sábado, 9 de outubro de 2021
Cumplicidade vergonhosa
A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, de arquivar dois pedidos de investigação sobre a participação do ministro da Economia, Paulo Guedes, e do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em empresas offshore num paraíso fiscal, é uma atitude repugnante. O gesto de Toffoli evidencia uma cumplicidade vergonhosa do ministro com o governo do presidente genocida Jair Bolsonaro, que ja vem de longa data. Não é por acaso que as posições do ministro Alexandre de Moraes irritam tanto aos bolsonaristas, pois contrastam com o compadrio de Toffoli, o estilo morde e assopra de Gilmar Mendes, de declarações vigorosas seguidas de decisões que favorecem a impunidade dos poderosos, e da passividade dos demais integrantes do STF. O Poder Judicário é um dos componentes do conluio que perpetrou o golpe que depôs uma presidente legitimamente eleita. Não há esperança de melhores dias num país onde o Poder Judiciário, que deve ser o alicerce de sustentação da democracia e da defesa da Constituição, anda de màos dadas com um governo fascista. O Brasil está afundando num abismo moral e político do qual levará muito tempo para ser resgatado.
sexta-feira, 8 de outubro de 2021
Escândalo abafado
A revelação de que o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, possuem dinheiro aplicado em empresas off-shore no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas é estarrecedora. Porém, pior do que isso, é a indiferença com que o assunto é tratado pela imprensa brasileira, resultando num escândalo abafado. O argumento de que a situação não é ilegal, esgrimido pelo próprio Guedes e a conivente imprensa brasileira, revolta por sua desfaçatez. Embora legal, o fato represemta um claro conflito de interesses com os cargos que Guedes e Campos Neto ocupam e, portanto, é imoral. A leniência com que o assunto vem sendo tratado pela imprensa está ligado ao fato de que integrantes das famílias controladoras de grandes grupos de comunicação do país também possuem contas em paraísos fiscais. A finalidade de manter contas nessas localidades é sonegar impostos e fazer lavagem de dinheiro. O Congresso se limitou a convocar Guedes para depor sobre o caso, o que é muito pouco. Como o fato já foi admitido por Guedes, não resta outra solução que não seja a sua demissão. O mesmo vale para Campos Neto. A continuidade de ambos em seus cargos é um absurdo moral.
quinta-feira, 7 de outubro de 2021
Futebol burocrático
A Seleção Brasileira é líder isolada das Eliminatórias da América do Sul para a Copa do Mundo de 2022, tendo vencido todos os nove jogos que fez até aqui. Hoje, a Seleção venceu a Venezuela por 3 x 1, de virada, no Estádio Olímpico da UCV, em Caracas. Porém, o resultado não diz o que foi o jogo. A Seleção fez um péssimo primeiro tempo, tomou um gol cedo e não conseguiu reagir até o intervalo, apresentando um futebol burocrático e lento, com muitos toques laterais. A virada ocorreu no segundo tempo, mas sem brilho. O empate veio numa cobrança de escanteio. O segundo gol foi de pénalti. O terceiro, num cruzamento. Nenhum dos gols, portanto, resultou de uma bela jogada individual, ou de movimentos coletivos ensaiados, como acontecia em tempos áureos da Seleção. Sob a orientação do técnico Tite, a Seleção parece estar estagnada, e não consegue empolgar o torcedor, o que não gera boas perspectivas para a Copa.
quarta-feira, 6 de outubro de 2021
O empate acabou sendo bom
Uma atuação fraca, diante de um adversário modesto. Assim pode ser definido o desempenho do Inter no empate em 0 x 0 com o Ceará, hoje, no Castelão, pelo Campeonato Brasileiro. Nem mesmo o fato de jogar com alguns desfalques, e de a partida ser fora de casa, servem como atenuantes para o Inter. O Ceará está longe de ser um oponente temível. Depois de um primeiro tempo de poucas emoções, o segundo cresceu em intensidade, e com uma clara superioridade do Ceará. Porém, mesmo com muitas chances criadas, e tendo exigido bastante do goleiro adversário, o Ceará esbarrou em suas limitaçõez técnicas, e não conseguiu
vencer. A frustração pelo empate, que deveria, numa situação normal, ser do Inter, ficou com o Ceará, que teve condições de ganhar. Para o Inter, dentro das circunstâncias do jogo, o empate acabou sendo bom.
