domingo, 3 de abril de 2011

Desempenho burocrático

Um time burocrático. Assim foi o Grêmio na tarde de domingo, no jogo em que venceu o Veranópolis por 2 x 1. O primeiro tempo foi se arrastando com a incapacidade do time em furar a retranca do adversário, e, por isso mesmo, terminou em 0 x 0. No segundo tempo, o Grêmio custou um pouco mas achou o seu gol, praticamente garantindo a vitória, já que, defensivamente, não era exigido pelo Veranópolis. O segundo gol, no rebote de um pênalti mal batido por Borges, apenas consolidou o resultado. O Veranópolis ainda marcaria um gol de falta, no final, numa falha lamentável de Victor. Aliás, as atuações individuais do Grêmio, mais uma vez, deixaram bastante a desejar. A começar por Victor. A falha no gol do Veranópólis vem se somar a várias outras no ano, incompatíveis com um goleiro de Seleção Brasileira. Bruno Collaço foi apenas razoável, mostrando que o Grêmio não encontrará a solução para a sua lateral esquerda com o que tem em casa. William Magrão esteve muito mal, Lúcio foi regular, Douglas apático, e Borges não conseguiu superar a marcação adversária, só fazendo um gol no rebote de um pênalti que ele mesmo cobrou. A única atuação de alto nível foi de Fábio Rockembach. Gabriel, Rafael Marques, Rodolfo e Leandro, mesmo tendo marcado um gol, tiveram atuações médias. O Grêmio já garantiu a maior pontuação em todo o Campeonato Gaúcho e, caso venha a decidir a competição contra outro clube, levará o  segundo jogo para o seu estádio. O resultado e suas consequências, portanto, foram bons, mas a atuação, novamente, não convenceu.

sábado, 2 de abril de 2011

Árbitro contestado

O que mais se ouviu, de parte do Inter, após o empate em 1 x 1 com o Lajeadense, no Estádio Florestal, em Lajeado, no final da tarde de sábado, foram contestações ao árbitro Fabrício Neves Corrêa. As reclamações tem fundamento, pois Fabrício teve uma arbitragem ruim e insegura, não coibiu a violência, deixou de assinalar faltas evidentes e de marcar um pênalti em favor do Inter. Não é a primeira vez, aliás, que Fabrício Neves Corrêa demonstra não ser um árbitro de primeira linha. Porém, em que pesem as justificadas queixas do Inter, isso não serve como explicação única para o resultado. Já nos primeiros minutos de jogo, numa falha incrível da defesa, o Inter viu Paulo Rangel, do Lajeadense, perder um gol feito. Logo depois, o Inter abriu o placar com um gol do sempre eficiente Leandro Damião, mas, próximo do final do primeiro tempo, cedeu o empate. Além das falhas evidentes da defesa, o Inter mostrou, mais uma vez, um baixo aproveitamento das chances de gol que cria. São muitas as oportunidades criadas, poucas as que se transformam em gols. Debitar o resultado ao árbitro seria tapar o sol com a peneira. Foi o terceiro sábado consecutivo que o Inter empatou com um clube do Interior, sendo que os outros dois jogos foram no Beira-Rio. Como agravante, o Inter teve, contra o Lajeadense, a presença de seus principais titulares, com exceção de Kléber e Guiñazu. Com o resultado, o Inter corre o risco de perder a liderança de seu grupo para o Canoas, ainda nessa rodada e, caso o Grêmio ganhe do Veranópolis, não poderá mais alcançar o seu maior rival na pontuação geral do Campeonato Gaúcho. Decididamente, o Inter no Gauchão de 2011, tem tido uma pálida participação. Por fim, cabe ainda dizer que as críticas quanto as condições do Estádio Florestal também são procedentes. Já estive no Florestal por mais de uma vez e suas instalações são muito precárias, a começar pela iluminação que é péssima. Ainda que se saiba que o Lajeadense irá inaugurar, já nos próximos dias, o seu novo estádio, que não ficou pronto a tempo de realizar o jogo desse sábado, nada justifica que um campeonato que conta com um bom aporte de dinheiro da televisão e é patrocinado por uma multinacional de refrigerantes, efetue partidas no decadente Florestal..

