sábado, 18 de abril de 2020
Apresentações desiguais
O festival One World, transmitido, hoje para o mundo inteiro, em várias plataformas, é uma ideia meritória. Liderada pela cantora Lady Gaga, a iniciativa constou de apresentações de vários nomes de destaque do meio musical, de dentro de suas casas, para homenagear os profissionais de saúde e arrecadar recursos para as pesquisas de medicamentos contra o coronavírus. O importante é o objetivo buscado, evidentemente, mas nem por isso deve-se deixar de analisar a performance dos grandes astros em suas apresentações. Obviamente, uma apresentação em "home office" não favorece um grande desempenho. Ainda assim, alguns se mostraram mais empenhados, enquanto outros pareciam estar apenas cumprindo um dever. No primeiro caso, estão os Rolling Stones, John Legend, Jennifer Lopez e a própria Lady Gaga. No segundo, principalmente, Paul McCartney, com uma displicente interpretação de "Lady Madonna". Elton John foi apenas burocrático ao cantar "I Still Standing". Stevie Wonder, deveria ter escolhido uma música mais significativa de seu brilhante repertório. A iniciativa de realização do "One World", só merece elogios. No entanto, como espetáculo artístico, teve apresentações desiguais.
sexta-feira, 17 de abril de 2020
Colapso
O confinamento das pessoas em suas casas, durante a pandemia de coronavírus, tem o propósito de evitar que o sistema hospitalar entre em crise, caso a disseminação de casos da doença se torne incontrolável. Porém, antes mesmo que a quarentena seja flexibilizada, como deseja o presidente Jair Bolsonaro, essa situação de colapso já está sendo atingida. No Ceará, todos os leitos de UTI estão ocupados por pacientes com coronavírus. Nas quatro principais emergências do Rio de Janeiro, a situação é a mesma. Como a curva de infectados ainda está subindo, o que deverá ocorrer até junho, momentos difíceis ainda serão enfrentados pela população. A flexibilização da quarentena, que vem sendo defendida pelo presidente Jair Bolsonaro, caso venha a acontecer, só irá agravar o quadro. Por enquanto, não há melhor alternativa, no Brasil ou no exterior, do que o confinamento. Só assim se poderá evitar uma explosão no número de infectados e de mortes.
quinta-feira, 16 de abril de 2020
Saída confirmada
A entrevista do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, na tarde de ontem, deixou claro que ele estava deixando o cargo. Confrontando abertamente suas posições com as do presidente Jair Bolsonaro no que tange à pandemia de coronavírus, Mandetta mostrou a típica atitude de quem não se sentia mais obrigado a manter as aparências. Sabedor de que não permaneceria como ministro, "jogou a farofa no ventilador", ainda que numa linguagem elegante. Hoje, com sua saída confirmada, Mandetta concedeu mais uma entrevista, despedindo-se do cargo. Como fizera no dia anterior, reafirmou seu compromisso com a ciência e sua disposição de favorecer uma transição o mais tranquila possível. Para os brasileiros, a queda de Mandetta é uma má notícia. Sua condução em relação à pandemia se mostrou correta, ao defender o confinamento como forma de evitar o colapso do sistema de saúde. Preocupado com os lucros dos empresários, Bolsonaro quer flexibilizar a quarentena, sob a alegação de que está pensando nos mais pobres. O futuro ministro da Saúde, Nelson Teich, é, também, um empresário do ramo. Os brasileiros podem se preparar para dias difíceis, em que suas vidas serão postas em risco, em nome de interesses econômicos.
