terça-feira, 18 de outubro de 2022

A abjeção do racismo

O episódio de racismo ocorrido num show do cantor Seu Jorge, no Grêmio Náutico União, em Porto Alegre, na sexta-feira, dia 14, está repercutindo fortemente em todo o Brasil. A cada dia, o assunto, em vez de arrefecer, é aprofundado pela imprensa, o que é um bom sinal, diante do que representa a abjeção do racismo. O fato está sendo apurado, mas não há dúvidas sobre o teor do ocorrido. Após a apresentação de um menino de 15 anos, filho do sambista Pretinho da Serrinha, tocando cavaquinho, Seu Jorge fez um pronunciamento defendendo que jovens negros só precisam de oportunidades para mostrar o seu talento, e se mostrou contrário à redução da maioridade penal. Seu Jorge, então, retirou-se do palco, na intenção de retornar para o "bis". Nesse momento, pessoas que assistiam ao show começaram a fazer sons de "uu, uu, uu", imitando macacos, e gritando termos como "vagabundo". Diante do ocorrido, Seu Jorge retornou ao palco, mas não fez o "bis". Desejou apenas que todos ficassem em paz, e deu o espetáculo por encerrado. A alegação de que Seu Jorge teria realizado uma manifestação de cunho político, ao fazer o "L" de Lula, não se sustenta. Primeiro, porque não há a confirmação de que o cantor tenha feito o referido gesto, e, também, por não haver justificativa para a prática do racismo. Lamentavelmente, não há surpresa nesse tipo de comportamento por parte de sócios de um clube majoritariamente frequentado por brancos privilegiados financeiramente. Resta esperar que não fique tudo por isso mesmo, e que os responsáveis por atos tão repulsivos sofram pesadas sanções.

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

Debate diferente

O debate realizado ontem pela Rede Bandeirantes, o primeiro do segundo turno da eleição presidencial, foi inovador. Com os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro podendo fazer perguntas um ao outro e se movimentar pelo estúdio, foi um debate diferente, mais dinâmico e de melhor conteúdo em relação aos que reúnem vários participantes. Ambos os candidatos demonstravam tensão, e se equivaleram em erros e acertos. Um dos erros cometidos pelos dois foi fugir, por vezes, do que era perguntado, desviando para outros assuntos. Não faltaram acusações de ambas as partes, mas sem o nível de hostilidade que muitos poderiam temer. Pelo contrário, na medida em que o debate transcorria, Lula e Bolsonaro sorriram várias vezes. Em termos objetivos, não há como determinar um vencedor do debate, dado o fato de que houve altos e baixos no desempenho tanto de um como de outro. O destaque do debate foi, mesmo, o seu formato, bem mais interessante, e que deveria servir de inspiração para os de outras redes de tevê.

domingo, 16 de outubro de 2022

Boa campanha

A fase do Inter, sem dúvida, é muito favorável. O Inter venceu o Botafogo por 1 x 0, hoje, no Engenhão, pelo Campeonato Brasileiro, e manteve sua boa campanha na competição. Não foi um bom jogo, mas o Inter soube se aproveitar das limitações do Botafogo, e do péssimo desempenho do clube carioca como mandante. Com isso, a classificação direta do Inter para a Libertadores está cada vez mais próxima. No momento, é tudo o que o Inter pode aspirar.

Martírio

Foi mais um jogo torturante para a torcida do Grêmio. Hoje, na Arena, o Grêmio empatou em 1 x 1 com o Bahia, pelo Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão, e submeteu seu torcedor a um martírio. O Grêmio começou melhor, e não dava chances do Bahia. Porém, o Grêmio criava várias oportunidades para marcar, mas não fazia o gol. No final do primeiro tempo, o Bahia deu seu primeiro chute a gol, e abriu o placar. No segundo tempo, o Grêmio se mostrou muito tenso, o que o levava a cometer vários erros. No entanto, quando todos já imaginavam a derrota como defintiva, Thiago Santos fez o gol de empate. Combinado com o empate entre Sport e Vasco, o resultado acabou não sendo de todo ruim para o Grêmio, que poderá obter sua classificação para a Primeira Divisão já no próximo jogo, domingo, contra o Náutico, se vencer e for beneficiado por resultados paralelos. A ansiedade pela volta à Série A prossegue mas, mesmo com péssimo futebol, o Grêmio irá alcançar o seu objetivo.

