sábado, 1 de agosto de 2020

A aposta do Flamengo

A contratação do técnico espanhol Domenec Torrent pelo Flamengo está longe de trazer a garantia de bons resultados. Torrent foi auxiliar técnico de Pepe Guardiola durante dez anos, acumulando títulos no Barcelona, Bayern de Munique e Manchester City. A aposta do Flamengo em sua contratação parece estar calcada, fundamentalmente, nesse fato. Porém, Torrent tem apenas uma experiência como técnico principal, nos Estados Unidos, onde, em dois anos, não ganhou títulos, e obteve apenas 29 vitórias em 63 jogos. As referências a Torrent são elogiosas, partindo do próprio Guardiola. No entanto, ninguém tem como garantir que ele possa dar a mesma resposta que o português Jorge Jesus. Pelo lado financeiro, o Flamengo terá vantagem. O salário de Torrent, embora tenha um alto valor, será menor que o de Jorge Jesus. Ao trazer outro técnico estrangeiro, o Flamengo estaria mostrando-se arrogante? Sim e não. O Flamengo tem adotado posturas de quem se acha acima de todos os demais clubes brasileiros, é verdade, mas nesse caso, talvez não pudesse agir diferente. O mercado brasileiro de técnicos não oferece boas opções. Há técnicos famosos mas defasados,  e emergentes que carecem da devida comprovação. Para um grupo de jogadores caro e vitorioso como o do Flamengo, é pouco. Diante desse quadro, o Flamengo preferiu arriscar na vinda de um técnico pouco experiente na função, mas com uma excelente base de formação. Resta esperar que os fundamentos teóricos de Torrent se confirmem na prática. 

sexta-feira, 31 de julho de 2020

Um candidato ao rebaixamento

O Santos é um dos três grandes clubes do futebol brasileiro que ainda não caíram para a Segunda Divisão. Os outros dois são Flamengo e São Paulo. Porém, depois do que se viu ontem, quando o Santos perdeu por 3 x 1, de virada, para a Ponte Preta, pelas  quartas de final do Campeonato Paulista, essa honrosa condição está perto de acabar. No atual contexto, o Santos é um candidato ao rebaixamento no Campeonato Brasileiro que irá se iniciar no dia 08/08. O clube está em crise, com o clube tendo reduzido os salários em 70%, de forma unilateral, em função da perda de receita com a paralisação do futebol em função da pandemia de coronavírus. Alguns jogadores entraram na Justiça para romper o vínculo com o clube. Nos  últimos quatro jogos, o Santos teve jogadores expulsos. O time está enfraquecido e o grupo tem poucas opções. Há frequentes saídas de jogadores, e não existe dinheiro para fazer contratações. Uma reversão desse quadro parece pouco provável com o Campeonato Brasileiro tão próximo de seu início. O mais surpreendente é a mudança abrupta de desempenho, pois o Santos foi vice-campeão brasileiro em 2019. Resta esperar que o Santos consiga, ainda que com dificuldade, ficar numa posição que evite o rebaixamento. A queda de um grande clube para a Segunda Divisão não é um prejuízo apenas para ele, mas para todo o futebol brasileiro. 

quinta-feira, 30 de julho de 2020

Uma promessa que não se cumpre

Vez por outra, o futebol brasileiro revela um técnico "revolucionário" que, supostamente, está muito adiantado em relação aos seus companheiros de profissão, apontados como conservadores e adeptos da mesmice em termos táticos. Esses "fenômenos", é claro, surgem a partir da imprensa, sempre ávida em descobrir técnicos que façam o futebol brasileiro avançar e diminuir o fosso que o separa do que se pratica na Europa. O problema é que, em geral, esses gênios não correspondem às expectativas que giram em torno deles. Atualmente, há um exemplo claro disso. Uma promessa que não se cumpre, embora a enorme simpatia de setores da imprensa pelo seu trabalho. O profissional em questão é o técnico do São Paulo, Fernando Diniz. Desde o dia em que foi vice-campeão paulista pelo modesto Audax, há alguns anos, Diniz foi visto como um novo mago entre os técnicos de futebol, por vários cronistas esportivos. Seu estilo ousado, privilegiando a posse de bola e a ofensividade, encantou grande parte da imprensa. Com base nisso, clubes como Athletico Paranaense, Fluminense e, agora, o São Paulo, apostaram no trabalho de Diniz. Em nenhum desses clubes o trabalho de Diniz obteve êxito. Ontem, o São Paulo foi eliminado nas quartas de final do Campeonato Paulista pelo modesto Mirassol, um clube que perdeu 18 jogadores durante a paralisação do futebol em função da pandemia de coronavírus, e que jamais o havia derrotado anteriormente. Um vexame, agravado pelo fato de que o São Paulo não ganha o Campeonato Paulista há quinze anos. O São Paulo pode até insistir com Diniz, mas estará perdendo tempo. Diniz é o clássico exemplo do profissional pretensamente talentoso que jamais confirma, na prática, às qualidades que lhe são atribuídas. 

