sábado, 22 de janeiro de 2011
Trapalhadas
A atuação do departamento de futebol do Grêmio, nos primeiros dias da nova administração do clube, não poderia ser mais lamentável. Depois de concentrar energias durante quase um mês na tentativa de contratação de Ronaldinho, pagando um "mico" nacional com o fracasso da negociação, viu suas duas outras buscas de jogadores renomados, Rodolfo e Gilberto Silva, igualmente fracassarem. Não bastasse isso, quase perdeu Vinícius Pacheco por questões jurídicas, tendo que negociar com o Flamengo para ficar com o jogador. A única contratação tranquila foi a de Lins, um jogador de currículo inexpressivo. O vice-presidente de futebol do Grêmio, Antônio Vicente Martins, de mau desempenho no mesmo cargo na administração do ex-presidente José Alberto Guerreiro, parece, a cada dia, confirmar a máxima de Aparício Torelly, o Barão de Itararé, grande humorista brasileiro dos primórdios do século passado: "De onde menos se espera é que não sai nada mesmo".
Normalidade
Os resultados dos jogos de Grêmio e Inter, sexta à noite e sábado à tarde, ficaram na mais absoluta normalidade, pois ambos jogaram em casa, contra adversários modestos. No entanto, o bom futebol, mais uma vez, não apareceu. O Grêmio perdia para o São José até os 31 minutos do segundo tempo e o Inter venceu o Santa Cruz por um magro 1x0, auxiliado por uma falha do goleiro. O jogo do Grêmio, porém, mesmo com o futebol inconvincente, apresentou alta voltagem emocional. Tudo devido ao fato de Jonas, ao marcar o primeiro de seus dois gols, ter se dirigido para a torcida que ocupava o setor das sociais fazendo gestos agressivos e proferindo palavrões. A atitude de Jonas foi motivada pelas vaias que recebia a cada jogada que errava. Foi o que bastou para que a torcida, a partir de então, o vaiasse a cada vez que tocasse na bola. Dessa forma, um jogo que tinha tudo para ser morno, como tantos do Campeonato Gaúcho, acabou gerando polêmica e discussões. No entanto, tudo deverá ser contornado sem maiores problemas. Problema mesmo é o parco futebol jogado pelo time contra mais um adversário de pouca expressão, o que faz com que a partida contra o Liverpool do Uruguai já não pareça tão fácil quanto se chegou a imaginar. Já o Inter B obteve mais uma vitória em casa, novamente por 1x0. O futebol jogado, porém, ficou, outra vez, abaixo de qualquer expectativa. O que só reforça a idéia de que o time principal, mais cedo ou mais tarde, irá participar do Campeonato Gaúcho, ao contrário do que vinha sendo apregoado pela diretoria do clube.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
O talento de George Harrison
A revista Rolling Stone lançou uma edição especial com as 500 maiores músicas internacionais de todos os tempos, escolhidas por um júri formado por 162 pessoas, entre artistas, produtores, executivos da indústria fonográfica e jornalistas. Listas como essa carregam, invariavelmente, alguma dose de subjetividade e dão margem a muitas discussões. Em função disso, prefiro pinçar um aspecto em particular. Refiro-me a participação na lista do tantas vezes subestimado George Harrison. São de George duas das 23 músicas dos Beatles incluídas entre as 500, "Something"e "While My Guitar Gently Weeps". Parece pouco? Saiba, então, que em toda a discografia regular dos Beatles, George Harrison teve apenas 22 composiçoes de sua autoria gravadas pelo grupo. Já John Lennon e Paul McCartney incluíam, a cada novo LP, cerca de dez músicas assinadas pela dupla. Outro fato, ainda mais significativo, é o número de músicas da carreira solo incluídas na lista. Cada um dos três entrou com uma. John com "Imagine", Paul com" Maybe Im Amazed," e George com "My Sweet Lord". Como beatlemaníaco assumido, acho importante destacar o talento de George Harrison, muitas vezes subdimensionado. Além de grande guitarrista, George também era um bom compositor, como prova sua participação na referida lista. Aliás, se alguma dúvida restasse sobre a capacidade de George, bastaria lembrar as palavras de Paul McCartney, quando de sua recente vinda ao Brasil. Em entrevista para a revista Veja, analisando os integrantes do mítico grupo ao qual pertenceu, disse que John era o mais durão, que ele, Paul, era o mais criativo e ousado, mas que, como músico, George era o melhor dos Beatles. Vindo de quem veio, um argumento incontestável.