sábado, 15 de outubro de 2022

Uma sucessão de atrocidades

O presidente genocida Jair Bolsonaro não consegue conter sua verdadeira natureza. Embora na sua propaganda eleitoral Bolsonaro exiba uma postura mansa e pasteurizada, como estratégia de campanha, em seus pronunciamentos expõe sua verdadeira face, numa sucessão de atrocidades. As mais recentes foram as declarações de que crianças não morrem de covid, e que numa de suas "motociatas", "pintou um clima" com meninas venezuelanas de 13 e 14 anos. Sim, Bolsonaro insiste em ser negacionista num país que tem o segundo maior índice do mundo de morte de crianças por covid. Como se não bastasse, revela ser pedófilo. O incrível é que um monstro como esse tenha obtido milhões de votos e vá disputar o segundo rurno da eleição presidencial. Também é absurdo que um presidente com tantos crimes devidamente tipificados não tenha a sua candidatura cassada pelo Poder Judiciário. O país vive, sob o governo Bolsonaro, um pesadelo. Porém, em 15 dias, esse martírio tem tudo para acabar. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá vencer a eleição. A partir daí, um árduo trabalho de reconstrução do país será iniciado. O Brasil não suportaria uma reeleição de Bolsonaro. A paz irá sobrepujar o ódio.

sexta-feira, 14 de outubro de 2022

Virada

Foi divulgada, hoje, a primeira pesquisa do Ipec para o segundo turno da eleiçào para governador do Rio Grande do Sul. O levantamento aponta uma virada. No primeiro turno, Onyx Lorenzoni (PL), ficou em primeiro lugar, com 37,56% dos votos. Eduardo Leite (PSDB), foi o segundo colocado, com 26,81%. A pesquisa revelou que, para o segundo turno, Leite tem 50% das intenções de votos, e Onix 43%. Levando-se em conta, apenas, os votos válidos, Leite tem 54%, e Onyx está com 43%. O que explicaria essa alteração em tão poucos dias? Cabe lembrar que, nas pesquisas do primeiro turno, Leite liderava com folga sobre Onyx, que era o segundo. Abertas as urnas, Onyx ficou em primeiro, com quase 11% de vantagem sobre Leite, que foi para o segundo turno por uma diferença de 0,4% sobre Edegar Pretto (PT). Levando em conta todos esses dados, parece claro que muitos eleitores de Leite, convencidos pelas pesquisas de que seu candidato, certamente, estaria no segundo turno, votaram em Pretto, para que ele, e não Onyx, fosse o seu oponente. A lógica desse procedimento era a de que os eleitores de Leite julgavam Onyx um adversário mais difícil, por sua ligação com o presidente Jair Bolsonaro, que tem muitos apoiadores no Estado, do que Pretto, que carregava o peso do antipetismo. A "estratégia" dos eleitores quase deixou Leite fora do segundo turno. Porém, agora, as intenções de voto voltam aos índices verificados no primeiro turno, com Leite liderando. Sem o fator PT, as urnas tendem a confirmar, no segundo turno, o favoritismo que Leite sempre exerceu. A postura de Onyx na campanha de segundo turno, com ataques homofóbicos à Leite, e recusando-lhe um aperto de mão após um debate, hoje, na Rádio Gaúcha, não deverão lhe ajudar a obter uma reversão. Para o Rio Grande do Sul, dos males o menor. Leite já provou, em seu primeiro mandato, que está longe de ser o governador ideal, mas é preferível ao pesadelo que seria ter Onyx no cargo.

quinta-feira, 13 de outubro de 2022

As promessas de Leite

O candidato a governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite (PSDB) comprometeu-se a não privatizar o Banrisul, caso seja eleito. Leite adotou essa postura pois necessita atrair votos da esquerda para poder vencer Onix Lorenzoni (PL), e essa era uma questão fundamental. Afora isso, Onix já javia manifestado sua disposição de não vender o banco. Logo após a declaração de Leite, o PDT oficializou o seu apoio ao candidato. O PT não deu o seu apoio oficial, mas grandes nomes do partido, como os ex-governadores Tarso Genro e Olívio Dutra, já haviam aberto seu voto em favor de Leite. Para o PDT, Leite prometeu, também, implantar o turno integral, velha bandeira do partido, em pelo menos metade das escolas estaduais. O problema é que as promessas de Leite não significam muito. Na sua campanha para o mesmo cargo, em 2018, Leite prometeu que não iria privatizar Corsan e Banrisul. Foi eleito, privatizou a Corsan e derrubou a exigência de plebiscito para a aprovação da venda do Banrisul. Também havia prometido não concorrer à reeleição mas, depois de renunciar para uma tentativa frustrada de concorrer a presidente, candidatou-se, novamente, ao cargo. Seria muito bom para o Rio Grande do Sul que Leite pudesse impedir que o asqueroso bolsonarista Onix vença a eleição. Porém, não basta ser apenas o menos pior. Para fazer um bom governo, é essencial que Leite, dessa vez, cumpra suas promessas, e desista de privatizar um patrimônio precioso do povo do Rio Grande do Sul.

