sábado, 23 de março de 2019

Resultado inaceitável

A Seleção Brasileira, a mais vitoriosa e a única a participar de todas as Copas do Mundo, desgasta a sua imagem de uma maneira que, em outros tempos, seria impensável. Hoje, no Estádio do Dragão, em Porto (POR), a Seleção empatou em 1 x 1 com o Panamá, um resultado inaceitável dada a diferença enorme de qualidade existente entre as equipes. O Panamá é apenas o septuagésimo-sexto colocado no ranking da Fifa. Como não poderia deixar de ser, assim que o jogo terminou, a Seleção foi vaiada. O pior de tudo foi perceber a falta de empenho e comprometimento da equipe durante o jogo. Ainda que o gol do Panamá tenha sido irregular e a Seleção haja perdido muitas chances de gol, não é possível aceitar um tropeço como esse. O técnico da Seleção Brasileira, Tite, depois de um desempenho brilhante nas Eliminatórias, não foi bem na Copa de 2018, na Rússia, e também tem decepcionado no período posterior. A Seleção precisa ter sua imagem resgatada. Como está, não pode continuar.

sexta-feira, 22 de março de 2019

Amistosos inexpressivos

A Seleção Brasileira desperta pouco interesse hoje em dia, em contraste com os apaixonados torcedores de tempos nem tão distantes. São muitos os fatores que conspiram para isso, como o de que não há grandes craques na equipe, em comparação com o passado, e seu principal jogador, Neymar, momentaneamente afastado por lesão, ser antipático e sem carisma. Os jogadores também já não vêem a Seleção com o mesmo encantamento de outras épocas, pois muitos deles, ao serem convocados pela primeira vez, já atuam na Europa e estão milionários. Porém, nada desgasta mais a Seleção, atualmente, do que a realização de amistosos inexpressivo, sem nenhum proveito técnico, e o fato de que eles são jogados fora do país. Há alguns anos, a CBF firmou contrato com uma empresa do exterior a marcação dos amistosos da Seleção. Dessa forma, a CBF, absurdamente, transferiu para outros, por interesses financeiros, uma tarefa que sempre fora sua. O resultado disso é que a Seleção joga quase sempre fora do país, contra adversários irrelevantes. Amanhã, por exemplo, a Seleção irá jogar contra a modestíssima equipe do Panamá, em Porto (POR). Sem o contato direto com a Seleção, o público brasileiro se distanciou dela, e sua relação com ela caminha para a indiferença. O pior foi a justificativa do coordenador de seleções da CBF, Edu Gaspar. Conforme Edu Gaspar,  as equipes de maior porte se recusam a jogar com a Seleção porque temem ser derrotadas. A situação se torna ainda mais absurda pelo fato de que a Copa América, esse ano, será realizada no Brasil, e mesmo assim a Seleção faz seus jogos preparatórios fora do país. A permanecer essa situação, será muito difícil reacender a chama do amor pela Seleção nos torcedores brasileiros.

quinta-feira, 21 de março de 2019

As muitas faces de uma prisão

A prisão do ex-presidente Michel Temer, determinada, hoje, pelo juiz Marcelo Bretas, chega com atraso. Os crimes que determinaram a decisão de Bretas são há muito tempo conhecidos, mas Temer foi poupado enquanto cumpria o seu papel de favorecer o golpe que derrubou a presidente Dilma Rousseff. Não foi por idealismo ou rigorosa observância da lei que Temer foi preso. As picuinhas e disputas de poder estão entre as muitas faces de uma prisão que foi o assunto do dia em todo o país. Os conflitos entre o Supremo Tribunal Federal e a Operação Lava-Jato, provavelmente, é uma dessas faces. A prisão de Temer fortalece a imagem da Lava-Jato que, assim, mostraria não ser seletiva em suas ações como sempre foi acusada pelo PT. Afora isso, há o estranhamento entre o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e o ministro da Justiça, Sérgio Moro. O ex-ministro das Minas e Energia do governo Temer, Moreira Franco, que também foi preso, é sogro de Maia. Bretas, que é do braço fluminense da Lava-Jato, ao determinar a prisão de Moreira Franco, estaria cutucando Maia em defesa de Moro, ex-chefe da operação. Não há ingênuos na cena política brasileira, mas uma disputa entre raposas felpudas. Resta saber onde tudo isso vai dar.

quarta-feira, 20 de março de 2019

Resultado lógico

O primeiro gol custou a sair, sem que isso sinalizasse a possibilidade de uma surpresa. O Inter venceu o Novo Hamburgo por 2 x 0, hoje, no Beira-Rio, pelo Campeonato Gaúcho, um resultado lógico, e agora irá enfrentar o mesmo adversário nas quartas de final, em dois jogos. Nada indica que o Inter vá encontrar maiores dificuldades nessas duas partidas. No jogo de hoje, Guilherme Parede voltou a se destacar e marcou o primeiro gol, mostrando que está se consolidando como uma alternativa importante para o técnico do Inter, Odair Helmann. Pelo que está sendo visto até aqui, a decisão do Gauchão deverá ser em dois grenais.

