quarta-feira, 29 de março de 2023
Boas perspectivas
Os clubes do Rio Grande do Sul não podem se queixar do sorteio dos confrontos da terceira fase da Copa do Brasil. Técnica ou financeiramente, os jogos trazem boas perspectivas. Em termos técnicos, Grêmio e Inter terão adversários que não deverão lhes trazer maiores dificuldades. O Grêmio irá enfrentar o ABC. Embora o ABC esteja com um bom desempenho em 2023, inclusive tendo eliminado o Vasco na Copa do Brasil, não é provável que possa opor maior resistência ao Grêmio, até porque, o segundo jogo será na Arena. O Inter enfrentará o CSA e, embora o segundo jogo seja fora de casa, terá um adversário em mau momento, o que indica uma classificação sem maiores sobressaltos para as oitavas de final. O Ypiranga de Erechim terá pela frente um adversário de tradição, o Botafogo, mas que não está bem tecnicamente, o que abre a possibilidade de que o vice-campeão gaúcho de 2022 possa ir adiante na competição. A desvantagem do Ypiranga é que o segundo jogo será fora de casa. O Brasil de Pelotas, terá o adversário mais difícil, o Atlético Mineiro. Porém, financeiramente, é o confronto mais promissor, pois se o Brasil conseguir levar a decisào para o segundo jogo, no Bento Freitas, o estâdio estará lotado, e com renda integral para o mandante. Ainda que não seja o mais provável, não se pode afastar a hipótese de que os quatro clubes do Rio Grande do Sul sigam adiante na disputa.
terça-feira, 28 de março de 2023
Reincidência
As cenas deploráveis que aconteceram no Beira-Rio, domingo, após a eliminação do Inter pelo Caxias no Campeonato Gaúcho, não representam um fato isolado. A reincidência de situações de violência envolvendo o Inter é flagrante. Em 2022, por exemplo, um Gre-Nal pelo Campeonato Gaúcho, no Beira-Rio, teve de ser adiado, depois que o ônibus do Grêmio foi apedrejado por torcedores do Inter. O volante Villasanti foi atingido e se feriu. No primeiro Gre-Nal das semifinais, nessa mesma edição do Gauchão, o volante Lucas Silva, do Grêmio, ao comemorar um gol, foi atingido por um celular arremessado por um torcedor do Inter. As imagens de anteontem, com um torcedor do Inter agredindo um jogador do Caxias enquanto segurava a filha, de apenas 3 anos, no colo, chocaram pessoas no Brasil e exterior. Um segurança do Inter agrediu o jogador Wesley, do Caxias, que teve o seu nariz fraturado. O jejum de títulos tensiona o clube e seus torcedores, mas nada justifica fatos como os referidos acima. Até agora, as punições desses atos de violência foram, sempre, muito brandas. Espera-se que, dessa vez, todos os envolvidos nas ocorrências de domingo sejam severamente punidos. A impunidade serve de incentivo para que novos atos de selvageria sejam cometidos, numa escalada cada vez maior. A justiça precisa ser feita, sem condescendência.
segunda-feira, 27 de março de 2023
Grupo favorável
Um dia depois da dolorosa eliminação no Campeonato Gaúcho, o Inter teve sorte na definição dos grupos da Libertadores. No sorteio, o Inter ficou num grupo favorável, o B, junto com Nacional(URU), Metropolitanos (VEN), e Deportivo Medellin (COL). Em princípio, o Inter não deverá ter muitas dificuldades para se classificar às oitavas de final. Porém, nào é o nível dos adversários que deve preocupar o Inter, e, sim as limitações técnicas de seu grupo, atestadas pela má campanha no Gauchão. Se, no campeonato estadual, o Inter venceu menos da metade dos jogos disputados, o que esperar de rendimento em competições mais exigentes, como a Libertadores? O clube está sem recursos para fazer grandes contratações, e as categorias inferiores não estão revelando jogadores de qualidade como em outros tempos. Ainda assim, o Inter não deverá ter dificuldades em se classificar para as oitavas de final. A partir daí, será preciso ter reforços de qualidade para que o Inter possa avançar nas competiçòes.
domingo, 26 de março de 2023
Juca Chaves
O Brasil perdeu, hoje, um artista singular. Juca Chaves faleceu, aos 84 anos, com uma longa carreira, em que ocupou um espaço, praticamente, único. Com formação em música, Juca Chaves era compositor, mas suas criações pendiam para o humor, com as famosas modinhas, e muitas paródias. Trafegava entre a música e o humor, fazendo shows e lançando discos que incluíam muitas piadas. No gênero, quem mais se aproximou de Juca Chaves foi Ari Toledo, mas, nele, a condiçào de humorista era preponderante, enquanto o primeiro tinha um lado musical forte, e até fazia composições "sérias" como a belíssima "A cumplíce", inspirada em sua mulher, Yara. Pela idade avançada e problemas de saúde, Juca Chaves estava afastado dos holofotes há tempos, mas deixou sua marca de bom humor e irreverência em muitas gerações.
