sábado, 18 de maio de 2024

Feito histórico

Ser campeão invicto de uma competição de pontos corridos com 34 rodadas não é para qualquer um. O feito histórico foi alcançado, hoje, pelo Bayer Leverkusen, no Campeonato Alemão, ao vencer o Augsburg por 2 x 1. A última vez que um clube conquistou de forma invicta o título de um campeonato nacional europeu de expressão foi na temporada 2003/2004, na Inglaterra, façanha alcançada pelo Arsenal. O mérito do Bayer Leverkusen torna-se ainda maior pelo fato de que essa é a primeira vez que o clube conquista o título do Campeonato Alemão, competição que, nas onze edições anteriores, havia sido vencida pelo Bayern de Munique, e que nunca tivera um ganhador invicto em toda a sua história. Porém, o Bayer Leverkusen pode não parar por aí. Na quarta-feira, em Dublin, o clube alemão enfrentará o Atalanta pela decisão da Liga Europa, onde também ainda não perdeu nenhum jogo. No próximo sábado, em Berlim, decidirá a Copa da Alemanha com o Kayserslautern, competição em que, até agora, não foi derrotado. Sendo assim, o Bayer Leverkusen poderá fazer um "triplete", ou seja, ganhar as três competições que disputou na temporada 2023/2024 e, o que é ainda mais expressivo, todas de forma invicta. Uma façanha notável para um clube desacostumado a obter títulos, e que torna seu técnico, Xabi Alonso, de 42 anos, ainda iniciante na funçào, a grande sensação do futebol europeu na atualidade.

sexta-feira, 17 de maio de 2024

Novo ânimo

O martelo foi batido, hoje, em Bangkok, na Tailândia. O Brasil vai sediar a Copa do Mundo de futebol feminino em 2027, o que deverá dar um novo ânimo ao crescimento da modalidade no país. A decisão foi anunciada, hoje, pela Fifa. Com excelentes estádios, construídos ou reformados para a Copa do Mundo masculina, em 2014, o Brasil dispõe de ótima estrutura para a realização da competição. Com 32 seleções participantes, a Copa feminina no Brasil irá de 24 de junho a 25 de julho, e utilizará dez estádios. O jogo de abertura e a decisão serão realizados no Maracanã. Estranha, apenas, foi a escolha do Beira-Rio, um estádio reformado, em Porto Alegre, sendo a Arena do Grêmio maior e projetada dentro do padrão Fifa. O futebol feminino vem crescendo, a cada ano, no Brasil. Nas competições de clubes, embora grande parte dos jogos seja em estádios menores e com pouco público, já houve partidas com mais de 40 mil pessoas presentes. Porém, para o êxito da Copa no Brasil, é necessária a formação de uma Seleção Brasileira feminina forte, em condições de postular o título. Grandes esperanças recaem sobre o trabalho do técnico Arthur Elias, multicampeão no Corinthians, mas o desempenho da equipe sob sua orientação ainda é tímido.

quinta-feira, 16 de maio de 2024

Perdas no jornalismo esportivo

Num espaço de apenas doze horas, três duros golpes. Entre a noite de ontem e a manhã de hoje foram três grandes perdas no jornalismo esportivo. Primeiro, Washington Rodrigues, o Apolinho, depois Sílvio Luiz e Antero Greco. Em comum, afora a profissão, Apolinho, Sílvio e Antero tinham o carisma, a simpatia e a bonomia. Apolinho obteve fama como repórter, Sílvio na narração, Antero, nos comentários. A linguagem simples, de fácil entendimento, era outra característica dos três. Expressões de apelo popular, como "arquibaldos e geraldinos" marcaram a carreira de Apolinho. Sílvio notabilizou-se pelos bordões como "pelo amor dos meus filhinhos". Antero pela fala simples e constantes menções ao seu bairro de origem, o Bom Retiro, em São Paulo, reduto de descendentes de italianos, como era o seu próprio caso. Um típico carioca, Apolinho. Dois paulistanos, Sílvio e Antero. Representantes de um futebol e uma cobertura esportiva que não existem mais. Um futebol brilhante dentro das quatro linhas, com gênios e craques, alegre e irreverente fora delas. Hoje, no lugar de gênios e craques, há jogadores superestimados e mimados, e jornalistas esportivos de vídeo game, recheados de uma falsa erudição, se utilizando de um "tatiquês" pretensioso e sem conexão com o público. Com Apolinho, Sílvio e Antero vaí-se, também, um pouco mais do futebol raiz, trocado por um espetáculo de má qualidade e cifras astronômicas.