Um drama que se arrasta
Pela terceira rodada consecutiva, bastava ao Grêmio vencer o seu jogo para sair da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro e, mais uma vez, não conseguiu. O Grêmio empatou em 2 x 2 com o Cuiabá, hoje, na Arena, e segue entre os quatro últimos colocados no Brasileirão, um drama que se arrasta. O primeiro tempo do Grêmio foi sofrível. Nervoso e sem confiança, o Grêmio foi permitindo que o Cuiabá se sentisse confortável no jogo, e não foi nada anormal que saísse atrás no placar. Foi para o intervalo com mais uma derrota parcial, prenunciando mais um fracasso. Porém, o Grêmio voltou com outro ânimo no segundo tempo, e obteve o empate. Continuou jogando bem, e o segundo gol parecia questão de tempo. No entanto, numa rara chegada do Cuiabá ao ataque, o Grémio tomou o segundo gol. Faltava pouco tempo para o final do jogo, e a derrota parecia inevitável. O empate, entretanto, aconteceu pouco depois. Daí em diante, o Grêmio tentou, obstinadamente, ainda que numa pressào pouco organizada, fazer o gol da vitória. O gol não veio, e o Grêmio segue sem sair da zona de rebaixamento. O destaque positivo, e surpreendente, do jogo foi a atuação de Alisson, autor dos dois gols do Grêmio. O fato negativo foi o desempenho de Churin, que entrou no intervalo. Ficou claro, novamente, que lhe falta a mínima condição técnica para jogar num clube da grandeza do Grémio. O caminho do Grêmio dentro da competição segue espinhoso, e sem perspectivas de mudança.
terça-feira, 5 de outubro de 2021
O instável Ciro Gomes
Um político que tenta, obstinadamente, oferecer-se ao eleitor como a solução para fugir da polarização entre esquerda e direita no Brasil. Assim é Ciro Gomes (PDT), candidato permanente ao cargo ďe presidente. Ciro, inegavelmente, é um homem culto e articulado, que causa boa impressão em entrevistas e debates. Porém, seus atributos param por aí. O instavel Ciro Gomes já percorreu quase todo o espectro partidário brasileiro, indo da esquerda á direita, transitando pelo centro. Atualmente, está no PDT, partido com o qual não tem nenhuma identidade histórica. A tentativa de Ciro é, claramente, a de se apresentar como a "terceira via", fora da disputa entre Luís Inácio Lula da Silva e o genocida Jair Bolsonaro. As vaias que recebeu nas manifestações de oposição em 2 de outubro, mostram que sua postura não está sendo convincente. O fato de ter participado, anteriormente, de manifestações contra Bolsonaro que incluíam grupos de direita e figuras como o governador do Estado de São Paulo, João Dória Júnior, não foram bem absorvidos por movimentos autenticamente de esquerda nas manifestações do último sábado. Ao tentar agradar muitos, Ciro colhe rejeição por onde anda. Depois das vaias, Ciro está pedindo uma "trégua" para o PT até o Natal. O malabarismo de Ciro não cessa, mas o resultado, em 2022, deverá ser o mesmo de outras eleições, ou seja, sem que seu sonho de ser presidente se realize.
segunda-feira, 4 de outubro de 2021
A tecnologia também falha
Vive-se num mundo altamente tecnológico. Os avanços são tão grandes e frequentes nessa área que mal se consegue acompanhar. Seduzidos pelas facilidades que isso proporciona, as pessoas estruturam suas vidas em torno desses recursos. Porém, a tecnologia também falha. No momento em que esse texto começou a ser escrito, Facebook, Whatsapp e Instagram ainda estavam fora de operação, no mundo inteiro, há várias horas. Para pessoas que utilizam o Whatsapp profissionalmente, por exemplo, essa situação é extremamente aflitiva. Outras, que usam as redes sociais para fins recreativos, sentem-se desorientadas, pois isso já é parte indissociável da sua rotina. Muitos já se tornaram dependentes da tecnologia, não conseguem mais desatrelar suas vidas dela. No entanto, como tudo que é concebido pelo ser humano, os recursos tecnológicos estão sujeitos a panes e interrupções inesperadas no seu funcionamento. Nessa hora, somos expostos ao fato de que, por mais que essa área se desenvolva, nossa falibilidade humana, para o bem e o mal, se imporá. Se, por um lado, fatos como o de hoje perturbam a rotina, por outro, mostram que é possível, e desejável, viver sem estar permanentemente conectado. A humanidade, durante séculos, viveu sem os feitos tecnológicos da atualidade. Sim, pode-se prescindir deles, sem que isso retire o chào de qualquer pessoa.