Novo fracasso
Desde 2016 sem conquistar um título, o Inter caminha para permanecer mais um ano amargando essa condição. Hoje, no Beira-Rio, o Inter empatou em 1 x 1 com o Caxias, perdeu por 5 x 4 na cobrança de tiros livres da marca do pênalti, no segundo jogo pelas semifinais do Campeonato Gaúcho, e foi elimimado da competição, somando um novo fracasso aos muitos que ocorreram nesses anos sem títulos. Para se ter uma ideia, desde 2019, em seis decisões por tiros livres da marca do pênalti, o Inter perdeu cinco. O jogo de hoje se pareceu muito com o primeiro, no sábado anterior, em Caxias do Sul. O Inter fez um gol cedo, o Caxias não se abalou e obteve o empate. A exemplo do primeiro jogo, não aconteceram gols no segundo tempo. O que se viu é que o Inter não embalou no Gauchão em momento algum. Em 13 jogos na competição, teve seis vitórias, seis empates e uma derrota. O vice-campeonato brasileiro de 2022, longe de atestar a qualidade do grupo, mostrou que o fato de ser uma competição de pontos corridos, em que o Inter não era cotado entre os favoritos, fez com que os jogadores se sentissem mais tranquilos. Nas competições de jogos eliminatórios, os jogadores se sentem pressionados, e se mostram pouco competitivos. O ano recém está começando, mas as perspectivas para o Inter não são nada animadoras. Afora ter de assistir a decisão do campeonato estadual entre Grêmio e Caxias, o Inter irá disputar Libertadores, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro sem dispor de recursos financeiros para trazer os reforços que são tão necessários para aumentar o nível técnico do grupo. As dificuldades para o Inter em 2023, pelo visto, estão só começando.
sábado, 25 de março de 2023
Classificação dramática
Sabia-se que seria difícil, mas ninguém supunha que fosse tanto. O Grêmio ganhou por 2 x 1 do Ypiranga de Erechim, de virada, hoje, na Arena, e de 5 x 4 nos tiros livres da marca do pênalti, obtendo uma classificação dramática para a decisão do Campeonato Gaúcho. O primeiro tempo, com o Grêmio afobado e perdendo muitos gols, terminou empatado em 0 x 0. Com a intenção de posicionar Bitello mais adiantado, o técnico do Grêmio, Renato, voltou do intervalo com Thiago Santos, quando poderia ter colocado Lucas Silva. Não deu outra. Assim como havia feito no Gre-Nal, Thiago Santos falhou bisonhamente e, na sequência da jogada, o Ypiranga abriu o placar, aos 8 minutos, com Mossoró. O que já estava complicado, se encaminhava para ser uma hecatombe. Porém, aos 16 minutos, Thaciano empatou. A torcida do Grêmio, até então apreensiva, explodiu de entusiasmo e transformou o estádio num caldeirão. No entanto, a cada vez que tocava na bola, Thiago Santos era vaiado estrepitosamente. Pouco depois, Renato retirou-o, e o Grêmio e sua torcida puderam ir com mais tranquilidade em busca da vitória. Aos 33 minutos, veio o desempate, com Bruno Alves. Havia tempo suficiente para marcar mais um gol e definir a classificação, mas o Grêmio não conseguiu, e a decisão teve que ocorrer na cobrança de tiros livres da marca do pênalti. Depois de um empate em 3 x 3 na primeira série de cobranças o Grêmio venceu por 5 x 4 nas alternadas. Não devia ser tão sofrido, mas o Grêmio atingiu o seu objetivo, e vai decidir o Campeonato Gaúcho. A pressão, agora, fica com o Inter, que precisa vencer o Caxias, amanhã, no Beira-Rio, para, também, conseguir se classificar.