quarta-feira, 15 de maio de 2024

Declaração absurda

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, mostra-se insuperável em colocações estúpidas e desarrazoadas. Hoje, Leite deu mais uma declaração absurda, e tratou de pedir desculpas, pois a repercussão de sua fala, como não poderia deixar de ser, foi devastadora. Leite teve o desplante de manifestar preocupação de que o grande volume de doações para os atingidos pelas enchentes no estado impacte negativamente o comércio local. Seu compromisso com os interesses privados é tamanho que Leite vê problemas no volume de doações para os que perderam tudo. O que Leite pretende é a cessação das doações? Como Leite intenciona favorecer o comércio local se boa parte dele também foi impactado pelas enchentes, e as doações de fora, obviamente, se dão com produtos adquiridos em outras unidades da federação? A declaração, vinda do governador de um estado atingido por enchentes devastadoras, é acintosa. O fato demonstra seu despreparo para o cargo que ocupa. O mesmo governador que age constantemente contra o meio ambiente, agora se preocupa com os efeitos das doações de todo o país para os atingidos das enchentes, temendo que prejudiquem interesses privados. Não há pedido de desculpas que sirvam para reparar uma fala tão despropositada e ultrajante.

terça-feira, 14 de maio de 2024

Recomeço

Tinha de acontecer. Hoje, o Inter teve o recomeço de seus treinos, no estádio da PUC. Sem possibilidade de usar o seu centro de treinamentos, nem o Beira-Rio, ainda alagados pela enchente, o local foi a alternativa encontrada pelo clube para recomeçar os seus trabalhos. Mesmo que a sequência do calendário e a definição dos locais dos jogos estejam em aberto, havia a necessidade de que se retomassem os treinos, depois de tantos dias de atividades suspensas. O Grêmio ainda não retornou aos treinos, mas avalia a possibilidade de o fazer fora do Rio Grande do Sul. Grêmio e Inter já receberam diversas ofertas de estádios para os jogos em que serão mandantes, mas, até agora, não há nenhuma definição a respeito. Porém, a volta do Inter aos treinos aponta para uma realidade inescapável, a de que é preciso retomar o que ficou para trás, ainda que os efeitos da enchente no Rio Grande do Sul estejam longe de ser superados.

segunda-feira, 13 de maio de 2024

Adesão aumentou

A ideia de paralisar o Campeonato Brasileiro, em razão da tragédia causada pelas enchentes no Rio Grande do Sul, começa a ganhar corpo. A adesão aumentou, e 13 dos 20 clubes do Brasileirão apoiam a proposta. Destes 13, 11 são da Liga Forte, que adotou uma posição conjunta. Dois clubes da Libra, Grêmio e Atlético Mineiro, são a favor da paralisação. Os outros sete clubes apresentam Flamengo e Palmeiras contra a adoção da medida, e Corinthians, São Paulo, Vitória, Bahia e Red Bull Bragantino não firmaram posição. Com maioria de clubes favoráveis à paralisação da competição, não faz sentido esperar mais duas semanas, até o dia 27, para realizar uma reunião que discutirá a proposta, como estabeleceu a CBF. Até lá, os clubes do Rio Grande do Sul terão mais jogos atrasados em relação aos demais, o que causará um enorme desequilíbrio esportivo. Clubes que antes eram contrários á paralisação, mudaram de posição. Está na hora da CBF descer do muro e, tendo em vista que já se tem maioria no apoio à medida, encaminhar, rapidamente, a paralisação da disputa.

domingo, 12 de maio de 2024

Posturas distintas

Chegou a ser divulgado que a Conmebol excluiria Grêmio e Inter da Libertadores e Copa Sul-Americana, respectivamente,pela impossibilidade de cumprirem seus compromissos em função das enchentes que atingem o Rio Grande do Sul. A medida não se confirmou, pois os jogos de Grêmio e Inter foram remarcados, mas serviu para mostrar as posturas distintas de Conmebol e CBF. Diante do pedido dos clubes do Rio Grande do Sul para paralisar o Campeonato Brasileiro, a CBF vai empurrando a decisão com a barriga, talvez na espera de que o clima melhore e as águas baixem, o que não deve ocorrer tão cedo. A ideia é reunir o conselho de clubes no dia 27, para deliberar a respeito. Até lá, outras rodadas do Brasileirão terão sido realizadas, aumentando a defasagem de jogos de Grêmio, Inter e Juventude em relação aos demais, afetando a isonomia da competição. Os clubes de outros estados do país ainda estão divididos sobte a questão, mas o Athletico Paranaense, que era contrário à paralisação, já se tornou a favor. O Atlético Mineiro tambem apoia. Porém, clubes como Flamengo e Palmeiras são contra. Dessa forma, o assunto vai se arrastando. Ainda que não possa tomar uma decisão unilateral, caberia à instituição que administra o futebol brasileiro adotar uma posição clara sobre a questão, e fazer a sua exposição para os clubes.