Facilidade

O Grêmio faz do Campeonato Gaúcho uma série de treinos, tamanha a naturalidade com que se impõe sobre seus adversários. Hoje, jogando com os reservas e um zagueiro improvisado, o Grêmio venceu o Pelotas por 2 x 0, na Boca do Lobo, numa vitória que impressionou pela facilidade da sua construção. O domínio do Grêmio se estabeleceu desde o início do jogo, e seu goleiro, Breno, foi muito pouco exigido. A fragilidade do futebol do interior do Rio Grande do Sul no Gauchão desse ano é alarmante. Para se ter uma ideia da pouca resistência que enfrentou dos clubes do interior, o Grêmio sofreu apenas um gol nos 11 jogos da fase classificatória, de falta, no empate em 1 x 1, com o Aimoré. Afora esse jogo, o Grêmio empatou apenas mais um, contra o Brasil de Pelotas, em 0 x 0. Foram nove vitórias, incluindo o Gre-Nal de reservas. Só a Libertadores ensombrece o ano do Grêmio, até agora. No campeonato estadual, o Grêmio sobra. Nas nove vitórias que obteve, seis foram por goleada, duas por 2 x 0, e somente uma por 1 x 0, no Gre-Nal. O bicampeonato parece estar a caminho.

segunda-feira, 18 de março de 2019

Servilismo

Dentre todas as figuras abjetas que fazem parte do purulento governo Bolsonaro nenhuma é mais execrável e repugnante do que o ministro da Economia, Paulo Guedes. Com sua formação na área tendo sido feita nos Estados Unidos, Guedes é considerado um "Chicago Boy", identificação dada aos economistas ultraliberais forjados na famosa cidade americana. O discurso desse grupelho é bem conhecido, e propõe a diminuição do tamanho do Estado, privatizações em cascata, eliminação de direitos trabalhistas, arrocho salarial. Em comum, todos os que compõem essa malta de economistas são ardorosos defensores do "american way of life". O servilismo de Guedes aos interesses e ao "modus vivendi" dos americanos ficou explícito, hoje, de maneira despudorada. Guedes é um dos integrantes da comitiva do presidente Jair Bolsonaro que está em visita oficial aos Estados Unidos e, em meio a declarações sobre as medidas econômicas que já tomou, e as que ainda pretende adotar, disse que ama os americanos. Destacando o fato de que estudou naquele país, Guedes citou, entre os itens americanos que ama, a Coca-Cola e a Disneylândia. O que mais causa espanto nesse filme de terror que está sendo vivido pelos brasileiros, é que um governo tão entreguista receba sustentação militar. Afinal, dos militares sempre se afirmou que são, acima de tudo, nacionalistas. No Brasil, um país acostumado a cultivar absurdos, os militares, em vez de defenderem os interesses da nacionalidade, participam da ação ignóbil de sujeição do país aos desmandos do imperialismo. O que se pode esperar do futuro do Brasil, diante de um quadro como esse? Só muita dor e desesperança.

domingo, 17 de março de 2019

Um Gre-Nal de reservas

O jogo pouco valia em termos de classificação no Campeonato Gaúcho. Na sexta-feira, o Inter anunciou que escalados os seus reservas. Poucos minutos antes do jogo, o Grêmio revelou que faria o mesmo. Portanto, haveria um Gre-Nal de reservas, hoje, na Arena. O jogo, então, seria frio, desinteressante? Nada disso, o Gre-Nal foi quente como de costume, tanto que Nonato, do Inter, foi expulso aos 29 minutos do primeiro tempo. O gol do jogo foi marcado pelo único titular que começou a partida, Leonardo Gomes, que deu a vitória ao Grêmio por 1 x 0. Mesmo tendo um homem a mais durante a maior parte do jogo, o Grêmio não obteve um placar mais folgado, e o Inter até melhorou seu rendimento no segundo tempo. Porém, o Grêmio venceu e ampliou ainda mais a sua vantagem na liderança do Gauchão, abrindo sete pontos sobre o segundo colocado, que agora é o Caxias. Mesmo com todas as tentativas de esvaziar o Gre-Nal, 44 mil pessoas estiveram na Arena. Afinal, era um Gre-Nal e, para o torcedor, isso basta.

