terça-feira, 15 de setembro de 2020

Desatino evitado

O torcedor, mesmo sendo tão menosprezado por alguns, parece ser mais lúcido que os dirigentes. A contratação abortada de Thiago Neves pelo Atlético Mineiro comprova isso. Sua aquisição pelo Grêmio já havia sido um equívoco, dada a maneira como saiu do Cruzeiro, onde foi um dos responsáveis diretos pelo rebaixamento do clube para a Segunda Divisão. Depois da sua rescisão de contrato com o Grêmio, onde teve um desempenho decepcionante, sua ida para o Atlético Mineiro não faria o menor sentido. O técnico do Atlético Mineiro, Jorge Sampaoli, pediu a contratação de Thiago Neves, e teve de vencer a resistência de vários dirigentes. Sampaoli conseguiu convencer o presidente do clube e investidores, e a contratação foi encaminhada. A divulgação da notícia teve péssima repercussão junto aos torcedores, que fizeram enorme pressão, o que levou o Atlético Mineiro a voltar atrás e desistir do negócio. Um desatino evitado pelo torcedor, que mostrou ter mais bom senso do que os dirigentes. Por suas atitudes, Thiago Neves tornou-se um jogador indesejado por qualquer torcida, exceção feita, talvez, a do Fluminense, onde viveu o melhor momento de sua carreira. O torcedor do Atlético Mineiro, que não está podendo ir aos estádios, em função da pandemia de coronavírus, livrou o seu clube de embarcar numa canoa furada.

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

A rejeição de uma proposta absurda

O Supremo Tribunal Federal confirmou, hoje, a rejeição da implantação do voto impresso nas próximas eleições. Prevista numa pequena reforma eleitoral em 2015, a medida teve sua aplicação suspensa em 2018 e, agora, com o julgamento do mérito, foi, definitivamente, abandonada. Afora ser tecnicamente de difícil execução, e financeiramente dispendiosa, a impressão do voto eletrônico é um despropósito. Os defensores da proposta, invariavelmente, são pessoas politicamente de direita que acusam a urna eletrônica de ser propensa a fraudes. Sabidamente, ocorre o contrário. A urna eletrônica é uma grande invenção brasileira, que dotou as eleições de uma confiabilidade muito maior quanto aos seus resultados, o que desagrada a quem não preza a democracia. Ao tomar a decisão de hoje, o STF praticou a rejeição de uma proposta absurda, cuja única consequência seria a de tumultuar o processo eleitoral.

domingo, 13 de setembro de 2020

Fiasco

O Inter, na condição de líder do Campeonato Brasileiro, tinha um jogo aparentemente fácil, hoje. Seu adversário ocupava a lanterna do Brasileirão. Era, portanto, um jogo de extremos, e nem o fato de o Goiás ser o mandante da partida parecia lhe servir como um trunfo. Para piorar as perspectivas do clube goiano, logo aos quatro minutos do primeiro tempo, teve um jogador expulso. Ainda assim, o Goiás conseguiu fazer um gol, e defender-se tenazmente até o final, mantendo o resultado. Para o Inter, a derrota por 1 x 0 caracteriza um fiasco. Nem mesmo o fato de ter poupado alguns titulares serve de desculpa para tamanho desastre. Embora ainda esteja em primeiro lugar na classificação, parece claro que o Inter não o sustentará por muito tempo.

Nova decepção

A vitória sobre o Bahia parecia indicar que o Grêmio iria reencontrar seu rumo, pois mesmo desfalcado, e fora de casa, venceu com autoridade, sugerindo que a má fase tinha acabado. Mera ilusão, que resultou numa nova decepção. Hoje, na Arena, o Grêmio empatou em 1 x 1 com o Fortaleza, pelo Campeonato Brasileiro. Foi o Fortaleza quem abriu o placar, numa falha patética de Vanderlei, que mais uma vez provou ser um goleiro instável, que alterna bons e maus jogos, se mostrando inconfiável. O gol do Grêmio só aconteceu num pênalti. Diego Souza errou a cobrança, o árbitro ordenou que ela fosse repetida, e, então, ele conseguiu marcar, mas bateu mal e quase desperdiçou novamente. Não faltou esforço, mas o Grêmio não se encontrou em momento algum do jogo. O torcedor começa a não acreditar mais numa recuperação do Grêmio em curto prazo. Com o reinício da Libertadores, que ocorrerá nessa semana, e o acúmulo de jogos, a situação só tende a se agravar.

sábado, 12 de setembro de 2020

O caos da Economia

O país vive um momento de alta da inflação e de escassez de produtos, como o arroz. Pior do que isso, no entanto, é o fato de que o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, tem visões bem distintas sobre a área. Guedes é um neoliberal convicto, mas Bolsonaro não. Por conveniência política, Bolsonaro fez de Guedes um superministro. As ideias de Guedes convergem com as do empresariado brasileiro, cujo apoio é essencial para dar sustentação ao governo. Porém, o apoio popular também é importante, e ele não combina com um rígido controle de gastos, como propõe Guedes. Na verdade, Bolsonaro é um nacional desenvolvimentista, posição que contrasta totalmente com o que Guedes defende, pois implica em grandes gastos por parte do Estado. Com tamanho antagonismo entre Bolsonaro e o ministro, o Brasil atravessa o caos da Economia, e a população, como sempre, é quem paga a conta, com alta nos preços e desabastecimento. Mesmo com muitos revezes, Guedes segue agarrado ao cargo, pois está obstinado em levar adiante a sua ideia de diminuir o tamanho do Estado. Se depender de Bolsonaro, isso não irá acontecer. Resta saber se esse quadro implicará numa ruptura, ou ambas as partes seguirão no seu equilibrismo.