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Melhora

O bom futebol do Inter ressurgiu. Hoje, na Morada dos Quero-Queros, em Alvorada, o Inter venceu o Aimore por 2 x 0, sem maiores dificuldades, e mostrando um bom desempenho que ainda não havia sido visto após a paralisação do futebol pela pandemia de coronavírus. Outro dado de destaque é que Guerrero desencantou, e marcou os dois gols do jogo. O bom gramado ajudou o Inter a jogar melhor, como esperava o seu técnico, Eduardo Coudet. Porém, é preciso levar em conta que o Aimore é um adversário muito frágil, tanto que o segundo gol foi um verdadeiro presente, numa incrível falha técnica. O Inter, agora, em jogo único no qual será mandante, terá como adversário o Esportivo de Bento Gonçalves, pelas semifinais do Campeonato Gaúcho. O favorito é o Inter e, se a lógica prevalecer, deverá decidir o título do segundo turno com o Grêmio. 

Novo empate

O Grêmio empatou o seu segundo jogo consecutivo pelo Campeonato Gaúcho. Hoje, não saiu de um 0 x 0 com o Novo Hamburgo, na Arena Alviazul, em Lajeado. O fato de ter jogado com os reservas não serve como desculpa, pois foi uma escolha do próprio Grêmio. O gramado estava em péssimas condições, mas isso também não chega a ser uma atenuante. O fato é que o Grêmio está devendo em 2020, antes e depois da paralisação do futebol em função da pandemia de coronavírus. Não se pode esquecer que o Grêmio perdeu o primeiro turno do Gauchão para o Caxias. Na verdade, o que está sustentando o Grêmio, até aqui, são as duas vitórias sobre o Inter nos três grenais realizados até agora no ano, um deles pela Libertadores, que acabou empatado. Não fora isso, a cobrança do torcedor já estaria se fazendo sentir. Agora, o Grêmio irá jogar novamente  contra o Novo Hamburgo, pelas semifinais do segundo turno. Será em jogo único, tendo o Grêmio como mandante. Embora o Grêmio seja o amplo favorito, vai precisar mostrar um futebol bem mais convincente, não só para eliminar o Novo Hamburgo, mas para poder ganhar a competição. 

sexta-feira, 19 de junho de 2020

Socialismo

Não bastassem as torrentes de asneiras ditas pelo presidente Jair Bolsonaro e alguns de seus ministros, os militares não se cansam de dar a sua contribuição para o rol de disparates. O presidente do Clube Militar, general Eduardo José Barbosa, declarou que o Brasil está vivendo o "socialismo", devido ao confinamento. Conforme Barbosa, haveria outras maneiras de enfrentar a pandemia de coronavírus, sem obrigar as pessoas a ficarem em suas casas. Com mais essa afirmação desarrazoada, Barbosa apenas comprova que os militares não dão nenhuma contribuição positiva ao país. Pelo contrário, ao longo da história do Brasil, as Forças Armadas fizeram conspirações, ameaçaram e praticaram golpes espúrios contra governantes legitimamente eleitos. Sua utilidade para o país seria a de defenderem-no em alguma guerra, o que não acontece há décadas. Na verdade, as Forças Armadas são um sorvedouro de recursos do erário público, sem nenhuma contrapartida para o país. Os incautos costumam ver nos militares uma reserva moral, a qual insistem em recorrer diante de supostas ameaças à ordem e de escalada da corrupção. Néscios que são, não percebem que reverenciam os seus próprios algozes. Como bem colocou a revista "The Economist", não faz sentido o Brasil manter o décimo-quinto exército mais caro do mundo, se o país não participa de conflitos armados. Os militares, no Brasil, são uma despesa pesada e injustificada para os cofres públicos, e uma ameaça permanente à democracia.

quinta-feira, 18 de junho de 2020

A prisão de Queiroz

Enfim, o sumido apareceu. O ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos/RJ), Fabrício Queiroz, foi preso, hoje, em Atibaia (SP), em uma residência pertencente à Frederick Wassef, advogado da família do parlamentar. A prisão de Queiroz se deu porque ele estava cometendo novos crimes, fugindo, apagando provas e interferindo em investigações. Sua mulher foi dada como foragida. A ligação de Queiroz com Flávio é antiga, dos tempos em que o senador ainda era deputado estadual no Rio de Janeiro. Há evidências de que Queiroz atuou como "laranja" da família Bolsonaro em ações escusas, e que coordenava o esquema das "rachadinhas", em que servidores do gabinete cediam parte de seus ganhos para o então deputado. Com essa prisão, um dos grandes mistérios do país, o paradeiro de Queiroz, foi solucionado. O fato acrescenta mais um dado comprometedor para o presidente Jair Bolsonaro, já que Wassef havia afirmado, meses atrás, que não sabia onde Queiroz se encontrava. Esse dado, somado ao de que Queiroz estava numa casa que pertence ao próprio advogado, é comprometedor para o governo. Por quê o advogado da família Bolsonaro mentiu que não sabia onde Queiroz estava enquanto o abrigava numa residência de sua propriedade? A prisão do ex-assessor poderá ser a chave de todo o esquema de quadrilheiros e milicianos ligados ao ex-capitão e seus filhos. O governo Bolsonaro começa a fazer água por todos os lados. Com milhares de mortos por coronavírus, o ministro da Saúde é interino, e não é médico. O ministro da Educação foi exonerado hoje. Ao que parece, em vez de um processo de impeachment, o que determinará o fim do governo Bolsonaro será um processo de autodecomposição.

