sábado, 11 de setembro de 2021

A falsa conciliação de Eduardo Leite

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, está sendo objeto de uma ação movida pelo cantor e compositor Chico Buarque de Holanda. Leite postou um vídeo em que tenta combater a polarização política do país argumentando que Chico e o cantor sertanejo Sérgio Reis devem ser vistos como duas "belezas musicais", e não pelas posições ideológicas divergentes. No vídeo, Leite se utiliza de imagens de um show de Chico, veiculadas sem autorização. Ao saber do fato, Chico entrou na Justiça pedindo a imediata suspensão da veiculação do vídeo, e uma indenização de 40 salários mínimos. Em resposta, o governador afirmou que Chico não entendeu o sentido do vídeo, e que a alegação, por parte de sua assessoria jurídica, de que o mesmo dá a entender que o artista apoia Leite politicamente é descabida, dadas as suas diferenças ideológicas. Chico está coberto de razão ao mover a ação contra Leite, mas há outros fatos a serem destacados no episódio. Um dos concorrentes às prévias do PSDB que indicarão o candidato do partido na eleição presidencial de 2022, Leite, claramente, está querendo vender aos eleitores a imagem do candidato da "terceira via". A falsa conciliação de Eduardo Leite se apóia no seu perfil, igualmente enganoso, de um político jovem e bem apessoado, de ações moderadas e sem radicalismos. Com esse figurino, Leite espera convencer os que desejam ardentemente uma terceira opção como candidato, fora da polarização entre Lula e Bolsonaro. Porém, Leite não é nada do que tenta aparentar. Declarou abertamente seu voto em Bolsonaro na eleição de 2018. Continuou a perseguir o funcionalismo público como fazia o seu antecessor no cargo, o execrável José Ivo Sartori. Neoliberal convicto, está dizimando o patrimônio público do Rio Grande do Sul, com a privatização de empresas estratégicas. Seus pretensos bons modos escondem um elitista demofóbico, que busca, apenas, garantir os privilégios de sua classe social. Sua carinha de bom moço serve para enganar os desavisados, pois é um político frio e cruel, desconectado das necessidades do povo. Se houver, ainda, um mínimo de decéncia na Justiça brasileira, Chico terá ganho de causa, e será ressarcido por quem pirateou imagens suas e usou seu nome para fazer proselitismo político.

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

A soberba do Flamengo

O Flamengo nunca foi um clube de postura humilde. Detentor, há décadas, da maior torcida do Brasil, o Flamengo, frequentemente, se utilizou desse fato para adotar um posicionamento arrogante perante os demais clubes. No atual momento, em que possui o grupo de jogadores mais qualificado do país, isso se agudizou. Por meio de uma liminar, e amparado por uma decisão da prefeitura do Rio ds Janeiro, o Flamengo quer contar com presença de público no estádio nos próximos jogos que fará como mandante. A CBF e os demais participantes do Campeonato Brasileiro não concordam. O primeiro jogo em que o Flamengo pretende que haja a presença de público será na próxima quarta-feira, contra o Grêmio, pela Copa do Brasil. Porém, há uma cláusula de reciprocidade na competição que estabelece que se um dos jogos dos confrontos eliminatórios não teve presença de público, por proibição da administração local, o segundo também não poderá receber espectadores, ainda que exista permissào. Com base nisso, o Grêmio ameaça não jogar na quarta-feira caso haja a presença de público no Maracanã. O Grêmio está certíssimo nesse caso específico, e também, junto com os outros clubes, em relação ao Brasileirão. O que se está buscando, nessas duas situações, é isonomia entre os participantes, fator essencial numa competição esportiva. Cabe à CBF agir com o rigor necessário para conter a soberba do Flamengo e seus ímpetos megalômanos..

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

O freio de mão puxado de Bolsonaro

O país foi surpreendido, hoje, por uma nota do presidente Jair Bolsonaro em que afirma não ter tido a intenção de desrespeitar os demais poderes nas suas fortes declarações proferidas durante os atos antidemocráticos de domingo. A nota foi emitida depois de um encontro entre Bolsonaro e o ex-presidente Michel Temer, em Brasília. Temer chegou a colocar o ministro Alexandre de Moraes, a quem indicou para o Supremo Tribunal Federal, em contato telefônico com Bolsonaro. Na conversa, Moraes teria dito a Bolsonaro que age de maneira técnica em suas decisões, sem nenhuma predisposição contra o presidente e seus seguidores. O freio de mão puxado de Bolsonaro gerou diferentes reações. O "mercado" recebeu a atitude de forma positiva, com alta da bolsa de valores e queda na cotação do dólar. Os apoiadores de Bolsonaro, e seus defensores na imprensa, ficaram profundamente abalados, interpretando o gesto como covardia e capitulação. Porém, pouco depois da divulgação do texto conciliatório, Bolsonaro tornou a atacar o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luís Roberto Barroso, insistindo com a afirmação de que a urna eletrônica não é confiável, uma matéria que já é considerada vencida até pelos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (DEM-MG), respectivamente, ambos seus aliados. Portanto, que ninguém se iluda com o aparente recuo de Bolsonaro. Sua atitude foi a de um lobo em pele de cordeiro.