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Monstruosidade

Chega uma época na vida em que julgamos já ter visto de tudo, qua nada mais é capaz de nos surpreender ou chocar. Eis que de repente, nos deparamos com acontecimentos que se mostram muito piores do que qualquer coisa que pudéssemos imaginar. O fato ocorrido no Paraná em que um pai de trigêmeas disse, no hospital, que só levaria duas crianças para casa, pois não desejava uma terceira, só pode ser classificado como uma monstruosidade. As crianças em questão foram resultado de uma fertilização artificial, devido a problemas de fertilidade do casal. Sabe-se que é muito comum que tratamentos desse tipo resultem numa gravidez múltipla. O médico que realizou o procedimento disse que o casal era ciente de que estavam sendo gestadas três crianças. Pois, ainda assim, quando do nascimento, o pai das meninas declarou que sempre quis ter apenas dois filhos e, portanto, não levaria uma das crianças para casa. O hospital, é claro, não aceitou tal decisão, acionou o Ministério Público e as meninas foram entregues ao Conselho Tutelar. O fato ocorreu no dia 24 de janeiro e o caso corre em segredo de Justiça, com a família, através de seu advogado de defesa, comunicando que não pretende se manifestar. Uma coisa que chama a atenção é que se fala na decisão do pai, mas nada é referido sobre a mãe das crianças. Ela concorda com a postura do marido? Agora, mais do que tudo, o difícil é entender como podem pessoas que desejavam tanto um filho, a ponto de se submeter a um tratamento sabidamente caro, uma vez alcançado o seu objetivo, reagirem dessa maneira. Melhor nem tentar entender, pois se trata, cabe repetir, de uma monstruosidade, de algo que prova que o ser humano consegue ser ainda pior do que se possa pensar..

quarta-feira, 30 de março de 2011

Cumprindo tabela

O Inter, na noite de quarta-feira, nada mais fez do que cumprir tabela. No linguajar do futebol é o que se costuma chamar de "jogo jogado". Não havia nenhum resultado possível que não fosse a vitória do Inter sobre um adversário ao qual já havia goleado, fora de casa, por 4 x 1. Um adversário tão modesto que foi rebaixado para a segunda divisão do futebol boliviano! Tão precário é o Jorge Wilstermann, atualmente, que ficou hospedado nos alojamentos do Pedra Branca, de Alvorada, para economizar gastos com hotel. Assim, o Inter goleou novamente o Jorge Wilstermann, dessa vez por 3 x 0. O jogo não pode servir para que se tire nenhuma conclusão sobre a verdadeira potencialidade do Inter, dada a limitação técnica do adversário. Só quando enfrentar times mais qualificados se poderá saber até onde o Inter tem condições de chegar.