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

Empate com sabores diferentes

O Flamengo é o favorito na decisão da Copa do Brasil, contra o Corinthians, e o primeiro jogo confirmou essa tendência. Corinthians e Flamengo empataram em 0 x 0, hoje, no Itaquerão, num jogo de poucos lances de gol. Porém, foi um equilíbrio aparente. O Flamengo produziu mais do que o Corinthians e não perdeu na casa do adversário, o que faz do resultado um empate com sabores diferentes para cada um dos lados. O Corinthians não tirou proveito do fato de jogar em seu estádio para vencer a primeira partida e obter uma vantagem para a segunda. Por não ter perdido, o Flamengo deixou tudo para ser decidido no Maracanã, o que lhe é muito favorável. Hoje, o Flamengo foi pragmático. Não exerceu grande pressão sobre o Corinthians, mas conteve o adversário, que pouco conseguiu criar ofensivamente. No Maracanã, a postura do Flamengo deverá ser bem mais agressiva, e a tendência é que sua qualidade técnica, bem maior que a do Corinthians, se imponha, e o leve à conquista do título.

terça-feira, 11 de outubro de 2022

A angústia da confirmação

Virtualmente classificado para a Primeira Divisão, o Grêmio não está, ainda, matematicamente garantido nessa condição. O péssimo desempenho nos jogos fora de casa faz com que o Grêmio ainda viva a angústia da confirmação de sua volta à Série A. Os dois últimos jogos como visitante foram particularmente revoltantes para o torcedor. Contra o Sampaio Corrêa, o Grêmio desmobilizou-se inteiramente. Sem quatro titulares que haviam forçado o terceiro cartão amarelo no jogo anterior, e igual número de poupados pelo técnico Renato, o Grêmio escalou oito reservas. Fez tudo para perder, e conseguiu, desperdiçando pontos valiosos para subir, e ajudando o adversário a se colocar entre os postulantes à Primeira Divisão. No jogo contra o Londrina, saiu na frente, teve chances de ampliar o placar, mas acabou cedendo terreno ao adversário, permitindo o empate aos 40 minutos do segundo tempo. Tantos tropeços cobraram o seu preço e, mesmo se vencer o Bahia, domingo, na Arena, o Grêmio não obterá a classificação antecipada. O Grêmio vai subir, mas o seu torcedor não merecia enfrentar tanto sofrimento.

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Fraude

A crônica esportiva está sendo tomada por analistas de videogame, exaltadores de uma "modernidade" do futebol, e entusiastas de técnicos que consideram "revolucionários". Críticos contumazes da maioria dos técnicos brasileiros, que consideram limitados ou superados, elegeram como o seu modelo ideal Fernando Diniz, atualmente no Fluminense. Diniz entregou um Campeonato Brasileiro praticamente ganho, em 2020, quando treinou o São Paulo. Nem assim os seus defensores se deram por vencidos. Atualmente no Fluminense, Diniz sofreu derrotas nos três últimos jogos pelo Brasileirão, e está por deixar escapar uma classificação direta para a Libertadores que era quase certa. Sua ideia de futebol é, basicamente, sair jogando desde a defesa, com um toque de bola envolvente. Não raro, essa postura se revela um desastre defensivo, cedendo gols aos adversários com facilidade. Porém, seus fãs na imprensa sempre apresentam justificativas para os fracassos, que variam da incompetência dos dirigentes dos clubes em que trabalha à falta de um grupo de jogadores mais qualificado. Desculpas esfarrapadas. Na verdade, Diniz é uma fraude. Como técnico, nada tem de revolucionário, pelo contrário, pois não possui repertório, só uma única proposta de jogo. Há quem o cogite para ser o próximo técnico da Seleção Brasileira, o que é um disparate. Como técnico, Diniz é a eterna promessa que nunca se realiza, só os incautos ainda se deixam enganar por sua pretensa capacidade.