quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019
Bibi Ferreira
Uma trajetória única. Assim pode ser definida a carreira da atriz Bibi Ferreira, que faleceu, hoje, aos 96 anos. Afinal, que outro artista, no Brasil ou no exterior, estrearia no teatro ainda bebê e só anunciaria sua aposentadoria cinco meses antes de sua morte em tão elevada idade? Bibi brilhou em peças e musicais. Cantava brilhantemente, e sua voz não perdia qualidade com o avançar do tempo. Num país onde a maior parte da população não tem acesso às produções culturais, Bibi Ferreira não é um nome de grande popularidade. Seu meio de atuação foi, fundamentalmente, o teatro, ainda que tenha feito incursões pela televisão. Portanto, sua carreira ficou fora da visibilidade das camadas menos privilegiadas da população, para as quais o teatro é uma realidade distante. Por isso, muitos talvez não tenham a dimensão do seu talento e a noção do quanto sua carreira foi magnífica. Bibi foi uma artista superlativa, uma diva. Deixa uma lacuna que será permanente, pois Bibi foi singular, inimitável.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2019
Grandes objetivos
A contratação de Diego Tardelli pelo Grêmio foi confirmada hoje, após alguns dias de tratativas. A vinda de Diego Tardelli mostra que o Grêmio tem grandes objetivos em 2019, e está disposto a ousar para que eles sejam alcançados. Na peça ofensiva, o técnico do Grêmio, Renato, terá várias opções de qualidade. Difícil será colocar todos no time titular. A repercussão da contratação foi grande em todo o país, e com ela o Grêmio mostra que nada fica a dever em poderio técnico na comparação com os badalados Flamengo e Palmeiras.
Perdas
Duas mortes marcaram o futebol no dia de hoje. As perdas de Gordon Banks e Caio tiram de cena dois homens que participaram decisivamente de grandes conquistas. Banks, um dos grandes goleiros da história do futebol, foi campeão da Copa do Mundo de 1966 pela Inglaterra e, em 1970, realizou a que é considerada, até hoje, a maior defesa do futebol em todos os tempos, numa cabeçada de Pelé. O jogo em que ela aconteceu foi Seleção Brasileira x Inglaterra, na Copa do Mundo. Banks faleceu aos 81 anos, de câncer nos rins. Caio foi um jogador que chegou sem alarde no Grêmio, e acabou sendo campeão da Libertadores e do mundo pelo clube. Foi dele o primeiro gol na vitória de 2 x 1 sobre o Penarol que deu ao clube o título da Libertadores de 1883. Caio faleceu aos 63 anos, em consequência de uma trombose que já havia lhe custado a amputação de ambas as pernas. Dois campeões mundiais, um de seleções, outro de clubes, que deixam enorme saudade entre os que testemunharam suas conquistas.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019
Ricardo Boechat
A morte de Ricardo Boechat, hoje ocorrida, de forma trágica, na queda de um helicóptero, representa a perda de um dos maiores nomes do jornalismo brasileiro. Não há nessa afirmação nenhuma concessão ao tom laudatório comumente empregado quando da morte de alguém importante. Boechat era, verdadeiramente, um jornalista de primeiríssimo nível. Seu colega na Rede Bandeirantes, José Luiz Datena, chegou a afirmar que Boechat era o maior jornalista brasileiro em atividade. Talvez fosse, mesmo. Boechat tinha características que são indispensáveis a um bom jornalista, mas que vem sendo esquecidas pelos profissionais da área. São elas a independência, o senso crítico, a incisividade, a coragem. Boechat fez desafetos tanto à esquerda quanto à direita do espectro ideológico. Afinal, nunca abdicou de tecer críticas segundo o teor dos fatos, sem tomar partido em favor de nenhum lado. O desaparecimento de Boechat coincide com um momento em que o país foi tomado pela burrice e pelo obscurantismo, com um governo que encaminha o Brasil para um retrocesso medieval. Num quadro tão desolador, uma figura como Boechat destoava do contexto. Era uma mente lúcida em meio a escuridão. Por tudo isso, Ricardo Boechat vai fazer muita falta.
domingo, 10 de fevereiro de 2019
A banca que só recebe
A rotina de todos os campeonatos gaúchos se fez presente, mais uma vez. O Inter venceu o Juventude, hoje, por 2 x 1, no Alfredo Jaconi. A história do jogo, no entanto, poderia ter sido outra. Ainda no primeiro tempo, quando o Inter vencia por 1 x 0, Victor Cuesta cometeu um pênalti claríssimo sobre Braian Rodriguez. O árbitro estava de frente para o lance, a poucos metros de distância e, mesmo assim, nada marcou. Há quem diga, diante de fatos como esse, que são "erros humanos", e que "a banca paga e recebe". Não é verdade. Em campeonatos gaúchos, o Inter é a banca que só recebe.