Inadmissível

Foi o próprio técnico do Grêmio, Renato, que definiu como inadmissível a forma como o time perdeu para o Juventude, na noite de quarta-feira. O Grêmio terminou o primeiro tempo vencendo por 1 x 0. Sofreu o empate no início do segundo tempo, passou novamente a frente no placar, ficou com um homem a mais em campo devido a expulsão de um jogador do Juventude, passou a dominar inteiramente o jogo e perdeu dois gols feitos. Esse fato, o das chances claras de gol desperdiçadas, pareciam prenunciar que algo de ruim poderia acontecer. Como também disse Renato, o futebol pune quem tem a chance de liquidar um jogo e a desperdiça. No final do jogo, o Grêmio não só não ampliou o resultado, como permitiu a virada do Juventude. Primeiro, com um patético gol contra de Gílson. Depois, com uma bola perdida na saída da defesa, que redundou num chute forte de fora da área, pegando Vítor adiantado. Renato deveria, no entanto, assumir a sua parcela de culpa pelo resultado, pois insiste em escalar Gílson, que além de não jogar bem até fez um gol contra, e escalou Neuton, de péssima atuação, quando deveria ter optado por Mário Fernandes. A insistência com Gílson é incompreensível, já que há a opção de Bruno Collaço ou, até mesmo, a de fazer Lúcio retornar a sua posição de origem. Já quanto a Mário Fernandes, além de ser tecnicamente muito superior a Neuton, sua escalação permitiria que Rafael Marques passasse para o lado esquerdo da zaga, sua verdadeira posição. O fato é que a derrota para o Juventude já é a terceira do Grêmio no Campeonato Gaúcho. As outras duas foram para o Novo Hamburgo e para o Cruzeiro. Em todas elas, o time apresentou um comportamento em campo incompatível com a grandeza do clube. Contra o Novo Hamburgo, no dizer de seu próprio técnico, o Grêmio parecia estar passeando em campo. Na partida contra o Cruzeiro, com um time jovem, correu menos que o adversário, que havia jogado 48 horas antes. Já no jogo contra o Juventude, tendo um homem a mais em campo, deixou de obter uma goleada que se desenhava e permitiu a virada do adversário. Junte-se a isso a derrota, também de virada, para o Atlético Junior de Barranquilla, na Colômbia e o empate medíocre com o León, em Huánaco, no Peru, e se tem um conjunto de atuações preocupantes, que não sinalizam um futuro promissor. Está mais do que na hora de a diretoria do Grêmio cobrar do técnico e dos jogadores a razão de tão seguidos maus desempenhos. Antes que seja tarde demais.

Muitos queriam Adriano

O sempre polêmico centroavante Adriano é outro que está de volta ao futebol brasileiro, contratado pelo Corinthians. Nos últimos anos, sua carreira tem tido altos e baixos devido a seu comportamento fora de campo e a problemas emocionais. No seu clube anterior, o Roma, teve uma péssima passagem, de apenas oito meses, na qual pouco jogou e não marcou nenhum gol, o que culminou com a rescisão de seu contrato. Isso não desestimulou, no entanto, a que vários clubes brasileiros tentassem a sua contratação, conforme revelou seu ex-empresário, Gilmar Rinaldi. Grêmio, Fluminense, Vasco, Atlético Mineiro e Cruzeiro sondaram Rinaldi sobre a possibilidade de contratar Adriano. O empresário recusava as investidas afirmando que Adriano não estava pronto para voltar. Ocorre que, segundo Rinaldi, o ex-jogador Ronaldo Nazário, sem entrar em contato com ele, encaminhou a ida de Adriano para o Corinthians. Gilmar Rinaldi, mostrando-se magoado com a atitude de Ronaldo, deixou de representar Adriano, mas lembrou que, antes do jogador está o ser humano, que precisa completar o seu processo de recuperação física e que a torcida do Corinthians deve levar isso em consideração. Um fato, no entanto, chamou a atenção no relato de Rinaldi. As sondagens que o empresário recebia sobre Adriano partiam sempre de dirigentes, gerentes ou patrocinadores dos clubes. Só no caso do Grêmio ela foi feita diretamente pelo técnico Renato. Mais um dado para alimentar a idéia, sustentada por muitos, de que o poder de Renato, no Grêmio, vai muito além das quatro linhas do gramado.

Recepção apoteótica

O centroavante Luís Fabiano, que voltou para o São Paulo após jogar sete anos na Europa, foi recebido de forma apoteótica no Morumbi, onde 45 mil pessoas aguardavam a sua presença. Trata-se, sem dúvida, de um grande reforço contratado pelo clube, mas chama a atenção um número tão grande de torcedores para assistir apenas a sua chegada, sem que houvesse um jogo a ser realizado. Luís Fabiano é um jogador de qualidade, mas não é um craque de exceção, capaz de justificar tamanha mobilização popular. Mais que o entusiasmo natural de uma torcida pela volta de um ídolo, a recepção dada a Luís Fabiano em sua chegada talvez demonstre o quão carentes estão as pessoas de obterem emoção e satisfação em suas vidas, em geral marcadas pelas dificuldades e falta de perspectivas. O fato reforça, mais uma vez, a capacidade que tem o futebol de canalizar expectativas e aspirações e de mobilizar intensamente as pessoas. Os maís críticos dirão que isso é alienante, que tamanha energia deveria ser empregada em favor de coisas mais consequentes. Porém, ao se envolverem a tal ponto com seus clubes e ídolos, os torcedores só estão em busca, ainda que por via indireta, daquilo que a vida insiste em negar para a maioria, ou seja, a perspectiva da vitória, da glória e a consequente sensação de realização.