sábado, 11 de maio de 2024

Final distante

O pesadelo causado pelas enchentes no Rio Grande do Sul prossegue. Com o retorno das chuvas, desde ontem, a situação voltou a se agravar, o que leva à perspectiva de um final distante para o drama que abala o estado e que despertou a solidariedade de milhões de brasileiros de outras unidades da federação. Com mais chuvas, rios tornaram a subir, municípios da Zona Sul do estado também começaram a ser alagados, ou seja, o quadro geral piorou. Amanhã, as chuvas deverão ser em volume ainda maior que nos dois dias anteriores, e deverá continuar na segunda-feira. Depois, as chuvas cessarão mas serão sucedidas por uma onda de frio. As águas, por mais tempo que demore, vão baixar, e o frio também não será para sempre. Porém, quando as severidades do clima amainarem, começará uma árdua tarefa para as pessoas e administradores públicos, a de reconstruir tudo o que foi dizimado, reerguer o combalido Rio Grande do Sul. O processo exigirá um esforço hercúleo, demandará um volume de recursos financeiros elevadíssimo, e terá uma duração muito longa. O futuro do Rio Grande do Sul não terá facilidades.

sexta-feira, 10 de maio de 2024

A grande falha da lista

O técnico da Seleção Brasileira, Dorival Júnior, anunciou, hoje, a lista de convocados para dois amistosos e a Copa América. A grande falha da lista, que no geral foi sensata, é a presença de apenas um meia, Lucas Paquetá. Os demais meiocampistas convocados são todos volantes. Não é novidade a escassez de bons meias no futebol brasileiro atual. Ainda assim, não se justifica que só um jogador da posição tenha sido chamado. Raphael Veiga, do Palmeiras, é um exemplo de jogador que poderia ter sido lembrado. Com a ausência de mais jogadores de criação no grupo, a Seleção fica com suas perspectivas comprometidas. A criação sempre foi o ponto forte da Seleção Brasileira, ao longo dos anos. Nomes como Jair da Rosa Pinto, Didi, Gérson, Rivelino, Rivaldo, são exemplos de grandes meias que a Seleção teve em outras épocas. A abundância de jogadores na posiçâo era tão grande que nomes notáveis, como Ademir da Guia e Dirceu Lopes, eram preteridos nas convocações da Seleção. Dorival Júnior precisa prorizar a busca de jogadores para a posição, sob pena de ver ameaçado o êxito do seu trabalho..

quinta-feira, 9 de maio de 2024

Tirando o corpo fora

A desfaçatez de certas pessoas não tem limite. Administradores diretamente responsáveis pela tragédia climática que atinge o Rio Grande do Sul estão tirando o corpo fora, ao afirmarem que "não é hora de buscar culpados". As enchentes no Rio Grande do Sul não são uma fatalidade. São a consequência do descaso com o meio ambiente, do afrouxamento das leis de proteção à natureza, da postura negacionista, da aliança espúria entre o poder instituído e o agronegócio. O maior exemplo disso é o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Neoliberal de carteirinha, Leite é um ecocida. Seu governo, há dois meses, afrouxou as regras ambientais para permitir a construção de açudes em áreas de reservas, visando projetos de irrigação, favorecendo os interesses do agronegócio. Leite privatizou a Corsan, transformando a água, recurso fundamental para a manutenção da vida, numa fonte de lucros para o setor privado. Sempre atento às ações de marketing, Leite, desde o início das enchentes, aparece com o jaleco da Defesa Civil, no centro de operações, posando de paladino das ações de socorro. Ao dizer que não era de apontar culpados, Leite está tentando evitar sua óbvia responsabilização pelo desastre ambiental. Não vai conseguir. Resta esperar que o eleitor, nos pleitos municipais de 2024, e no estadual de 2026, tenha a sabedoria de afastar das prefeituras e do governo do estado, as figuras nefastas que cortaram verbas da proteção ambiental, abrindo o caminho para a tragédia cujas consequências ainda não podem ser mensuradas.