quarta-feira, 6 de maio de 2020
Governo genocida
O que está sendo praticado pelo governo Jair Bolsonaro em relação à pandemia de coronavírus é uma política de extermínio. Adotando a postura do negacionismo, Bolsonaro tentou sempre minimizar a gravidade da pandemia, numa ação macabramente calculada. Por entender que, de qualquer maneira, seriam muitos os mortos pela doença, o ex-capitão preferiu cruzar os braços. Para Bolsonaro, tanto faz se, ao final da pandemia, terão morrido cem mil ou um milhão de brasileiros. Na sua visão totalmente insensível, o importante é que, depois de terminada a crise, seja possível voltar a implantar a agenda carregada de demofobia do ministro da Economia, Paulo Guedes. Para isso, é essencial evitar o aumento dos gastos públicos, medida obrigatória numa situação de emergência como a pandemia. Sem dúvida, esse é um governo genocida. Com mais de 600 mortes por dia no país, e uma enorme escassez de leitos nos hospitais públicos, o governo já deveria ter estatizado os da rede privada, enquanto durar a pandemia. O fato de ainda não ter tomado essa atitude, escancara ainda mais o fato de que o compromisso do governo não é com a sociedade, mas com os grandes grupos econômicos. O Brasil caminha para se tornar o epicentro da pandemia em todo o mundo. Não precisaria ser assim. Porém, esse é o preço a ser pago por quem tem um governo que é indiferente para com a vida humana.
terça-feira, 5 de maio de 2020
A absurda posição de Caio Ribeiro
Um atrito, ontem, entre os comentaristas Casagrande e Caio Ribeiro, ambos ex-jogadores de futebol, no programa "Bem Amigos", do SporTV, causou grande repercussão. A razão da polêmica foi a crítica de Caio a uma declaração do diretor-executivo do São Paulo, Raí, pedindo que o presidente Jair Bolsonaro renunciasse. Para Caio, em função de seu cargo no clube, Raí não deveria falar sobre política. A absurda posição de Caio Ribeiro é um atentado à liberdade de expressão. Todo e qualquer cidadão tem o direito de expressar suas opiniões sobre qualquer assunto, independentemente do cargo que ocupe. A se levar em consideração a posição de Caio, só os autônomos, que não estão vinculados a um empregador, e os aposentados, poderiam se posicionar livremente. O fato de Raí ocupar um alto cargo no São Paulo, não significa que sua opinião se confunda com a do clube. Até porque a renúncia de um presidente não é um assunto que caiba no escopo de uma instituição esportiva. A opinião de Raí é, obviamente, a expressão de uma visão pessoal, a qual ele tem pleno direito. Ao criticar a fala de Raí, Caio mostrou a postura habitual dos "coxinhas", sempre dispostos a estabelecer a censura em nome de um pretenso bom senso. Não há como tolerar isso.
segunda-feira, 4 de maio de 2020
Flávio Migliaccio
O suicídio, por si só, é um ato chocante. O que dizer, então, quando ele é cometido por um homem de 85 anos, como aconteceu, hoje, com o ator Flávio Migliaccio? O ator deixou um bilhete, no qual escreveu que a velhice no Brasil era um caos, e que tinha a sensação de que os 85 anos que vivera foram jogados fora em função do país e de algumas pessoas que veio a conhecer. Migliaccio estava fazendo o seu confinamento, por conta do coronavírus, no seu sítio em Rio Bonito (RJ). As informações dão conta de que ocupava o seu tempo escrevendo, e que já havia criado três peças de teatro. Hoje, abruptamente, Migliaccio encerrou sua vida e uma longa e vitoriosa carreira na televisão, cinema e teatro. Seu primeiro grande sucesso televisivo foi o personagem "Xerife", da novela "O Primeiro Amor" (1972), da Rede Globo. O êxito foi tão grande que ocasionou a criação do seriado "Shazam, Xerife e Companhia", onde fazia dupla com Paulo José, o qual vivia o outro personagem inscrito no título do programa, igualmente retirado da novela. A partir daí, participou de várias novelas, seriados e programas humorísticos, sempre cativando o público com suas atuações. Transmitia ao público uma imagem de leveza e doçura que tornam ainda mais intrigante o seu gesto radical. Deixa uma enorme saudade, e a admiração por uma carreira tão bem construída.