Campeão
Foi mais um show do Grêmio. Hoje, na Arena, pelo Campeonato Gaúcho, o Grêmio goleou o Avenida por 6 x 0. Em seis jogos no Gauchão o Grêmio obteve cinco vitórias e um empate, marcou vinte e um gols e sofreu apenas um. Não bastasse isso, o jogo de hoje valeu ao Grêmio, também, a conquista do título de campeão da Recopa Gaúcha, competição que reúne os campeões do ano anterior do campeonato estadual e Copa da Federação. Todas as vitórias do Grêmio, até aqui, foram por goleadas. Em duas delas, o Grêmio jogou com os reservas. O Grêmio está fazendo da disputa estadual um treino mais forte.
sábado, 9 de fevereiro de 2019
Caos administrativo
Nada é tão ruim que não possa piorar. O governo de Jair Bolsonaro estava condenado a ser um desastre, só rematados imbecis acreditariam que pudesse dar certo. Porém, o que se vê em apenas 40 dias da nova administração do país é muito pior do que qualquer projeção. O que se tem é um caos administrativo. A longa internação de Bolsonaro, muito maior do que a inicialmente prevista, deixa em dúvida a sua real condição de saúde. As discrepâncias entre as declarações do vice-presidente Hamilton Mourão com posições anteriormente assumidas por Bolsonaro geram tensões entre os integrantes do governo, e estimulam especulações de uma briga pelo poder. Afinal, quem está, efetivamente, governando o Brasil? Bolsonaro, isolado num hospital e com um quadro incerto de saúde, apenas simula estar exercendo o cargo. Mourão não está autorizado a governar, pois Bolsonaro não lhe transmitiu o cargo interinamente. O governo Bolsonaro parece estar dividido em grupos heterogêneos que buscam o poder avidamente. Não há um norte administrativo, um projeto de país. As perspectivas para o futuro são, todas elas, muito sombrias. O Brasil caminha para o abismo, aceleradamente. A letargia da população diante desse quadro é que espanta. Será fruto da teimosia em apostar num governo inviável, ou resignação diante de um sonho desfeito tão rapidamente? Por tudo que se observa, o pior ainda está por vir. O desatino eleitoral praticado por muitos brasileiros já está cobrando a sua conta.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019
Um país tomado pelo luto
O ano de 2019 está somente começando, são apenas 39 dias transcorridos. Porém, num período de tempo tão exíguo, o Brasil tornou-se um país tomado pelo luto. Tudo começou com o crime ambiental de Brumadinho (MG), com mais de cem vítimas. Prosseguiu com o temporal no Rio de Janeiro, dois dias atrás, que deixou seis vítimas fatais e um rastro de destruição. Hoje, o país amanheceu com a notícia de que dez jovens das categorias inferiores do Flamengo, morreram num incêndio em alojamentos do "Ninho do Urubu", o centro de treinamento do clube. Se a dor da perda de vidas é comum aos três episódios, na essência eles diferem entre si. O único dos três casos que pode ser considerado uma fatalidade é o do temporal no Rio de Janeiro. Afinal, temporais são manifestações da natureza, ainda que suas consequências sejam maiores quando há omissão do poder público nas medidas preventivas. O rompimento da barragem em Brumadinho é um crime ambiental dos mais abjetos, cuja responsabilidade é da mineradora Vale. O ocorrido, hoje, no "Ninho do Urubu", não é uma fatalidade, nem um crime, mas o resultado do provisório cuja temporariedade vai se prolongando. Os alojamentos consumidos pelo incêndio eram estruturas provisórias, ainda que dotadas de conforto, montadas sobre contêineres. Eles eram utilizados desde 2014, inicialmente pelo grupo de profissionais. Com o avanço das obras do centro de treinamento, os profissionais foram transferidos para alojamentos definitivos e de alto padrão. Os contêineres, então, foram reservados para os jovens das categorias inferiores. Na próxima semana, também eles irão para alojamentos mais estruturados. Os dez garotos que perderam a vida em meio ao fogo, no entanto, não irão usufruir das novas instalações. Eles foram vítimas do descaso que permitiu ao Flamengo fazer uso dos contêineres sem alvará de funcionamento, nem plano de combate a incêndio. Os sonhos de meninos pobres, que vêem no futebol seu único meio de ascensão social, foram ceifados pela desídia dos que dirigem um dos maiores clubes do país, combinada com a omissão dos agentes públicos. Em todos esses casos, a corda sempre rebenta do lado mais fraco, ou seja, o dos mais pobres. No rompimento da barragem, com a morte de operários da mineradora e de trabalhadores humildes da região. No temporal, com as perdas, humanas e materiais, dos moradores de morros e encostas, os mais expostos nessas situações. Por fim, no incêndio, com a abrupta interrupção da trajetória de vida de jovens pobres em busca de um futuro melhor. O Brasil, em outros tempos um país marcado pela descontração e expansividade de seu povo, agora chora mortos em sequência. São apenas 39 dias, e 2019 já parece interminável.