastasse ter sido goleado pelo Ceará, perdeu, hoje, para o Atlético Goianiense, com um gol aos 45 minutos do segundo tempo! Pouco antes do gol, Rafael Marques, de desastrosa atuação contra o Ceará e muitos maus desempenhos em 2011, foi expulso de campo, ao cometer uma falta tão violenta quanto desnecessária. Pelas imagens de televisão foi possível perceber, claramente, Rafael Marques argumentando com o árbitro de que ainda não tinha recebido um cartão amarelo. Ora, a falta que o zagueiro do Grêmio cometeu foi dura o suficiente para que merecesse o cartão vermelho direto. O árbitro Héber Roberto Lopes, de tantas más atuações em jogos do Grêmio, dessa vez agiu com correção e determinou uma expulsão justa. O Grêmio, mais uma vez, teve uma atuação tecnicamente sofrível. Somente Douglas, em chutes de fora da área, levou algum perigo ao gol adversário. Victor "bateu roupa" numa jogada que redundou em gol, mas, para sua sorte, dessa vez o lance foi anulado por marcação de impedimento. Gabriel ainda não retomou seu futebol de 2010. Vílson foi apenas aplicado. Bruno Collaço, novamente, esteve apagadíssimo. Gilberto Silva continua sendo um burocrata. Fábio Rochemback foi, possivelmente, o pior do time. Adílson apresentou as limitações costumeiras. Miralles perdeu um gol feito, num lançamento precioso de Douglas que o deixou cara a cara com o goleiro. Brandão inexistiu. Os jogadores que entraram durante a partida, tiveram pouco tempo para fazer alguma coisa, mas Lúcio, assim mesmo, se envolveu diretamente no gol sofrido pelo Grêmio, ao não conseguir evitar a conclusão de Diogo Campos. O Grêmio só não ingressou na zona de rebaixamento nessa rodada porque foi ajudado por resultados paralelos. Está tendo mais sorte que juízo, mas não está ajudando a si próprio. Tem, agora, pela frente, o Gre-Nal que, mesmo sendo no Olímpico, não apresenta indícios de bom resultado. Depois, já pelo segundo turno, enfrentará o Corinthians, fora de casa, e o Atlético Paranaense, adversário direto na luta contra o rebaixamento, no Olímpico, nas duas primeiras rodadas. Convém, ao torcedor do Grêmio, reforçar o estoque de calmantes.
sábado, 20 de agosto de 2011
Movimento contra a corrupção
O Brasil pode estar prestes a atravessar mais um momento histórico na sua vida política. A demissão, por envolvimento em denúncias de corrupção, de três ministros do governo da presidente Dilma Roussef, desencadeou um movimento de apoio a chamada "faxina" que está sendo empreendida pela suprema mandatária do país. Políticos como os senadores Pedro Simon (PMDB-RS) e Cristovam Buarque (PDT-DF) iniciaram uma reação contra as tentativas de impedir Dilma de combater a corrupção no governo. Até mesmo vozes da oposição, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, já declararam seu apoio às medidas de Dilma contra os deslizes éticos das autoridades. Na próxima terça-feira, no Congresso Nacional, a Frente Suprapartidária contra a Corrupção e a Impunidade, lançada na semana passada, fará um ato, em audiência pública, para receberr o apoio de diversas instituições. O filósofo Adauto Novaes lembrou a operação Mãos Limpas, ocorrida na Itália, e espera que a ação contra a corrupção tenha o apoio das universidades, da Ordem dos Advogados do Brasil, da Associação Brasileira de Imprensa, dos sindicatos, dos estudantes e das novas mídias, para que o movimento possa pressionar a classe política a participar dessa luta. No dia 20 de setembro, na Cinelândia, no Rio de Janeiro, será realizado o ato "Todos Juntos Contra a Corrupção", mobilização que teve início pela Internet. A presidente Dilma reiterou, ontem, que continuará a combater a corrupção e que não vê problemas com a base aliada em função das demisssões e das trocas de comando nos orgãos do governo. Tomara que Dilma não recue da postura que reafirmou, pois o país já mostrou o que quer daqui por diante. A era da corrupção desenfreada e da impunidade garantida pode estar caminhando para o fim. Basta a presidente querer, pois o apoio da sociedade não irá lhe faltar.
