segunda-feira, 19 de setembro de 2022
Com sufoco no final
Foi mais uma vitória, alimentando o sonho remoto de ainda poder disputar o título. O Inter venceu o Atlético Goianiense por 2 x 1, hoje, no Antônio Accioly, pelo Campeonato Brasileiro, com sufoco no final. O jogo começou relativamente fácil para o Inter, que abriu dois gols de vantagem, ambos feitos por Pedro Henrique, aos 24 e 34 minutos. No segundo tempo, o Atlético Goianiense reagiu, e descontou com um gol de Churin aos 18 minutos. No final, o Atlético perdeu um gol feito, que poderia ter lhe dado o empate. O resultado mantém o Inter com esperanças de alcançar o Palmeiras na classificação, mas, na prática, isso é muito difícil. O Palmeiras está oito pontos na frente do Inter, e tem três vitórias a mais. Faltando 11 rodadas para terminar o Brasileirão, tirar uma diferença tão ampla é quase impossível. Os últimos jogos do Inter tem sido contra adversários mais fracos, o que lhe possibilitou acumular vitórias. Porém, embora vencendo, o Inter não exibe um bom futebol. Em geral, o rendimento decai no segundo tempo, permitindo uma pressão mesmo de adversários modestos, a exemplo do de hoje, e outros como o Cuiabá. Sonhar não custa nada, e é um direito do Inter, mas o Palmeiras está com o título encaminhado.
domingo, 18 de setembro de 2022
A resposta ao racismo
Durante a semana, um fato repercutiu fortemente na Espanha e no Brasil. O empresário de jogadores Pedro Bravo, num programa de tevê na Espanha, disse que o atacante brasileiro Vinícius Júnior tinha de deixar de fazer "macaquices", referindo-se ao fato dele comemorar seus gols com "dancinhas". O evidente cunho racista da palavra "macaquices", fez com que uma corrente de apoio se formasse em torno de Vinícius Júnior, por parte de vários clubes e personalidades do futebol. Pedro Bravo desculpou-se, afirmando que na Espanha o termo não tem essa conotação, e outras pessoas lançaram mão da mesma justificativa, de modo inconvincente. Hoje, antes do cĺássico Atlético de Madrid e Real Madrid, no Wanda Metropolitano, lamentavelmente, torcedores atleticanos, do lado de fora do estádio gritavam: "Vinícius é macaco".No jogo, o Real Madrid venceu por 2 x 1. Vinícius Júnior não fez gol, mas outro brasileiro, Rodrýgo, sim. Os doia jogadores comemoraram o gol com dancinhas, dando a resposta ao racismo que a situação exigia. O racismo é um mal do futebol que precisa ser enfrentado de peito aberto. Os ofendidos não podem se deixar intimidar.
sábado, 17 de setembro de 2022
A afirmação do futebol feminino
O futebol feminino sempre enfrentou fortes barreiras no Brasil. Durante décadas, sua prática era, absurdamente, proibida por lei. Só começou a existir, de uma forma mais efetiva, na década de 80, enquanto na Europa e Estados Unidos o processo já havia sido deflagrado anteriormente. A falta de apoio institucional fez com que o futebol feminino custasse a engrenar no país. Porém, esse quadro mudou quando, há poucos anos, a CBF começou a olhar a modalidade de forma mais profissional. A Seleção Brasileira de Futebol Feminino ganhou mais estrutura, e hoje é treinada por uma técnica estrangeira multicampeã. Os clubes foram obrigados a criar um departamento da modalidade, o que favoreceu o surgimento de competições e despertou o interesse da imprensa. Aos poucos, o público interessado no futebol feminino aumentou, e amanhã essa condição chegará ao ápice. O primeiro jogo da decisão do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino entre Inter e Corinthians, no Beira-Rio, deverá ter um público de 40 mil pessoas, praticamente lotando o estádio. Será o maior público da modalidade, até agora, em 2022, no Brasil, e superior ao da maioria dos jogos do Inter no futebol masculino. A afirmação do futebol feminino no Brasil é ainda mais significativa por se tratar de um país machista e misógino. Representa mais uma vitória feminina sobre o atraso e a opressão.