terça-feira, 29 de março de 2011

Casamento exótico

A cerimônia de casamento em que os noivos estavam vestidos como os personagens Schreck e Fiona, realizada em Garibaldi, no interior do Rio Grande do Sul, ainda repercute em todo o país. Não pretendo abordar a questão sob o prisma religioso, já que a Diocese de Caxias do Sul, sob cuja jurisdição está o município de Garibaldi, protestou contra o fato e recriminou o padre que oficiou o casamento. Não professo nenhuma religião e, portanto, passo ao largo de tal enfoque. O que me chama a atenção é o nível de infantilização demonstrado pelo casal ao escolher vestir-se como personagens de um desenho animado. O poder da chamada indústria cultural é, sabidamente, muito grande, mas em se tratando de pessoas em idade adulta, tal atitude beira o patético. Nota-se, também, mais uma vez, a influência do entretenimento de massa americano sobre os brasileiros. Para quem analisa pela questão religiosa, a cerimônia talvez seja considerada desrespeitosa. Para quem olha pelo senso comum, parece mais próxima do rídiculo.

Rudi Armin Petry

O Grêmio perdeu, na tarde de hoje, um dos seus dirigentes históricos, Rudi Armin Petry. Presidente do clube nos anos de 66 e 67, Petry marcou época no futebol gaúcho pelo modo como se dirigia a torcida em suas entrevistas e por ter cunhado a expressão "assuntos de economia interna" para se referir a temas que não deviam transpor os muros do clube. Sua influência foi tão marcante que Fernando Carvalho, considerado o maior presidente da história do Inter, revelou ter se inspirado nele ao usar expressões como "boa tarde a todos, em especial a torcida do Internacional", tal e qual Petry fazia em relação a torcida do Grêmio. Petry teve uma longa existência, de 91 anos. Mesmo depois de sua passagem pela presidência continuou atuando na vida do clube, tendo, inclusive, integrado o departamento de futebol já com a idade de 84 anos. Foi um dos grandes vultos do futebol gaúcho.

Homofobia e racismo

O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) é uma figura conhecida no parlamento brasileiro por suas posturas fascistas e antidemocráticas. Defensor ardoroso da ditadura militar, adota, permanentemente, um discurso marcado pelo machismo e arraigado conservadorismo. Dessa vez, no entanto, Bolsonaro extrapolou. Em participação num quadro do programa "CQC", da Rede Bandeirantes de Televisão, levado ao ar na noite de ontem, respondendo a uma pergunta, Bolsonaro afirmou que não corria o risco de ter um filho homossexual por ser um pai muito presente. Numa outra pergunta, feita por Preta Gil, sobre se admitiria que um filho seu casasse com uma negra, Jair Bolsonaro disse que não iria discutir promiscuidade com a cantora. Numa só ocasião, Bolsonaro mostrou-se homófobo e racista e seus destemperos verbais não podem mais ser tolerados. Preta Gil já declarou que pretende processá-lo, no que está muito certa. A Câmara dos Deputados não pode ficar indiferente ao fato e deve encontrar a forma adequada de punir Bolsonaro. Declarações tão odiosas e intolerantes não podem passar em branco. O que não consigo entender, porém, é como alguém que defende idéias tão reacionárias e torpes pode obter sucessivas reeleições. Bolsonaro é a prova de que as forças que levaram o país a passar por 21 anos de uma ditadura cruel, que, em seus porões, torturou e matou quem se lhe opunha, continuam atuantes. Saber que, no caso de Bolsonaro, isso se dá através do voto, é incompreensível.