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Excessos
O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, declarou que prefere os "excessos" da Polícia Federal, a uma apatia em seu proceder. Mello destacou que o país conta com uma Polícia Federal atuante e que os seus excessos podem e devem ser coibidos visando ao aprimoramento. O ministro tem toda a razão. Nos últimos anos, em suas diversas operações, a Polícia Federal tem feito um trabalho exemplar, desnudando uma série de falcatruas e ações fraudulentas envolvendo políticos e autoridades. A grita quanto aos seus procedimentos, tachados de excessos, é coisa de quem tem telhado de vidro e teme ser alcançado pela lei. Os reclamantes queixam-se, por exemplo, do uso de algemas. Ora, é natural que praticantes de ações delituosas sejam algemados. Os crimes de colarinho branco não tem de ser tratados de forma mais branda do que outros delitos. Outra queixa seria quanto ao vazamento para a imprensa de fotos dos acusados, quando de seu fichamento na polícia, o que lhes colocaria numa situação humilhante perante à opinião pública. Há, até, quem tenha bradado que não se pode transformar o Brasil num estado policial. Todo esse esperneio é próprio de quem se acostumou com a impunidade e não quer abrir mão de seus privilégios. Aqui e ali, pode até ser que a Polícia Federal tenha cometido algum excesso em suas ações. No entanto, num país assolado pela corrupção, é bom saber que há uma instituição que busca desvendar os crimes da esfera política e punir seus autores. As operações da Polícia Federal só podem ser vistas como problemas para quem tem a "ficha suja" ou a consciência pesada. Para os interesses da cidadania e a defesa da democracia, são uma solução.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Ministros em queda livre
Ao se fazer um balanço do governo Dilma Roussef até os dias de hoje, não se poderá acusá-lo de levar o observador ao tédio. Não passa dia sem que estourem novos escândalos e denúncias envolvendo figuras dos mais variados escalões. Até aí, não chega a ser algo muito diferente de outros governos. A diferença está em que, no governo Dilma, os envolvidos em tais fatos ou são exonerados ou levados a pedir demissão. Dessa forma, em apenas oito meses de administração, quatro ministros já deixaram seus cargos, sem contar os funcionários de escalões inferiores. O mais recente a cair foi o ministro da Agricultura, Wágner Rossi. Envolvido em uma série de denúncias, Rossi se viu forçado a entregar o cargo. Seu substituto será o deputado federal Mendes Ribeiro Filho (PMDB-RS). Ainda que tamanha profusão de casos de corrupção seja uma evidência de um modelo de governabilidade inviável, o afastamento dos envolvidos dá a idéia de que a presidente Dilma se recusa a ser conivente com esse estado de coisas. As reações em contrário já surgiram, afinal os partidos e seus protegidos não estão acostumados com esse procedimento. O PR, em protesto pela demissão do ex-ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, e de outros integrantes do partido, resolveu entregar todos os seus cargos no governo. Outros partidos da base aliada ameaçam obstruir a pauta de votações de assuntos de interesse do governo, como forma de pressionar Dilma Roussef a abrandar seu tratamento em relação aos acusados de corrupção. Até o momento, Dilma tem procurado ser hábil para evitar uma crise, mas sem abrir mão de afastar os que são flagrados em atos incorretos. Faz muito bem. A presidente surpreende positivamente ao adotar uma prática diferente, em que os deslizes éticos por parte dos membros do governo não estão sendo ignorados. Claro que Dilma não vai resolver todos os problemas que afetam a máquina do governo. Longe disso. Porém, o que está sendo feito já é estimulante. A partir do que vem acontecendo, fica a expectativa pelo que ainda virá, e de quantas cabeças rolarão até o fim do mandato da presidente.
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Uma estréia com vitória
Foi uma vitória de apenas 1 x 0, mas foi importante. O resultado foi obtido contra um adversário de tradição, o Botafogo, que faz boa campanha no Campeonato Brasileiro, e proporcionou ao técnico Dorival Júnior estrear com uma vitória, o que sempre é bom para quem está começando um trabalho. O Inter, dessa forma, já superou o primeiro dos desafios que tem em sequência. O próximo será novamente no Beira-Rio, contra o Flamengo, vice-líder invicto do Campeonato Brasileiro. Logo depois, ainda no Beira-Rio, terá a segunda partida pela decisão da Copa Sul-Americana contra o Independiente, que com um empate poderá ser campeão, o que obriga o Inter a vencer para poder ficar com o título. Por fim, na conclusão dessa maratona de jogos "encardidos", o Gre-Nal, na casa do adversário. Ainda que o Grêmio não esteja bem, um clássico é um jogo diferente dos demais. Com tantas pedreiras pela frente, a vitória no jogo de hoje era importante para o Inter. Tendo vencido já no seu primeiro jogo, Dorival Júnior terá tranquilidade para trabalhar, e o Inter poderá projetar tempos melhores.