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Retorno absurdo

Um dos estados mais afetados pelo coronavírus, o Rio de Janeiro será o primeiro a recomeçar o seu campeonato estadual de futebol, o que já ocorrerá amanhã. Sem dúvida, é um retorno absurdo, diante de tantas mortes que a doença ainda causa. A decisão não foi consensual. Flamengo e Vasco pressionaram pela medida, mas Fluminense e Botafogo são contra. A Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro, no entanto, dado que os demais clubes eram a favor, determinou a retomada da competição. A contrariedade de Fluminense e Botafogo com a volta do campeonato nesse momento pode até levar a uma batalha jurídica que impeça a continuidade ou a finalização da disputa. Com o campeonato sendo retomado agora, Flamengo e Vasco teriam grande vantagem, pois já vêm realizando treinos há algumas semanas, ao contrário dos outros dois grandes clubes do Estado. O pior de tudo é que o primeiro jogo na volta da competição, Flamengo e Bangu, amanhã, no Maracanã, com portões fechados, obviamente, não terá transmissão de tevê, pois não houve acerto do clube rubro-negro com a Rede Globo. Se o jogo não terá público no estádio, nem poderá ser assistido pela tevê, qual o sentido dele ser realizado? O futebol brasileiro não é uma ilha, ele, também, reflete a realidade caótica do país.

terça-feira, 16 de junho de 2020

Os 70 anos do Maracanã

Sem favor, o Maracanã é o mais famoso estádio de futebol do mundo. Os 70 anos do Maracanã, completados hoje, são motivo de grande comemoração, ainda que, infelizmente, a pandemia de coronavírus não permita que ela tenha a dimensão que deveria. Embora, no dia em que completava um mês de sua abertura, tenha sido o local do jogo que marcou a derrota mais dolorosa do futebol brasileiro, quando a Seleção Brasileira perdeu a decisão da Copa do Mundo de 1950 para o Uruguai, o Maracanã não foi rejeitado pelos torcedores. Pelo contrário, maior estádio do mundo durante várias décadas, tornou-se o principal do país, e uma referência no mundo. Em seu gramado desfilaram nomes como Zizinho, Ademir de Menezes, Pelé, Garrincha, Rivelino, Jairzinho, Carlos Alberto, Paulo César Caju, Zico, Roberto Dinamite, Romário. Lamentavelmente, as sucessivas reformas que sofreu ao longo do tempo fizeram com que o Maracanã tenha, agora, apenas um terço da sua capacidade original. Sua fachada foi preservada, mas o seu interior em nada lembra o colosso de outros tempos. Com as características atuais, é um dos tantos estádios "padrão Fifa", existentes no mundo, seja na estética ou na capacidade de público. Ainda assim, é um dos grandes símbolos do futebol brasileiro, um patrimônio material e afetivo do país. Parabéns, Maracanã!

segunda-feira, 15 de junho de 2020

A prisão da baderneira

Demorou, mas o Poder Judiciário cumpriu o seu papel diante dos atos e protestos cada vez mais violentos e antidemocráticos dos grupos bolsonaristas. Hoje, por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, foi feita a prisão da baderneira Sara Winter, liderança bolsonarista responsável por manifestações agressivas contra as instituições, em que são pedidos o fechamento do Congresso e do STF, a intervenção militar e até um novo AI-5, todos eles flagrantemente inconstitucionais. Outros quatro baderneiros foram presos junto com Sara. A prisão dela é provisória, por cinco dias, podendo ser renovada por igual período. Dessa forma, Sara, cujo verdadeiro sobrenome é Giacomini, deverá ser solta em poucos dias. O irmão dela, Diego Giacomini, acha que Sara planejou a própria prisão, pois sabia que logo seria libertada, com o intuito de se transformar numa vítima de "perseguição política". Conforme Diego, Sara sempre quis dinheiro, fama e poder. Pode até ser que Sara acabe lucrando com sua prisão, manipulando, com o auxílio dos bolsonaristas, a verdade dos fatos. Porém, a determinação de prender Sara ocorreu até com atraso. Não se pode afrontar às instituições como a baderneira vinha fazendo, sem receber a devida penalização. Os grupos bolsonaristas, ao contrário do que querem fazer crer, não estão exercendo o seu direito à liberdade de expressão. Estão, na verdade, tentando solapar às instituições e exaltar o fascismo, e isso não pode ser tolerado.