quarta-feira, 15 de abril de 2020
Encantamento
A reprise dos jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1970, que está sendo levada ao ar pelo SporTV durante o período de paralisação do futebol em função da pandemia de coronavírus, é uma excelente opção para as diversas gerações. Os mais velhos podem recordar as maravilhosas atuações daquela equipe recheada de craques como Carlos Alberto, Gérson, Jairzinho, Tostão e Rivelino, cujo nome maior era o gênio Pelé, melhor jogador de futebol de todos os tempos. Aqueles que eram muito pequenos na época, e os que sequer haviam nascido, terão a chance de se extasiar com um futebol em que a qualidade era o fator preponderante. Claro, jogadas erradas e falhas também ocorriam naqueles tempos. Porém, a exuberância técnica dos jogadores acima citados não é mais vista nos dias de hoje. O primeiro jogo, exibido ontem, a goleada, de virada, por 4 x 1 sobre a Tchecoslováquia, contou com atuações primorosas de Pelé, Gérson e Rivelino. No jogo de hoje, contra a Inglaterra, o único em que a Seleção só marcou um gol e não sofreu nenhum, os destaques são a maior defesa da história do futebol, de Banks numa cabeçada de Pelé, e a jogada primorosa de Tostão que seria seguida por um toque do Rei do Futebol para Jairzinho marcar o gol da vitória. São momentos de puro encantamento que poderão ser desfrutados em mais quatro jogos, até domingo. Um compromisso imperdível para quem ama o futebol.
terça-feira, 14 de abril de 2020
Empurrando com a barriga
Depois de terem concedido vinte dias de férias aos jogadores, a contar de primeiro de abril, os clubes brasileiros deverão estender a medida até o mês de maio. A pandemia de coronavírus desorganizou os calendários esportivos no mundo inteiro e, no caso do futebol brasileiro, está fazendo com que os clubes estejam empurrando com a barriga a solução do problema, que ainda não se consegue vislumbrar. A verdade é que, com o transcorrer do tempo, mais complicada fica a hipótese de encontrar uma saída para salvar o ano no futebol brasileiro. Fórmulas mirabolantes, soluções exóticas, tudo é aventado para que se possa voltar a ter futebol no Brasil em 2020. Os clubes e seus patrocinadores, a televisão e os seus anunciantes, estão ansiosos pela volta dos jogos, ainda que sejam de portões fechados. Na sociedade do espetáculo, subproduto do capitalismo, o show não pode parar, pois os prejuízos financeiros são elevadíssimos. O problema é que enquanto a pandemia não arrefecer, a volta do futebol, em qualquer condição, seria uma temeridade. Esse arrefecimento, no entanto, ainda parece uma possibilidade muito distante. Por enquanto, postergar uma decisão definitiva para a questão é a única alternativa.
segunda-feira, 13 de abril de 2020
Moraes Moreira
A morte de Moraes Moreira, hoje pela manhã, aos 72 anos, representa um duro golpe na música brasileira. Moraes Moreira surgiu no cenário musical junto com seus companheiros do grupo "Os Novos Baianos", que, no início dos anos 70, causou enorme impacto junto ao público e crítica. Em meados dos anos 70, partiu para a carreira solo. Fez muito sucesso com suas composições, seja na sua própria voz ou na de outros artistas. "Festa do Interior", por exemplo, composta por ele em parceria com Abel Silva, foi um dos maiores sucessos da carreira de Gal Costa. Versátil, Moraes Moreira transitava por diversos ritmos e absorvia várias influências. O Carnaval, no entanto, foi um ponto marcante de sua carreira, e ele foi o primeiro a cantar no alto de um trio elétrico. A brasilidade, ainda que, eventualmente, misturada com ritmos de outras culturas, e o balanço contagiante, são marcas do seu trabalho. Moraes Moreira se foi, mas criou uma vasta e inesquecível obra, que será lembrada pelas gerações futuras. Os grandes artistas se tornam perenes pelo legado que deixam. Esse, certamente, é o caso de Moraes Moreira.
Uma lenda sem títulos
O ex-piloto inglês Stirling Moss, falecido, ontem, aos 90 anos de idade, foi uma figura singular na história da Fórmula 1. Moss foi quatro vezes consecutivas vice-campeão da categoria, e terceiro colocado em outras três oportunidades, mas jamais obteve o título. Ainda assim, nenhum especialista ou historiador do automobilismo lhe negaria a condição de piloto lendário. Mesmo sem ser campeão teve um altíssimo índice de vitórias nas corridas de que participou na Fórmula 1. A rainha Elizabeth lhe concedeu o título de Sir, distinção que só é conferida a personalidades ilustres. Reverenciado por seus pares, e admirado pelo público, Moss foi uma lenda sem títulos.