Os 50 anos de Imagine

A data de hoje marca a ocorrência dos 50 anos do lançamento de "Imagine", o mais célebre disco da carreira solo de John Lennon. O disco conta com grandes composições, como "Jealous Guy", "Gimme Some Truth" e "How", a provocativa "How do You Sleep", em que John dispara farpas contra Paul McCartney, mas a faixa-título é a sua música de maior sucesso, tendo se tornado um hino à paz atemporal. Na letra, John propõe que se imagine um mundo onde não hajam divisões, sem religiões, nada pelo que matar ou morrer, e se confessa um sonhador, mas afirma não ser o único nessa condição. Tendo a participação, em algumas faixas, de outro beatle, George Harrison, "Imagine" é o melhor disco da irregular carreira solo de John. Como se tornou comum em discos dos Beatles como grupo e trabalhos individuais de seus membros, os 50 anos de "Imagine" serão marcados por uma reedição especial, que deverá resultar em grandes vendagens. Numa época de tão escassa qualidade musical, revisitar os grandes clássicos é uma oportunidade irresistível.

quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Congresso apequenado

Era por todos sabido que os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (DEM-MG), respectivamente, são aliados do genocida Jair Bolsonaro, que apoiou abertamente suas candidaturas. Porém, suas atitudes no dia de hoje, depois dos ataques de Bolsonaro às instituições, nas manifestações de ontem, deixam o Congresso apequenado, de uma forma inaceitável. Lira antecipou-se ao pronunciamento do presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, e fez um discurso "conciliador", afirmando que é preciso parar com "bravatas", e que as questões políticas serão resolvidas na data certa, em 3 de outubro de 2022, quando se realizarão as próximas eleições. A colocação de Lira demonstra, claramente, sua intenção de continuar se negando a abrir um processo de impeachment contra Bolsonaro. Uma postura que afronta a Constituição. Como deixou claro Luiz Fux, posteriormente, em seu pronuciamento, os ataques de Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal e a um de seus membros, o ministro Alexandre de Moraes, configuram crime de responsabilidade, pois infringem o artigo 85 da Constituição, e o Congresso deve tomar as medidas cabíveis. Lira, portanto, está fugindo à sua obrigação. Pacheco não ficou atrás. Na ânsia de blindar Bolsonaro, cancelou as sessões de hoje e amanhã do Senado, por saber que os parlamentares de oposição iriam fazer fortes declarações sobre os acontecimentos de ontem. Ainda que tenham sido apoiados por Bolsonaro, Lira e Pacheco são presidentes das casas do Congresso, e não podem colocar suas conveniências políticas acima do respeito às instituições.

terça-feira, 7 de setembro de 2021

Bravatas

O Sete de Setembro bolsonarista foi um grande fiasco. Milhares de apoiadores de Bolsonaro foram às ruas, mas os organizadores esperavam que fossem milhões. Não havia grande entusiasmo entre os bolsonaristas, e poucos jovens se fizeram presentes. O discurso do presidente genocida Jair Bolsonaro em São Paulo foi recheado de bravatas. Uma delas foi a de que não cumprirá mais nenhuma ordem emanada do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. Essa manifestação, em particular, fere o artigo 85 da Constituição Federal, e caracteriza crime de responsabilidade, o que justifica a abertura de um processo de impeachment. Antes, em Brasília, Bolsonaro afirmou que, amanhã, se reunirá com o Conselho da República, um orgão que pode sugerir medidas de exceção. Porém, integrantes do Conselho, como os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, por exemplo, disseram não ter sido convocados para a reunião. Os ataques de Bolsonaro ao Poder Judiciário ferem a harmonia e independência entre os poderes. O pedido dele para que o presidente do Supremo Tribunal Federal, Luís Fux, "enquadre" Alexandre de Moraes é absurdo. O cargo não confere essa prerrogativa para Fux. O que Bolsonaro pretende é manter o país num estado de pré-golpe permanente, pois sabe que o cerco se fechou. Cabe aos demais poderes não se curvarem ás ameaças de Bolsonaro e, cumprindo o que estabelece a constituição, encaminharem a sua destituição.

