segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Procedimento habitual

A direita se viu aturdida com a repercussão do brutal assassinato de João Alberto Silveira Freitas, um homem negro de 40 anos, na última quinta-feira, numa das lojas dos Supermercados Carrefour, em Porto Alegre. O fato repercutiu em jornais do mundo inteiro, e gerou, até, uma declaração do piloto inglês Lewis Hamilton, sete vezes campeão mundial de Fórmula 1, revelando todo o seu abatimento com o ocorrido.A primeira reação dos fascistas, ontem abordada nesse espaço,foi negar que se tratasse de um ato racista. Hoje,um outro procedimento habitual da direita entrou em cena. Não podendo negar a monstruosidade do crime, procurou-se enxovalhar a conduta de João Alberto, alegando que possuía uma extensa ficha policial, transformando,dessa forma, a vítima em réu. Um costume antigo e asqueroso da direita,mas que não irá surtir efeito.

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Assassinato emblemático

Não poderia haver um fato mais simbólico de uma situação que as vozes oficiais do país, ao longo da história, insistem em negar. O assassinato, ontem, de João Alberto Silveira Freitas, um homem negro de 40 anos, espancado por seguranças de uma das lojas dos Supermercados Carrefour, em Porto Alegre, escancara o racismo existente no país. Tão revoltante quanto a morte brutal de João Alberto foram as declarações sobre o fato do jornalista ultrafascista Rodrigo Constantino e do vice-presidente Hamilton Mourão, que disseram que o crime não tem nenhuma conexão com o racismo, pois sustentam ambos, isso não existe no Brasil. Ao contrário do que afirmam Constantino e Mourão, o racismo existe, sim, no Brasil, e é gigantesco. O que aconteceu ontem foi um assassinato emblemático, já que ocorreu na véspera do Dia da Consciência Negra, hoje comemorado, data que é feriado estadual em várias unidades da federação. Não é por acaso que o fato tenha ocorrido no Rio Grande do Sul, um dos estados que sempre se recusou a adotar o feriado na data. Proposições nesse sentido foram sistematicamente rejeitadas pela Assembleia Legislativa local. Os negacionistas Constantino e Mourão entendem que estão tentando importar o movimento ocorrido nos Estados Unidos em função do assassinato de George Floyd, sem que haja racismo no Brasil. Claramente, os dois temem a repetição, no Brasil, do que ocorreu na terra de Tio Sam. A morte de Floyd, certamente, foi um dos fatores que contribuíram para que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não se reelegesse. As recentes eleições municipais no Brasil, com homens e mulheres da etnia negra obtendo cadeiras nas câmaras de vereadores, e o fracasso de candidatos a prefeito apoiados pelo presidente Jair Bolsonaro, sinalizam os ventos da mudança. As falas de Constantino e Mourão são o berro de quem sente que os ventos estão mudando de lado, e que a sorte de Bolsonaro não será diferente da de Trump. O assassinato covarde e abjeto de João Alberto não será em vão. A partir de um ato tão repugnante, um novo Brasil começará a surgir. A aventura fascista no país irá desmoronar.

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Diferenças

O Brasil,lamentavelmente, não segue os bons exemplos de seus vizinhos. Argentina e Uruguai também enfrentaram ditaduras militares, mas souberam punir os responsáveis para evitar que o mal se repita. No Brasil, a ditadura segue sendo negada por seus artífices, que permanecem impunes. Na economia, não é diferente. A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou a criação de um imposto sobre grandes fortunas. O projeto ainda terá de ser votado pelo Senado daquele país. No Brasil, a ideia é rejeitada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, sob o argumento de que geraria fuga de investidores do país. O mesmo Guedes insiste no retorno da CPMF, o que ninguém deseja, e quer criar um imposto sobre o PIX, modalidade de pagamento bancário recém criada. Guedes só pensa em onerar as pessoas e defender o grande empresariado. As diferenças entre o Brasil e seus vizinhos mostram o quanto é preciso avançar para que o país seja menos injusto e desigual. Em vez de minorar o desastroso quadro social do país, é seguida uma cartilha neoliberal importada dos Estados Unidos que só gera mais miséria. O brasileiro precisa se dar conta dessa realidade antes de escolher a quem dar o seu voto, ou essa situação nunca irá mudar.

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Eliminação cruel

A desclassificação do Inter nas quartas de final da Copa do Brasil era, de certa forma, esperada. Porém, ao vencer o América Mineiro, hoje, no Independência, por 1 x 0, com um gol aos 49 minutos do segundo tempo, e perder na cobrança de tiros livres da marca do pênalti, o Inter teve uma eliminação cruel. O torcedor, que já estava desesperançado com o que via, criou novo ânimo após o gol marcado poucos segundos antes do encerramento do jogo. No entanto, foi apenas uma postergação do sofrimento. A derrota nos tiros livres, que já estava nas cobranças alternadas, tirou o Inter da competição. O Inter foi desclassificado por um clube da Segunda Divisão, e isso torna o fato ainda mais doloroso para o torcedor. O futuro imediato do Inter não parece nada animador.