sexta-feira, 24 de março de 2023
Tratamento desigual
Seria engraçado, se não fosse repulsivo. O tratamento desigual da imprensa brasileira para com o atual presidente e seu antecessor é flagrante. Durante todo o seu mandato, Jair Bolsonaro deu declarações disparatadas quase diárias, sem que sofresse reparos por seu comportamento. Agora, com o presidente Luís Inácio Lula da Silva, o tratamento mudou completamente. Lula é censurado pela imprensa a cada fala. Se ataca, com toda a razão, as atitudes do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, Lula é criticado, e a imprensa dá conta de que até membros do governo desaprovam essa conduta. Ao revelar sua desconfiança de que a ameaça de morte do PCC contra Sérgio Moro seja uma armação do ex-juiz, Lula recebeu duros reparos por sua atitude, que nào foi considerada adequada. Percebe-se a intenção por parte da imprensa e dos direitistas derrotados na eleição de ditarem a postura que Lula deve adotar, alegadamente por que suas declarações podem repercutir mal no "mercado", provocando quedas na Bolsa de Valores e altas do dólar. Esforço inútil. Por sua expressão política, Lula pode falar o que bem quiser, na hora em que desejar. A imprensa e os direitistas precisam entender que Lula venceu a eleição, e irá agir com a autoridade que o cargo lhe confere, sem se deixar levar por pressões externas.
quinta-feira, 23 de março de 2023
Para sair do ostracismo
A investigação da Polícia Federal que apontou a existência de um suposto plano do PCC para assassinar o ex-juiz e atual senador Sérgio Moro, merece ser vista com um pé atrás. Ela é conveniente demais para Moro, que fica no papel de vítima numa história que serve ao senador para sair do ostracismo. Falso herói que condenou, sem provas, um então ex-presidente à prisão e liderou uma operação, a Lava-Jato, que causou enormes prejuízos ao país, Moro estava fora dos holofotes desde que deixara o cargo de ministro da Justiça do governo Bolsonaro, em abril de 2020. O alegado atentado planejado contra Moro traz seu nome de volta ao noticiârio e dá visibilidade para um senador que, por suas graves limitações, dificilmente conseguirá se destacar no cargo. Ainda assim, o presidemte Luís Inácio Lula da Silva não deveria ter declarado publicamente sua desconfiança de que tudo seja uma armação de Moro. Ao fazer essa afirmação, Lula concede a Moro a exposição que o ex-juiz deseja. Melhor seria agir na surdina para esclarecer o fato, sem dar a Moro o destaque que tanto busca.
quarta-feira, 22 de março de 2023
Uma afronta ao governo
A decisão do Banco Central de manter a taxa de juros em 13,75% ao ano é um crime lesa-pátria. A absurda autonomia do Banco Central, tão reivindicada pela direita e aprovada em 2019, resulta em atos como esse, que constitui-se numa afronta ao governo. O argumento de que o Banco Central precisa ter autonomia e o mandato de sua diretoria não deve coincidir com o do governo, para não sofrer "influências políticas" é uma manobra ardilosa para que o "mercado" preserve os seus interesses. Urge que o governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva tome uma atitude enérgica para resolver essa situação. O governo não pode ficar refém dos desmandos do presidente do Banco Central, o bolsonarista Roberto Campos Neto. Nenhum orgão pode se sobrepor ao poder maior do governo. Em último caso, se não conseguir uma solução por outros meios, o governo terá de decretar intervenção no Banco Central, enfrentando a gritaria dos direitistas e da imprensa. O Brasil tem a mais alta taxa de juros do mundo, e isso é um fato obsceno. Até Joseph Stiglitz, ganhador do Prêmio Nobel de Economia, declarou, anteriormente, que não sabe como o Brasil consegue conviver com uma taxa de juros nesse patamar. A justificativa dada pelo Banco Central de que a taxa foi mantida porque a inflação permanece alta é inconsistente e a afirmação de que, se , necessário, poderá subir ainda mais, é uma provocação ao governo. O Banco Central, como todo e qualquer orgão da estrutura estatal, precisa ser subordinada ao governo. Fora disso, é subversão.
terça-feira, 21 de março de 2023
Temor absurdo
Uma pesquisa do IPEC revelou que 44٪ dos entrevistados sobre o momento político brasileiro teme a implantação do comunismo no país. O temor absurdo mostra o nível de imbecilização coletiva que tomou conta de grande parte da população brasileira. Uma pessoa medianamente informada sabe que o comunismo, no mundo, acabou há mais de 30 anos. Afora isso, o Brasil nunca esteve perto de aderir ao comunismo, em nenhum momento da sua história. Os argumentos em contrário foram utilizados para justificar ações golpistas, como no caso da ditadura militar imposta em 1964, que tantos efeitos deletérios causa, até hoje, no país. Parte significativa dos que temem a ameaça do "comunismo" é formada por evangélicos, corrente religiosa em constante expansão no Brasil. Menos mal que, mesmo com esse quadro, as forças progressistas conseguiram retomar o poder, na última eleição presidencial. Porém, como demonstra a pesquisa, a luta contra o obscurantismo está longe de ser vencida. Para impedir a volta da direita ao poder, é preciso investir em educação e na conscientização da população. A grande luta a ser travada no Brasil terá, de um lado, a civilização, e do outro, a barbárie.
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