Panorama desolador
A goleada de 3 x 0 do Ceará sobre o Grêmio, esta noite, no estádio Presidente Vargas, em Fortaleza, está longe de ser um fato surpreendente. O Grêmio havia colhido bons resultados nos dois primeiros jogos do técnico Celso Roth, um empate fora de casa com o Palmeiras e uma vitória sobre o Fluminense no Olímpico, mas, em ambas as partidas, mostrara o mesmo futebol ruim de tempos anteriores. As razões dos insucessos do Grêmio são várias, os técnicos que se sucedem no clube poderiam melhorar o quadro ao menos em parte, mas, insistem em não fazê-lo. Como explicar, por exemplo, que Victor continue titular, mesmo falhando em todos os jogos e com Marcelo Grohe em excelente fase? No jogo de hoje, Victor falhou em dois gols do Ceará, o segundo e o terceiro. Porque Rafael Marques prossegue sendo titular se sua média de atuações não é boa e Saimon sempre dá boa resposta quando é escalado? Porque William Magrão segue sendo prestigiado se suas atuações, invariavelmente, são péssimas? Há alguma razão que justifique a escalação de André Lima, qua não dá nenhuma contribuição ao time e não marca gols há várias partidas, deixando Brandão no banco? Como é possível aceitar que Miralles ainda não tenha sido fixado como titular? Todas essas perguntas não encontram resposta satisfatória e se juntam com vários outros problemas que acabam por criar um panorama desolador para o torcedor do Grêmio. Daqui por diante, até o final do Campeonato Brasileiro, nada mais restará ao Grêmio do que tentar fugir de outro rebaixamento. Não há qualquer condição de aspirar outros objetivos. Muito pouco para um clube tão grande e glorioso.
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Impostos maiores
Warren Buffet, o terceiro homem mais rico do mundo, segundo a revista "Forbes", fez um pedido inusitado para alguém na sua condição. Buffet solicitou aos políticos de seu país, os Estados Unidos, que aumentem os impostos para multimilionários como ele. O empresário quer que os Estados Unidos deixem de "mimar" os mais ricos com isenções fiscais. "Chegou a hora de o nosso governo falar sério sobre o sacrifício compartilhado", disse Buffet. A manifestação é surpreendente, tendo em vista o seu autor, e elogiável, pelo grau de consciência da realidade que revela. A crise econômica que abala os Estados Unidos, e que fez o país, pela primeira vez, decrescer na avaliação de uma agência de classificação de risco, coloca em xeque, cada vez mais, os fundamentos do "american way of life". O horror dos americanos ao aumento de impostos traduz uma sociedade alicerçada na busca da prosperidade individual, sem contrapartida social. Cada um cuida só de si, a livre iniciativa é elevada a uma condição quase sagrada, e o êxito pessoal é incentivado ao ponto de se dividir as pessoas em dois grupos, os vencedores e os perdedores. Por essa ótica, empreender, fazer fortuna, prosperar, é tornar-se um vencedor. Os que não se enquadram nessa moldura, são perdedores. O modelo americano tornou-se dominante do final da Segunda Guerra Mundial até os dias de hoje, mas seus sinais de debilidade são, cada vez, mais evidentes. A colossal máquina de propaganda dos valores americanos, ajudada pela sabujice e pelo servilismo da grande imprensa ocidental, tentam negar o óbvio e desqualificar os argumentos que apontam para a crise do modelo que veneram. A manifestação de Buffet seria alvo de toda a sorte de invectivas, caso partisse de um "dinossauro" do esquerdismo. Sendo seu autor um expoente do capitalismo, mostra que conceitos tidos como inamovíveis pelos americanos tem de começar a serem revistos. Uma sociedade não pode ser erigida apenas com o incentivo à prosperidade individual, ao acúmulo de capital. Precisa distribuir sacríficios entre todos os seus integrantes. Se a busca do progresso pessoal é um direito de cada um, a promoção da justiça social é um dever de todos, a começar pelos governos.
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