domingo, 3 de outubro de 2021
Esperando por um milagre
Se antes a fuga do rebaixamento no Campeonato Brasileiro parecia plenamente possível para o Grêmio, mesmo com o clube estando entre os quatro últimos colocados desde a primeira rodada, agora ela se tornou uma ficçào. Hoje, o Grêmio perdeu por 2 x 1 para o Sport, na Arena, com a volta do público ao estâdio, e só lhe resta ficar esperando por um milagre. Para se ter uma ideia do quanto o resultado foi desastroso e vexatório, o Sport, com os gols que marcou hoje, chegou a dez no campeonato, e três deles foram contra o Grêmio. Assim como aconteceu no jogo com o Athletico Paranaense, bastava o Grêmio vencer para sair da zona de rebaixamento, pois foi beneficiado por resultados paralelos. Em ambas as ocasiões, portanto, faltou o Grêmio fazer a sua parte. C O Grêmio, diante do Sport, começou errando na escalação. Mesmo contra adversários mais frágeis, o Grêmio não pode abdicar da presença de dois volantes defensivos. Pelo que mostrou, ao entrar na volta do intervalo, Campaz deveria ter começado o jogo, na tarefa de criação. Rafinha não está justificando sua presença como lateral esquerdo improvisado. Alisson é uma nulidade que não pode permanecer como titular. O rebaixamento, ao que parece, é irreversível, mas, mesmo assim, o Grêmio deveria demitir o técnico Felipão, pois, se está fracassando no presente, suas perspectivas para o futuro não são boas. Felipão conquistou muitas glórias com o Grêmio em outras épocas, e foi devidamente reconhecido por isso, mas já não consegue corresponder às exigências do clube na atualidade.
sábado, 2 de outubro de 2021
A vitória do melhor
Foi uma boa atuação do Inter, acima do esperado, mas a lógica se impôs. O Inter perdeu por 1 x 0 para o Atĺético Mineiro, hoje, no Mineirão, pelo Campeonato Brasileiro, num jogo em que até teve chance de vencer. No primeiro tempo, o Inter foi superior ao Atlético, e teve oportunidades mais claras para marcar. Porém, no segundo, o Atlético veio bem mais decidido, empurrou o Inter para trás e, com insistência, acabou fazendo o gol que lhe daria a vitória. O técnico do clube mineiro, Cuca, soube utilizar o seu banco de reservas. Suas substituições deram um ganho físico a um conjunto que já estava desgastado pela intensidade do jogo. Sem que se saiba o porquê, o técnico do Inter, Diego Aguirre, não agiu da mesma maneira. Com o Inter mostrando vários jogadores muito cansados, e mesmo após sofrer o gol, Aguirre fez apenas uma modificação. Assim, o desgaste físico acabou pesando contra o Inter. No entanto, detalhes à parte, foi a vitória do melhor. O Atlético é superior tecnicamente ao Inter, e o resultado apertado talvez se explique pela necessidade de dar uma resposta após a eliminação da Libertadores, na terça-feira, o que gerou ansiedade. O Atĺético é o líder isolado do Brasileirão, e tem tudo para ficar com o título, que só ganhou uma vez, há 50 anos.
sexta-feira, 1 de outubro de 2021
Sem adiamentos
A CBF decidiu não adiar mais jogos de clubes que tiveram convocados para a Seleção Brasileira na próxima rodada tripla das Eliminatórias para a Copa do Mundo. A medida é acertada. Ainda que oa clubes sofram prejuízo técnico, novas transferências de jogos afetariam o cumprimento do calendário, prejudicando a retomada do.período normal de férias e pré-temporada. Com os efeitos da pandemia de coronavírus mais controlados, é preciso voltar a um calendário normal, como em anos anteriores. Sem adiamentos, o Campeonato Brasileiro poderá terminar na data prevista, e não comprometer as férias dos jogadores e o planejamento dos clubes para o próximo ano. A hora é de pensar no futebol brasileiro como um todo, não em interesses isolados, por mais legítimos que sejam.
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