Aldir Blanc
O público nem sempre dá a devida consagração aos compositores, a menos que eles gravem suas próprias músicas. Os que se limitam a ter suas obras gravadas por outras vozes ficam fora do foco da mídia, o que dificulta seu reconhecimento pelas grandes massas. Esse é o caso de Aldir Blanc, que faleceu, hoje, aos 73 anos. Carioquíssimo, Aldir formou uma das maiores duplas de compositores do país com o mineiro João Bosco. Em parceria, os dois criaram várias pérolas da música brasileira. A maior delas, sem dúvida, foi "O Bêbado e a Equilibrista", composta em 1977, e gravada no ano seguinte por João Bosco e em 1979 por Elis Regina, que a tornou um clássico. Culto e inspirado, Aldir criava letras primorosas, valorizadas pelas belas melodias de João Bosco. A parceria foi rompida, depois de muitos anos, mas os dois se reaproximaram e reataram a amizade. Aldir também compôs com outros autores, sempre com brilho. Paralelamente à música, escreveu livros. Suas composições permanecerão na memória dos brasileiros. Se não obteve fama e fortuna, Aldir deixa, inegavelmente, uma obra extensa e qualificada como compositor.
domingo, 3 de maio de 2020
Limite
A escalada de ódio dos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro só faz crescer. Hoje pela manhã, em mais um ato contra as instituições e de defesa de medidas ditatoriais, com a presença de Bolsonaro, jornalistas foram agredidos. O ex-capitão declarou que chegou ao seu limite, e que, agora, a Constituição será cumprida, acrescentando que Deus queira que nada aconteça na semana que está se iniciando. Os militares, disse Bolsonaro, estão ao lado do povo. As atitudes de Bolsonaro, hoje, foram um rol de insanidades. Mais uma vez, descumpriu as orientações da Organização Mundial de Saúde contra o coronavírus circulando em público e sem usar máscara. Afrontou os demais poderes da República, ameaçando, claramente, com a deflagração de um golpe. A situação, verdadeiramente, chegou ao limite, mas não no sentido que quer lhe dar Bolsonaro, mas pelo país e suas instituições. Não é mais possível ter de suportar Bolsonaro num momento em que o país deveria estar voltado, totalmente, para a luta contra a pandemia de coronavírus. As instituições não podem se encolher nessa hora. Soluções apaziguadoras não são mais aplicáveis depois da ameaça de Bolsonaro da deflagração de um golpe. Antes que Bolsonaro torne a situação do país ainda mais caótica, tem de ser afastado do cargo. Não há mais motivo para ser adiada uma medida tão essencial para o futuro do Brasil.
sábado, 2 de maio de 2020
Pizzas
O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, depôs por mais de oito horas, hoje, na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. No depoimento, Moro teria de apresentar provas sobre as acusações que fez ao presidente Jair Bolsonaro de ter tentado influir em investigações da Polícia Federal. O depoimento foi determinado pelo juiz do Supremo Tribunal Federal, Celso de Mello, buscando dar celeridade ao inquérito, para evitar o perecimento de provas. Durante a longa exposição, foram encomendadas dezesseis pizzas, o que é muito sugestivo. O que se espera é que não acabe tudo em pizza, como costuma acontecer no país quando os poderosos estão envolvidos. Na verdade, como bem disse o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Francisco Rezek, esse depoimento nem seria necessário, já que todas as acusações feitas por Moro ao deixar o cargo, foram confirmadas no pronunciamento de Bolsonaro, realizado poucas horas depois. O ex-capitão admitiu que queria no cargo de diretor-geral da Polícia Federal, alguém com quem pudesse "interagir". Não há porque perder tempo com investigações. Os crimes de Bolsonaro são vários e estão devidamente tipificados. Sobram razões para sua destituição do cargo. Prolongar uma ação nesse sentido só o beneficia, e arrasta por mais tempo o sofrimento que tem causado ao país.
sexta-feira, 1 de maio de 2020
Empilhando mortos
- Uma triste realidade tomou conta do país. O Brasil está empilhando mortos pelo coronavírus. A cada dia, já são mais de 400 mortes pelos dados oficiais, que estão muito subnotificados, num quadro de evidente e total descontrole, que só tende a piorar. Era tudo que o presidente Jair Bolsonaro desejava. O ex-capitão nunca esteve preocupado em preservar vidas, e permanece contrariando as orientações da Organização Mundial de Saúde. O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, foi demitido porque cometeu dois "erros" terríveis pela ótica de Bolsonaro, ao ficar mais em evidência que o chefe, e priorizar a verdade quanto aos números do coronavírus e a estratégia correta para fazer frente à pandemia. Alucinado pelo poder, Bolsonaro não suporta que alguém de sua equipe o supere nos holofotes da mídia. Em relação aos planos traçados por Mandetta contra a pandemia, nunca foi da sua vontade fazer o gasto necessário para isso, nem divulgar os números verdadeiros do elevado morticínio, para não ter o seu governo desgastado. Ao nomear Nélson Teich como o novo ministro da Saúde, Bolsonaro resolveu os dois "problemas". Teich é um inepto, que nada faz contra a doença, e os números de infectados e mortos que são divulgados já não tem nenhum grau de confiabilidade. Não é por acaso que o comentarista político Demétrio Magnoli, mesmo sendo reconhecidamente de direita, disse que o Ministério da Saúde fechou. Faltou acrescentar que isso era, exatamente, o que Bolsonaro queria.