sábado, 16 de março de 2019

Atitude ambivalente

O anúncio feito ontem pelo presidente do Inter, Marcelo Medeiros, de que o clube colocará um time  reserva no Gre-Nal de amanhã, na Arena, pegou a todos de surpresa. A notícia teve grande impacto, e dividiu opiniões. Medeiros alegou que o Inter tomou essa decisão em protesto ao fato de que o TJD da Federação Gaúcha de Futebol aumentou em mais dois jogos a pena de suspensão do atacante Nico Lopez, por incidentes ocorridos na partida contra o Juventude, no Alfredo Jaconi. Nico Lopez já havia cumprido dous jogos de suspensão, mas a procuradoria do TJD recorreu e pediu uma pena maior. O fato, na verdade, parece um pretexto criado pelo Inter para esfriar o Gre-Nal. Se examinada com atenção, a medida tomada por Medeiros é uma atitude ambivalente. O Gre-Nal, válido pelo Campeonato Gaúcho, pouco representa em termos da classificação dos dois clubes na competição. Os reflexos de seu resultado se dariam muito mais no campo psicológico. Dessa forma, seria compreensível que o Inter quisesse "esvaziar" o Gre-Nal. Afinal, uma derrota num jogo com os dois times completos reabilitaria o Grêmio de seu mau momento, e cortaria a fase positiva do Inter. Porém, caso vencesse nessas circunstâncias, o Inter instalaria uma crise no Grêmio, e ganharia ainda mais confiança no seu futebol. Ao optar por jogar com reservas, Medeiros preferiu colocar toda a carga do jogo para cima do Grêmio. Afinal, se o Grêmio, com os seus titulares, empatar ou perder para os reservas do Inter, será considerado um vexame. Se vencer, não terá feito mais que a obrigação. Assim, a medida tomada por Medeiros poderia ser considerada correta como estratégia. No entanto a ambivalência da atitude está no fato de que Medeiros agiu movido pelo medo. No fundo, Medeiros teme que o Inter não consiga fazer frente ao Grêmio numa disputa de times completos. O presidente do Inter resolveu não pagar para ver, e não correr o risco de proporcionar ao Grêmio uma reabilitação exatamente em cima do seu maior rival. Medeiros, então, amarrou toda uma história para justificar sua decisão, mas só os mais ingênuos, ou empedernidos chapas-brancas, sustentarão suas justificativas. Foi o medo que levou Medeiros a optar pelos reservas. Apenas isso, nada mais.

sexta-feira, 15 de março de 2019

Justiça

Ao fazer sua explanação final pedindo a condenação dos réus pelo assassinato do menino Bernardo Boldrini, o promotor bradou diante dos jurados: "Justiça, justiça, justiça". A justiça foi feita. O pai de Bernardo, Leandro Boldrini, e a madrasta do menino, Graciele Ugolini, receberam penas superiores a 30 anos de prisão. A cúmplice de Graciele, Edelvânia Gurganovicz, pegou uma pena superior a 20 anos de prisão, e o irmão dela, Evandro, foi condenado a 9 anos de reclusão. Um crime tão hediondo e revoltante não poderia resultar em absolvições, nem mesmo em penas brandas. A morte de Bernardo, de apenas 11 anos, foi o resultado de uma ação fria e premeditada por parte daqueles que deveriam lhe amar e proteger. A reparação de um crime de morte é sempre insuficiente. Afinal, não há como restituir a vida de quem foi assassinado. Porém, é indispensável que se apliquem penas severas para os praticantes do crime. O melhor que se pode fazer para honrar a memória das vítimas de assassinatos tão covardes é aplicar sentenças duríssimas para seus autores. Os jurados do Caso Bernardo souberam entender isso.

Monstruosidades

O julgamento dos acusados pelo assassinato do menino Bernardo Boldrini, ocorrido em 2014, em Três Passos (RS), e a chacina acontecida anteontem numa escola em Suzano (SP), estão entre os assuntos mais comentados da semana, em todo o país. Embora de motivações e circunstâncias diferentes, ambos os crimes trazem a marca de monstruosidades, de desprezo pela vida humana. Bernardo foi assassinado covardemente por quem deveria lhe amar e proteger, já que o seu pai foi o mentor do crime, e sua madrasta uma das executantes, junto com uma amiga. A chacina de Suzano se assemelha com vários episódios que ocorrem frequentemente nos Estados Unidos. Fatos como esse, até então raros no país, tendem a se multiplicar, já que o presidente Jair Bolsonaro estimula o uso de armas pela população. A insegurança, que já é grande entre os brasileiros, tende a se ampliar, pois com a liberação do uso de armas, a violência, em vez de ser contida, vai se banalizar. Resta esperar que no Caso Bernardo a justiça seja feita, com a condenação dos réus a pena mais longa que for possível.  Em relação à chacina, cabe desejar que a apologia ao uso de armas não se dissemine por toda a sociedade, evitando que episódios como esse se tornem corriqueiros. A lembrança do hediondo assassinato de um menino indefeso, e a brutal execução de pessoas inocentes por dois desequilibrados, fizeram dessa semana, uma das mais tristes na vida dos brasileiros. Num país tomado pelo ódio, como acontece atualmente, com o incentivo dos governantes, esses fatos aterrorizantes tendem a se tornar mais frequentes, e a vida humana, a cada dia, mais desvalorizada.