Bom futebol

Mais uma boa atuação. Esse foi o destaque na vitória do Grêmio por 2 x 0 sobre o Cuiabá, hoje, na Arena, pelas quartas de final da Copa do Brasil. A classificação para as semifinais estava virtualmente garantida, após a vitória por 2 x 1 no primeiro jogo, fora de casa. A curiosidade, portanto, era saber se o Grêmio iria repetir o bom futebol exibido nos jogos mais recentes. Repetiu. Jean Pyerre, novamente, teve um desempenho exuberante. Matheus Henrique e Darlan jogaram muito bem. Pepê também jogou em alto nível. Diego Souza marcou os dois gols do jogo. O Grêmio está crescendo na hora certa, com boas perspectivas em todas as três competições que disputa.

terça-feira, 17 de novembro de 2020

Vitória tranquila

Foi melhor do que se esperava. Num jogo que se projetava como difícil, a Seleção Brasileira venceu o Uruguai por 2 x 0, no Centenário, pelas Eliminatórias da América do Sul para a Copa do Mundo de 2022, no Catar,com gols marcados ainda no primeiro tempo. Sem fazer uma atuação brilhante, a Seleção teve uma vitória tranquila, e ganhou com naturalidade, sem sofrer maiores ameaças. A verdade é que, mesmo sem jogar um futebol brilhante, a Seleção sobra em relação aos seus adversários sul-americanos. Na edição anterior das Eliminatórias, para a Copa de 2018, a Seleção, depois de uma má campanha com o técnico Dunga, deslanchou após sua substituição por Tite. De lá para cá, segue se impondo sobre as demais seleções sul-americanas. O problema é o enfrentamento com seleções europeias, que, praticamente ficou inviabilizado pelo calendário do Velho Continente, desde a última Copa. A Seleção corre o risco de chegar no Catar sem parâmetro no enfrentamento com os europeus. Em 2018, isso já lhe custou caro.

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

A boa notícia das eleições

Se apresentaram como fator negativo a vitória de candidatos "centristas" e velhos caciques da política, as eleições.municipais realizadas ontem também tiveram fatos positivos para serem destacados. A boa notícia das eleições que mais se sobressai é o fracasso rotundo do.presidente Jair Bolsonaro como cabo eleitoral. A maioria dos candidatos apoiados pelo ex-capitão foi rejeitada nas urnas. Ao saber disso, Bolsonaro tratou de apagar suas postagens de apoio aos candidatos fracassados. A força do bolsonarismo se esvaiu em apenas dois anos. Se a esquerda ainda encontra resistências de uma parte dos eleitores, a popularidade de Bolsonaro está derretendo. Há, portanto, um vácuo que, nesse momento, está, indesejavelmente, sendo ocupado por políticos do chamado "centrão", de tão triste práticas. O caminho para uma vitória da esquerda em 2022 é árduo, mas existe. O processo de conquista do eleitor tem de começar o quanto antes. Não há tempo a perder.

domingo, 15 de novembro de 2020

Voto insensato

O eleitorado brasileiro confirmou, mais uma vez, sua triste tendência para o conservadorismo. A lição sobre o desatino que foi a eleição do insano Jair Bolsonaro para presidente, pelo visto, não foi aprendida pelos eleitores nos pleitos municipais realizados hoje. Se é verdade que os candidatos apoiados por Bolsonaro, em geral, fracassaram, evidenciando a perda de popularidade do ex-capitão, a preferência dos eleitores, na maioria dos casos, foi por nomes de uma direita mais "suave" ou, até mesmo, de centro. A esquerda, no entanto, foi pouco votada. Foi o que se pode definir como um voto insensato. Num país de enorme crise econômica, vivendo a omissão do governo federal no enfrentamento à pandemia de coronavírus, com direitos trabalhistas sendo surrupiados, a Previdência Social sendo desmontada, o povo escolhe eleger seus algozes, e recusa a mudança que só os candidatos de esquerda poderiam promover. Como bem conceituou o célebre escritor Lima Barreto, o Brasil não tem povo, apenas público. Sem dúvida, pois um povo luta por seus direitos, enquanto o público assiste passivamente à destruição dos mesmos.

sábado, 14 de novembro de 2020

Ladeira abaixo

Desde a saída abrupta do técnico Eduardo Coudet, prenunciavam-se tempos difíceis para o Inter. O rendimento do Inter, mesmo com Coudet, já vinha caindo, tanto que, no último jogo do técnico, apenas empatou em 2 x 2 com o Coritiba, em pleno Beira-Rio. Três dias depois, novamente em casa, na estreia de seu novo técnico, Abel Braga, o Inter perdeu para o América Mineiro, pela Copa do Brasil, e se complicou na competição. Hoje, na Vila Belmiro, o Inter perdeu para o Santos por 2 x 0, pelo Campeonato Brasileiro. Foi uma derrota constrangedora, pois o Santos estava desmontado pelo grande número de jogadores com coronavírus, tendo de escalar vários garotos. Nos minutos iniciais do segundo tempo, o Inter parecia ter se encontrado no jogo, e deu esperança de poder vencer a partida. Porém, esse bom momento não teve efeito prático, e ao sofrer um gol, o Inter não encontrou forças para reagir. Em queda técnica, e visivelmente abalado pela saída de Coudet, o Inter parece estar indo ladeira abaixo.

Decolou

O campeão voltou. Os torcedores do Grêmio certamente gritariam essa frase, hoje, na Arena, caso pudessem entrar no estádio. O Grêmio venceu o Ceará por 4 x 2, e jogou um futebol como nos melhores tempos sob orientação do técnico Renato. Como o próprio Renato vivia dizendo que aconteceria, o Grêmio "decolou". Conforme o técnico, as duas últimas atuações do Grêmio no Campeonato Brasileiro, contra o Fluminense, no Maracanã e, diante do Ceará, foram as melhores do ano. No jogo de hoje, a atuação do Grêmio só não foi irreparável devido aos erros defensivos que proporcionaram dois gols para o adversário. Afora isso, foi uma atuação brilhante. A maior posse de bola, os toques envolventes, tudo fez lembrar o Grêmio dos títulos da Copa do Brasil de 2016 e Libertadores de 2017. Agora, já são quatro vitórias consecutivas do Grêmio no Brasileirão, e uma perspectiva de poder disputar o título da competição. As promessas do técnico do Grêmio, pelo visto, não eram bravatas. A decolagem do Grêmio virou realidade.