sexta-feira, 16 de setembro de 2022
Atuação vexatória
Um desempenho calamitoso. O Grêmio perdeu por 2 x 0 para o Novorizontino, hoje, no Jorge de Biasi, pelo Campeonato Brasileiro da Segunda Divisâo, com uma atuação vexatória. Nada se salvou no Grêmio. Faltou empenho, o rendimento individual foi fraquíssimo, e o coletivo ainda pior. Os gols do Novorizontino aconteceram no primeiro tempo, em falhas terríveis do Grêmio. No primeiro, Douglas Baggio, um jogador de baixíssima estatura, cabeceou livre para marcar. No segundo, um erro de Diogo Barbosa permitiu um rápido contra-ataque, que resultou no gol de Gustavo Bochecha. Após o jogo, o técnico do Grêmio, Renato, admitiu a má atuação, e prometeu melhoras para o jogo contra o Sport, terça-feira, na Arena. O presidente Romildo Bolzan Júnior foi na mesma linha. A cada jogo o Grêmio se desculpa e faz promessas vãs. Menos mal que, mais uma vez, o Grêmio foi beneficiado por um resultado paralelo, e sua posição na classificação continua confortável. Porém, se vier a confirmar sua volta à Primeira Divisão, o Grêmio terá de mudar tudo para 2023, pois seu grupo de jogadores é de baixa qualidade.
quinta-feira, 15 de setembro de 2022
Muita pompa e circunstância
Não há dúvida de que, em pleno século 21, as monarquias são totalmente anacrônicas. Nos países em que elas seguem existindo, não possuem nenhuma relevância. A exceção é a Inglaterra. Por mais críticas que existam, internamente, aos privilégios de uma família real que, na prática, é inútil para o país, os ingleses, em grande número, inclusive jovens, seguem valorizando a monarquia. Filas imensas, com quilômetros de extensão, reúnem pessoas que desejam despedir-se da Rainha Elizabeth, falecida há uma semana. As cerimônias fúnebres, com vários dias de duração, são de muita pompa e circunstância. Carruagens finamente ornamentadas, guarda de honra, entre outros itens, mostram uma monarquia que resiste ao tempo, impondo-lhe seus simbolismos e rituais, acompanhados de luxo e opulência. Tudo isso soa absurdo para as pessoas mais críticas e conscientes, mas nada indica que o fim da monarquia inglesa esteja próximo. O glamour da realeza ainda encanta muita gente e, enquanto for assim, a monarquia na Inglaterra terá vida longa.
terça-feira, 13 de setembro de 2022
Estratégia fracassada
O presidente genocida Jair Bolsonaro, que concorre à reeleição, apostava suas fichas nas manifestações do dia 7 de setembro para obter uma reação na sua campanha. Desde que começaram as pesquisas de intenção de voto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está na frente de Bolsonaro, por larga margem. O desfile do dia que marcava os 200 anos da Independência do Brasil era visto por Bolsonaro como o grande fator de mobilização de seus simpatizantes, e o início de uma virada eleitoral. Foi uma estratégia fracassada. A pesquisa revelada ontem mostea que Lula ampliou sua vantagem sobre Bolsonaro, e está com possibilidade de vencer a eleição no primeiro turno. O festival de horrores protagonizado por Bolsonaro no desfile militar em Brasília, cujo ponto mais estarrecedor foi com o próprio se dizendo "imbrochável", afastou eleitores, em vez de atrair novos adeptos de sua candidatura. Nem mesmo medidas claramente eleitoreiras, como baixar o preço da gasolina e conceder um auxílio emergencial de R$ 600, estão surtindo efeito. A derrota de Bolsonaro parece cada vez mais certa. A menos que haja um golpe, desrespeitando o resultado das urnas, o ciclo de Bolsonaro no cargo está chegando ao fim.
segunda-feira, 12 de setembro de 2022
O eterno problema do calendário
A CBF pretende reunir os clubes e a detentora dos direitos de transmissão de suas competições, a Rede Globo, a fim de discutir mudanças no calendário para 2024. A intenção parece boa, mas o eterno problema do calendário futebolístico brasileiro dificilmente será resolvido. A CBF tenta acomodar os diversos interesses, e isso não é possível. A solução mais simples seria a extinção dos campeonatos estaduais, o que abriria a possibilidade do Campeonato Brasileiro ser disputado durante nove meses, como ocorre nas competições análogas da Europa. A Rede Globo propôs uma solução alternativa, com os estaduais sendo realizados em paralelo à outras competições, mas essa ideia não conta com a simpatia da CBF. A hipótese de diminuir a duração do Campeonato Brasileiro seria um erro inominável, um retrocesso inadmissível. O argumento de que os estaduais são a única chance que clubes de menor nível financeiro possuem de ganhar um título não é suficiente para que eles permaneçam sendo realizados nos moldes atuais. Como a própria CBF admite, não há como acomodar tantas competições ao longo do ano. Logo, o ajuste no calendário tem de ser feito sacrificando a disputa menos relevante.