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

A agonia do Vasco

Grandes clubes do futebol brasileiro, vez por outra, enfrentam crises técnicas que resultam no seu rebaixamento. Só três deles ainda não viveram esse drama, Flamengo, Santos e São Paulo. Porém, nenhum caso parece ser mais aflitivo que o do Vasco. O clube está disputando o Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão pela quarta vez. Nas outras três, retornou de forma imediata á principal divisão do país. Dessa vez, essa não está sendo a tendência. A competição já está no segundo turno, e o Vasco ocupa o nono lugar, cinco colocações abaixo da última posição entre os que sobem de divisão. O clube já trocou de técnico, saiu Marcelo Cabo e entrou Lisca, mas o Vasco não reagiu. Com o atual técnico, já somou cinco derrotas em dez jogos. Hoje, o Vasco perdeu por 3 x 1 para o Avaí, na Ressacada. A agonia do Vasco vem se prolongando há anos. Clube que tem a quinta maior torcida do Brasil, e dono de uma história gloriosa, o Vasco não merece estar nessa situação. Sucessivas más administrações levaram o Vasco ao ponto em que se encontra. Pressionado por dívidas milionárias, as quais não tem como pagar, o Vasco tem um presente desanimador, e um futuro nebuloso. Triste quadro para um clube tão grande.

domingo, 5 de setembro de 2021

Vexame argentino

A suspensão do jogo da Seleção Brasileira com a Argentina, hoje, no Itaquerão, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, teve repercussão mundial. A partida foi suspensa depois de pouco menos de cinco minutos, após um representante da Anvisa entrar no gramado e notificar que quatro jogadores da Argentina não poderiam atuar por terem vindo da Inglaterra recentemente, o que obriga a realização de uma quarentena para ingressar no territorio brasileiro. Ao chegar no Brasil, a delegação argentina prestou a informação falsa de que os jogadores em questão não haviam estado na Inglaterra em período recente. Descoberta a verdade, a Anvisa notificou que os quatro jogadores deveriam ficar em quarentena no hotel, para posterior deportação. Ao verificar que os jogadores não cumpriram com o estabelecido, indo ao estádio e entrando em campo, a Anvisa realizou a intervenção, e paralisou o jogo que, pouco depois, foi declarado suspenso pela Conmebol. Muita controvérsia surgiu em torno do episódio, e circulou a versão de que houve um acordo entre CBF, Conmebol e uma pessoa do governo brasileiro para viabilizar a realização do jogo. Se isso aconteceu, é inaceitável. Um acordo desse tipo não pode desconsiderar uma determinação sanitária da Anvisa. Em nota, logo após suspender o jogo, a Conmebol lavou as mãos e afirmou que cabe à Fifa, instituição promotora da competição, resolver a situação. Particularmente, entendo que se está diante de um vexame argentino, com a costumeira intenção do país vizinho de obter vantagens indevidas no futebol. A melhor solução que a Fifa poderia adotar seria determinar a derrota da Argentina, sem a necessidade de realização do jogo.

sábado, 4 de setembro de 2021

Maus resultados

Um clube que está na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro precisa, para sair dessa situação, ao mesmo tempo, vencer jogos em sequência e ser beneficiado por resultados paralelos. Nada disso está acontecendo com o Grêmio. Depois de três vitórias consecutivas, o Grêmio perdeu, em casa, para o Corinthians, e caiu uma posição na tabela. Os outros jogos, também não têm ajudado. Hoje, por exemplo, ocorreram dois maus resultados para o Grêmio, as vitórias de Bahia e Cuiabá. O Bahia venceu o Fortaleza por 4 x 2, no Pituaçu, e chegou aos 21 pontos, cinco a mais do que o Grêmio. O Cuiabá ganhou do Santos por 2 x 1, na Arena Pantanal, e foi para 24 pontos. Ainda que o Grêmio tenha jogos atrasados, esse crescimento de dois clubes que pareciam fadados a lutar, apenas, para não cair, faz com que a possível saída da zona de rebaixamento necessite de mais rodadas para acontecer, o que aumenta a pressão sobre quem já está numa grande crise. O Grêmjo tem todo um turno, mais os jogos atrasados, para tentar evitar a queda de divisào. Porém, a derrota para o Corinthians derrubou o ânimo do clube e de seus torcedores, tornando a tarefa de fugir das últimas posições um fardo cada vez mais pesado.

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Sérgio Mamberti

Não bastasse todo o peso de enfrentar uma pandemia, o país têm perdido grandes nomes da arte e da cultura, nem todos vitimados pelo coronavírus. A morte do ator Sérgio Mamberti, ocorrida na madrugada de hoje, aos 82 anos, priva o Brasil de um dos seus grandes talentos. Sérgio Mamberti brilhou, com intensidade, no cinema, teatro e televisào. Teve uma carreira longa e bem sucedida. Politicamente atuante e engajado, participou da fundação do PT, e exerceu cargos no Ministério da Cultura nos governos do partido. Na vida pessoal, teve um casamento, que lhe deu seus três filhos, interrompido aos 16 anos de união com a morte de sua mulher. Pouco depois, iniciou um relacionamento com outro homem, que só se encerrou com a morte do companheiro, após 37 anos de convivência. Sérgio Mamberti não escondia sua bissexualidade. Não se deixava intimidar por uma sociedade homofóbica. Não era de ficar "em cima do muro", e enfrentava, de peito aberto, os preconceituosos e fascistas. Talento profissional, consciência social, posicionamento ideológico claro, e uma vida pessoal sem concessões ao falso moralismo foram marcas de Sérgio Mamberti. Merece, por isso, o respeito das pessoas esclarecidas, e deixa uma grande saudade.