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

O padrão ético bolsonarista

Os adeptos do bolsonarismo justificavam sua opção pela luta contra a corrupção e a volta de valores comportamentais conservadores. Saltava aos olhos a falsidade desses argumentos, pois o presidente Jair Bolsonaro e seus filhos são figuras sabidamente corruptas, há muitos anos. Afora isso, Bolsonaro está longe de representar um comportamento conservador, pois coleciona casamentos e filhos com diferentes mães. Desde que tomou posse, Bolsonaro praticou diversos crimes, devidamente tipificados, e deslizes éticos incompatíveis com o cargo. Ainda assim, nenhum dos pedidos de impeachment protocolados contra Bolsonaro teve andamento, dado que os demais poderes fazem parte do conluio que lhe permitiu vencer a eleição. Ontem, esse festival de degradação chegou ao ápice. Num vídeo que postou, Bolsonaro faz uma piada de conteúdo sexual com uma garotinha. Em qualquer país minimamente decente, essa atitude, por parte de um governante, seria intolerável. No Brasil, tudo segue como se nada tivesse acontecido. Esse é o padrão ético bolsonarista, retrato fiel de um país em decomposição.

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Dever cumprido

Embora houvesse empatado em casa com o Bahia, no domingo, o Inter era amplo favorito para o jogo de hoje contra o Ceará, novamente no Beira-Rio, pelo Campeonato Brasileiro. O adversário estava muito desfalcado, o que facilitava ainda mais o jogo para o Inter. A lógica se impôs inteiramente. O Inter venceu o Ceará por 2 x 0, com gols de Thiago Galhardo, um em cada tempo. Dever cumprido. O Inter permanece na liderança do Brasileirão e, mesmo que perca na próxima rodada, deverá manter essa condição, pelos critérios de desempate.

Reabilitação

A pressão em função dos maus resultados já começava a gerar turbulências no Grêmio. Era fundamental voltar a vencer. A tarefa, no entanto, era árdua, pois a escalação apresentava muitos desfalques. Esses fatores fizeram o Grêmio iniciar o jogo contra o Bahia, hoje, no Pituaçu, pelo Campeonato Brasileiro, demonstrando tensão. Dessa forma, o Bahia começou o jogo mais insinuante que o Grêmio. Porém, tudo mudou aos 22 minutos do primeiro tempo, quando Alisson abriu o placar em favor do Grêmio. A partir daí, o Grêmio tranquilizou-se e impôs o seu jogo. O golaço de Darlan, aos oito minutos do segundo tempo, deu a certeza de que a vitória estava garantida. Nem mesmo a inconsequente expulsão de Matheus Henrique, dez minutos depois, a colocou em risco. O resultado poderia ter sido até mais amplo, pois o Grêmio teve várias outras oportunidades para fazer gols, nos dois tempos de jogo. Os destaques individuais foram Vanderlei, Orejuela, Darlan e Alisson. O Grêmio venceu o Bahia por 2 x O, e obteve a sua tão necessária reabilitação, subindo para o décimo lugar na classificação, com um jogo a menos. O princípio de crise, por enquanto, foi debelado.

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

O arrependimento de FHC

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é uma das figuras mais lastimáveis da política brasileira. Sociólogo reconhecido, perseguido pelo regime militar, fez um governo de direita, alinhado com os interesses da plutocracia do pais, vendendo patrimônio público em troca de moedas podres. Agora, muitos anos depois de deixar o poder, declarou estar arrependido de ter implantado o instituto da reeleição no Brasil, por entender que os governantes fazem de tudo para obter a renovação do mandato. A constatação é óbvia, mas isso não faz da reeleição um mal em si, já que outros países também a adotam. O problema maior é que FHC, para obter a aprovação da medida, comprou duzentos deputados federais, e agiu em proveito próprio, pois queria ter um segundo mandato. Um governante pode propor mudanças dessa natureza, mas apenas visando mandatos futuros, já que, quando foi eleito, a regra era outra. Estabelecer a reeleição para ser o seu primeiro beneficiário constitui um casuísmo eleitoral repulsivo. O arrependimento de FHC é um ato cínico, e tardio. O ex-presidente é um retrato fiel da asquerosa elite brasileira. Polido, de fala mansa, esconde por trás da aparência refinada um lobo em pele de cordeiro. O melhor que poderia fazer pelo país seria recolher-se ao silêncio.

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Cristiano Ronaldo ainda faz a diferença

A atuação de Cristiano Ronaldo, hoje, no jogo Portugal 2 x 0 Suécia, pela Nations League, chamou a atenção. Ele fez dois golaços, que definiram o placar. Com 35 anos, já está numa idade em que os jogadores encaminham o final da carreira. Porém, Cristiano Ronaldo ainda faz a diferença. Maior expressão técnica da seleção de Portugal, conduziu-a aos títulos da Eurocopa de 2016 e da Nations League 2018/2019. Se no Juventus não conseguiu, até agora, o mesmo êxito que obteve no Real Madrid, onde ganhou várias edições da Champions League, na seleção de Portugal seu desempenho é notável. Nisso, difere de Messi, com quem, há mais de dez anos, disputa a condição de melhor jogador do mundo. Na seleção da Argentina, ainda que tenha sido vice-campeão da Copa do Mundo de 2014, Messi nunca repetiu o seu brilhante desempenho pelo Barcelona. Com uma postura profissional admirável, Cristiano Ronaldo, mesmo numa idade avançada para os padrões do futebol, parece ainda ter muito a ofertar aos apreciadores do esporte mais popular do mundo.