sábado, 10 de setembro de 2022
Apito amigo
Pela enésima vez, o Inter foi beneficiado pela arbitragem. O Inter venceu o Cuiabá por 1 x 0, hoje, no Beira-Rio, pelo Campeonato Brasileiro, com auxílio do apito amigo. Depois de um primeiro tempo em que não conseguiu marcar, o Inter abriu o placar no início do segundo. Porém, a vitória só foi garantida depois de um pênalti claríssimo de Edenílson em André ter sido desmarcado após o árbitro verificar imagens do VAR. O árbitro estava muito bem colocado quando marcou o pênalti. Não havia razão para o VAR colocar em dúvida a sua decisão. O árbitro também errou, ao voltar atrás no que havia assinalado. Fatos como esse mancham o Brasileirão, ferem a lisura que se deve esperar de qualquer competição esportiva e desequilibram a disputa. A arbitragem confirmou, mais uma vez, que é a grande chaga do futebol brasileiro.
sexta-feira, 9 de setembro de 2022
Última convocação antes da Copa
A Copa do Mundo se aproxima. O técnico da Seleção Brasileira, Tite, fez, hoje a última convocação antes da Copa, para dois amistosos contra Tunísia e Gana, no final do mês, na França. A convocação trouxe surpresas, como a presença de apenas um lateral direito, Danilo (Juventus/ITA), e dois zagueitos pouco conhecidos dos torcedores brasileiros, Bremer (Juventus/ITA) e Ibañez (Roma). O centroavantw Pedro (Flamengo), como era desejado por todos, foi chamado. O ponto negativo da lista foi a convocação de Roberto Firmino (Liverpool), uma antiga preferência de Tite que nunca teve o nível necessário para jogar na Seleção. Phillipe Coutinho e Gabriel Jesus nào foram chamados, mas deverão estar na convocação final, pois Tite os adora. Em termos gerais, foi uma boa convocação. A chamada de nomes emergentes prossegue, e a Seleção que jogará a próxima Copa deverá ser bem superior em qualidade à de 2018. Ainda assim, há reparos a fazer. A escolha de Fred (Manchester United), em detrimento de Gérson (Olimpique de Marselha) é o maior deles. A lista anunciada hoje deverá sofrer poucas alterações para a convocação definitiva. Resta torcer, sem muita esperança, que Tite privilegie a condição técnica, e não o compadrio, na hora de elaborar a chamada final para a Copa.
quinta-feira, 8 de setembro de 2022
A morte de um símbolo
Foram exatos 70 anos, o maior período de reinado de um monarca da Imglaterra. A rainha Elizabeth faleceu, hoje, aos 96 anos, deixando uma sensação de vazio, pois se trata da morte de um símbolo. Sim, a monarquia é uma instituição anacrônica, em nada condizente com os tempos atuais. Sua pompa e circunstância, seus gastos exorbitantes com a família real, soam inadequados para os padrões vigentes. Ainda assim, a morte de Elizabeth é um fato que impacta o mundo. Sua permanência no trono atravessou várias gerações. Dentro do papel que se espera de uma chefe de estado, Elizabeth foi exemplar. Discreta, contida, atenta ao cumprimento rigoroso do protocolo de suas funções, Elizabeth foi sempre uma referência, dentro e fora da Inglaterra. Por força de seu cargo, era uma celebridade de alcance internacional, mas portava-se com dignidade e parcimônia. Sua morte representa a perda de um dos maiores nomes dos últimos cem anos da história mundial. Elizabeth dará lugar a seu filho, Charles, como novo rei. Seu reinado deverá ser bem diferente do de sua mãe. Charles assumirá o trono com 73 anos, o que não lhe dá a perspectiva de um reinado longevo.
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