Rivaldo
O jogador Rivaldo, campeão da Copa do Mundo de 2002 pela Seleção Brasileira, está de volta ao Brasil. Rivaldo voltou para, em princípio, acumular a condição de presidente e jogador do Mogi-Mirim, clube do município homônimo do interior de São Paulo. Há poucos dias, Rivaldo reclamou de uma suposta ingratidão do técnico do Palmeiras, Luiz Felipe, o Felipão, seu treinador na Copa de 2002. Ocorre que Rivaldo indicou Felipão para trabalhar no Bunyodkor, do Usbequistão, onde atuava como jogador. No entanto, quando decidiu retornar ao Brasil, Rivaldo não teve sua contratação pelo Palmeiras aprovada por Felipão, daí a sua mágoa. Agora, cogita-se que o São Paulo poderia estar contratando Rivaldo. Deixando de lado qualquer análise subjetiva e olhando apenas o futebol, Felipão está certo. Errado está o São Paulo. Rivaldo foi um grande jogador, mas, aos 38 anos, não mais poderá corresponder às exigências de um clube com as aspirações do São Paulo. A cogitação de sua contratação já demonstra que o clube multicampeão talvez esteja passando por uma crise financeira muito severa, que não lhe permita sonhar com jogadores jovens e caros. A verdade é que o tempo passa para todos, até para os grandes jogadores. Como jogador, Rivaldo já pertence ao passado. Aperceber-se disso, ao invés de cultivar ressentimentos, só iria lhe fazer bem.
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Compras, vendas e especulações
Finalmente, as contratações e vendas de jogadores, na dupla Gre-Nal, começam a sair do terreno meramente hipotético. No Inter, Giuliano, o melhor jogador da Taça Libertadores da América de 2010, mesmo sem ser titular, foi vendido para o Dnipro, da Ucrânia. Zé Roberto, ex Botafogo e Flamengo, que estava no Vasco, parece que vem mesmo. No Grêmio, a vinda de Rodolfo está mais próxima. Até os clubes do interior estão fazendo contratações de relativo peso, como é o caso do Novo Hamburgo, que contratou o goleiro Eduardo Martini, que foi revelado pelo Grêmio e estava na Ponte Preta, e do Pelotas, que trouxe o volante Makelelê, com passagens por Grêmio e Palmeiras. O mercado gaúcho, portanto, começa a se movimentar, mas é de se lamentar que isso inclua a venda de Giuliano. Será que o Inter e o próprio jogador não poderiam esperar pela proposta de um clube mais representativo que o Dnipro? Ambos, Inter e Giuliano, parecem só ter pensado no dinheiro que irão receber, que aliviará os cofres do clube e engordará a conta bancária do jogador. Porém, o Inter perde um jogador jovem e de grande qualidade e Giuliano vai para um país de segunda linha no futebol, onde não terá a exposição merecida.
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Vitória magra
Pouco antes do Grêmio tropeçar mais uma vez diante de um clube do interior, o Inter-B fez o dever de casa e venceu o Porto Alegre por 1x0, no Beira-Rio. O jogo foi de baixíssimo nível técnico, mas a vitória, no final das contas, é o que importa. O Inter, jogando apenas com reservas, já obteve uma vitória no Campeonato Gaúcho, coisa que o Grêmio ainda não alcançou, e já tem um ponto a mais na competição em relação ao seu maior rival, fatos que, certamente, tornarão mais tranquilos os próximos dias do clube.
Outra decepção
O Grêmio não passou de um empate em 1x1 com o Ypiranga, ontem à noite, em Erechim. O time reserva colocado em campo não serve como desculpa, pois nele estavam presentes jogadores já bastante utilizados, como Mário Fernandes, Vílson, Neuton, Diego Clementino e Júnior Viçosa. Até mesmo um titular, Adílson, foi escalado. O Grêmio tinha tudo para ganhar o jogo mas, mais uma vez, saiu na frente e cedeu o empate. Um lance foi emblemático da postura do Grêmio. Já no final do jogo, no que era para ser um contra-ataque fulminante, Diego Clementino, em vez de arremeter em direção ao gol, retardou o lance, passando a bola para Júnior Viçosa que, por sua vez, segurou-a ainda mais, permitindo que a defesa adversária voltasse para o seu lugar. O atacante gremista ainda tentou, pateticamente, segurar a bola no canto do gramado. Cerca de dois minutos depois dessa chance de liquidar o jogo ser desperdiçada, o Grêmio sofreu o gol de empate. Os principais defeitos do Grêmio foram os mesmos do jogo anterior. Adílson continua errando passes de forma bisonha e Júnior Viçosa, apesar do gol marcado se mostra atabalhoado e sai muito da área. Até Diego Clementino, um dos xodós da torcida, foi muito mal, chegando a furar em bola de frente para o gol. Já são dois jogos do Grêmio no Campeonato Gaúcho e nenhuma vitória. Um desempenho frustrante e para o qual não há desculpas. O Grêmio do começo de 2011 está longe da mobilização que apresentava no final de 2010. Está na hora de acordar. Afinal, as férias já acabaram.