quinta-feira, 30 de abril de 2020
A busca do confronto
A cada dia, fica mais evidente que o presidente Jair Bolsonaro é um psicopata. Sedento pelo poder, egocêntrico, indiferente ao sofrimento alheio, defensor da ditadura, Bolsonaro faz sempre a busca do confronto. Não lhe interessa qualquer tipo de conciliação, seja com quem for. Na sua mente doentia e perversa, isso seria demonstração de fraqueza. Admirador do poder absoluto, sem nenhum apreço pelas normas democráticas, Bolsonaro faz questão de provocar atritos com todos. Desafia os demais poderes da República, flerta com a possibilidade de fechar o Congresso e o Supremo Tribunal Federal. As ações agressivas visam, também, fazer com que esteja sempre em evidência. O ex-capitão quer a atenção para si de modo permanente, e não tolera que alguém de seu governo ganhe um destaque superior ao dele. Nesse confronto com tudo e todos, Bolsonaro mirou, agora, no ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, que acolheu uma ação impedindo a posse de Alexandre Ramagem como diretor-geral da Polícia Federal. Desrespeitando flagrantemente a independência entre os poderes, Bolsonaro disse que "não engoliu" a decisão do ministro, e insiste que ainda vai conseguir empossar Ramagem. Sem limites na sua sanha beligerante, Bolsonaro atira para todos os lados, atacando, até mesmo a Organização Mundial de Saúde. Suas declarações mostram cinismo e desdém diante das milhares de mortes no país causadas pelo coronavírus. Vendo os números aterrorizantes, que só fazem aumentar, tenta transferir a culpa para prefeitos e governadores, afirmando que não vão jogar no seu colo uma culpa que não é dele. Muitas vezes, Bolsonaro, ao perceber as reações negativas ao que diz, baixa o tom, para, no dia seguinte, tornar a fazer declarações ofensivas. O país poderia ficar livre desse tormento, desde que o Congresso e o STF cumprissem com o seu papel, e encaminhassem a destituição de Bolsonaro. Razões legais, devidamente tipificadas, não faltam para isso.
quarta-feira, 29 de abril de 2020
O recuo de Bolsonaro
Para o bem do Brasil, Alexandre Ramagem não será empossado como o novo diretor-chefe da Polícia Federal, como era da vontade do presidente Jair Bolsonaro. O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, barrou a nomeação de Ramagem, acolhendo uma ação do PDT. Não poderia ser diferente. Por mais que o país esteja entregue ao pior governo de sua história, há um limite para tudo, e a escolha de Ramagem era uma afronta à dignidade do exercício do poder. Diante da decisão de Alexandre de Moraes, houve o recuo de Bolsonaro, que desfez a nomeação de Ramagem. Em pronunciamento durante a posse do novo ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, o ex-capitão classificou a decisão do ministro de "monocrática". Mais uma vez, Bolsonaro estava tentando ser ardiloso, buscando marcar o ministro como um adversário de seu governo. Porém, Bolsonaro não recorreu da medida, preferindo desfazer a nomeação de Ramagem, porque sabia que seria derrotado também no plenário do STF, composto de onze ministros. Entre tantas más notícias, a não efetivação de Ramagem como diretor-chefe da Polícia Federal é um alento para o país. O Poder Judiciário, chamado a se posicionar numa gravíssima questão, mostrou sua independência. Pena que não seja sempre assim.
terça-feira, 28 de abril de 2020
O drama do esporte
Os dias vão transcorrendo e a pandemia de coronavírus não arrefece. Pelo contrário, no Brasil, por exemplo, os números da doença ainda são ascendentes. Todos os ramos de atividade são prejudicados numa pandemia, mas alguns vivem uma situação particularmente aflitiva. Esse é o caso do esporte. As competições estão paralisadas, o que gera uma enorme perda financeira. Diversos torneios, das mais variadas modalidades esportivas, foram cancelados. Outros, em princípio, foram suspensos mas sem que se consiga estabelecer uma data de retorno. Algumas decisões mais radicais já foram tomadas. A Federação Belga de Futebol encerrou o campeonato da temporada 2019/2020, concedendo o título ao Brugge, que liderava a competição com 15 pontos de vantagem sobre o segundo colocado. As federações holandesa e argentina foram ainda mais drásticas, e deram os campeonatos de seus países por encerrados sem um vencedor. No caso da Holanda, a federação indicou os clubes que participarão da Champions League e Liga Europa, e determinou que não haverá rebaixamento, nem subida para a Primeira Divisão, decisões que geraram contrariedades. O Comitê Organizador das Olimpíadas de Tóquio, que foram adiadas para o próximo ano, já anunciou que se a competição não puder ser realizada em 2021, ela será definitivamente cancelada. O drama do esporte, um setor que arrecada quantias milionárias, é inegável. Na atual situação de paralisação, são os prejuízos que se acumulam, em níveis estratosféricos. O futuro do esporte, do modo como o conhecemos, de uma hora para a outra, tornou-se uma incógnita.
Assinar:
Postagens (Atom)