domingo, 12 de abril de 2020
Mandetta não baixa o tom
A entrevista concedida pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, ao programa "Fantástico", da Rede Globo, mostra que o ministro não tem medo do confronto com o presidente Jair Bolsonaro. Como ficou comprovado na entrevista, Mandetta não baixa o tom. Mesmo fazendo alguns circunlóquios, para amenizar sua postura, Mandetta deixa clara a sua posição favorável ao confinamento como forma de evitar o contágio pelo coronavírus, o que contraria a opinião de Bolsonaro. O ministro da Saúde vai mais longe, e diz que seria importante uma posição unificada sobre o assunto, pois a população fica sem saber a quem seguir, dadas às manifestações conflitantes. Para tomar essa atitude, Mandetta deve estar muito bem amparado, ou convicto de ser verdade o que muitos especulam, ou seja, de que Bolsonaro já não é presidente de fato. A alta popularidade que ostenta no momento faz com que Mandetta saiba que tem um futuro político promissor pela frente. Ainda que viesse a ser demitido pelo presidente, seu prestígio não ficaria abalado. Por isso, Mandetta aposta alto, e deixa Bolsonaro embretado contra as cordas.
sábado, 11 de abril de 2020
Equilibrista
Os últimos pronunciamentos oficiais e a aparição conjunta, hoje, com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, para o anúncio da construção de um hospital de campanha naquele estado, mostraram uma nova face do presidente Jair Bolsonaro. Se antes só se dirigia aos seus fanáticos seguidores, Bolsonaro agora se mostra um equilibrista, tentando fazer média com os que o criticam. A grande carga de ataques que recebeu por seu comportamento em sentido contrário ao que recomendavam as autoridades médicas, fez com que Bolsonaro revisse, parcialmente, a sua postura. Ao comparecer ao lançamento de um hospital de campanha, Bolsonaro quer se mostrar engajado nos esforços da luta contra o coronavírus. Porém, paralelamente, Bolsonaro continua a desobedecer as recomendações de quarentena, e circula livremente pelas ruas, causando aglomerações, pois seus apoiadores mais fiéis não aceitariam que ele afrouxasse de sua posição de confronto com os que lhe atacam. A sobrevivência política é a única preocupação de Bolsonaro, e a explicação para o seu comportamento, antes de permanente antagonismo com seus críticos, ter se tornado ambivalente.
sexta-feira, 10 de abril de 2020
50 anos sem os Beatles
Na data de hoje, há 50 anos, Paul McCartney anunciava o fim dos Beatles. Foi um dia triste para milhões de fãs espalhados pelo mundo. Os Beatles ainda eram muito jovens, nenhum deles sequer havia completado 30 anos de idade, e estavam no auge do seu processo criativo. Por isso, o fim do grupo era muitíssimo prematuro. Uma série de razões levou ao rompimento, mas a música e os fãs sofreram, na ocasião, um rude golpe, do qual não se recuperaram até hoje. Os Beatles são únicos, incomparáveis. Nenhum outro grupo alcançou um grau de qualidade tão elevado, criou tantos clássicos imortais, vendeu tantos discos, marcou tantas gerações. A música de maior sucesso de todos os tempos, "Yesterday", é deles, creditada a Lennon e McCartney, mas composta apenas por Paul. No mês seguinte ao anúncio da separação, chegou ao mercado "Let It Be", o penúltimo disco do grupo a ser gravado, e o último lançado. No mesmo ano, cada um dos quatro membros do grupo lançou o seu primeiro trabalho solo. O mais bem sucedido nessa largada, para surpresa de muitos, foi George Harrison. Sufocado por Lennon e McCartney, que dificultavam a colocação de suas composições nos trabalhos do grupo, George, que tinha muitas músicas estocadas, lançou um álbum triplo, "All Things Must Pass", um enorme sucesso de público e crítica, que chegou ao primeiro lugar das paradas e obteve um disco sêxtuplo de platina por suas extraordinárias vendagens. Pelos dez anos que se seguiram, os fãs alimentaram a esperança de que pudesse ocorrer a volta do grupo, até que, em dezembro de 1980, John Lennon foi assassinado. Acabava ali, para desconsolo dos fãs, a chance de que os Beatles voltassem a ficar juntos. Sua música, no entanto, é eterna, e todos os discos do grupo permanecem em catálogo. Nunca antes houve nada que pudesse se igualar aos Beatles, nem haverá depois, em qualquer tempo.
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