O cansaço de Renato
Desde sua chegada ao Grêmio, no segundo semestre de 2010, Renato viveu uma relação idílica com o clube e sua torcida. Aprovado de antemão pelo torcedor, tendo em vista ter sido o maior jogador da história do clube, Renato, como técnico, passou a empilhar bons resultados, tirando o Grêmio da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro e classificando-o, com a ajuda prestimosa do Independiente, para a Pré-Libertadores. Porém, a diretoria do Grêmio mudou e, desde o início, transparecem sinais de que a harmonia de Renato como os novos dirigentes não é a mesma que havia com os antigos. A começar pelo fato de que ficou claro que Paulo Odone e seu grupo só renovaram o contrato de Renato por força das circunstâncias, pois o estilo de técnico apreciado pelo presidente do Grêmio é outro. Agora, Renato, alegando sobrecarga e cansaço, comunicou em entrevista que não irá viajar para os jogos no interior, nem para o Gre-Nal de Rivera. Confrontada com a notícia, a diretoria do Grêmio disse desconhecer tal decisão e desmentiu que ela seja levada a efeito. Lamentável e prejudicial desencontro de declarações entre Renato e os dirigentes, revelando uma dessintonia que só trará prejuízos ao clube. Pior do que isso, no entanto, é a alegação de Renato para não viajar, a de que está cansado e sobrecarregado. Renato voltou, há poucos dias, de um mês de férias, passadas no Rio de Janeiro, e ganha cerca de 400 mil reais por mês. Seria interessante saber o que pensa a respeito um trabalhador comum, que sacoleja diariamente em ônibus lotados e que nunca pôs os pês na Cidade Maravilhosa. Craque como jogador e técnico competente, Renato parece não ter a mesma habilidade com as palavras. Desde sua chegada, volta e meia dá uma declaração um tanto intempestiva, o que tem passado batido devido aos bons resultados de campo. Dessa vez, no entanto, suas palavras geraram um evidente desconforto na diretoria e, provavelmente, até entre os torcedores. Renato tem de entender que por tudo que já fez pelo Grêmio, ele pode muito, mas não pode tudo.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Indicações políticas
A indicação de ministros por critérios meramente políticos vem chamando a atenção da sociedade e da imprensa. As mais variadas conveniências de ordem partidária levam a que sejam nomeadas para tão altos cargos pessoas sem nenhuma vinculação com a área em que irão atuar. Entre outros exemplos, o novo ministro da Previdência Social, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB/RN), teria revelado nada entender do tema. Tudo isso é lamentável, mas, ao contrário do que possam pensar alguns, é prática disseminada no Brasil, seja em governos de inspiração esquerdista ou direitista, seja na democracia ou na ditadura. Prova disso ocorreu no final do governo de João Batista de Oliveira Figueiredo, na já então agonizante ditadura militar. O político mineiro Murilo Badaró foi, na ocasião, nomeado ministro da Indústria e Comércio. Em declaração para a imprensa logo depois de indicado para o cargo disse: "Nada entendo de indústria, nem de comércio". Como se vê, passados quase trinta anos, não há nada de novo nas práticas políticas.
Neymar
A turma do mau humor, os defensores do futebol pragmático, sem encanto, de muita transpiração e pouca inspiração, devem estar revoltados. Afinal, depois da atuação de Neymar na estréia da Seleção Brasileira Sub-20 no Campeonato Sul-Americano da categoria, ficou difícil sustentar suas teses. É claro que, mais uma vez, eles não se darão por vencidos. Alegarão que era um jogo em que Neymar enfrentou outros garotos da sua faixa etária, ignorando o quanto ele já fez, em 2010, no time profissional do Santos, quando foi o goleador do ano no Brasil, junto com Jonas do Grêmio, e que até já marcou gol pela Seleção Brasileira principal. O fato é que, na vitória da Seleção Brasileira Sub-20 sobre o Paraguai por 4x2, Neymar reafirmou a supremacia do talento sobre a força. Num jogo em que a equipe brasileira não teve uma boa atuação coletivamente, Neymar resolveu tudo, fazendo todos os quatro gols. Numa mostra da extensão de seu talento, Neymar fez gols de vários gêneros: cobrando penâlti, entrando a dribles na grande área, cabeceando após dividir com o goleiro e, finalmente, por cobertura. Como ainda é muto jovem, não tem nem 20 anos, Neymar tem uma longa e brilhante estrada pela frente. A Copa do Mundo de 2014 já tem o candidato a ser o seu maior craque.
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