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019
Estado mínimo
O que antes era apenas uma intenção da direita, vai ganhando forma aceleradamente. O estado mínimo, onde o cidadão é abandonado pelo poder público e entregue aos apetites vorazes do mercado, vai se desenhando ante a apatia de um eleitorado que, manipulado pelas forças retrógradas do país, caminha como um boi para o matadouro. O governo federal propõe que os jovens que venham a ingressar no mercado de trabalho não tenham direito a décimo-terceiro salário e férias. Alguns governos estaduais recorreram ao Supremo Tribunal Federal para reduzir a carga horária do funcionalismo público, com o intuito de pagar menos aos servidores. Paralelamente aos ataques ao bolso da parcela mais frágil da sociedade, os governantes de direita seguem dando anistias e incentivos fiscais aos grandes grupos econômicos e não lhes cobram os imensos valores sonegados aos cofres públicos. O Brasil se encaminha para um futuro de miséria e caos social. A resposta a esse quadro dantesco precisa ocorrer o quanto antes, e de forma enérgica. O que está em jogo é o futuro das próximas gerações. Não há privilégios a serem combatidos, como alegam os neoliberais. O que há são direitos duramente conquistados, que devem ser defendidos com unhas e dentes. As tão propagadas reformas em nada beneficiarão o país, só irão depauperar a população. A iníqua reforma trabalhista, com todo o seu quadro de horrores, foi aprovada no governo do ex-presidente golpista e ilegítimo Michel Temer, e já produz efeitos devastadores na vida dos trabalhadores. As forças de oposição precisam se mobilizar para impedir a aprovação das demais proposições dos democraticidas, especialmente a reforma previdenciária. O Brasil não pode cair no abismo da desintegração social que a concretização das reformas neoliberais irão, inevitavelmente, causar.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019
A ensandecida perseguição contra um simbolo
O ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva sofreu mais uma condenação a 12 amos de prisão, dessa vez pelo processo referente a sua suposta posse de um sítio em Atibaia (SP). Não há razão para fazer referência ao teor das acusações contra Lula, pois ele é sobejamente conhecido. A inconsistência das acusações contra Lula e o seu viés político são por demais evidentes. Lula é vítima de um conluio entre figuras dos meios político, militar, jurídico e da imprensa cujo objetivo é destruir a sua imagem. As absurdas condenações a longos períodos de prisão, que, somados, superam a sua expectativa de vida, é um meio de impedir que, livre e com seus direitos políticos restituídos, Lula volte a ser presidente, fato que seria inexorável. O que se vê é a ensandecida perseguição contra um símbolo. Sim, Lula é alvo do ódio incontido de fascistas que não digerem o fato de que ele é o presidente mais popular da história do país, e de que, se concorresse novamente ao cargo, ganharia de qualquer oponente, com facilidade. A nova condenação de Lula não aconteceu, nesse momento, por acaso. A mobilização para que Lula seja indicado para o Prêmio Nobel da Paz vem crescendo. Caso a honraria seja concedida a Lula, isso constituiria um revés impossível de ser digerido por seus inimigos. Porém, condenado ou não, com ou sem o recebimento do Prêmio Nobel, Lula já tem o seu lugar na história, enquanto seus perseguidores sequer irão merecer, com o avanço do tempo, uma nota de rodapé. Não há abuso jurídico ou esforço retórico que possam arranhar a imagem de Lula. Vivo ou morto, preso ou solto, Lula será sempre uma presença indelével no cenário político brasileiro.
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